
Impiedosas

Sara Shepard, Pretty Little Liars 07 - Impiedosas.txt



                      Agradecimentos:
Agradeo a todas aquelas pessoas que ajudaram nesse projeto, e s desejo para todos BOA
LEITURA!
Moderador:
Patryck Pontes
Equipe de traduo:
Gabrielly C.
Patryck Pontes
Barbara A.
Raquel Garcia
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        Se eu apenas tivesse um corao.
    - HOMEM DE LATA, O MGICO DE OZ
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                                PERDIDA E ENCONTRADA
                                                                         Traduzido por Raquel Garcia
        Sempre tem algo realmente importante logo em cima e desaparece sem deixar rastro?
Como esse clssico leno Pucci que voc levava formalmente no 9 ano. Esteve ao redor de seu
pescoo a noite toda, mas quando chegou a hora de ir para casa, puf. Se foi. Ou esse precioso
medalho de ouro que sua av te deu. De alguma maneira cresceram-lhe pernas e se afastou.
Mas as coisas perdidas no desaparecem no ar. Elas tm que estar em algum lugar. Quatro
lindas garotas de Rosewood perderam coisas muito importantes tambm. Coisas muito maiores
que um leno ou um colar.
        Como a confiana de seus pais. Um futuro na Liga Ivy. Pureza. E elas pensaram que
tinham perdido sua melhor amiga de infncia, tambm... mas talvez no. Talvez o universo a
devolveu, s e salva. Mas lembre-se, o mundo tem uma maneira de equilibrar: quando algo 
devolvido, outra coisa deve ser tomada. E em Rosewood, isso poderia ser algo. Credibilidade.
Sanidade. Vidas.
                                              ***
         Aria Montgomery foi a primeira a chegar. Ela levantou sua bicicleta no caminho de
cascalho esmagado, se deixou cair sob um salgueiro choro de lavanda, e passou os dedos pelo
mole e cortado solo. Ontem, a grama cheirava a vero e a liberdade, mas depois de tudo o que
tinha acontecido, o cheiro j no cheirava a Aria a muita alegria.
         Emily Fields logo apareceu. Ela usava os mesmos desbotados jeans e uma camiseta
amarelo limo de Old Navy que tinha usado na noite anterior. A roupa estava amassada agora,
como se ela tivesse dormido com elas.
         - Hey - disse ela com indiferena, abaixando-se ao lado de Aria. Nesse mesmo
momento, Spencer Hastings saiu de sua porta principal, com um olhar solene no rosto, e Hanna
Marin fechou a porta do Mercedes de sua me.
         - Ento - Emily finalmente quebrou o silncio quando estavam todas juntas.
         - Ento - Aria ecoou.
         Simultaneamente, giraram e olharam o gramado do fundo do quintal de Spencer. Na
noite anterior, Spencer, Aria, Emily, Hanna e Alison DiLaurentis, sua melhor amiga e lder,
deveriam ter tido a sua to aguardada ltima-festa-de-pijamas-de 7 ano al.
         Mas no lugar da festa que duraria at o amanhecer, terminou abruptamente antes da
meia-noite. Longe de ser o comeo perfeito para o vero tinha sido um desastre constrangedor.
         Nenhuma delas pode fazer contato visual. Tampouco podiam olhar para o lado da
grande casa vitoriana que tinha pertencido  famlia de Alison. Elas estiveram l por mais de um
momento, mas no foi Alison quem as convidou hoje, era sua me, Jessica.
         Ela tinha chamado cada uma das garotas no meio da manh dizendo que Alison no
tinha aparecido depois do caf da manh. "Ela estava na casa de uma de vocs?" A me de
Alison no tinha parecido muito preocupada quando elas disseram no, mas quando ela chamou
umas horas mais tarde, relatando que Alison no tinha aparecido, sua voz era fina e aguda de
aflio.
         Aria apertou seu rabo de cavalo.
         - Nenhuma de ns viu Alison, verdade?
         Elas sacudiram suas cabeas. Spencer com cuidado encostou cuidadosamente em um
hematoma roxo que apareceu naquela manh no seu pulso. Ela no tinha idia de quando ela
tinha se machucado. Tinha alguns arranhes sobre seus braos, tambm, como se tivesse se
enroscado em uma videira.
         - E ela no contou a ningum aonde ia? - perguntou Hanna.
         Cada garota encolheu os ombros.
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         - Ela provavelmente est em algum lugar divertido - Emily concluiu em uma voz de
Eeyore, abaixando a cabea. As garotas tinham apelidado Emily de "Assassina", como o pitbull
pessoal de Ali. Essa Ali podia ter mais diverso com algum que partiu seu corao.
         - Que agradvel ela  por nos incluir - Aria disse amargamente, chutando um grupo de
ervas com suas botas de motociclista.
         O sol quente de junho chicoteava impiedosamente sobre sua plida pele de inverno. Elas
ouviram um respingo de uma piscina do quintal e o barulho do cortador de grama a distncia.
Isto que era o tpico vero da suburbana Rosewood, Pennsylvania, um subrbio luxuoso e
intocado aproximadamente a vinte quilmetros de Filadlfia. Neste momento, as garotas
estavam supostamente junto da piscina no Clube de Campo de Rosewood, paquerando os
garotos lindos que estavam em sua escola particular de elite, Rosewood Day. Elas           ainda
poderiam fazer isso, mas acharam estranho divertir-se sem Ali.
         Na festa de pijamas de ontem a noite, Ali parecia mais agravada com elas do que de
costume. Distrada, tambm, ela quis hipnotiz-las, mas quando Spencer insistiu que as
persianas ficassem abertas, Ali, argumentou que tinham que ficar fechadas, logo Ali
repentinamente se foi sem dizer adeus. Todas as meninas tiveram uma sensao de vazio
porque elas sabiam por que as havia deixado, Ali tinha encontrado algo melhor para fazer, com
amigos mais velhos e mais legais do que elas eram.
         Embora nenhuma delas admitisse, elas sentiram que isto poderia acontecer. Ali era a
garota em Rosewood Day quem colocava tendncias, liderava o topo da lista das garotas mais
sexy para cada tipo de garoto, e decidia quem era popular e quem era um invisvel. Ela poderia
encantar a algum, de seu mal humorado irmo mais velho, Jason, ao professor de histria mais
rigoroso da escola. No ano passado, ela tirou Spencer, Hanna, Aria e Emily do anonimato e as
convidou ao seu santurio interior. As coisas eram perfeitas durante os primeiros meses, cinco
delas dominando os corredores de Rosewood Day, segurando o tribunal nos jogos do sexto ano
e sempre marcava a melhor cabine na Rive Gauche no Sopping King James, expulsando as
meninas menos populares que estavam sentadas l primeiro. Mas no final da stima srie, Ali
ficou cada vez mais distante. Ela no as chamava imediatamente quando chegava em casa da
escola. Ela no lhes escrevia bilhetes durante as aulas. Quando as meninas falaram com ela,
seus olhos a princpio se mantiveram vidrados, como se seus pensamentos estivessem em outro
lugar. As nicas coisas que interessaram a Ali foram seus mais profundos e obscuros segredos.
         Aria olhou para Spencer.
         Voc ficou fora do celeiro na noite passada depois de Ali. Voc, realmente, no viu que
direo ela foi?
         Ela teve que gritar sobre o som de algum batendo na grama.
         - No - Spencer disse rapidamente, olhando fixamente em sua branca J. da equipe "Flip-
flop".
         - Voc correu para fora do celeiro? -Emily puxou um dos seus rabos de cavalo loiro
avermelhado-. No me lembro disso.
         Foi logo depois que Spencer falou para Ali sair - Aria informou-as, um tom de irritao
em sua voz.
         - Eu no pensei que fosse - Spencer disse entre dentes, "arrancando a un pcaro", dente
de leo amarelo brilhante que havia brotado debaixo do salgueiro. Hanna e Emily morderam
suas cutculas. A mudana do vento, e o cheiro suave de lilases e madressilva encheram o ar. A
ltima coisa que elas recordavam era a estranha hipnose de Ali: ela contou de cem at zero,
tocou suas testas com o polegar, e anunciou que elas estavam em seu poder. Horas            mais
tarde, elas acordaram de um sono profundo e desorientado e Ali tinha ido embora.
         Emily puxou o colarinho da blusa sobre o nariz, algo que fazia quando estava
preocupada. Sua blusa cheirava a qualquer temperatura, levemente a alegria e desodorante.
         - Ento, o que podemos dizer a me de Ali?
         - A acobertamos - disse Hanna com total naturalidade-. Falaremos que Ali est com seus
amigos de hquei de campo.
         Aria inclinou despreocupadamente a cabea para cima seguindo o trajeto de um avio
no cu azul sem nuvens.
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         - Eu acho.
         Mas no fundo, ela no queria acobertar Ali. Na noite anterior, Ali soltou insinuaes
sobre o horrvel segredo do pai de Aria. Realmente merece a ajuda de Aria agora?
         Os olhos de Emily seguiram uma abelha enquanto caminhava sem rumo de flor a flor no
jardim da frente de Spencer. Ela tambm no queria encobrir Ali. Ali provavelmente estava com
seus amigos mais velhos de hquei de campo, mundanos, intimidando as garotas que fumavam
na janela de seus Range Rovers e assistiam jogos caseiros com pipas. Emily era horrvel por
querer que Ali entrasse em apuros por fugir com eles? Ela era uma m amiga por querer Ali s
para ela? Spencer franziu o cenho tambm. No  justo que Ali presumisse que elas seriam s
para ela. Na noite passada, antes que Ali hipnotizasse Spencer, Spencer saltou em protesto. Ela
estava cansada de que as fossem exatamente como Ali queria.
         - Vamos, garotas - insistiu Hanna, sentindo a relutncia de todo mundo. Temos que
acobertar Ali. -A ltima coisa que Hanna queria era dar a Ali um motivo para deix-las, se isso
acontecesse, Hanna voltaria a ser uma perdedora feia e gorda. E no era a pior coisa que
poderia acontecer. - Se ns no a protegermos, ela pode contar a todos sobre... Hanna se
acalmou, olhando atravs da rua a casa onde viviam Toby e Jenna Cavanaugh. Havia cado em
desuso ao longo do ano passado, a grama no jardim da frente precisava de um corte, e na parte
inferior das portas da garagem foram cobertas com uma fina camada de musgo verde,
manchado. Na primavera passada, elas, por acaso, haviam cegado Jenna Cavanaugh quando
ela e seu irmo estavam em sua casa na rvore. Ningum sabia que elas tinham posto os fogos
de artifcio, no entanto, e Ali as fizeram prometer nunca dizer o que realmente aconteceu,
dizendo que o segredo manteria sua amizade para sempre. Mas e se elas no eram mais
amigas? Ali podia ser cruel com as pessoas que no gostava. Depois que descartou do nada
Naomi Zeigler e a Riley Wolfe no incio do sexto ano, ela tinha lhes proibido as festas, fazendo
que os garotos as enganassem chamando a suas casas, e at mesmo hackearam suas pginas
no MySpace, escrevendo bilhetes de entradas meio pungentes e meio graciosas, sobre os seus
segredos constrangedores. Quando Ali abandonasse suas quatro novas amigas, que promessa
quebraria? Que segredos vai dizer?
         A porta de entrada da casa dos DiLaurentis se abriu, e a me de Ali colocou a cabea na
varanda. Embora geralmente elegante e polida, a Sra. DiLaurentis lanou o seu cabelo loiro claro
em um rabo de cavalo desleixado. Um shorts desgastado, preso em seus quadris, e sua
camiseta desigual esticada em sua barriga. As meninas levantaram e subiram o caminho de
pedra at a porta de Ali. Como de costume, o saguo cheirava a amaciante, e as fotos de Alison
e seu irmo, Jason, alinhadas na sala. O olhar de Aria foi imediatamente para a imagem adulta
de Jason, o cabelo loiro comprido cado em seu rosto, os cantos de sua boca encolhidos em
uma nica sugesto de um sorriso. Antes que as meninas pudessem realizar seu ritual de
costume de tocar no canto inferior direito de sua foto favorita de sua viagem ao Poconos em
julho, a Sra. DiLaurentis as arrastou para a cozinha e fez um gesto para elas se sentarem na
grande mesa de madeira. Parecia estranho estar na casa de Ali, sem Ali aqui era quase como
espion-la. Havia evidncia dela em todos os lugares: um par de cunhas turquesa de Tory Burch
pela porta da lavanderia, um frasco, do tamanho para uma viagem, de creme para mos de
baunilha predileto de Ali sobre a mesa de telefone, e o boletim escolar de Ali, todas as notas A, 
claro, anexado a geladeira de ao inoxidvel com um m de pizza.
         A Sra. DiLaurentis se sentou com elas e limpou sua garganta.
         - Eu sei que vocs, meninas, estavam com Alison na noite passada, e eu preciso para
pensar realmente com fora. Vocs tm certeza que ela no deu nenhuma dica sobre onde ela
poderia ter ido?
         As garotas balanaram suas cabeas, olhando fixamente nos individuais tecidos de juta.
         - Eu acho que ela est com seus amigos de hquei de campo lanou Hanna, quando
pareceu que ningum iria falar.
         A Sra. DiLaurentis rasgou uma lista de compras de supermercado em pequenos
quadrados.
         - Eu j liguei para todas as garotas da lista telefnica da equipe, e a seus amigos de
acampamento de hquei. Ningum a viu.  As garotas trocaram olhares alarmados. Os nervos
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passaram como um raio atravs de seus peitos, e seus coraes comearam a bater um pouco
mais rpido. Se Ali no estava com nenhum dos seus outros amigos, ento onde estava?
        A Sra. DiLaurentis tamborilou com os dedos sobre a mesa. Suas unhas pareciam
desiguais, como se ela tivesse mordido.
        - Mencionei voltando para casa na noite passada? Eu pensei que a vi na porta da
cozinha quando falava com... Ela ela se arrastou para longe por um momento, lanando os
olhos para a porta dos fundos -. Ela parecia perturbada.
        - Ns no sabamos que Ali voltou para casa  Aria disse entre dentes.
        - Oh- as mos da me de Ali tremeram quando alcanou seu caf-. Ali nunca falou de
algum que a incomodava?
        - Ningum faria isso Emily disse rapidamente-. Todos adoram Ali.
        A Sra. DiLaurentis abriu a boca para protestar mas depois mudou de idia.
        - Tenho certeza que voc tem razo. E ela nunca disse nada sobre fugir?
Spencer bufou.
        - De maneira nenhuma - Somente Emily abaixou a cabea. Ela e Ali falavam as vezes
em fugir juntas. Uma de suas fantasias sobre voar a Paris e adotando novas identidades em alta
rotao recentemente. Emily estava segura que Ali nunca tinha falado a srio.
        - Ela nunca pareceu triste?- A Sra. DiLaurentis continuou.
        Cada uma das expresses das meninas ficaram cada vez mais intrigadas.
        - Triste? Hanna pronunciou por ltimo-. Como... Deprimida?
        - Absolutamente no Emily afirmou, pensando em como Ali tinha girado alegremente
pela grama no dia anterior, comemorando o fim do stimo ano.
        - Ela nos diria se algo a incomodasse  Aria acrescentou, embora no tivesse
exatamente certeza se isso era verdade. Nunca mais, desde que Ali e Aria tinham descoberto
um segredo devastador sobre o pai de Aria algumas semanas atrs, Aria evitou ficar perto de Ali.
Ela tinha esperana que pudessem voltar atrs na festa de pijamas da noite passada.
        A mquina de lavar louas DiLaurentis queixou-se, mudando o prximo ciclo. O Sr.
DiLaurentis andou pela cozinha, parecendo nublado e perdido. Quando olhou para sua esposa,
uma expresso desconfortvel surgiu em seu rosto, e rapidamente ele virou e foi embora,
coando seu grande nariz spero.
        - Voc tem certeza que no sabe nada? A Sra. DiLaurentis perguntou. As linhas de
preocupao franziram a testa-. Olhei em seu dirio, pensando que talvez poderia ter escrito
algo nele sobre o local onde foi, mas no o encontrei em lugar algum.
        Hanna afirmou.
        - Sei a aparncia de seu dirio. Quer subir as escadas e procurar? Tinham visto Ali
escrevendo em seu dirio h alguns dias, quando a Sra. DiLaurentis as enviou at o quarto de
Ali sem avisar Ali primeiro. Ali estava to absorvida em seu dirio que parecia assustada com
suas amigas, como se ela tivesse esquecido por um momento que elas tinham sido convidadas.
        Minutos mais tarde, a Sra. DiLaurentis mandou as garotas para baixo porque queria falar
com Ali sobre algo, e quando Ali apareceu no quintal, ela parecia chateada que elas estivessem
l, como se elas tivessem feito algo errado em sua casa enquanto sua me gritava.
        - No, no, est tudo bem a Sra. DiLaurentis disse, deixando a xcara de caf
rapidamente-. Realmente.
        Hanna passou atrs de sua cadeira e comeou pela entrada.
        - No  problema.
        - Hanna a me de Ali vociferou, sua voz, de repente, muito afiada-. Eu disse que no.
        Hanna parou sob o lustre. Algo impossvel de ler crescendo por baixo da pele da sra.
DiLaurentis.
        - Bem disse Hanna calmamente, voltando  mesa-. Desculpa.
        Depois disso, a senhora DiLaurentis agradeceu as meninas por terem vindo. Elas sairam
uma por uma, piscando sob o sol surpreendentemente brilhante. Na rua sem sada, Mona
Vanderwaal, uma garota perdedora de seu ano, estava fazendo oito figuras grandes de sua
scooter Razor. Quando viu as meninas, ela cumprimentou. Nenhuma delas acenou de volta.
        Emily chutou um ladrilho solto no caminho.
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        - A Sra. DiLaurentis est exagerando. Ali est bem.
        - Ela no est triste insistiu Hanna-. O que uma coisa retardada te faz dizer.
        Aria enfiou suas mos nos bolsos traseiros de sua minissaia.
        - O que acontecer se Ali fugiu? Talvez no porque ela no era feliz, mas porque havia
um lugar mais legal onde queria estar. Provavelmente nem sequer sinta nossa falta.
        -  claro que sente nossa falta Emily disse bruscamente. E ento comeou a chorar.
Spencer olhou para cima, rolando os olhos.
        - Deus, Emily. Tem que fazer isso agora?
        - Diga adeus a ela estalou Aria.
        Spencer olhou para Aria, a inspecionando de cima a baixo.
        - O anel de seu nariz est torcido ela disse, mas tinha um pouco de maldade em sua
voz.
        Aria sentiou a cola, ofuscar em sua narina esquerda. De alguma maneira tinha cado
quase at a bochecha. Ela o empurrou de volta para sua posio e, logo, em um movimento de
autoconscincia, puxou para fora.
        Houve um murmrio, e logo um forte estalo. Se virou e viu Hanna procurando em sua
bolsa um punhado de Cheez-its. Quando Hanna se deu conta que a olhavam de soslaio,
congelou.
        - O qu? disse ela, uma mancha alaranjada em volta da boca.
        Cada uma permaneceu em silncio por um momento. Emily secou suas lgrimas.
        Hanna pegou outro punhado de Cheez-its. Aria brincou com as fivelas das botas de
motociclista. E Spencer de braos cruzados, olhando entediada para todas. Sem Ali al, de
repente as garotas pareciam to defeituosas. Fora de moda, inclusive.
        Um barulho ensurdecedor soou no quintal de trs de Ali. As meninas foram e viram um
caminho de cimento vermelho colocado ao lado de um grande buraco. Os DiLaurentis estavam
construindo um terrao para vinte pessoas. Um trabalhador mal vestido, magro, com um
encorpado rabo de cavalo loiro levantou os culos de sol para as meninas. Ele lhes deu um
sorriso sensual, mostrando um dente de ouro. Um trabalhador atarracado, calvo, muito tatuado
em uma camiseta justa e pequena e jeans rasgados assobiou. As garotas se abalaram e se
perturbaram, Ali tinha contado a elas histrias sobre comos os trabalhadores estavam
constantemente fazendo comentrios obscenos em seu caminho.
        Em seguida, um dos trabalhadores apontou para o homem ao volante do misturador de
cimento, e o caminho lentamente foi para trs. Coberta de cinza rezumbando por um longo
tempo no buraco.
        Ali vinha dizendo sobre este projeto do terraodurante semanas. O qual teria um ofur de
um lado e uma fogueiro do outro lado. Grandes plantas, arbustos e rvores ao redor de tudo de
modo que o terrao parea tropical e sereno.
        - Ali amar o terrao disse Emily com confiana. Ela vai ter as melhores festas l.
        As outras assentiram cautelosamente. Expressaram sua esperana de que foram
convidadas. Esperavam que isto no fosse o fim de uma poca. E depois se separaram, cada
uma foi para sua casa.
        Spencer andou pela cozinha, olhando para as janelas para trs do celeiro onde a horrvel
festa de pijamas tinha acontecido. Em seguida Ali as tinha abandonado para sempre? Suas
amigas podiam estar devastadas, mas talvez no seria to ruim. Spencer acabou empurrando Ali
ao seu redor. Quando sentiu um frio, saltou. Sua me estava sentada no balco de ilha, olhando
para o vazio, com os olhos vidrados.
        - Me? disse Spencer em voz baixa, mas sua me no respondeu. Aria caminhava pela
calada dos DiLaurentis. O lixo da famlia estava sobre a calada esperando a coleta de lixo de
sbado. Sobre um dos sacos plstico preto de lixo estava um frasco vazio de receita.
        A maior parte da etiqueta foi removida, mas o nome de Ali se detalhava em letras
maisculas. Aria se perguntou se se tratava de antibiticos ou medicamentos para a alergia de
primavera, porque o plen em Rosewood foi brutal este ano.
        Hanna esperava em uma das pedras do jardim de Spencer por sua me para peg-la.
Mona Vanderwaal estava andando de bicicleta ao redor do beco sem sada. A Sra. DiLaurentis
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poderia ter razo? Tinha algum que se atreveu a caoar de Ali, como Ali e os outros zombavam
de Mona? Emily levou sua bicicleta e foi para a rea isolada de Ali pelo acesso direto  sua casa.
Os trabalhadores do terrao estavam fazendo uma pausa. O mesmo rapaz magrelo com o dente
de ouro feito bobo perto de algum com um bigode ralo, desatento ao concreto que flua do
misturador de cimento no buraco. Seus carros, um dente de Honda, dois caminhes e um pra-
choques, manchados, Jeep Cherokee, estavam estacionados na calada.              No final da fila
tinha um sedan preto vintage vagamente familiar. Era melhor que os demais, e Emily podia ver
seu reflexo nas portas brilhantes enquanto passava de bicicleta. Seu rosto parecia pensativo. O
que faria se Ali no queria mais ser sua amiga?
        Enquanto o sol nascia no cu, cada garota se perguntava o que aconteceria se Ali as
descartasse, como ela tinha feito a Naomi e Riley. Mas nenhuma delas prestou ateno s
perguntas frenticas da Sra. DiLaurentis. Ela era a me de Ali, era seu trabalho preocupar-se.
        Nenhuma delas poderia ter imaginado que no dia seguinte no jardim da frente dos
DiLaurentis estaria cheio de vans para obter notcias e carros de polcia. Nem poderiam saber
que Ali era realmente quem tinha planejado a reunio no celeiro aquela noite. No, nesse lindo
dia de junho, o primeiro dia das frias de vero, elas empurraram as preocupaes da Sra.
DiLaurentis de lado.
        As coisas ruins no aconteciam em lugares como Rosewood. E certamente no
aconteciam com meninas como Ali. Ela est bem, pensaram elas. Ela vai estar de volta.
        E trs anos mais tarde, talvez, apenas talvez, elas estariam finalmente bem.
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                                        NO RESPIRE
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         Emily Fields abriu os olhos e olhou ao redor. Ela estava no meio do quintal de Spencer
Hastings, cercada por uma parede de fumaa e chamas. Os galhos das arvores retorcidas
quebravam e caiam ao cho com golpes ensurdecedores. O calor irradiava pelo bosque,
fazendo-a se sentir como se fosse meados de julho, no final de janeiro.
         Duas das velhas melhores amigas de Emily, Aria Montgomery e Hanna Marin, estavam
perto, vestidas de seda sujo com vestido de lantejoulas, tossindo histericamente. Sirenes rugiam
atrs delas. As luzes do caminho de bombeiros giravam na distancia. Quatro ambulncias
estavam estacionadas no gramado dos Hastings, sem prestar ateno aos arbustos de forma
perfeita e os canteiros de flores.
         Um paramdico em uma exploso com uniforme branco chegou atravs da fumaa que
saa.
         -- Voc est bem? -- exclamou ajoelhando-se ao lado de Emily.
         Emily se sentia como se tivesse despertado de um sonho de um ano de durao. Algo
enorme acabou de acontecer... Mas o qu?
         O paramdico agarrou seu brao antes que ela casse novamente em sonho.
         -- Voc esta inalando uma grande quantidade de fumaa. Seu crebro no esta
recebendo oxignio suficiente. Voc esta caindo dentro e fora de sua conscincia.
         Ele colocou uma mascara de oxignio sobre o rosto.
         Uma segunda pessoa nadou  vista. Era um policial de Rosewood que Emily no podia
reconhecer, um homem de cabelo prata e olhos verdes.
         -- Tem algum mais no bosque, alem das quatro? --gritou acima do barulho.
         Os lbios de Emily se separaram, lutando para obter a resposta que foi apenas fora de
seu alcance. E ento, como uma luz de energia, todos os acontecimentos das ltimas horas a
tinham inundado novamente.
         Todos os textos de A, o mensageiro torturoso com o novo texto, insistindo em que Ian
Thomas no havia matado Alison DiLaurentis. O registro em o livro que Emily havia encontrado
na festa do hotel Radley com o nome de Jason DiLaurentis atravs dele, o que indicava que
poderia haver sido um paciente de novo quando o Radley era um hospital psiquitrico. Ian
confirmando a mensagem instantnea que Jason e Darren Wilden, o policial que trabalhava no
caso do assassinato de Ali, que havia sido o assassino de Ali e advertindo-as que Jason e
Darren no se deteriam diante de nada para mant-las caladas.
         E ento o piscar. O cheiro horrvel de enxofre. Os quatro hectares de incndio florestal.
         Haviam corrido um encontro com Aria, que ele tinha cortado atravs da floresta de sua
nova casa para uma rua. Aria trouxe uma menina com ela, algum que tinha sido preso na
floresta em chamas.
         Algum que pensou Emily nunca veria.
         Emily levou a mascara de oxignio de sua cara.
         --Alison --gritou--. No se esquea da Alison!
         O policial sacudiu a cabea. A mo do paramdico em seu ouvido.
         -- Quem?
         Emily virou-se, apontando onde Ali estava deitada na grama. Ela deu um grande passo
para trs. Ali tinha ido embora.
         --No --ela sussurrou. Ela virou-se. Os paramdicos estavam carregando suas amigas
para ambulncias--. Aria - gritou Emily--. Spencer! Hanna!
                                               10
         Suas amigas se voltaram.
         --Ali - gritou Emily, mexendo no lugar onde Ali havia estado.
         -- Voc viu onde estava Ali?
         Aria negou com a cabea. Hannah tem sua mscara de oxignio no rosto, com olhos
dardejando para frente e para trs. A pele de Spencer ficou branca com o terror, mas ento uns
grupos de tcnicos de emergncia mdica se juntaram em torno, ajudando a levantar a parte
traseira da ambulncia.
         Emily virou desesperadamente para o paramdico. Seu rosto estava iluminado pelo
moinho de vento que os Hastings queimam.
         --Olha Alison aqui. Acabo de v-la.
         O paramdico olhou para ela com a incerteza.
         --Alison DiLaurentis quer dizer, a menina que morreu ...?
         --Ela no est morta!--Emily lamentou, quase tropeando em uma raiz de rvore que
retrocedia. Ele apontou para as chamas--. Ela est ferida! Ela disse que algum estava tentando
mat-la!
         --Senhorita. --O policial colocou uma mo em seu ombro--. Tente se acalmar.
         Houve movimentos a poucos metros de distncia, e Emily virou. Quatro jornalistas
estavam perto do telhado da Hastings, a abertura aconteceu.
         --Senhorita Fields? --um reprter chamou, correndo em direo a Emily a bater o
microfone no rosto de Emily. Um homem com uma cmera e um homem que segurando uma
caneta correu muito--. O que ele disse? Que s viu?
         O corao de Emily bateu forte.
         --Ns temos que ajudar Alison!--Ele olhou ao redor novamente. A Cadeira de Spencer
estava cheio de policiais e tcnicos de emergncia mdica. Pelo contrrio, o velho quintal de Ali
estava vazio e escuro. Quando Emily viu uma DiLaurentis e o Hastings, seu corao deu um
salto. Ali? Mas foi apenas forma atrs da cerca de ferro forjado que separava o prximo uma
sombra feita pelos flashes de um carro da polcia.
         Mais jornalistas se reuniram, saindo da frente dos Hastings e dos quintais laterais. Uns
caminhes de bombeiros gritando muito alto, bombeiros saltaram do veculo e apontou uma
mangueira grande para floresta. Um jornalista careca, de meia-idade tocou o brao de Emily.
         --Como Alison parece? --exigiram--. Onde voc esteve?
         --Isso  o suficiente. --A polcia afastou todos--. D-lhe algum espao.
         O reprter se aproximou do microfone para ele.
         --Eles vo investigar a sua reclamao? Voc vai procurar pela Alison?
         --O que comeou com o fogo? Voc j viu? --outra voz gritou acima do barulho das
mangueiras de incndio.
         O paramdico manobrou Emily para longe.
         --Temos que sair daqui.
         Emily gemeu febril, desesperada olhando para o lugar vazio na grama. A mesma coisa
aconteceu quando viu o cadver de Ian na mata. Na semana passada, um minuto estava deitado
l, inchado e plido na grama, e depois estava... desaparecido. Mas isso no podia estar
acontecendo de novo. No podia. Emily havia passado anos esperando por Ali, obcecada com
todos os contornos do seu rosto, memorizando cada cabelo em sua cabea. E a menina na
floresta parecia exatamente como Ali. Sua voz rouca e sexy de Ali, e quando ela limpa a fuligem
do rosto, eram pequenas mos delicadas de Ali.
         Eles estavam na ambulncia agora. Outra EMT colocada a mscara de oxignio de volta
na boca e nariz de Emily e ajudou-a sentar em uma pequena mesa. Paramdicos foram
dobrados ao seu lado. Sirenes gritaram, e o veculo rolou lentamente para fora do campo. Na
curva da rua, Emily percebeu um carro da polcia atravs da janela traseira da ambulncia, suas
sirenes foram silenciadas, e suas luzes apagadas. Ele estava dirigindo para a casa de Hastings,
no entanto.
         Ela voltou sua ateno para a casa de Spencer, olhando novamente para Ali, mas tudo
que ela viu foi curioso. Uma delas foi a Sra. McClellan, uma vizinha da rua. Passando pela caixa
                                               11
de correio era o Sr. e a Sra. Vanderwaal, cuja filha, Mona, tinha sido a original A. Emily no os
via desde o funeral de Mona h alguns meses atrs . Mesmo os Cavanaughs estavam l,
observando as chamas em horror. Sra. Cavanaugh tinha uma mo descansando protetoramente
no ombro de sua filha Jenna. Embora os olhos cegos de Jenna fossem obscurecidos por seus
culos de sol Gucci, Parecia que ela estava olhando diretamente para Emily.
        Mas Ali no estava em parte alguma deste caos. Ela tinha desaparecido, de novo.
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                                             2
                              TRANSFORMADA EM FUMAA
                                                                          Traduzido por Patryck Pontes
         Quase seis horas mais tarde, uma alegre enfermeira com um grande rabo de cavalo de
cor castanho afastou a cortina do pequeno quarto isolado de Aria, na sala de emergncia do
Rosewood Memorial. Entregou ao pai de Aria, Byron, uma prancheta e pediu para assin-la em
baixo.
         -- Alm das contuses na perna e a fumaa que inalou, creio que ficar bem -- disse a
enfermeira.
         -- Graas a Deus -- suspirou Byron, escrevendo seu nome com um movimento. Ele e o
irmo de Aria, Mike, haviam chegado ao hospital pouco depois que a ambulncia a trouxera. A
me de Aria encontrava-se em Vermont passando a noite com seu detestvel noivo Xavier, e
Byron havia dito que no havia nenhuma razo para voltar correndo para casa.
         A enfermeira olhou para Aria.
         -- Sua amiga Spencer quer te ver antes que v embora, no segundo andar, quarto 206.
         -- Bem -- disse Aria com voz trmula, passando as pernas por debaixo da spera roupa
de cama do hospital.
         Byron se levantou da cadeira de plstica branca ao lado da cama e encontrou o olhar de
Aria.
         -- Te esperarei na entrada. Leve o tempo que precisar.
         Aria se levantou lentamente. Passou suas mos por cabelo azulado, com pequenos
flocos de fuligem e folhas de cinza. Quando se agachou para tirar seus jeans e colocar seus
sapatos, seus msculos doam como se tivesse escalado o Monte Everest. Havia ficado
acordada toda a noite, enlouquecendo pelo que acabava de acontecer no bosque. Embora suas
amigas tambm terem sido levadas para sala de emergncia, todas estavam em cantos
separados da sala, de modo que Aria no conseguiu falar com nenhuma delas. Toda vez que
tentava se levantar, as enfermeiras se precipitavam em seu quarto e diziam que precisava
descansar e dormir um pouco. Bem. Ia acontecer de novo.
         Aria no tinha idia do que pensar acerca da terrvel experincia que acabava de
participar. Por um momento estava correndo em direo ao quintal de Spencer, com o pedao
da bandeira da cpsula do tempo que havia roubado de Ali no sexto ano escondida em seu
bolso traseiro. No havia olhado a parte azul brilhante havia quatro longos anos, mas Hanna
estava convencida de que os desenhos que estavam nela continham uma pista do assassino de
Ali. Ento, justamente quando Aria escorregou em um punhado de folhas molhadas, o odor acre
do gs chegou a seu nariz e ouviu um clique fino como papel de um fsforo incendiando. Em seu
redor, o bosque estalou em ardentes e brilhantes chamas, e abraou sua pele. Momentos
depois, encontrou algum no bosque que gritava desesperadamente pedindo ajuda. Um pessoa
cujo corpo todas pensavam que estava em um buraco semi-escavado no velho ptio dos
DiLaurentis. Ali. Ou pelo menos era o que Aria havia pensado neste momento. Mas agora... bom,
agora no sabia. Olhou seu reflexo no espelho suspenso na porta. Suas bochechas estavam
magras, seus olhos forrados com roxo. O mdico de urgncia que a havia examinado lhe
explicou que era comum ver coisas loucas depois de inalar uma grande quantidade de
substancias nocivas da fumaa, privando o oxignio, o crebro torna-se uma loucura. O bosque
havia sido realmente sufocante. E Ali estava parecendo to confusa e surreal, claramente como
um sonho. Aria no sabia que as alucinaes em grupo fossem possveis, mas todas haviam tido
a Ali em suas mentes na noite anterior. Talvez era bvio, porque Ali foi a primeira coisa que cada
uma delas pensou quando seus crebros comearam a apagar.
                                               13
        Depois que Aria terminou de mudar os jeans e um suter que Byron havia trazido de
casa, se dirigiu ao apartamento de Spencer no segundo andar. O Sr. e a Sr. Hastings estavam
entrando em colapso em umas cadeiras da sala de espera no corredor, verificando seus
BlackBerrys. Emily e Hanna j estavam dentro do quarto, vestidas com jeans e suteres, mas
Spencer, todavia, estava no cama com seu casaco de hospital. Com tubos de alimentao em
seus braos, sua pele estava plida e havia olheiras embaixo de seus olhos azuis e uma
contuso em sua mandbula.
        -- Tudo bem? -- exclamou Aria. Ningum havia lhe dito que Spencer estava ferida.
        Spencer assentiu fracamente, com o pequeno controle remoto do lado da cama para
sentar-se direito.
        -- Estou muito melhor agora. Dizem que s vezes a inalao de fumaa pode afetar as
pessoas de diferentes formas.
        Aria olhou ao redor. O quarto cheirava a doena e alvejante. Havia um monitor no canto
que seguia os sinais vitais de Spencer e uma pequena pia de cromo com pilhas de caixas de
luvas cirrgicas. As paredes eram de cor verde wasabi e junto a janela com cortinas de floras
havia um grande pster que explicava como auto administrar-se o exame dos seios
mensalmente. Como era de esperar, um garoto havia desenhado um pnis junto do peito da
mulher.
        Emily estava sentada em uma pequena cadeira infantil perto da janela, com seu
emaranhado cabelo loiro e pequenos lbios avermelhados e rachados. Ela se moveu
desconfortavelmente, seu corpo de nadadora era um pouco grande para o assento. Hanna
estava junto da porta, apoiada por um sinal que proclama que todos os empregados do hospital
deviam usar luvas. Seus olhos cor de avel estavam vtreos e vazios. Parecia mais frgil que o
habitual, seus escuros jeans ajustados estavam frouxos pela cintura.
        Sem uma palavra, Aria levou a bandeira de Ali de seu bolso de pele de iaque e o
estendeu sobre a cama de Spencer. Todas se moveram e olharam fixamente. Brilhantes
rabiscos de prata cobriam o tecido. Havia um logo da Chanel, um modela da bagagem de Louis
Vuitton e o nome de Ali em grandes letras de bolha. Um poo dos desejos em pedra, com um
telhado de quadra e uma manivela, estavam no canto. Aria traou o contorno do poo com o
dedo. No viu nenhum indcio claro e vital do que poderia ter acontecido com Ali na noite em que
foi assassinada. Este era o mesmo tipo de coisa que todo mundo desenhava em suas bandeiras
da Cpsula.
        Spencer tocou a borda do tecido.
        -- Havia esquecido que Ali fez as letras de bolha desta maneira
        Hanna estremeceu.
        -- Basta ver a escritura de Ali que me faz achar que ela est aqui conosco.
        Todas levantaram a cabea, trocando olhares assustados. Era obvio que todas estavam
pensando o mesmo. Como ela esteve conosco no bosque a um par de horas.
        Neste momento, todas falaram ao mesmo tempo.
        -- Temos que... -- Aria falou.
        -- O que fizemos... -- Hanna sussurrou.
        -- O doutor disse... -- Spencer sibilou meio segundo depois. Todas se detiveram e
trocaram olhares, com suas plidas bochechas como as fronhas atrs da cabea de Spencer.
        Foi Emily quem falou em seguida.
        -- Temos que fazer algo, garotas. Ali est l fora. Temos que descobrir aonde ela foi.
Algum j ouviu algo sobre as pessoas que esto procurando na floresta? Eu disse aos policiais
que a vi, mas eles simplesmente ficaram l!
        O corao de Aria se agitou. Spencer a olhou incrdula.
        -- Voc disse a polcia? -- repetiu, empurrando uma mecha suja de cabelo loira para
longe dos olhos.
        -- Claro que sim. -- Emily sussurrou.
        -- Mas... Emily...
        -- O que? -- Emily explodiu. Olhou iradamente a Spencer como louca, como se tivesse
um chifre de unicrnio crescendo a sua frente.
                                              14
         -- Em, foi s uma alucinao. Os mdicos disseram. Ali est morta.
         Os olhos de Emily ficaram aturdidos.
         -- Mas todas a vimos, certo? Ests dizendo que todas ns tivemos a mesma
alucinao?
         Spencer olhava sem piscar para Emily. Passaram uns poucos tensos segundos. Fora da
sala um Pager soou. Uma cama de hospital com uma roda sibilando rolou pelo corredor.
         Emily deixou escapar um gemido. Suas bochechas tornaram-se rosa brilhante. Virou-se
para Hanna e Aria.
         -- Vocs acreditam que Ali era real, certo?
         -- Poderia ter sido Ali, suponho -- disse Aria, afundando em uma cadeira de rodas que
estava junto do banheiro. -- Mas, Em, o mdico me disse que era pela inalao da fumaa. Tem
sentido. De que outra forma poderia ter desaparecido depois do incndio?
         -- Sim -- disse Hanna fracamente -- E onde estava escondida todo esse tempo?
         Emily feriu os braos ao seu lado. A transportadora de soro ao seu lado balanou.
         -- Hanna, disseste que havia visto Ali de p, perto de voc em sua cama de hospital na
ltima vez que estivemos aqui. Talvez realmente era ela!
         Hanna brincou com o calcanhar de sua bota de camura, parecendo incomodada.
         -- Hanna estava em coma quando viu Ali -- saltou Spencer -- Obviamente foi um
sonho.
         Sem desanimar, Emily disse a Aria.
          -- Voc levou algum para fora da floresta ontem  noite, se no foi Ali, ento, quem
foi?
         Aria encolheu os ombros, passando as mos pelos raios de uma das rodas da cadeira
de rodas. Pela janela grande, o sol acabava de sair. Havia uma linha brilhante de BMW,
Mercedes e Audi no estacionamento do hospital. Era incrvel como tudo parecia normal depois
de uma noite louca.
         -- No sei -- admitiu -- A floresta estava to escura. E... oh, merda. -- atrapalhou-se no
bolso de sua bolsa -- Eu encontrei ontem  noite.
         Abriu a palma de sua mo e lhes mostrou o familiar anel da classe de Rosewood Day,
com uma brilhante pedra azul. O registro no interior da banda dizia IAN THOMAS. Quando
supostamente haviam descoberto na semana passada o corpo morto de Ian na floresta, o anel
estava em seu dedo.
         -- Estava cado no cho -- explicou -- No sei como a polcia no encontrou.
         Emily ofegou. Spencer parecia confusa. Hanna pegou o anel da mo de Aria e o
aproximou da luz por cima da cama de Spencer.
         Talvez caiu do dedo de Ian quando ele fugiu.
         -- O que fazemos com ele? -- perguntou Emily -- Devolvemos o anel a polcia?
         -- Definitivamente no -- disse Spencer -- Parece um pouco inconveniente que vimos o
corpo de Ian na floresta, que fizemos a polcia procurar, e ento, voil! Achamos um anel como
esse. Nos faz parecer suspeitas. Provavelmente no deveria t-lo pego.  uma evidncia.
         Aria cruzou os braos por cima de seu suter Fair Isle.
         -- Como eu poderia saber isso? Ento, o que devo fazer? Por de volta onde eu
encontrei?
         -- No -- instruiu Spencer -- A polcia estar novamente no bosque por causa do fogo.
Poderiam se dar conta que foi posto ali e fariam mais perguntas. S nos resta guard-lo agora,
suponho.
         Emily se levantou impaciente da pequena cadeira.
         -- Voc viu a Ali depois de encontrar o anel, certo Aria?
         -- No estou certa -- admitiu Aria. Tratou de pensar naqueles minutos frenticos na
floresta. Eram cada vez mais e mais distorcidos. -- Na verdade, no a toquei.
         Emily se ps de p.
         -- O que est acontecendo? Porque de repente vocs acreditam que no a vimos?
         -- Em -- disse Spencer suavemente -- Voc est ficando muito sentimental.
         -- No, no estou! -- exclamou Emily. Com suas bochechas de cor rosa brilhante
ardendo, destacando suas sardas.
         Foram interrompidas por um forte alarme, gritando no quaro adjacente. As enfermeiras
gritavam. Ouviram-se passos frenticos. Uma sensao de desconforto encheu o estomago de
Aria. Se perguntou se era o alarme de advertncia de que estava algum morrendo.
         Uns momentos mais tarde, a ala ficou novamente em silncio. Spencer limpou a
garganta.
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         -- O mais importante  descobrir que provocou o fogo.  isso o que a polcia tem de se
concentrar nesse momento. Algum tentou nos matar ontem a noite.
         -- No s algum -- sussurrou Hanna -- Eles.
         Spencer olhou para Aria.
         -- Nos colocamos em contato com Ian no celeiro. Ele nos contou tudo. Estava certo que
Jason e Wilden o fizeram. Tudo o que falamos a noite era verdade e definitivamente esto
tentando nos manter caladas.
         O peito de Aria exalou, lembrando de algo mais.
         -- Quando estava na floresta vi algum acendendo o fogo.
         Spencer sentou-se ainda mais com seus olhos como pires.
         -- O que?
         --Voc viu o rosto? -- exclamou Hanna.
         -- No sei -- Aria fechou os olhos, relembrando novamente aquela horrvel recordao.
Momentos depois que encontrou o anel de Ian, viu algum  espreita pela floresta, a alguns
passos em sua frente, com o capuz apertado e o rosto nas sombras. Instantaneamente sentiu
em seus ossos que se tratava de algum que ela conhecia. Quando se deu conta do que estava
fazendo, seus membros se congelaram. Se sentia impotente para deter-lo. Em questo de
segundos, as chamas se propagaram a toda velocidade por todo o cho da floresta, levando
uma faminta linha reta a seus ps.
         Sentia o olhar de suas amigas, esperando respostas.
         -- Quem quer que fosse, usava um capuz -- admitiu Aria -- Mas estou bastante segura
que era...
         Logo se calou escutando um alto e longo estalo. Pouco a pouco, a porta do quarto de
Spencer se abriu. Uma figura emergiu na porta, seu corpo iluminado pelo brilhante corredor.
Quando Aria viu seu rosto, seu corao foi a garganta. No desmaie, disse a si mesma,
sentindo-se instantaneamente tonta. Era uma das pessoas entre as quais A havia advertido. A
pessoa que Aria estava quase segura de ter visto no bosque. Um dos assassinos de Ali.
         Oficial Darren Wilden.
         -- Ol, garotas. -- Wilden desfilava pela porta. Seus olhos verdes brilhavam e seu belo
rosto angular estava rachado por causa do frio. Seu uniforme da polcia de Rosewood se
ajustava bem, mostrando sua forma.
         Logo se deteve a borda da cama de Spencer, finalmente se deu conta das expresses
pouco acolhedoras das meninas.
         -- O que est acontecendo?
         Elas se olharam aterrorizadas. Finalmente, Spencer limpou a garganta.
         -- Sabemos o que fez.
         Wilden se apoiou no estrado, com cuidado para no tropear nos tubos intravenosos de
Spencer.
         -- Desculpe?
         -- Acabei de chamar a enfermeira -- disse Spencer projetando a voz com mais fora, a
mesma que freqentemente usava quando estava na etapa do clube de teatro de Rosewood Day
-- Vou chamar a segurana antes que nos machuque. Sabemos que voc comeou o fogo. E
sabem por qu.
         Profundas dobras se formaram na frente de Wilden. Uma veia em seu pescoo inchou. O
corao de Aria batia to forte que afogava todos os sons da sala. Ningum se moveu. Quanto
mais tempo Wilden as olhava, mais tensa Aria se sentia.
         Finalmente, Wilden jogou seu peso.
         -- O fogo na floresta? -- Ele deixou escapar uma duvidosa inalao -- Falas srio?
         -- O vi comprando gs propano na Home Depot -- disse Hanna com uma voz trmula e
seus ombros rgidos -- Voc estava colocando trs jarras no carro, com facilidade para queimar
a floresta. E porque no tu estavas na cena depois do incndio? Toda a polcia de Rosewood
estava ali.
         -- Eu vi seu carro sair a toda velocidade da casa de Spencer -- gritou Emily dobrando
seus joelhos sobre os peitos -- Como se estivesse fugindo da cena do crime.
         Aria olhou Emily, duvidando.
         Wilden se apoiou na pia de metal no canto.
         -- Meninas, porque eu iria colocar fogo na floresta?
         -- Para encobrir o que fizeste a Ali -- disse Spencer-- Tu e Jason.
         Emily se virou para Spencer.
         -- Ele no fez nada a Ali. Ali est viva.
         Wilden se sacudiu e olhou Emily por um momento. Logo avaliou as outras meninas, com
um olhar de traio estampado no rosto.
                                              16
        -- Vocs acham que tentei machuc-las? -- perguntou. As meninas assentiram quase
imperceptivelmente. Wilden negou com a cabea -- Mas se estou tentando ajudar-las! --
Quando no obteve uma resposta, suspirou -- Jesus. Bem, estava com meu tio ontem a noite
quando o fogo comeou. Vivia com ela na escola secundria e agora ele est muito doente --
Ele colocou as mos nos bolsos de sua jaqueta e tirou um pedao de papel -- Aqui.
        Aria e as demais se inclinaram. Era um recibo da farmcia CVS.
        -- Estava coletando a receita do meu tio s 9:57 e ouvi que o fogo comeou em torno
das dez -- disse Wilden -- Inclusive, provavelmente, estou na cmera de segurana da
farmcia. Como poderia estar em dois lugares ao mesmo tempo?
        O quarto cheirava bruscamente a colnia almiscarada de Wilden, o que deixava Aria
tonta.
        -- E quanto ao gs propano -- Wilden continuou, tocando o grande ramo de flores que
estava na cabeceira de Spencer -- ,Jason DiLaurentis me pediu para comprar para a sua casa
do lago em Poconos. Tem estado ocupado e somos velhos amigos, ento eu disse que o faria.
        Aria olhou para as demais, surpreendida pela indiferena de Wilden. Ontem  noite,
descobriu que Jason e Wilden eram amigos e havia parecido um grande avano, um segredo
revelado. Agora, a luz do dia, com sua aberta admisso, no parecia importar muito a ningum.
        -- E quanto ao que Jason e eu fizemos a Alison... -- disse tranquilamente Wilden,
parando ao lado de uma bandeja com rodas que tinha uma pequena jarra de gua e dois vasos
de espuma. Olhou atnito --  uma loucura pensar que a feri. E Jason  seu irmo! Acham de
verdade que ele  capaz disso?
        Aria abriu a boca para protestar. A noite, Emily tinha encontrado um registro no livro
maior de quando Radley era um hospital psiquitrico com o nome de Jason DiLaurentis nele. A
nova A havia incomodado Aria dizendo que Jason tinha um segredo, possivelmente problemas
com Ali, e avisou a Emily que Jenna e Jason estavam brigando na janela de Jenna. Aria no
queria acreditar que Jason era culpado, havia tido um par de aspas com ele na semana
passada, cumprindo sua paixo antiga, mas Jason havia sado de sua casa na sexta quando
Aria havia ido ao seu apartamento em Yarmouth.
        Wilden balanou a cabea com incredulidade. Parecia surpreendido por tudo isso, o que
fez Aria se perguntar se A a tinha levado a acreditar no que no era nem de longe verdade.
Olhou suas amigas com um olhar duvidoso. Seus rostos tambm estavam cercados de duvidas.
        Wilden fechou a porta do quarto de Spencer, ento se virou e continuou.
        -- Deixe-me adivinhar -- disse em voz baixa -- Sua nova A est colocando idias em
suas cabeas?
        -- A  real -- insistiu Emily. Uma e outra vez Wilden havia insistido que essa nova A no
era mais que um imitador. -- A tirou uma foto sua. -- prosseguiu. Mexeu em seu bolso, pegou
seu celular, buscando a mensagem com a imagem de Wilden que ia ser sua confisso. Aria viu a
nota que a acompanhava: Sobre o que voc se sente to culpado? -- V? -- Emily ps embaixo
de seu nariz.
        Wilden olhou para a tela. Sua expresso mudou.
        Com o cenho franzido, Emily colocou novamente o celular dentro de sua bolsa de
natao. Um longo silncio se seguiu. Wilden apertou a ponta de seu longo e inclinado nariz.
Parecia que todo o ar do quarto havia sido filtrado pelas janelas.
        -- Olha. Tenho que dizer exatamente o que vim dizer -- sua ris era to escura que
perecia negra -- Garotas, vocs tem que parar de dizer que viram a Alison.
        Todas se olharam surpreendidas. Spencer parecia um pouco na defensiva, levantando
perfeitamente uma sobrancelha arqueada como se dissesse, Eu te disse. Como era de se
esperar, Emily foi a primeira a falar.
        -- Quer que mintamos?
        -- Voc no a viu -- a voz de Wilden era rouca -- Se continuares a dizer que a viram,
vs trazer uma grande quantidade de ateno no desejada para voc. Acham que houve uma
m reao quando viram o corpo de Ian? Isto ser dez vezes pior.
        Aria jogou seu peso, brincando com o punho de sua camisa com capuz. Wilden se
referia a elas como se fosse da polcia do sul da Filadlfia e elas fossem distribuidoras de
metafetamina. Mas, o que elas haviam feito para ficarem to mal?
        -- Isto no  justo -- protestou Emily -- Ela precisa de nossa ajuda.
        Wilden levou suas mos ao telhado de granito branco parecendo frustrado. Suas
mangas rodaram at os cotovelos, revelando a tatuagem de uma estrela de oito pontas.
        -- Vou dizer-lhes algo que se supe que  um segredo -- disse Wilden, abaixando a voz
-- Os resultados de DNA do corpo que os trabalhadores acharam no buraco est na estao.
Combina perfeitamente com o de Alison, garotas. Ela est morta. Assim, faam o que eu digo,
de acordo? Realmente estou buscando o melhor para vocs.
                                               17
         Neste momento, abriu seu telefone, saiu do quarto e fechou a porta com fora. Os vasos
com espuma da bandeja de alimento cambalearam perigosamente. Aria se virou para as suas
amigas. Os lbios de Spencer estavam impacientemente apertados. Hanna mastigava com
ansiedade a unha de seu polegar. Emily piscou seus olhos verdes, aturdida e sem palavras.
         -- E agora? -- sussurrou Aria.
         Emily gemeu, Spencer brincou com seu tubo de intravenosa e Hanna parecia que ia
desmaiar. Todas as suas teorias perfeitamente elaboradas tinham se transformado em fumaa,
literalmente. Talvez Wilden no havia acendido o fogo, mas Aria viu algum na floresta. Que,
infelizmente, s significava uma coisa.
         Quem quer que acendeu aquele fsforo estava l fora. Quem quer que tivesse tentado
mat-las estava livre e talvez s esteja esperando outra oportunidade para tentar novamente.
                                              18
                                            3
                         SE APENAS UMA PESSOA TIVESSE
                        ENGANADO SPENCER ANOS ATRS...
                                                                          Traduzido por Barbara A.
         Como um tpico domingo de inverno o sol desapareceu no horizonte, Spencer estava no
quintal de sua famlia, observando a destruio causada pelo fogo. Sua me estava ao seu lado,
com sua maquiagem dos olhos e sua base borrada e seu cabelo bagunado  ela no tivera
tempo de ir a sua seo diria de seu cabeleireiro Uri, esta manh. O pai de Spencer tambm
estava l, pela primeira vez sem o seu Bluetooth preso a seu ouvido. Sua boca tremia um pouco,
como se ele estivesse tentando segurar um soluo.
         Tudo ao redor deles estava em runas. As imponentes rvores centenrias estavam
escurecidas e maltratadas, e uma nvoa cinza e fedorenta pairava sobre as copas das rvores.
O moinho da famlia no era agora nada mais do que runas, as lminas carbonizadas, a trelia
fragmentada e desmoronada. O gramado dos Hastings foi atravessado por pneus de veculos de
emergncia que vieram as pressas. Bitucas de cigarros, copos do Starbucks vazios, e at
mesmo latas de cervejas estavam espalhadas na grama, restos dos curiosos que invadiram o
local e permaneceram por muito tempo depois de Spencer e as outras serem levadas ao
hospital.
         Mas o pior, e o mais devastador resultado do fogo foi o que ele fez com o celeiro da
famlia, que foi construdo em 1756. Metade da estrutura ainda estava intacta, embora o tapume
de madeira vermelho cereja era agora um cinza carbonizado. A maior parte do telhado estava
faltando, todo vidro de chumbo das janelas tinham se estilhaado, e a porta da frente era uma
pilha de cinzas. Spencer podia ver diretamente atravs da carcaa vazia o grande quarto. Havia
uma grande poa de agua no cho de madeira cerejeira brasileira, que sobraram dos litros de
gua que os bombeiros bombearam para dentro do celeiro. A cama de dossel, o sof de couro
de pelcia, e a mesa de caf de mogno foram destrudas. Essa havia sido a mesa onde Spencer,
Emily e Hanna haviam se reunido na noite anterior e falado por IM com Ian sobre quem
realmente matou Ali.
         Apenas, que aparentemente Jason e Wilden no eram os assassinos de Ali. O que
significava que Spencer havia voltado a no saber absolutamente nada.
         Ela se afastou do celeiro, com os olhos lacrimejando devido a fumaa. Mais perto da
casa, foi o local onde ela e suas amigas tinham cado no gramado aps elas fugirem das
chamas. Como o resto do quintal estava cheio de lixo e fuligem, e a grama estava resteira e
morta, nao havia nada de especial nele, nenhuma marca de que Ali estivera l. Ento, Ali no
estivera l  elas alucinaram com Ali. Ela havia sido nada mais do que um efeito colateral em
decorrncia da inalao de muita fumaa. Alguns trabalhadores tinham encontrado seu corpo em
decomposio meses atrs, no antigo quintal dos DiLaurentises.
         -- Eu sinto muito -- sussurrou Spencer como um pedao de telhado vermelho
deslocando-se do celeiro caindo no cho com um baque.
         Lentamente, a Sra. Hastings estendeu a mo e tocou a mo de Spencer, o Sr.Hastings
tocou seu ombro. Antes de Spencer perceber, seus pais estavam a abraando, a envolvendo em
um grande abrao, e choramingando:
         -- Eu no sei o que teramos feito se algo estivesse acontecido com voc. -- Sra.
Hastings disse.
         -- Quando vimos o fogo, e quando soubemos que voc poderia estar machucada ... --
Sr. Hastings quase perdendo o flego disse.
         -- Nada disso mais importa -- a me de Spencer continuou, com sua voz grossa devido
aos soluos -- tudo isso poderia ter se queimado, pelo menos ainda temos voc.
         Spencer agarrou seus pais, sua respirao estava presa na sua garganta machucada.
         Nas ltimas vinte e quatro horas seus pais haviam sido maravilhosos com ela. Eles
ficaram sentados ao lado de sua cama no hospital a noite toda, supervigilantes, vendo os
movimentos de sua respirao, ar entrando e saindo. Eles tinham questionado os enfermeiros
sobre a gua assim que Spencer pediu, analgsicos para a dor, assim que ela precisava deles, e
cobertores mais quentes quando ela sentiu frio. Quando ela recebeu alta esta tarde, eles a
levaram ao Creamery, sua sorveteria favorita em Old Hollis, e lhe compraram um maple chip
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duplo. Foi uma grande mudana  por anos, eles a tratavam como uma criana indesejada que
relutantemente a deixaram viver em sua casa. E quando ela recentemente admitiu ter plagiado o
trabalho de economia de sua perfeita irm, no ganhando assim o prmio da Grande Orqudea
Dourada, eles praticmente a excomungaram.
        Apenas agora havia uma razo para eles a odiarem, e no minuto em que Spencer
contasse a eles, esse raro show de amor desapareceria. Spencer os abraou bem forte,
saboreando o ltimo momento, pois provavelmente eles nunca mais falariam com ela de novo.
Ela queria adiar isso, mas ela tinha que contar a eles algum dia.
        Ela deu um passo para trs e tomou flego:
        -- H algo que vocs precisam saber -- admitiu ela, com a voz rouca devido a fumaa.
        --  sobre a Alisson? -- a me de Spencer precipitou-se -- Porque Spence...
        Spencer sacudiu a cabea, a interrompendo.
        -- No, outra coisa,
        Ela olhou para os ramos queimados no alto do cu. Ento a verdade comeou a vir
rapidamente. Depois da av de Spencer, Nana Hastings, no deixar nenhum dinheiro para ela
em seu testamento, Melissa sugeriu que Spencer seria adotada, Spencer ento se registrou em
um site de adoo e em apenas alguns dias recebeu uma mesagem de que sua me biolgica
havia sido encontrada.
        Como sua visita a sua me biolgica, Olvia Caldwell, havia sido maravilhosa, Spencer
decidiu se mudar em definitivo para Nova Iorque. Spencer continuou a falar, com medo de que
se parasse, comearia a chorar. Ela no se atrevia a olhar para seus pais, com medo de que a
expresso de desolao deles partiria seu corao.
        -- Ela deixou o carto de seu corretor, ento eu liguei e lhe dei o nmero da minha conta
com as economias para a faculdade, para cobrir o depsito do seguro e o primeiro aluguel. --
Spencer continuou, curvando os dedos dos ps dentro de suas botas de camura cinza usado.
Ela mal conseguia articular as palavras.
        Um esquilo afundou no mato sujo. Seu pai gemeu. Sua me apertou os olhos, e
pressionou a testa com uma das mos. O corao de Spencer parou. Aqui vamos ns. Incio de
operao: Voc No  Mais Nossa Filha.
        -- Vocs podem adivinhar o que aconteceu em seguida -- Ela suspirou olhando para um
ninho bem no alto, perto do deck. Nenhum pssaro havia se aproximado desde que eles
estavam no quintal. -- O corretor obviamente trabalhava com Olvia, eles limparam a conta e
desapareceram. -- Ela engoliu em seco.
        O quintal estava em silncio e quieto. Agora que o sol havia quase desaparecido, o
celeiro parecia como uma cidade fantasma em runas, as janelas escuras como olhos ocos em
um crnio. Spencer rapidamente olhou para seus pais. Seu pai estava plido, sua me com uma
expresso de como se estivesse engolido alguma coisa amarga. Eles trocaram um olhar
nervoso, ento checaram o quintal da frente, talvez para verificar as vans da imprensa. Os
reprteres haviam feito planto todos os dias, questionando Spencer se ela realmente tinha visto
Ali.
        Seu pai respirou fundo:
        -- Spencer, o dinheiro no importa -- Spencer piscou surpresa -- podermos rastrear o
que aconteceu com ele -- explicou o Sr. Hastings torcendo as mos -- ns vamos recuper-lo
-- disse olhando para o telhado -- Mas... bem ns devamos imaginar que isso iria acontecer um
dia.
        -- O..qu? -- Spencer franziu a testa, perguntando se seu crebro estava normal depois
de inalar tanta fumaa.
        Seu pai mudou de posio e olhou para a sua esposa:
        -- Eu sabia que deveramos ter lhe contado anos atrs, Vernica. -- ele murmurou.
        -- Eu no sabia que isso ia acontecer -- a me de Spencer se lamentou, levantando as
mos. O ar estava to frio que era possvel ver o ar entrando e saindo durante sua respirao.
        -- Digamme o qu? -- Spencer pressionou, o seu corao comeou a bater forte.
Quando ela respirou, tudo o que ela podia sentir era o cheiro de cinzas.
        -- Devemos ir para dentro -- disse distraidamente o Sr. Hastings -- est muito frio aqui
fora.
        -- Digamme o qu? -- Spencer repetiu, plantando seus ps, ela no iria a lugar
nenhum.
        Sua me parou por um longo tempo. Um rangido soou dentro do celeiro. Finalmente a
Sra. Hastings se sentou em um dos pedregulhos enormes que estavam no quintal.
        -- Querida, Olvia deu  luz a voc.
        Spencer arregalou os olhos.
        -- O qu?
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         -- Ela deu  luz a voc em partes. -- corrigiu o Sr. Hastings.
         Spencer deu um passo para trs, um frgil galho se quebrou sob sua bota.
         -- Ento eu sou realmente adotada? Olvia estava dizendo a verdade? -- ,, por isso que
eu me sinto to diferente de vocs?  por isso que vocs sempre preferiram a Melissa, porque
eu no sou filha verdadeira de vocs?` pensou Spencer
         A Sra. Hastings girou o diamante de trs quilates em seu dedo. Em algum lugar no
fundo da floresta um galho de rvore caiu no chao fazendo um barulho ensurdecedor.
         -- Isto certamente no era algo que pensei em discutir hoje -- ela respirou
profundamente, sacudiu as mos e ergueu a cabea.
         O Sr. Hastings esfregou suas mos com luvas rapidamente. De repente, os dois
pareciam to impotentes. No como tudo sob controle` como eles sempre pareciam para
Spencer.
         -- O parto de Melissa foi complicado -- a Sr. Spencer batia as mos sobre a pedra lisa
e pesada. Seus olhos piscavam demoradamente, assistindo um Honda velho estacionado na sua
garagem. -- Os mdicos me disseram que se eu desse  luz a outra criana eu colocaria minha
sade em risco. Mas ns queramos outro beb, ento acabamos usando uma substittuta.
Basicamente... usamos meu vulo e do seu pai o ... voc sabe. -- ela baixou os olhos muito
recatada para dizer esperma em voz alta. -- Mas precisvamos de uma mulher para gerar o
beb, ento ns achamos Olvia.
         -- Ns selecionamos ela cuidadosamente, para ter certeza de que ela era saudvel -- o
Sr. Hastings se sentou ao lado de sua mulher sobre a rocha, sem perceber que seus mocassins
feitos a mo haviam afundado na lama de fuligem. -- ela parecia se encaixar no que queramos,
e ela parecia querer que tivssemos voc. Apenas no final da gravidez ela comeou a ficar...
exigente. Queria mais dinheiro. Ameaou fugir com voc para o Canad.
         -- Ento ns lhe demos mais dinheiro -- desabafou a Sra. Hastings, colocando as mos
em sua cabea loura. -- e no final ela desistiu de voc, obviamente, ns... depois do quo
possessiva ela ficou, ns no queramos que voc tivesse qualquer contato com ela. Ns
decidimos que a melhor coisa que podamos fazer era manter isso em segredo de voc, porque
voc  nossa.
         -- Mas algumas pessoas no entendiam dessa forma -- Sr. Hastings disse, esfregando
o cabelo avermelhado e grisalho. Seu celular tocou em seu bolso, tocando os primeiros
compassos da Quinta de Beethoven. Ele ignorou. -- Como a Nana. Ela pensava que no era
natural, e ela nunca nos perdoou por isso. Quando Nana disse que ela s deixaria dinheiro para
"os netos naturais" ns deveramos resolvido isso. Parece que Olivia esperava por este momento
o tempo todo.
         O vento acalmou-se, chegando a um impasse sinistro. Os ces dos Hastings, Rufus e
Beatrice, arranharam a porta traseira, ansiosos para sair e ver o que a famlia estava fazendo.
Spencer ficou boquiaberta com seus pais. Sr. e a Sra. Hastings pareciam esfarrapados e
exaustos, como se admitir isso tivesse sugado suas energias. Era bvio que isso era algo sobre
o qual eles no tinham falado por um longo tempo. Spencer olhou para trs e para frente para
deles, tentando processar tudo. Suas palavras faziam sentido individualmente, mas no como
um todo.
         -- Ento Olivia me gerou -- ela repetiu lentamente. Um arrepio subiu sua espinha, o que
no tinha nada a ver com o vento.
         -- Sim - disse a Sra. Hastings -- mas ns somos a sua famlia, Spencer. Voc  nossa.
         -- Ns queramos tanto voc, e Olivia era nossa nica opo -- disse o Sr. Hastings
olhando para as nuvens arroxeadas. -- Ultimamente parece que ns perdemos o sentimento do
quo importante que todos ns somos um para o outro. E depois de tudo que voc passou com
Ian e Alison e esse fogo. . . -- ele balanou a cabea, olhando de novo no celeiro e depois para
a floresta arruinada.
         Um corvo gritou e voou em crculos.
         -- Ns deveramos ter estado l para voc. Ns nunca quisemos que voc pensasse
que no era amada.
         Sua me pegou sua a mo de Spencer e apertou timidamente.
         -- E se ns comessssemos de novo? Poderamos tentar? Voc poderia nos perdoar?
         O vento soprou novamente e o cheiro de fumaa se intensificou. Um par de folhas em
preto voou do gramado para o quintal de Ali, parando perto do buraco onde o corpo de Ali havia
sido encontrado. Spencer brincou com a pulseira de plstico do hospital que ainda estava em
seu brao, oscilando do choque a um sentimento de compaixo para raiva.
         Nos ltimos seis meses, seus pais a tiraram do celeiro e os privilgios que este trazia e
deixaram Melissa ficar l em vez disso, cortaram seus cartes de crdito, venderam seu carro e
                                               21
disseram-lhe, em mais de uma ocasio que ela estava morta para eles. Ela queria gritar, porque
eles estiveram to ausentes, e agora queriam apagar tudo como uma lousa?
         Sua me mordeu os lbios, torceu um galho que ela pegou no cho. Seu pai parecia
estar prendendo a respirao. Essa deciso era de Spencer. Ela poderia nunca mais os perdoar,
acabar com tudo e ficar com raiva... mas ento ela viu dor e pesar em suas faces. Eles
realmente estavam arrependidos. Queriam que ela os perdoasse mais do que tudo, e no era
isso que ela mais queria no mundo, pais que a amassem e que quisessem ela?
         -- Sim  disse Spencer -- eu perdo vocs.
         Os pais dela deixaram escapar um suspiro audvel e a abraaram. Seu pai beijou o topo
da cabea de Spencer, sua pele cheirava sua favorita loo ps barba Kiehl.
         Spencer se sentiu flutuando fora do corpo. Ainda ontem, quando ela descobriu que suas
economias para a faculdade haviam ido embora ela achou que sua vida havia acabado. Ela na
verdade achara que A estivesse por trs de tudo e que este a tinha punido por ela no se
esforar suficientemente para rastrear o verdadeiro assassino de Ali. Mas perder esse dinheiro
pode ter sido a melhor coisa que a aconteceu.
         Como seus pais ficaram parados e apreciando sua filha mais nova, Spencer tentou sorrir.
Eles a queriam, realmente a queriam. Entao um lento vento soprou no quintal e outro cheiro
familiar fez ccegas no nariz. Cheirava a .... sabo de baunilha, o tipo que Ali sempre costumava
usar.
         Spencer se encolheu e a imagem horripilante de Ali coberta de fuligem, sufocando com
as chamas, veio a sua mente.
         Ela fechou os olhos, era viso de sua cabea, Ali estava morta. Ela tinha alucinado com
ela. E era isso.
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                                           4
                        FAZEM CAMISAS-DE-FORA PRADA ?
                                                                      Traduzido por Patryck Pontes
        Enquanto o cheiro de bebida fresca do Starbuks francs flutuava escada acima, Hanna
Marin, deitada em sua cama, absorvia os ltimos poucos minutos antes que tivesse que alistar-
se na escola. A MTV2 soava ao fundo; sua miniatura de Doberman, Dot, cochilava
caprichosamente sobre a parte traseira de sua cama de cachorro Burberry; e Hanna tinha
acabado de pintar as unhas de seus ps de Dior rosado. Agora ela estava falando pelo celular
com seu novo noivo, Mike Montgomery.
        -- Obrigada outra vez pelas coisas da Aveda -- Ela olhou outra vez os novos produtos
colocados em sua cabeceira. Ontem, quando Hanna estava deixando o hospital, Mike se
apresentou com uma cesta anti-stress de presente, a qual inclua uma refrescante mscara de
olhos, um creme para o corpo de menta de pepino e um massageador manual. Hanna j havia
usado tudo, desesperada por encontrar um cura-tudo que pudesse excluir o fogo e a bizarra
viso de Ali da sua mente. Os doutores haviam apontado que a viso de Ali foi por causa da
inalao de fumaa, mas mesmo assim parecia muito real.
        Mas de certo modo, Hanna estava indignada que no era. Depois de todos esses anos
ainda tinha um desejo ardente de que Ali visse como Hanna havia mudado. A ltima vez que
Hanna viu Ali, Hanna era uma patinha feia gorda, definitivamente a mais babaca do grupo e Ali
sempre havia feito incontveis comentrios sobre o peso de Hanna, seu cabelo muito crespo e
sua pele feia. Provavelmente ela nunca havia suspeitado que Hanna se transformaria em um
cisne fino, requintado e popular. s vezes, Hanna se perguntava se a nica maneira que ela
estava verdadeiramente segura de que sua transformao estaria completa era se Ali tivesse
dado sua beno. Supostamente, isso nunca poderia ocorrer.
        -- Um prazer -- respondeu Mike, tirando Hanna de seu devaneio. -- Avisando, mandei
uns Twitters muito suculentos a algumas pessoas da imprensa que esperavam fora da sala de
emergncia. Acabo de concentr-los em algo alm do incndio.
        -- Como o que? -- perguntou Hanna, instantaneamente em alerta. Mike gritou algo.
        -- Hanna Marin em conversa com a MTV sobre um reality show -- Recitou Mike -- Um
trato multimilionrio.
        -- Assustador -- Hanna soltou a respirao e comeou a fazer ondulaes com as mos
para secar as unhas.
        -- Escrevi um sobre mim mesmo, tambm. Mike Montgomery rejeita encontro com
supermodelo croata.
        -- Rejeitasse um encontro? -- debochou Hanna -- Esse no parece o Mike Montgomery
que eu conheo.
        -- Quem necessita de supermodelos croatas quando se tem Hanna Marin? -- disse
Mike.
        Hanna se retorceu com um prazer vertiginoso. Se algum lhe tivesse dito h algumas
semanas atrs que ela teria um encontro com Mike Montgomery, ela teria engolido sua Crest
Whitestrip de surpresa, ela s perseguiu Mike porque sua-querida-irm-adotiva, Kate, o quis
tambm. Mas de alguma maneira durante o processo, ela realmente comeou a gostar dele.
Com seus olhos azul-gelo, lbios rosados e adorveis e um obsceno senso de humor, ele estava
se transformando em algo maior do que o simples irmo da obcecada por popularidade da Aria
Montgomery.
        Ela se ps de p, cruzou seu quarto at o seu armrio e passou seus dedos no longo
pedao da bandeira de Ali da Cpsula do Tempo, que pegou no hospital quando Aria no estava
olhando. Ela no se sentia culpada por isso, alm disso, no era como se a bandeira
pertencesse a Aria.
        -- Ento, ouvi que vocs esto recebendo mensagens de um novo A -- disse Mike. Sua
voz ficou repentinamente sria.
        -- Eu no tenho recebido nenhuma mensagem de A -- disse Hanna sinceramente.
Desde que havia obtido o seu novo IPhone e havia mudade seu nmero, A a tinha deixado em
paz. Sem dvida, era uma mudana bem-vinda da antiga A, que horrivelmente era a antiga
                                             23
amiga de Hanna, Mona Vanderwaal: era algo que ela tentava no pensar, muito duramente. --
Espero que permanea assim.
         -- Bom, voc pode me dizer se h algo que eu possa fazer -- Mike assegurou -- Dar
um chuta na bunda de algum, qualquer coisa.
         -- Awwww -- Hanna corou feliz. Nenhum outro noivo jamais havia se oferecido para
defender a sua honra. Ela fez um som de beijo, prometeu que ela e Mike se encontrariam para
tomar caf em Steam, a cafeteria de Rosewood, essa tarde, e desligou.
         Em seguida, foi at a cozinha para o pequeno almoo, passado a escova por seu longo
cabelo castanho. A cozinha cheirava a ch de menta e frutas frescas. Sua em-breve-madrasta,
Isabel e Kate j estavam na mesa, comendo tigelas de melo cortado e requeijo. Hanna no
podia pensar em uma combinao mais inspiradora para vomitar.
         Quando viro Hanna na entrada, ambas se puseram de p.
         -- Como voc sente? -- perguntaram ao mesmo tempo.
         -- Bem -- contestou Hanna fortemente, passando a escova contra seu coro cabeludo.
Previsivelmente, Isabel comeou a estremecer-se, ela era uma germofbica e tinha algo contra
os que penteavam os cabelos perto da comida.
         Hanna se desmoronou em uma cadeira vazia e alcanou a garrafa de caf. Isabel e Kate
voltaram a sentar e houve uma longa e embaraosa pausa, como se Hanna tivesse interrompido
algo. Provavelmente estaria fofocando sobre ela. Ela no podia pass-las.
         O pai de Hanna estava saindo com Isabel h alguns anos, inclusive Ali tinha conhecido
Isabel e Kate alguns meses antes de desaparecer, mas s havia comeado a viver em
Rosewood depois que a me de Hanna foi transferida para Singapura e o pai de Hanna
conseguira um trabalho na Filadlfia. Era muito ruim que seu pai tivesse decidido se casar com
uma falsa-enfermeira-obcecada-com-o-branzeado da ER chamada Isabel, como uma imitao
barata da encantadora e bem-sucedida me de Hanna, mas trazer uma fina e da alta irm
postia da mesma idade de Hanna era uma mistura simplesmente insuportvel. Nas duas
semanas que Kate havia se mudado, Hanna teve que agentar a mistura diria de canes de
American Idol no chuveiro, o fedorento condicionador de ovo cru que Kate usava para deixar o
seu cabelo brilhante e o interminvel louvor de seu pai por cada coisa minscula que Kate fazia
bem, como se ela fosse sua verdadeira filha. Sem mencionar que Kate havia ganhados as novas
seguidoras de Hanna, Naomi Zeigler e Riley Wolfe e depois disse a Mike que Hanna lhe pediu
para fazer uma aposta. Contudo, em uma festa h algumas semanas, Hanna deixou escapar
que Kate tinha herpes, alm do que, talvez, eram casais agora.
         -- Melo? -- perguntou Kate docemente, empurrando a tigela para Hanna com seus
dolorosos braos finos.
         -- No, obrigada. -- disse Hanna com o mesmo tom enjoativo. Parecia como se
tivessem chamado um cessar-fogo na festa de Radley: Kate inclusive havia sorrido quando
Hanna e Mike se encontraram, mas Hanna no estava a ponto de empurr-la.
         Em seguida Kate ofegou.
         -- Oops -- sussurrou ela, aproximando da seo de Opinies da Philadelphia Sentinel
desta manh que estava em seu prato. Ela tratou de dobr-lo antes que Hanna visse o ttulo,
mas era tarde demais. Havia uma grande foto de Hanna, Spencer, Emily e Aria paradas em
frente da floresta "Quantas mentiras iremos permitir?" Gritava um dos escritores "Segundo suas
melhor amigas, Alison DiLaurentis ressuscitou de entre os mortos"
         -- Eu sinto muito, Hanna -- Kate cobriu a histria com a tigela de requeijo.
         -- Tudo bem -- falou Hanna, tratando de engolir sua vergonha. O que est acontecendo
com esses reprteres? No havia outra coisa mais importante no mundo para obcec-los? E,
ol, aquilo foi pela inalao de fumaa!
         Kate deu uma delicada mordida no melo.
         -- Quero te ajudar, Hanna. Se precisares de mim para ser tua defensora para a
imprensa, sair em cmeras e coisas assim, estaria encantada em ser.
         -- Obrigada -- disse Hanna sarcasticamente. Kate era como uma puta que queria
ateno. Em seguida notou uma foto de Wilden na parte da pgina de Opinies que ainda estava
visvel. "DP Rosewood" dizia a legenda abaixo da foto "Esto realmente fazendo tudo o que
podem?"
         Agora esse era um contraponto que valia a pena ler, Wilden no podia ter matado Ali,
mas certamente vem agindo de forma estranha h poucas semanas atrs. Como quando havia
dado uma carona a Hanna at a sua casa em sua corrida matinal, dirigindo o dobro do limite de
velocidade, jogando de frango com um carro vindo. Ou quando ele exigiu que parassem de dizer
que Ali estava viva... Ou bem. Wilden estava realmente tentando proteger-las, ou tinha suas
prprias razes para calar-las sobre Ali? E se Wilden era inocente, quem comeou o incndio...
e, por qu?
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        -- Hanna. Bem. Ests de p?
        Hanna se virou. Seu pai estava de p na entrada, vestia umas calas de boto pra baixo
e pinos listrados. Seu cabelo estava molhado por causa do banho.
        -- Podemos falar um minuto? -- perguntou ele, servindo-se de uma taa de caf.
        Hanna abaixou o jornal. Ns?
        O Sr. Marin caminhou at a mesa e pegou uma cadeira. Esta raspou ruidosamente sobre
o azulejo.
        -- Faz uns dias que recebi um e-mail do Dr. Atkinson.
        Ele estava olhando Hanna, como se ele devesse entend-lo.
        -- Quem  esse? -- perguntou ela finalmente.
        -- O psiclogo da escola -- comeou a falar Isabel com uma voz de sabe-tudo. -- Ele 
muito simptico. Kate o conheceu quando ela estava conhecendo a escola. Ele insiste que os
estudantes o chamem de Dave.
        Hanna lutou contra o desejo de cuspir. O que? A hipcrita da Kate havia lisonjeado todo
o pessoal de Rosewood Day durante seu tour pela escola?
        -- O Dr. Atkinson disse que est mantendo um olho sobre voc na escola -- seguiu seu
pai -- Est muito preocupado, Hanna. Ele acha que voc pode estar sofrendo de um transtorno
de stress ps-traumtico desde a morte de Alison e teu acidente de carro.
        Hanna girou seu caf sobre a taa.
        -- No  TEPT o que os soldados tm?
          O Sr. Marin girou seu anel diludo de platina que ele usava na mo direita. O anel havia
sido um presente de Isabel e quando se casarem, ele iria usar na esquerda. Buagg.
        -- Bom, aparentemente pode ocorrer a qualquer pessoa que tenha passado atravs de
alto to terrvel -- explicou ele. -- Geralmente as pessoas tm suores frios, palpitaes do
corao, coisas assim. Tambm revivem o que passaram uma ou outra vez.
        Hanna traou o padro do gro de madeira da mesa da cozinha. Bem, ela estava
experimentando sintomas assim, geralmente experimentando o momento quando Mona a
atropelou com a SUV. Mas espera, qualquer um enlouqueceria por isso.
        -- Venho me sentido muito bem -- disse ela alegremente.
        -- No pensei muito na carta no incio -- segui o Sr. Marin, ignorando-a -- mas fui com
um psiquiatra a parte, ontem no hospital, antes de te darem alta. Os suores e as palpitaes no
so os nicos sintomas da TEPT. Podem manifestar-se de outras formas tambm. Como os
autodestrutivos padres alimentares, por exemplo.
        -- No tenho problemas alimentares -- falou Hanna, horrorizada -- Vocs me vem
comer todo o tempo!
        Isabel limpou a garganta, olhando intencionalmente Kate. Kate enrolou um pedao do
seu cabelo em torno do dedo.
        --  s que, Hanna... -- ela olhou para Hanna com seus enormes olhos azuis -- Algum
me disse que voc tem.
        A mandbula de Hanna caiu.
        -- Voc disse? -- H algumas poucas semanas, em um momento de delrio, Hanna
deixou escapar para Kate que ela s tinha um probleminha de bulimia alterada.
        -- Pensei que era para o seu bem -- sussurrou Kate -- Juro.
        -- O psiquiatra tambm disse que mentir poderia ser um sintoma -- continuou o Sr.
Marin -- Primeiro, dizendo a todos que voc viu o cadver de Ian Thomas no bosque, e agora,
junto com as meninas, dizendo que viu a Alison. E isso tem me feito pensar nas mentiras que j
me disse, escapando do nosso jantar no ltimo outono para ir a esse baile da escola, roubando
Percocet da clnica de queimaduras, o roubo das lojas da Tiffany, a batida do carro do seu noivo,
inclusive dizendo para toda a sua sala que Kate tinha... -- Ele parou, claramente no querendo
dizer herpes em voz alta. -- O Dr. Atkinson sugeriu que poderia ser melhor te afastar durante
algumas semanas desta loucura. Ir a algum lugar para relaxar e se focar em seus problemas.
        Hanna se iluminou.
        -- Como Hava?
        Seu pai mordeu o lbio.
        -- No... Como uma clnica.
        -- Uma o que? -- Hanna bateu sua taa. O caf quente derramou por um lado,
queimando o lado do seu dedo indicador.
        O Sr. Marin colocou a mo no bolso e pegou um folheto. Duas meninas loiras
passeavam por um caminho coberto de grama com o pr do sol ao fundo.
        Ambas tinham mau emprego de corantes e pernas gordas. A RESERVA DE ADDISON-
STEVENS dizia uma escrita em espiral ao fundo.
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          --  a melhor do pas -- disse seu pai -- Tratam todos os tipos de coisas, incapacidade
de aprendizado, desordens alimentares, TOC, depresso. E no  to longe daqui, somente no
limite de Delaware. H um pavilho inteira dedicado para pacientes jovens, como tu.
          Hanna olhou sem expresso uma coroa de flores dissecadas que Isabel havia
pendurado quando tomou posse da casa, substituindo o relgio de parede ao inoxidvel
prefervel muito melhor do que a me de Hanna.
          -- No tenho problemas -- chorou ela -- No preciso ir a uma instituio mental.
          -- No  uma instituio mental -- disse Isabel alegremente -- Pensa nisso mais
como... Um Spa. As pessoas o chamas de Canyon Ranch de Delaware.
          Hanna quis apertar o fino e falso pescoo laranja de Isabel. No tinha ouvido falar sobre
eufemismos? As pessoas tambm chamam de Berlitz Apartment Town, um desmoronado
complexo habitacional gordo do lado de fora de Rosewood, o Berlitz-Carlton, mas nada tomava
isso literalmente.
          -- Talvez seja um bom momento para escapar de Rosewood -- sorrio Kate tontamente,
numa voz igual a sei o que  melhor para voc -- Especialmente dos reprteres.
          O pai de Hanna assentiu.
          -- Tive que remover um tipo de reprter ontem que estava tentando usar uma lente
telescpica para te fotografar em teu quarto, Hanna.
          -- E algum passou aqui a noite para saber se voc ia dar uma declarao em Nancy
Grace -- adicionou Isabel.
          -- S vai piorar -- concluiu o Sr. Martin.
          -- E no se preocupe -- disse Kate, mordendo novamente o melo -- Naomi, Riley e eu
estaremos aqui quando voc voltar.
          -- Mas... -- Hanna parou. Como seu pai poderia acreditar nessa loucura? Sim, ela tinha
mentido algumas vezes. Sempre havia sido por uma boa razo, ela havia abandonado o jantar
em Le Bec-Fin porque A havia dito que seu ento ex-noivo, Sean Ackard, estava na festa
beneficente Foxy com outra menina. Ela tinha dito que Kate tinha herpes porque estava segura
que Kate ia dizer a todo mundo sobre os problemas alimentares de Hanna. O que importava?
Isso no quer dizer que ela tem stress ps-traumtico ou o que quer que fosse.
          Esse foi outro lembrete do quo longe Hanna e seu pai tinham ficado. Quando os pais de
Hanna estavam casados, ela e seu pai eram como ervilhas em uma vagem, mas depois que
Isabel e Kate vieram, Hanna era to obsoletas quanto almofadas. Porque seu pai a odiava tanto
agora?
          Ento, sua presso sangunea entrou em colapso. Supostamente. A finalmente a tinha
encontrado. Ela se levantou da mesa, empurrando o pode de cermica de ch de menta perto do
seu prato.
          -- Essa carta no  do Dr. Atkinson. Algum a escreveu para me machucar.
          Isabel dobrou suas mos sobre a mesa.
          -- Quem faria isso?
          Hanna engoliu seco.
          --A
          Kate cobriu a boca com a mo. O pai de Hanna colocou sua taa sobre a mesa.
          -- Hanna -- ele disse com uma voz calma de jardim de infncia -- Mona era A. E ela
morreu, no se lembra?
          -- No -- protestou Hanna -- H um novo A.
          Kate, Isabel e o pai de Hanna trocaram olhares nervosos, como de Hanna fosse um
animal imprevisvel que necessitava de um dardo tranqilizando no seu traseiro.
          -- Querida -- disse o Sr. Martin -- Na verdade, no ests falando razoavelmente.
          -- Isso  justamente o que A quer -- chorou Hanna -- No acredita em mim?
          Repentinamente, ela se sentiu esmagadoramente tonta. Suas pernas ficaram dormentes
e um zumbido fraco soou em seus ouvidos. As paredes se aproximaram e o cheiro do ch de
mente fez seu estomago revirar. Num piscar, Hanna estava de p no escuro estacionamento de
Rosewood Day. A SUV de Mona estava acelerando at ela, seus faris eram duas luzes
direcionadas a ela com raiva. Suas palmas comearam a suar. Sua garganta ardia. Ela viu o
rosto de Mona atrs do volante, seus lbios recuaram em um sorriso diablico. Hanna cobriu seu
rosto, preparando-se para o impacto. Ela ouviu algum gritar. Depois de alguns segundos, ela
percebeu que era ela.
          Havia terminado to rpido como havia comeado. Quando Hanna abriu seus olhos,
estava cada sobre o piso, agarrando seu peito. Sentia seu rosto quente e mido. Kate, Isabel e
seu pai surgiram sobre ela, com seus rostos cheios de preocupao. O Doberman em miniatura
de Hanna, Dot, lambia freneticamente os tornozelos nus de Hanna.
          Seu pai a ajudar a se levantar e retornar a cadeira.
                                                26
         -- Realmente ache que isso  melhor. -- disse ele gentilmente. Hanna queria protestar,
mas sabia que no adiantaria.
         Ela apoiou sua cabea na mesa, confundida e trmula. Todos os sons ao seu redor de
tornaram agudos e intensos nos seus ouvidos. A geladeira zumbia suavemente. Um caminho
de lixo rugiu baixo na colina. E em seguida, abaixo disso, ela ouviu outra coisa.
         O cabelo atrs do seu pescoo se levantou. Talvez ela estivesse louca, mas jurava que
ouviu... Uma risada. Soava como se algum estivesse rindo alegremente, festejando que as
coisas tinham ido precisamente de acordo com o plano.
                                              27
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                              UM DESPERTAR ESPIRITUAL
                                                                        Traduzido por Patryck Pontes
         Segunda-feira de manh, Byron se ofereceu para levar Aria a escola em seu velho
Honda Civic, desde que o Subar de Aria estava danificado. Moveu um monto de folhas, livros
didticos e papis do banco da frente para o de trs. A rea debaixo dos seus ps estava cheia
de taas de caf vazias, embalagens de barras SoyJoy e um bocado de recipientes de Sunshine,
a loja de beb ecolgica em que Byron e sua noiva Meredith compravam.
         Byron deu partida e o velho motor diesel rugiu a vida. Uma de suas bandas de jazz cido
soava pelos auto-falantes. Aria olhou fixamente para as rvores enegrecidas e torcidas do seu
ptio traseiro. Pequenos redemoinhos de fumaa elevavam-se da floresta, o fogo batia em
alguns lugares. Um rolo inteiro de fita NO PASSE havia sido colocado na longa linha de
rvores, j que agora a floresta estava muito frgil e perigosa para entrar. Aria havia escutado
nas notcias essa manh que os policiais estavam examinando minuciosamente atravs da
floresta em busca de uma resposta de quem poderia ter iniciado o fogo, e na ltima noite tinham
recebido uma chamada do DP de Rosewood, o qual queria saber sobre a pessoa que foi vista na
floresta com a lata de gasolina. Agora que a pessoa definitivamente no era Wilden, Aria no
tinha muita coisa para dizer. Poderia ter sido qualquer pessoa com um moletom grande.
         Aria prendeu a respirao enquanto passavam pela grande casa colonial que pertencia a
famlia de Ian Thomas. O gramado estava coberto com a geada matutina, a bandeira vermelha
da caixa de correio estava levantada e um par de cupons circulares estavam dispersos sobre o
caminho de entrada dos Thomas. Havia um grafite fresco sobre a porta da garagem que dizia
Assassino, a pintura combinava exatamente com o grafite de ASSASSINA que algum havia
pintado na porta da garagem de Spencer. Por instinto, Aria procurou dentro do seu bolso de
couro de iaque e sondou em busca do anel da classe de Ian dentro do bolso dianteiro. Estava
com vontade de simplesmente entreg-lo a Wilden ontem (no queria ser responsvel por isso),
mas Spencer tinha um ponto. O DP de Rosewood havia esquecido o anel completamente
durante sua busca exaustiva atravs da floresta, poderiam dizer que Aria simplesmente havia
plantado ali. Mas, porque no encontraram o anel? Talvez no tivesses procurado no bosque
todo.
         E, de todos os modos, onde estava Ian? Porque havia dado a elas informao erradas
em suas IM? E, como ele no se deu conta que tinha perdido seu anel? Aria duvidava que s
simplesmente tenha cado do seu dedo: a nica vez que aconteceu foi quando lavou os pincis
depois de pintar e sempre se dava conta quando caia um anel. Era possvel que Ian estivesse
morto e o anel caiu quando algum arrastava seu corpo com fora enquanto Aria e as meninas
correram de volta para a casa para buscar Wilden? Mas se esse foi o caso, ento, quem estava
falando com elas por IM?
         Suspirou audivelmente e Byron deu uma olhadela. Hoje estava excepcionalmente
desalinhado, seu cabelo escuro levantando-se em espessos tufos. Apesar do frio, no estava
usando um casaco e havia um grande buraco no cotovelo de seu pesado suter de l. Aria o
reconheceu quando ele tinha comprado, quando a famlia estava morando na Islndia. Desejava
que sua famlia nunca tivesse deixado Reykjavik.
         -- Ento, como voc est indo -- perguntou Byron gentilmente.
         Aria encolheu os ombros. Na esquina passaram um punhado de garotos da escola
pblica esperando o nibus. Apontaram para Aria, reconhecendo-a instantaneamente das
notcias. Aria colocou seu capuz de pele falsa ao redor de sua cabea. Ento passaram na rua
de Spencer. Um grande veculo de servios de rvores estava estacionado no meio-fio, um carro
de polcia estava atrs dele. Atravs da rua, Jenna Cavanaugh e seu co-guia pastor alemo
caminhavam delicadamente em direo da Lexus da Sra. Cavanaugh evitando as manchas de
gelo. Aria estremeceu. Jenna sabia mais sobre a Ali do que falava. Aria inclusive se perguntava
se Jenna estava ocultando grande segredo: o dia do ch de beb de Meredith, ela estava parada
meio do ptio de Aria como se necessitasse contar algo a ela. Mas quando Aria tinha lhe
perguntado se estava mal, Jenna deu meia volta e foi embora. Tambm parecia conhecer muito
bem Jason DiLaurentis... mas, porque Jason estava em sua casa na sua casa na semana
                                              28
passada e porque tinha comeado a discutir com ela? Porque A queria que ela soubesse disso,
se Jason na verdade no tinha nada a ver com a morte de Ali?
        -- O oficial Wilden disse que vocs, meninas, esto tentando descobrir quem matou Ali
-- disse Byron, sua voz rouca foi to forte e retumbante que Aria saltou -- Mas, querida, se Ian
no a matou, os policiais descobriro quem fez isso. -- Ele coou a parte de trs de seu
pescoo, algo que s fazia quando estava estressado -- Estou preocupado com voc. Ella
tambm est.
        Aria estremeceu com a meno que seu pai fez a sua me. Os pais de Aria haviam se
separado neste outono e ambos seguiram adiante com outras relaes. Desde que Ella
comeou a sair com Xavier, um artista lascivo que tinha uma atrao por Aria, Aria a estava
evitando. E enquanto seu pai certamente tinha um ponto, Aria estava muito envolvida para
descontrair-se do caso de Ali.
        -- Falar sobre isso talvez ajude -- tentou Byron quando Aria no respondeu, puxando
para baixo o CD de Jazz -- Inclusive podes me contar sobre... Voc sabe. A viso de Ali.
        Passou uma fazenda que tinha seis gordas alpacas, em seguida Wawa. Vocs tm que
parar de dizer que viram a Ali, a voz de Wilden repercutia em sua mente. Alguma coisa sobre
isso continuava a incomodando. Soava to... Agressivo.
         -- No sei o que vimos -- admitiu fracamente -- Quero acreditar que s inalamos muita
fumaa e fim. Mas, no  estranho que todas ns vimos Ali ao mesmo tempo fazendo a mesma
coisa? No  um pouco estranho?
        Byron deu alerta e mudou para a faixa da direita.
        --  estranho -- tomou um gole da sua taa de caf da Universidade de Hollis. -- Se
lembras que h um tempo me perguntasse se fantasmas podiam mandar mensagens de texto?
        Essa conversa estava borrada em sua mente, mas lembrava-se de falar com Byron
depois de receber a primeira mensagem da antiga A. Antes que o corpo de Ali ser encontrado
em seu ptio traseiro, Aria havia se perguntado se o fantasma de Ali estava mandando as
mensagens debaixo da terra.
        -- Algumas pessoas acreditam que os mortos no conseguem descansar at mandarem
uma mensagem importante -- Byron freio em uma luz rosa atrs de um Toyota Prius que tinha
um grande adesivo VISUALIZE ERVILHAS GIRANDO
        -- O que queres dizer? -- Aria se sentou direito.
        Passaram rapidamente por Clocktower, um plano de habitao de um milho de dlares
com seu prprio clube de golfe e logo passaram pelo pequeno parque municipal. Algumas almas
corajosas estavam fora com jaquetas grossas, caminhando com seus ces. Byron respirava pelo
nariz.
        -- S quero dizer... que a morte de Alison  um mistrio. Prendeu o assassino, mas
nada seguramente se sabe sobre o que aconteceu l. E vocs estavam perto de onde Alison
morreu. Seu corpo ficou ali por anos.
        Aria estendeu o brao e tomou um gole da taa de seu pai.
        -- Voc est dizendo... que poderia ser o fantasma de Ali?
        Byron encolheu os ombros, virando a direita. Eles deslizaram para dentro do
estacionamento de Rosewood Day e avanaram lentamente atrs de uma fila de nibus.
        -- Talvez.
        -- E voc quer que ela quer nos dizer algo? -- perguntou Aria com incredulidade --
Ento, voc no acha que Ian o fez?
        Byron negou com a cabea com veemncia.
        -- No estou dizendo isso. S estou dizendo que as vezes, algumas coisas no poder
ser explicadas racionalmente.
        Um fantasma. Soava como se estivesse canalizando o hippie-louco da Meredith. Mas
quando Aria olhou o perfil de seu pai, havia tensas linhas ao redor de sua boca. Suas
sobrancelhas se juntando e estava fazendo essa coisa de coar o pescoo outra vez. Estava
falando srio.
        Virou-se para Byron, de repente, cheia de perguntas. Porque o fantasma de Ali estaria
aqui? Qual era sua tarefa no terminada? E o que supostamente Aria deveria fazer agora?
        Mas antes que pudesse dizer uma palavra, houve um acentuado golpe na porta de
passageiro. Aria no havia se dado conta que j estava no meio-fio de Rosewood Day. Trs
reprteres cercavam o carro, tirando fotos e pressionando seus rostos contra a janela.
        -- Senhorita Montgomery! -- disse uma mulher, sua voz forte atravessava o vidro.
        Aria engasgou boquiaberta com eles e depois olhou desesperadamente para seu pai.
        -- Ignore-os -- pediu sei pai -- Corre.
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         Respirando fundo, Aria abriu a porta e seguiu seu caminho atravs da multido.
Cmeras piscavam. Reprteres balbuciavam. Detrs deles, Aria viu estudantes olhando
boquiabertos, perversamente fascinados pelo choque.
         -- Voc realmente viu a Alison? -- gritavam os reprteres -- Quem iniciou o fogo?
         -- Algum iniciou esse incndio na floresta para cobrir uma pista fundamental?
         Aria virou-se pela ltima pergunta, mas manteve a boca fechada.
         -- Voc comeou o incndio? -- gritou um homem de cabelos escuros de uns trinta e
poucos anos. Os reprteres a cercaram.
         -- Claro que no! -- gritou Aria, alarmada. Seguida de cotoveladas a distncia, correndo
pelo caminho e entrando de golpe atravs da primeira porta disponvel, a que levava para a parte
de trs do auditrio.
         As portas se fecharam com fora e Aria soltou a respirao que estava prendendo e
olhou ao redor. O grande teatro de teto alto estava vazio. Barcos feitos para o Pacfico Sul, o
recente musical da escola, estavam amontoados no canto. Partituras estavam espalhadas
aleatoriamente no cho. As cadeiras dobrveis estavam na platia atrs dela, cada assento
dobrado e desocupado. Estava muito silencioso ali. Surpreendentemente calmo.
         Quando o piso de madeira rangia. Aria enrijeceu. Uma sombra desapareceu atrs da
cortina. Virou-se, com uma horrvel possibilidade passando pela sua cabea.  a pessoa que
comeou o incndio. A pessoa que tentou nos matar. Est aqui. Mas quando se aproximou, no
havia nada.
         Ou talvez, s talvez, era o esprito de Ali, olhando de perto, desesperada. Se o que
Byron disse era verdade (se uma pessoa morta no podia descansar at que sua mensagem
pudesse ser ouvida) ento talvez Aria tivesse que descobrir como se comunicar com ela. Talvez
fosse hora de escutar o que Ali tinha a dizer.
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                            DESCENDO A TOCA DO COELHO
                                                                        Traduzido por Patryck Pontes
         Emily bateu a porta do seu armrio na segunda-feira a tarde e ergueu seus livros de
biologia, trigonometria e de histria em seus braos. Um pedao de papel caiu de dentro se seu
caderno. SANTSSIMA TRINDADE, GRUPO JUVENIL DE VIAGEM A BOSTON diziam letras
grandes e encaracoladas.
         Ela franziu a testa. Este documento tinha estado em seu caderno desde a semana
anterior, quando seu ento namorado, Isaac, tinha pedido para ir. Emily tinha inclusive recebido
a permisso de seus pais. Ela pensava que seria a maneira perfeita para passar um tempo a ss
com Isaac.
         J no era assim.
         Seu peito se apertou. Era difcil acreditar que h apenas alguns dias, Emily real e
verdadeiramente acreditava que ela e Isaac estavam apaixonados, fato suficiente para dormir
com ele pela primeira vez. Mas ento tudo tinha ido horrvel e terrivelmente mal. Quando Emily
decidiu dizer a Isaac sobre os maus olhados de sua me e os comentrios ofensivos, ele havia
terminado com ela em um estacionamento, mais ou menos dizendo que Emily era uma
psicopata.
         Umas poucas estudantes do segundo ano passaram as suas costas, rindo e
comparando os brilhos labiais. Como Emily poderia ter pensado que o amava? Como podia ter
dormido com ele? No momento que Isaac a havia encontrado na festa de Radley no sbado 
noite e pedido desculpas, ela no estava certa que queria voltar. Desde o incndio, ele havia
mandado mensagens de texto e ligado muitas vezes, querendo saber se ela estava bem, mas
Emily no havia respondido a nenhuma das mensagens. As coisas estavam arruinadas entre
eles. Isaac nem sequer quis escutar sua verso dos fatos. Agora, cada vez que pensava sobre o
que havia feito esse dia depois da escola na casa de Isaac, desejava poder pegar uma grande
barra de sabo e esfreg-lo em sua pele.
         Ela fez uma bola com o folheto em sua mo jogou-o na lixeira mais prxima e continuou
no corredor. A msica clssica de entre classes soava atravs dos auto-falantes de cima.
Cartazes de cor vermelha e rosa para o baile do prximo San Valentin de Rosewood Day
empapelavam as salas. Ali estava o congestionamento habitual na escada e algum havia
soltado um peido na escada. Era o status quo da segunda feira na escola... exceto por uma
coisa: Todos estavam olhando para ela.
         Literalmente todo mundo. Dois meninos maiores do time de beisebol gesticularam com a
boca Fenmeno a seu passo. A senhora Booth, a criativa professora de escrita de Emily do ano
anterior, enfiou a cabea pela porta de sua sala de aula, seus olhos se abriram ao ver Emily e
em seguida entrou, como um rato correndo de volta para um buraco. A nica pessoa que no
olhava era Spencer. No entanto, Spencer virou a cabea no sentido oposto, evidentemente
chateada por Emily ter contado a polcia que viu Ali no seu quintal.
         Qualquer que seja. Suas amigas podiam ser convencidas de que haviam tido uma
alucinao em conjunto, o relatrio de DNA supostamente poderia dizer que o corpo no buraco
era de Ali e todos de Rosewood poderiam pensar que Emily estava delirando, mas ela sabia o
que tinha visto. A noite, enquanto dormia, teve uns sonhos com Ali, como que se Ali suplicasse
no seu subconsciente para Emily ir procur-la. No primeiro, Emily entrava na sua igreja e
encontrava Ali e Isaac sentados juntos na banca nova, rindo e sussurrando. O sonho que se
seguiu a esse, Emily e Isaac estavam nus embaixo das cobertas da cama dele, como ela
estivera na semana anterior. Ouviram passos na escada. Emily pensou que era a me de Isaac,
mas Ali havia entrado no quarto em vez dela. Seu rosto estava coberto de fuligem e seus olhos
eram grandes e assustados.
         -- Algum est tentando me matar -- disse. E, em seguida, se desintegrou em um
monto de cinzas.
         Ali estava ali. Mas... Que corpo estava no buraco ento? E porque Wilden insistia que
era o DNA de Ali se realmente no era? Algum tinha iniciado, obviamente, o incndio para
esconder algo. Claro, Wilden tinha um libi, para quando o incndio comeou, mas quem
provaria que o recibo da farmcia era realmente seu? E no era um pouco conveniente que
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tivesse o recibo neste momento? Emily pensou no nico carro de polcia que havia visto
escondido na casa dos Hastings na noite do incndio, quase como que se no quisesse chamar
ateno. Wilden no estava l naquela noite, certo?
         Entrou na sua classe de biologia. Cheirava a sua habitual mistura de gs vazado do
isqueiro formaldedo e alvejante. O professor, o Sr. Heinz, no estava ali e os estudantes
estavam reunidos ao redor de uma mesa no centro da sala, olhando algo em um laptop prateado
de MacBook Air. Quando Sean Ackard se deu conta de Emily, empalideceu e se separou da
multido. Lanie Iler, uma das amigas de Emily da natao, a viu observando e viu sua boca abrir
e fechar como um peixe.
         -- Lanie? -- Emily chamou, seu corao comeando a acelerar -- O que  isso?
         Lanie tinha uma expresso de conflito em seu rosto. Depois de um momento, apontou
para o laptop.
         Emily deu uns passos at o computador. Um silncio caiu sobre a sala e a multido se
separou. A pgina da web de notcias locais brilhava na tela. POBRES, POBRES PEQUENAS
LINDAS MENTIROSAS, dizia a legenda abaixo da foto escolar de Emily, Aria Spencer e Hanna.
Mais abaixo na pgina estava uma imagem borrada das meninas no quarto de hospital de
Spencer. Elas se reuniam ao redor da cama dela, falando com preocupao.
         O pulso de Emily se acelerou. O quarto de Spencer no hospital havia estado no segundo
piso, como os paparazzi conseguiram essa foto? Seus olhos se voltaram para seu novo apelido.
PEQUENAS LINDAS MENTIROSAS. Dois meninos atrs dela riram. Pensavam que era
divertido. Eles pensavam que Emily era uma piada. Ela deu um grande passo para trs, quase
tropeando em Bem, seu antigo namorado de natao.
         -- Acho que deveria olhar por onde andas, Pequena Mentirosa -- brincou, sorrindo.
         Isso era tudo. Sem outra olhada para seus colegas de classe, ela saiu correndo da sala e
se dirigiu at o banheiro, suas Vans de borracha rangiam no piso polido. Por sorte, no tinha
ningum dentro. O ar cheirava a um recipiente de cor azul plido. Apoiada na parede, Emily
ofegava.
         Porque isto est acontecendo? Porque ningum acreditava nela? Quando ela tinha visto
Ali na floresta na noite do sbado, seu corao havia enchido de alegria. Ali estava de volta.
Poderiam retomar sua amizade. E, sem seguida, em um abrir e fechar de olhos, Ali havia ido
outra vez e agora todo mundo pensava que Emily havia inventado. E se ela realmente estivesse
l, ferida e com medo? Emily era honestamente a nica pessoa que queria ajud-la?
         Derramou gua fria em seu rosto, ofegante. De repente, seu celular tocou, fazendo eco
em voz alta nas paredes do banheiro. Saltou e tirou a bolsa de seu ombro. Seu celular estava no
bolso dianteiro. Uma nova mensagem de texto, dizia a tela.
         Seu corao entrou em queda livre. Ela olhou ao seu redor rapidamente, antecipando um
par de olhos  observ-la do armrio, um par de ps sobre a tenda. Mas o banheiro estava
vazio. Sua respirao era rasa em seu peito enquanto olhava a tela.
Pobre Emily. Voc e eu sabemos que ela est viva.
A pergunta : O que voc faria para encontr-la? -A
         Arquejando, Emily abriu o teclado de seu celular e comeou a escrever: Fao qualquer
coisa.
         Houve uma mensagem de resposta quase de imediato.
Faa exatamente o que digo. Diga a seus pais que
vai nessa viagem a igreja de Boston. Mas na verdade,
irs para Lancaster. Para mais informaes veja seu
armrio. Deixei algo para voc l.
        Emily olhou. Lancaster... Pennsylvania? E como A sabia sobre a viagem de Boston? Ela
pegou novamente o folheto amassado tirando a parte inferior do lixo. A a tinha visto jogar fora? A
estava aqui na escola? E, mais concretamente, poderia confiar em A? Ela olhou seu celular.
O que voc faria para encontr-la?
       Rapidamente correu pelas escadas de volta ao seu armrio que estava na ala de
Lnguas Estrangeiras. Quando os estudantes de francs cantavam La Marsellesa, Emily girou o
                                               32
boto e abriu a porta do seu armrio. Na parte inferior, junto a um par de atletas de natao, por
substituio, estava uma bolsa pequena. Leve com voc, diziam uns desordenados rabiscos
com marcador na parte dianteira. A mo de Emily tremia junto a boca. Como isto chegou at
aqui? Tomando um grande suspiro, pegou a bolsa e tirou um vestido longo, simples. Por debaixo
disto havia um simples casaco de l, meias e sapatos de aspecto estranho com botes de lapela
pequenos. Parecia o disfarce de Halloween da casa na pradaria que Emily havia posto no
quintal.
         Sua mo tocou um pedao de papel na parte inferior da bolsa de comestveis. Era outra
nota, aparentemente feita em uma velha mquina de escrever.
Pela manh, pegue um nibus para Lancaster,
v para o norte por cerca de uma milha da
estao e acenda o sinal do cavalo e a carruagem.
Pergunta por Lucy Zook. No tente pegar um txi
para chegar l, ningum confiar em ti. -A
       Emily eu a nota mais trs vezes. A estava sugerindo o que Emily pensava que estava
sugerindo? Ento se deu conta do que estava escrito no outro lado da nota. Entregou o papel.
Seu nome  Emily Stoltzfus. s de Ohio, mas chegasse
a Lancaster para uma visita. Se queres ver sua melhor
amiga de novo, tem de fazer exatamente o que disser.
E... oh, esqueci de mencionar? s uma Amish. Todos
os demais que esto ali tambm so. Viel Glck! -A
                                               33
                                            7
                                    UM VELHO AMIGO
                                     EST DE VOLTA
                                                                       Traduzido por Patryck Pontes
         Quando a campainha final soou, Spencer se foi agradecida para o seu armrio. Seus
membros doam. Sentia como se sua cabea pesasse um milho de quilos. Estava doida que
este dia acabasse. Seus pais lhe disseram que podia faltar uns dias na escola para se recuperar
melhor do incndio, mas Spencer queria voltar ao ritmo da coisa mais rpido quanto fosse
possvel. Ela se comprometeu em tirar A esse semestre, custe o que custasse. E talvez at a
primavera, Rosewood Day levantasse sua liberdade condicional acadmica e a deixassem
ingressar no time de Lacrosse, ela precisava de aplicaes para a faculdade. Entretanto havia
tempo para entrar em algum programa de vero de Ivy League e poderia se juntar ao Habitat For
Humanity para completar seu servio comunitrio.
         Enquanto colocava seus livros de ingls em seu armrio, sentiu um puxo na manga de
sua jaqueta. Quando se virou, Andrew Campbell estava parado ali, suas mos nos bolsos e um
longo cabelo loiro fora do rosto.
         -- Oi -- disse ele.
         -- O...oi -- gaguejou Spencer. Ela e Andrew comearam a sair umas poucas semanas
atrs, mas Spencer no falava com ele desde que disse que ia se mudar para Nova York com
Olivia. Andrew tentou adverti-la para no confiar em Olivia, mas Spencer no lhe deu ouvidos.
Na realidade, ela lhe chamou algo como um perdedor possessivo. Desde ento, ele a tinha
ignorado na escola, que foi uma faanha quase impossvel, j que tinham todas as classes
juntas.
         -- Voc est bem? -- perguntou ele.
         -- Acho que sim -- ela respondeu timidamente.
         Andrew brincou com a placa ANDREW PARA PRESIDENTE! em seu bolso lateral. Era
da campanha para presidente da classe do semestre passado, na qual havia ganhado de
Spencer.
         -- Estive no hospital quando todas estavam ainda inconscientes -- admitiu ele -- Falei
com seus pais, mas eu... -- Olhou para seus sapatos Merrells -- No estava certo se voc
queria me ver.
         -- Oh -- O corao de Spencer deu uma volta -- Eu... Eu teria gostado de te ver. E...
Sinto muito. Por... Voc sabe.
         Andrew assentiu e Spencer se perguntou se ele sabia o que tinha acontecido em relao
a Olivia.
         -- Talvez possa te ligar mais tarde? -- perguntou ele.
         -- Ok. -- disse Spencer, sentindo uma vibrao de excitao. Andrew levantou uma mo
desajeitadamente, fazendo uma pequena reverencia de despedida. Ela o olhou desaparecer pelo
corredor, ao longo de um grupo de meninas da orquestra com violinos e violoncelos.
         Ela havia estada a ponto de chorar duas vezes hoje, esgotada e cansada dos meninos
olharem como se tivesse chegado  escola s de fio dental. Finalmente, algo agradvel havia
acontecido.
         A calada da frente estava cheia de nibus amarelos, um guarda de trnsito em uma
vestimenta alaranjada brilhante e supostamente as vans dos noticirios em toda parte. Um
cinegrafista da CNN notou Spencer e deu uma cotovelada em seu reprter.
         -- Senhorita Hastings? -- Eles correram -- O que acha das pessoas que duvidam que
voc viu Alison no sbado  noite? Realmente a viu?
         Spencer apertou os dentes. Maldita Emily que impulsivamente deixou escapar que tinha
visto Ali.
         -- No -- disse para a lente -- no vimos a Ali. Foi um mal-entendido.
         -- Ento mentiram? -- Os jornalistas estavam praticamente formando espuma na boca.
Um grupo de estudantes foram presos atrs de Spencer tambm. Um par de meninos estavam
saudando as cmeras, mas a maioria estava olhando, ansiosa. Um menino do primeiro ano tirou
uma foto com a cmera do celular. Inclusive at o professor de Economia Avanada de Spencer,
o Sr. McAdam, estava preso na entrada e estava avistando atravs das janelas da frente.
                                              34
        -- O crebro evoca todo tipo de coisas estranhas quando est privado de oxignio --
disse Spencer, repetindo como um louco o que o mdico de urgncia havia dito. --,  o mesmo
fenmeno que acontece agente antes de morrer. -- Logo estendeu sua mo at a tela. -- Sem
mais perguntas.
        -- Spencer! -- exclamou uma voz familiar. Spencer se virou. Sua irm, Melissa, estava
em sua caminhonete Mercedes prateada, estacionada na estao de visitantes. Ela acenou com
o brao -- Vamos!
        Salva. Spencer se esquivou dos jornalistas e se lanou passando pelos nibus. Melissa
sorriu enquanto Spencer subia na caminhonete, como se fosse fora do comum o que estava
acontecendo com Spencer na escola.
        -- O que faz aqui? -- soltou Spencer. Ela no tinha visto Melissa h quase uma semana,
no, desde que ela abandonou a casa depois de chegar do funeral de Nana. Isso foi justamente
quando Spencer tinha comeado a falar com Ian Thomas por IM. Spencer o tinha procurado pelo
IM, com a esperana de falar com ele sobre o incndio, mas no tinha comeado a sesso.
        Spencer suspeitava que Melissa pensou que Ian era inocente tambm, depois que ele
tinha sido detido e encarcerado, Melissa insistiu que ele no merecia uma pena de priso
perptua. Ela inclusive havia admitido que tinha falado com Ian por telefone quando estava na
priso. Sua irm havia embalado suas coisas rapidamente na semana passada, que Spencer se
perguntou se Melissa sentia que precisava sair de Rosewood pelas mesmas razes que Ian o
fez: porque sabia muito sobre o que realmente aconteceu com Ali.
        Melissa ps o carro em marcha. NPR soava e rapidamente apagou.
        -- Estou de volto porque me inteirei do teu encontro com a morte. Obviamente. E queria
ver a destruio do incndio.  terrvel, no? A floresta... o moinho de vento... at o celeiro.
Grande parte das minhas coisas tambm.
        Spencer abaixou a cabea. O celeiro havia sido o apartamento de Melissa durante a
escola secundria. Ela havia escondido toneladas de anurios, revistas, recordaes e roupas
ali.
        -- Mame me falou de voc tambm -- Melissa saiu da vaga, quase batendo em um
cinegrafista da CNN filmando na frente da escola -- Sobre a... a substituta. Como voc est?
        Spencer encolheu os ombros.
        -- Foi um choque. Mas pra melhor.  bom saber.
        -- Sim, bem. -- passaram pela etapa dos jornalistas e em seguida na zona de
estacionamentos dos professores. Estava cheio de carros que era muito mais velhos e muito
mais humildes do que a grande quantidade de estudantes. -- Desejava no ter dito nem ter
posto essa idia na sua cabea. Mame realmente se libertou comigo por isso. Ela foi
implacvel.
        Spencer sentiu uma pontada quente de raiva. Pobrezinha de voc, queria complementar.
Como se na realidade ela se comparava com o que Spencer tinha passado.
        Passaram em um semforo atrs de uma Jeep Cherokee cheia de corpulentos meninos
musculosos com chapus de beisebol. Spencer deu uma longa olhada para sua irm. A pele de
Melissa estava translcida e cansada, havia uma espinha na testa e ligamentos salientes em seu
pescoo, como se estivera apertando a mandbula. Na semana passada, Spencer havia notado
que algum que se pareia suspeitosamente Melissa procurava algo na floresta atrs de sua
casa, no muito longe de onde acharam o corpo de Ian. Aria havia encontrado o anel de Ian no
bosque justamente antes do incndio. Era isso o que Melissa estava procurando?
        Mas antes de Spencer poder perguntar, seu celular tocou. Ela pegou em seu bolso e o
abriu.
Tire o dia livre da escola.Vamos passar
em um Spa. Minha recompensa. Mame
       Spencer deixou escapar um grito involuntrio de prazer.
       -- Mame e eu vamos passar um dia de Spa de manh!
       Melissa empalideceu. Muitas emoes passaram sobre seu rosto de uma vez.
       -- Voc vai? -- Ela soava incrdula.
       -- Uh-huh -- Spencer respondeu e escreveu Sim, definitivamente!
       Melissa sorrio.
       -- Est tentando te comprar agora?
       -- No -- Spencer se irritou -- No  assim.
       O semforo ficou verde e Melissa pisou no acelerador.
       -- Creio que os nossos papis se inverteram -- disse despreocupadamente, tomando
um canto muito rapidamente -- Agora tu s a favorita da mame e eu sou a marginal.
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         -- O que queres dizer? -- perguntou Spencer, tentando ignorar o jeito que Melissa tinha
se referido a si mesma como marginal -- No esto se dando bem?
         Melissa revirou sua mandbula at fechar-se.
         -- Esquece.
         Spencer pensou se deixaria passar. Melissa sempre foi muito teatral. Mas a curiosidade
superou a dela.
         -- O que aconteceu?
         Passaro zumbido Wawa, Cheesesteaks Ferra e o Distrito Histrico de Rosewood Day,
uma srie de edifcios antigos que tinham se transformado em tendas de velas, Spas de dia e
oficinas de boas razes. Melissa deixou escapar um longo suspiro.
         -- Antes que Ian fosse preso, Wilden veio e nos perguntou sobre a noite que Ali
desapareceu. Ele perguntou que tnhamos passado a noite toda juntos todo o tempo, se vimos
algo estranho, o que fosse.
         -- Sim? -- Spencer nunca havia dito a Melissa que ela havia espionado Melissa atrs da
escada nesse dia, preocupada se Melissa ia dizer sobre a briga que Spencer e Ali tinha tido fora
do celeiro antes de Ali desaparecer. Era uma recordao que Spencer tinha suprimido por anos,
mas ela deixou passar, nem sequer mencionou que Ali havia admitido que ela e Ian estavam
secretamente juntos e brincou porque Spencer desejava Ian tambm. Spencer tinha empurrado
Ali por frustrao e Ali tinha cado e batido a cabea na estrada rochosa. Por sorte Ali tinha
ficado bem, at um tempo depois, em tal caso, quando algum a empurrou nesse buraco semi-
escavado em seu quintal.
         -- Eu disse a Wilden que no tnhamos visto nada estranho e que tnhamos estado
juntos todo o tempo -- declarou Melissa. Spencer assentiu. -- Mas depois disso, mame me
perguntou se eu teria contado a mesma histria a Wilden se Ian no estivesse na sala comigo.
Disse que era verdade. Mas depois ela seguiu pressionando, tive um deslize e lhe disse que
havamos estado. Mame se balanou sobre mim. Precisas estar muito, muito segura do que
disse a polcia, seguia dizendo. A verdade importa muito. Ela se manteve perguntando-me
intensamente at que de repente no tenho mais certeza do que se passou. Quer dizer, talvez
poderia ter sido um par de minutos quando acordei e Ian no estava ali. Eu estava muito perdida
essa noite. E quero dizer, eu nem sequer sei se eu estive no meu quarto todo o tempo ou... --
Ela parou abruptamente, um msculo em seu olho se contraiu -- Meu ponto , finalmente me
curvei. Disse que talvez Ian havia levantado... muito embora que realmente no sei que o fez ou
no. E ela estava tipo: Muito bem, ento. Tens que dizer isso aos policiais. Portanto chamamos
Wilden outra vez para falar comigo. Foi o dia depois que tiveste a recordao de Ian no quintal
quando Ali morreu. Meu relatrio foi apenas prega final no caixo.
         O queixo de Spencer caiu.
         -- Mas esse  o problema -- sussurrou -- No estou certa de ter visto Ian no quintal. Vi
algum... mas no tenho idia se era ele.
         Melissa dobrou a esquerda em Weavertown Road, que era estreito e cheio de pomares
de maas e cooperativas de granjas.
         -- Ento creio que ambas estvamos equivocadas. E Ian pagou o preo.
         Spencer se lanou para trs, pensando nessa segunda vez que Wilden havia ido a sua
casa. Na noite anterior, elas haviam descoberto que Mona Vanderwaal era A e que ela quase
havia empurrado Spencer pela borda da barranco O Homem Flotante. Na manh seguinte,
Melissa havia desabado no sof com ar de culpa. Seus pais estavam na parte posterior da sala,
os braos cruzados impassivelmente no peito, com evidente decepo em seus rostos.
         -- Eu estava um desastre esse dia. -- disse Melissa, como se tivesse lido os
pensamentos de Spencer. Deu a volta da rua dos Hastings, varrendo e passando os carros de
patrulha e caminhes de jardineiras que estavam estacionadas no meio-fio. Cruzando a rua, um
caminho de encanador estava estacionado no caminho da estrada dos Cavanaughs. Durante a
ltima geada, um dos principais tubos de gua havia estourado. -- Agi como se estivesse
realmente envergonhada de no haver dito a informao antes -- disse Melissa -- Mas de
verdade, estava irritada porque sentia que estava entregando Ian por algo que no estava certa
que tinha acontecido.
         Ento  por isso que Melissa tinha parecido to simptica com Ian quando ele estava
preso.
         -- Devemos ir  polcia -- disse -- Talvez deixem de levar o caso contra Ian.
         -- No h nada que possamos fazer agora -- Melissa lhe deu uma escrupulosa olhada
de soslaio e Spencer queria perguntar se estava em contato com Ian, tambm. Tinha que estar,
no? Mas havia algo oculto na expresso de Melissa, enquanto ela se deteve no caminho da
entrada e entrou na garagem. Seus dedos agarraram o volante com fora, inclusive depois que
haviam parado completamente.
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        -- Porque voc acredita que mame te forou a dizer que Ian era culpado? -- perguntou
de volta.
        Melissa voltou, buscando sua bolsa Foley + Corinna desde o assento traseiro.
        -- Talvez ela sentiu que algo estava errado com minha histria e s estava tentando
obter a verdade de mim. Ou talvez... -- Uma expresso de incomodidade cruzou seu rosto.
        -- Talvez... o que? -- Spencer pressionou
        Melissa encolheu os ombros, apertando seu dedo polegar no logo de Mercedes no
centro do volante.
        -- Quem sabe? Talvez se sentia culpada porque ela no era exatamente a maior f de
Ali.
        Spencer estreitou os olhos, sentindo-se mais perdida que antes. Pelo que ela sabia, sua
me havia gostado de Ali tanto com ela tinha gostado das outras amigas de Spencer. Se algum
no havia gostado de Ali era Melissa. Ali tinha roubado Ian dela.
        Melissa deu um sorriso tenso para Spencer.
        -- Nem sequer sabem o que trouxe tudo isso -- disse ela despreocupadamente, dando
palmadinhas no ombro de Spencer. Em seguida ela saiu do carro.
        Spencer viu aturdida como Spencer navegava ao redor da fila de ferramentas eltricas
da seu pai e entrou em casa. Sua cabea parecia uma mala de cabea pra baixo, o contedo de
seu crebro como as roupas desordenadas pelo solo. Tudo que sua irm acabou de dizer era
louco. Melissa havia se equivocado acerca da adoo de Spencer e ela estava equivocada
acerca disso, tambm.
        As luzes do interior do Mercedes se apagaram. Spencer tirou seu cinto de segurana e
saiu do carro. A garagem cheirava como uma combinao vertiginosa de leo de motor e a
fumaa do fogo. No espelho lateral do Mercedes ela conseguiu ver um flash de cabelo escuro
atravs da rua. Se sentia como se os olhos de algum estivessem nas suas costas. Quando se
virou, no tinha ningum ali. Pegou seu telefone a ponto de ligar para Emily, Hanna ou Aria e
dizer-lhes o que Melissa acabara de dizer sobre Ian. Mas ento se deu conta de um alerta na
sua tela. Uma nova mensagem de texto.
        Em quanto pressionava para ler, uma dor de temor serpenteou em seu abdmen.
Todas essas pistas que tenho te dado, voc est certa, Pequena Mentirosa,
s que no da maneira que pensas. Mas como sou uma boa pessoa, te deixo
outra pista. H um grande encobrimento ocorrendo diretamente em baixo
do seu nariz... e algum perto de ti tem todas as respostas. A.
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                                             8
                                  HANNA, INTERROMPIDA
                                                                         Traduzido por Patryck Pontes
        Na primeira hora na manh de quinta-feira, o pai de Hanna manejou por uma estrada
estreita povoada por rvores em algum lugar em Bumblefuck, Delaware. Isabel que estava
sentada no assento do passageiro dianteiro, de repente, ela se inclinou para frente e disse.
        -- Aqui est!
        O Sr. Martin desviou rapidamente. Giraro em uma estrada pavimentada e pararam na
cerca de segurana. A placa nas barras dizia A RESERVA DE ADDISION-STEVENS.
        Hanna se enterrou no assento traseiro. Mike, que estava sentado junto dela, apertou
suas mos. Haviam estado conduzindo pelos arredores, perdidos; por quase uma hora. Inclusive
o GPS no sabia onde estavam e seguia vociferando. Volta a traar a rota sem realmente ter
traado a nenhum lugar aonde eles iam. Hanna tinha esperado com todo o corao que este
lugar no existisse. Tudo o que ela queria era ir para casa, se enrolar com Dot e esquecer todo
esse desastre de um dia.
        -- Hanna Marin, verificando -- o pai de Hanna disse ao homem vestido de caqui em um
casaco de segurana. O guarda consultou sua ficha e assentiu. A grade atrs dele se levantou
lentamente.
        As vinte quatro horas anteriores tinham se passado galopando, todos correndo e
tomando decises sobre a vida de Hanna sem pelo menos pedir sua opinio. Era como se fosse
um beb indefeso ou uma mascote problemtica. Depois de seu ataque de pnico no caf da
manh, o Sr. Martin ligou para o hospital onde Hanna estaria segura, A havia recomendado. E
no sabia, mas a Reserva de Addison-Stevens podia alojar Hanna logo no dia seguinte.
Imediatamente, o Sr. Martin ligou para Rosewood Day e disse ao conselheiro de orientao que
Hanna perderia duas semanas de aulas, e se algum perguntasse, ela estaria visitando sua me
em Singapura. Depois ligou para o oficial Wilden e disse que se a imprensa fosse ao hospital iria
precisar de fora policial. E finalmente em um movimento que complicava ainda mais como
Hanna se sentia em relao ao seu pai, ele olhou diretamente para Kate, que ainda estava se
movimentando na cozinha, sem dvida, amando cada minuto e lhe disse que se a visita de
Hanna ao hospital era do conhecimento de algum da escola, ela imediatamente a culparia.
Hanna estava to encantada que no se importou em falar que se Kate ficasse calada sobre o
desaparecimento de Hanna, no significaria que A o faria.
        O pai de Hanna continuou conduzindo. Isabel se movia em seu assento. Hanna acariciou
os dois pedaos da bandeira da Cpsula do Tempo que foram cuidadosamente guardados em
seu bolso, um era o de Ali, e o outro pedao foi o que ela achou no caf de Rosewood Day na
semana passada. Ela no queria deixar nenhum dos pedaos da bandeira fora de sua vista.
Mike esticou seu pescoo, tentando obter uma boa vista. Diferente de Kate, Hanna no teria que
se preocupar sobre Mike falando uma palavra sobre isso, ela o havia ameaado de seus peitos
ficarem fora do seu alcance se ele dissesse.
        Se moveram at a rotatria circular. Um majestoso edifcio branco com colunas gregas e
pequenos terraos no segundo e terceiro piso apareceram diante de sua vista, parecendo mais
como uma via frrea na manso de um Baro que um hospital. O Sr. Martin pegou a chave de
ignio e ele e Isabel se viraram. O pai de Hanna tentou esboar um sorriso. Isabel ainda tinha
esses miserveis e franzidos lbios que tinha estado fazendo toda a manh.
        --  realmente agradvel -- tentou Isabel, apontando para as esculturas de bronze e
topiaries cuidadosamente mantidos na entrada -- Como um palcio!
        -- Assim -- O Sr. Martin esteve de acordo rapidamente, tirando o cinto de segurana. --
Vou tirar suas coisas da mala.
        -- No -- disse Hanna bruscamente -- No quero que entres aqui, papai. -- E
especialmente no quero am-la -- assentiu para Isabel.
        Os olhos do Sr. Martin se reduziram. Provavelmente estava pra dizer que Hanna
necessitava mostrar um pouco mais de respeito por Isabel, j que ia ser sua madrasta, bl, bl,
bl. Mas Isabel colocou sua mo alaranjada e como velha bruxa em seu brao.
        -- Est bem, Tom. Eu entendo -- o que fez a sobrancelha de Hanna se aprofundar
ainda mais.
                                               38
         Ela se atirou para fora do carro e comeou a arrastar suas maletas para fora da mala.
Tinha levado um armrio completo, s porque estava sendo internada no significava que ela
teria que passear no hospital com bata e crocodilos. Mike saiu e carregou as maletas dentro de
um carrinho largo e pesado e o empurrou at a instalao. A entrada era ampla, uma extenso
de cho de mrmore que cheirava como o sabo Clementina que ela usava em seu vestirio.
Tinha pinturas em leo longas e modernas nas paredes, uma fonte borbulhante no centro e uma
ampla recepo de pedra na parte traseira. Os recepcionistas usavam umas batas de laboratrio
brancas, justamente como os especialistas de pele em Kiehl`s e bastantes jovens, gente atrativa
sentada em sofs de cor trigo, rindo e conversando.
         -- Isso no se parece com Alcatraz -- disse Mike, coando a cabea.
         Os olhos de Hanna se lanaram para trs e para frente. O hospital era bonito, mas tinha
que ser uma tampa. Essas pessoas provavelmente eram atores acorrentados por um dia, como
a companhia Shakesperiana que os pais de Spencer tinham contratado para executar Sonhos de
uma Noite de Vero para sua dcima terceira festa de aniversrio. Hanna estava certa que os
pacientes reais estavam escondidos na parte traseira do edifcio, numa malha de arames para
cachorros.
         Uma mulher loira usando uns auscultadores sem fio e um vestido iluminado de tubo se
precipitando.
         -- Hanna Marin? -- segurou sua mo -- sou Denise, sua concierge. Desejamos que
fique junto com os outros.
         -- Uh, bom pra voc -- disse Hanna inexpressiva. No havia nenhuma maneira que
fosse beijar a bunda desta mulher e dizer que ela tambm o desejava.
         Denise se virou para Mike e sorriu desculpando-se
         -- No podemos ter visitas mais alm deste ponto. Tero que dizer adeus aqui, ok?
         Hanna agarrou a mo de Mike, desejando que ele fosse um ursinho de pelcia que
pudesse levar junto com ela. Mike tirou Hanna para fora do alcance da voz.
         -- Agora escuta -- sua voz caiu para oitavo -- Coloquei uma torta de queijo Danish de
Pepperidge Farm em sua maleta vermelha. Dentro h um limo. Voc pode ver atravs das
grades do seu quarto e deslizar inadvertidamente quando os guardas no olharem.  o velho
truque do livro.
         Hanna rio nervosamente
         -- Na verdade, no acredito que tenham grades nas portas.
         Mike ps um dedo em seus lbios.
         -- Nunca se sabe.
         Denise reapareceu e colocou seus braos no ombro de Hanna, dizendo que era hora de
ir. Mike lhe deu um longo beijo, fez um gesto sugestivo para sua maleta vermelha, depois
caminhou de costas at a entrada. Um de seus sapatos estava desatado, o lao se agitava
contra o piso de mrmore. Seu bracelete da equipe de lacrosse de Rosewood Day se agitava ao
redor de seu pulso. Lgrimas encheram os olhos de Hanna. Eles s haviam sido um casal por
trs dias. Isso no era justo.
         Quando ele havia ido, Denise disparou para Hanna um sorriso seco e ensaiado, passou
fortemente um carto atravs de um leitor em uma porta do outro lado do vestbulo e fez Hanna
passar por um corredor.
         -- Seu quarto  justamente por aqui.
         Uma forte essncia de menta flutuou pelo ar. Surpreendentemente o corredor era to
bonito como o vestbulo, com luxuosos vasos de plantas, fotografias em preto e branco e tapetes
que no parece estar manchadas com sangue e mechas de cabelos arrancados diretamente do
coro cabeludo dos loucos. Denise parou em uma porta marcada por 31.
         -- Sua casa longe de casa.
         A porta se abriu em um quarto escuro. Tinha duas camas tamanho rainha, duas mesas,
dois vestidores e uma grande janela com vista para a trao dianteira.
         Denise olhou em volta.
         -- Sua companheira de quarto no est aqui agora, mas a conhecer muito em breve. --
Depois explicou o protocola da instalao: Hanna seria atribuda a um terapeuta e eles se
encontrariam um par de vezes por semana e uma vez ao dia. O caf era servido as nove,
almoo ao meio dia e a janta as seis. Hanna era livra para conhecer e se misturar com os outros
residentes, todos eles eram muito amveis. Claro, Hanna pensou com ironia. Por acaso ela seria
vista como a menina que era amigvel com os esquizofrnicos?
         -- A privacidade  o mais importante para ns, assim que sua porta tem uma segurana
e s voc, sua colega de quarto e os guardas da segurana tem a chave. E h uma coisa a mais
que precisamos cuidar antes que eu v -- Denise adicionou -- Preciso que me entregue seu
celular.
                                              39
         Hanna retrocedeu
         -- O...o que?
         Os lbios de Denise eram de um rosa caramelo.
         -- Nossa norma aqui : Sem influncias externas. S permitimos chamadas telefnicas
entre as quatro e cinco da tarde nos domingos. No permitimos que navegues na internet nem
que leia jornal e no permitimos Tv ao vivo. Temos uma grande quantidade de DVDs para
escolha. E muitos livros ou jogos de mesa.
         Hanna abriu sua boca, mas s um pouco, um spero sonido ohh saiu. Sem Tv? Sem
Internet? Sem chamadas telefnicas? Como diabos irei falar com Mike? Denise segurou sua
palma da mo, esperando. Sem poder fazer nada, Hanna entregou seu IPhone e viu como
Denise enrolava os pequenos fones de ouvido ao redor do dispositivo e o deixava cair no bolso
da sua bata de laboratrio.
         -- Seu horrio est na sua mesa -- disse Denise -- Tens uma aviliao com o Dr.
Foster hoje s trs. Realmente acho que gostars daqui, Hanna -- apertou a mo de Hanna e se
foi. A porta se fechou com um aperto.
         Hanna desabou em sua cama, sentindo como se Denise lhe tivesse dado um murro. Que
diabos estava fazendo aqui? Espiando pela janela viu Mike subir de volta para o carro do seu
pai. O Acura lentamente arrancou.De repente Hanna foi dominada pelo mesmo pnico que
experimentava quando seus pais a deixavam no Acampamento Terra da Felicidade de
Rosewood Day cada manh de vero. So apenas algumas horas, seu pai sempre dizia quando
Hanna tentava convenc-lo que ficaria feliz em ir trabalhar com ele no lugar. E agora, ele a havia
mandado a Reserva pela mais ligeira provocao caindo pela nota falsa de A, achando que era
seu conselheiro orientador. Como se os conselheiros de Rosewood Day notassem os
estudantes! Mas seu pai parecia emocionado em desfazer-se dela. Agora ele poderia viver sua
vida perfeita com Isabel e a perfeita Kate na casa de Hanna.
         Hanna fechou as persianas. Bom trabalho, A. Tanto por A ser sua BFF e querer que
fossem atrs do verdadeira assassino de Ali, no havia nada que Hanna poderia fazer presa
nesse manicmio. Mas talvez o que A realmente queria era que Hanna ficasse louca, miservel
e isolada de Rosewood para sempre.
         Se esse era o caso, A definitivamente tinha vencido.
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                                              9
                                    ARIA E OS ESPRITOS
                                                                               Traduzido por Barbara A.
          Tera-feira depois da escola, Aria permaneceu na calada no centro de Yarnouth, uma
cidade a poucos quilmetros de Rosewood. Pilhas de lama suja de neve da semana passada
estavam empilhadas nas caladas, dando as lojas uma aparncia sombria. Havia um quadro na
frente do Salo Yee-Haw, que dizia que quem bebesse trs cervejas, teria duas noites grtis.
Algumas luzes non da porta do salo de beleza estavam queimadas, apenas com algumas
letras iluminadas. Aria respirou fundo e enfrentou a loja a sua frente, a razo pela qual ela estava
ali, LOJA DE ESPRITOS YE OLD MSTICA, dizia no toldo.
          Havia um pentagrama non na janela e um sinal verde na porta que dizia: TAR,
CARTAS, LEITURAS DE MOS, PAG, WICCA, CURIOSIDADES. E em baixo: SESSES
EOUTROS SERVIOS PSQUICOS SO OFERECIDOS AQUI. INFORME-SE.
          Depois de Aria falar com Byron, ontem, ela ficou mais e mais convencida de que elas
haviam visto o fantasma de Ali. Fazia muito sentido, por meses, Aria jurava que havia algum a
observando, aparecendo perto de sua janela de seu antigo quarto, observando da floresta
espessa, e escondendo-se , fora da vista de qualquer esquina de Rosewood Day.
          Em alguma dessas ocasies, a menina pode ter sido Mona Vanderwaal, coletando
segredos como A... mas talvez nem sempre. E se Ali tinha alguma coisa para dizer para ela e
para as outras sobre a noite que ela morreu? No era dever delas escutar?
          Sinos soaram quando ela entrou. A loja cheirava a canela, provavelmente devido aos
incensos que queimavam em todos os cantos. Amuletos de cristal, garrafas boticrio, drages
gravados em clices alinhados nas prateleiras. Havia um rdio em uma das prateleiras atrs do
registro, sintonizado na notcia: A polcia de Rosewood est investigando a causa do incndio
que dizimou dez hectares de floresta no subrbio e quase matou as Pretty Little Liars o reprter
gritou, com som de algum digitando ao fundo.
          Aria soltou um rosnado baixo. Ela odiava seu novo apelido, soava como se elas fossem
bonecas Barbie dementes.
          - Em notcia relacionada  acrescentou o reprter  a polcia est se unindo com o FBI
para ampliar a busca do suposto assassino da senhorita DiLaurentis, Ian Thomas. H tambm
uma discusso sobre se o Sr. Thomas tinha cmplices. Mais informaes depois de nosso
intervalo.
          Algum limpou a garganta, e Aria olhou para cima. Um cara careca com seus vinte e
poucos anos em um colete feito de crina de cavalo, que parecia molhado pelo registro. OI EU
SOU BRUCE, dizia em seu crach, BRUXO RESIDENTE. Havia um livro mofado todo
ornamentado em seu colo, ele estudava Aria como se ela fosse furt-lo. Aria recuou at uma
tabela de leos de rituais e deu um sorriso meigo.
          - UH, oi  disse ela com uma voz falhada - estou aqui para a sesso. Comea em 15
minutos, certo?  ela havia visto um cronograma no site da loja.
          O atendente virou uma pgina, olhando entediado, deslizou uma prancheta sobre a
mesa.
          - Coloque seu nome na lista. So vinte dlares.
          Aria vasculhou a sua bolsa de pele e conseguiu juntar um par de notas. Ento ela se
inclinou e escreveu seu nome na lista de presena, outras trs pessoas j haviam se registrado
para o evento de hoje.
          - Aria?
          Ela pulou e olhou para cima. Ao lado de uma parede de talisms de voodoo havia um
menino em um blazer de Rosewood Day, um bracelete amarelo borracha do time de Lacrosse
circulando seu pulso e um sorriso enorme de prazer em seu rosto.
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         - Noel?  Aria gaguejou
         Noel Kahn era o melhor amigo de seu irmo, o mais tpico menino de Rosewood que ela
conhecia, e a ltima pessoa que ela esperaria ver em um lugar como este. De volta a sexta srie
e stima, quando ela se importava em ser popular, Aria tinha uma grande paixo por Noel, mas 
claro que ele era louco por Ali. Todo mundo amava Ali.
         Ironia das ironias, no momento em que ela desceu do avio da Islndia, no inicio deste
ano, Noel sabia tudo sobre ela, talvez para descobrir seu lado extico ou excntrico. Ou talvez
ele finalmente percebeu que ela tinha peitos.
         - Imaginava te encontrar aqui  falou Noel lentamente. Ele caminhou at o balco e
rabiscou seu nome abaixo do dela.
          - Voc vai a uma sesso esprita?  Aria perguntou incrdula. Noel concordou,
examinando um conjunto de cartas de tar com uma feiticeira seminua na frente.
         - Sesses rock. Voc j ouviu alguma msica do Led Zeppelin? Eles eram obcecados
com os mortos. Eu ouvi que eles tiraram suas letras de adoradores de Satans.
         Aria olhou para ele, Led Zeppelim era a ltima loucura de Noel e Mike. Outro dia, Mike
perguntou a Byron se ele tinha uma cpia de Led Zeppelin IV em Vinil, ele queria escutar
Starway to Heaven de trs para frente e escutar as mensagens secretas.
         - De qualquer forma, j que voc est aqui,  bom eu ficar ao lado de uma garota bonita
no?  Noel riu lascivamente  e hey, talvez isso funcione, venha at a minha festa na banheira
quinta  noite.
         A pele de Aria parecia que estava cheia de sanguessugas. Os vrios talisms de crnio
alinhados em uma prateleira olhavam para ela lascivamente. Atrs do balco, o dono da loja
sorriu misteriosamente, como se estivesse guardando um segredo. O qu Noel estava fazendo
aqui? Algum da imprensa de Rosewood havia pedido para ele seguir Aria por todo canto,
anotando cada movimento dela? Ou talvez fosse uma brincadeira pensada por algum dos
meninos do Lacrosse. Na sexta srie, antes de Ali a escolher como amiga, a excntrica Aria
tinha sido provocada, incansavelmente, por meninos e meninas da mesma idade.
         Noel pegou uma vela roxo flica, em seguida, a devolveu.
         - Ento, acho que voc est aqui por causa da Ali?
         O incenso de canela comeou a entupir o nariz de Aria. Ela deu de ombros, evasiva.
Noel olhou cuidadosamente para Aria.
         - Ento voc a viu na floresta?
         - Isso no  da sua conta  Aria disse, olhando em volta para as cmeras escondidas, ou
gravadores colocados entre as caixas de cigarros de cravos. Parecia uma pergunta tpica de um
reprter de Rosewood.
         - Ok, ok  Noel disse defensivamente  eu no quero incomod-la.
         O lojista fechou seu livro rapidamente.
         - O mdium disse que vocs podem entrar agora  ele disse, partindo uma cortina de
contas, Aria olhou para a cortina, depois para Noel. E se um bando de meninos tpicos de
Rosewood estivessem esperando para saltar para fora detrs das caixas na sala dos fundos,
tirando fotos dela e publicarem online?
         Mas o dono da loja estava olhando para ela, ento Aria rangeu os dentes, empurrou as
cortinas e se sentou em uma das cadeiras que estava no centro da sala. Embora ela no tivesse
certeza se queria que Noel se sentasse ao seu lado, ela retirou o casaco e espiou Noel, era
obvio o porqu tantas garotas quererem um encontro com ele, ele tinha cabelo escuro e
ondulado, olhos grandes, era um homem alto, e tinha um corpo atltico. Seu hlito cheirava a
menta. Mas e da. Mesmo se ele estivesse aqui por motivos legtimos, ele no fazia o seu tipo.
Seus perfeitos jeans claros eram de uma marca top de linha, ele estava muito arrumado para o
gosto de Aria, ele no tinha um milmetro de barba em seu rosto.
         Aria olhou ao redor, para a parte detrs da loja de ocultismo franzindo a testa. As nicas
luzes vinham de uma lmpada pendurada no teto e de uma vela fedida que queimava no canto.
Caixas no identificadas estavam empilhadas em prateleiras, e em direo a sada de
emergncia havia uma enorme caixa de madeira que se parecia com um caixo. Noel seguiu
seu olhar.
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         - Sim, isso  um caixo  disse ele as pessoas compram para, como, uso pessoal. Eles
gostam de fingir que esto mortos.
         - Como voc sabe disso?  ela sussurrou perplexa.
         - Eu sei mais do que voc pensa. os dentes ultra brancos de Noel brilhavam na
escurido, Aria estremeceu.
         A cortina de contas se abriu novamente e mais duas pessoas entraram e se sentaram.
Um era um homem velho com bigodes e o outro era uma mulher que parecia estar na casa dos
trinta, mas era difcil dizer. Ela tinha um leno sobre os cabelos e usava grandes culos de sol.
Um homem jovem chegou por ultimo, ele usava uma capa de veludo e tinha um leno enrolado
na cabea, pingentes e colares de contas no pescoo e ele carregava uma engenhoca com gelo
seco que derramava fumaa ao redor da sala j esfumaada.
         - Saudaes  ele falou  meu nome  Equinox.
         Aria abafou um riso, Equinox? Qual , mas do lado dela Noel prestava muita ateno.
Equinox estendeu as mos para o teto.
         - Para evocar o esprito que voc est procurando, eu preciso que todos fechem os olhos
e se concentrem como um s.
         Ele comeou o Omm. Poucas pessoas se uniram a ele, inclusive Noel. O metal frio da
cadeira penetrou a saia de l de Aria. Ela deu uma espiada ao redor, todo mundo estava
inclinado para a frente com expectativa, e algumas pessoas deram as mos. De repente Equinox
balanou para trs, como se uma fora invisvel tinha acabado de empurr-lo. Um arrepio
percorreu o corpo de Aria, o ar parecia pesado ao seu redor.
         Dando um voto de confiana, Aria comeou a fazer Omm tambm. Houve um longo
silencio. Os dutos de aquecimento se agitaram. A fumaa dos incensos flutuavam na frente da
sala, doce e pungente. Algo macio e acariciador passou pelo rosto de Aria e ela pulou. Quando
ela abriu os olhos, no havia nada.
         - Bom  disse Equinox  Ok podemos abrir os nossos olhos agora. Estou sentindo uma
pessoa com a gente. Algum j perdeu um amigo?
         Aria se enrijeceu, Ali no pode estar aqui, como... ela poderia?
         Assustadoramente, o mdium caminhou em direo a Aria e se agachou. Seu
cavanhaque terminava com uma ponta afinada, e ele cheirava levemente a canela. Seus olhos
estavam arregalados e sem piscar.
         -  voc  disse ele em voz baixa, com os lbios perto de sua orelha.
         - Uhm  Aria sussurrou, com os cabelos detrs do pescoo em p.
         - Voc perdeu um amigo especial, no?  ele perguntou assombrosamente.
         A sala estava em silencio. O corao de Aria se acelerou.
         - Ser que ela... est aqui?  ela olhou ao redor da sala, esperando ver a menina que ela
tinha resgatado do fogo, vestida com uma camisola, com a face suja de fuligem.
         - Ela est perto.  garantiu o mdium, ele cruzou os dedos e apertou sua mandbula,
como se estivesse profundamente em concentrao. Alguns segundos se passaram, a sala
parecia escurecer. As nicas luzes eram o brilho do relgio digital IWC de Noel. Os ouvidos de
Aria pulsavam, seus dedos comearam a tremer, quase como se estivessem pegando uma
vibrao, a vibrao de Ali.
         - Ela est me dizendo que ela sabia tudo sobre voc  disse Equinox, quase a
provocando.
         Aria se arrepiou, com esperana e medo. Isso tinha soado como:
         - Ns ramos melhores amigas.
         - Mas voc odiava que ela soubesse tudo sobre voc  Equinox corrigiu  ela sabia disso
tambm.
         Aria engasgou, suas pernas comearam a tremer em sincronia com os dedos. Noel se
mexeu na cadeira.
         - Ela... sabia?
         - Ela sabia um monte de coisas  Equinox sussurrou  ela sabia que voc queria que ela
se fosse. Isso a deixou muito triste. Muitas coisas a deixaram muito triste.
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         Aria levou as mos a boca. Todos os presentes estavam olhando para ela. Ela podia ver
o branco dos olhos deles.
         - Eu no queria que ela se fosse. ela retrucou.
         Equinox inclinou a cabea para o teto, como se isso lhe desse uma viso melhor de Ali.
         - Ela perdoa voc, no entanto, ela sabe que no foi justa com voc tambm.
         - Srio?  Aria gaguejou, ela apertou a palma das mos contra seus joelhos. Era verdade
 claro. s vezes, Ali no era justa com ela. Muitas vezes na verdade.
         Equinox concordou.
         - Ela sabe que no foi legal ela roubar seu namorado. Especialmente desde que vocs
eram um casal por um tempo to longo.
         Aria inclinou a cabea, imaginando se ela tinha ouvido ele errado. Uma cadeira fez um
barulho e algum tossiu.
         - Meu... namorado?  ela repetiu.
         Tinha uma sensao de que algum roia seu estomago. Ela no tinha namorado na
stima srie. O que significava que este charlato no estava falando com Ali. Aria pulou, quase
batendo a cabea em uma lanterna pendurada. Ela se atrapalhou com a fumaa de incenso e do
vapor de gelo seco e saiu.
         - Hey!  Equinox chamou.
         - Aria, espere!  Noel disse, mas ela o ignorou.
         O recorte de papelo de um bruxo apontava o caminho para o banheiro. Aria correu para
ele, bateu a porta, e se debruou por sobre a pia, no se importando que sua mo tinha
esbarrado em um sabo cor de sangue de drago, derrubando-o. Idiota disse a si mesma. 
claro que Ali no estava ali.  claro que essas sesses eram enganao. Esse cara
provavelmente tinha se aproximado dela porque a reconheceu das notcias. O que ela estava
pensando?
         Aria olhou para o seu reflexo no espelho redondo. Sua pele estava branco plido. Mas,
apesar de Equinox ser um charlato, ele apontou algo terrvel, algo que era verdade, Aria queria
que Ali se fosse.
         Ali estava com Aria no dia em ela viu seu pai com Meredith no estacionamento Hollis na
stima srie. Nas semanas seguintes Ali no deixou Aria esquecer. Ela encurralou Aria entre as
aulas para perguntar se ela tinha novidades. E se convidou para a casa de Aria para o jantar,
dando vrios olhares condenatrios para Byron e olhares simpticos para Ella. Sempre as cinco
melhores amigas estavam juntas, Ali dava indcios de que ela iria contar o segredo de Aria a
qualquer minuto. Aria fez exatamente o que Ali queria. Aria estava no limite, e semanas antes da
morte de Ali, ela comeou a evit-la o quanto fosse possvel.
         Isso a deixou muito triste, o mdium disse, Ali poderia saber o quanto Aria queria que ela
se fosse?
         A memria veio na cabea de Aria, de repente: O dia depois em que Ali desapareceu, a
Sra. DiLaurentis convidou Aria e suas amigas para perguntar-lhes para onde Ali poderia ter ido.
Em um momento, a Sra. DiLaurentis se inclinou em direo a elas e perguntou:
         - Ali nunca pareceu...triste?
         As meninas imediatamente protestaram, Ali era bonita, inteligente e irresistvel. Todo
mundo a adorava. Triste no fazia parte do vocabulrio emocional de Ali. Aria sempre pensava
em si mesmo como a vtima em Ali como o predador, mas e se Ali tivesse passado por alguma
coisa? E se Ali precisasse de algum para desabafar, e Aria a tivesse ignorado?
         - Sinto muito  ela sussurrou, comeando a chorar. Sua maquiagem comeo a borrar 
Ali, eu sinto muito. Eu nunca quis que voc morresse.
         Houve um som, parecido com o som de vapor escapando de um radiador. Em seguida, a
lmpada de cima do espelho desligou, banhando o cmodo na escurido. Aria congelou, seu
corao foi a garganta. Ento, seu nariz se contraiu, uma fragrncia sufocante tomou o ar,
sabonete de baunilha. Aria agarrou os lados da pia para se firmar. Ento, subitamente, a luz
voltou a piscar, chiando. Aria olhou para o espelho com seus olhos assustados, mas seu rosto
no era o nico refletido l.
                                                44
        No espao atrs dos olhos azuis de gelo, havia uma menina com rosto em formato de
corao e um sorriso deslumbrante. Aria engasgou e girou ao redor. Pregado a um quadro de
cortia na parte de trs da porta do banheiro, cartazes e mais cartazes com poesias, futons 
venda e quartos disponveis para aluguel e uma foto colorida de Ali.
        Aria se aproximou, os olhos de Ali a puxavam para dentro. Aria prendeu a respirao,
era um cartaz de pessoas desaparecidas da poca de quando ela desapareceu, a mesma foto
que fora estampada nas caixas de leite e locais comerciais.
        DESAPARECIDA. ALISSON DILAURENTIS. OLHOS AZUIS, 1,50m, 40 Kg. VISTA NO
DIA 20 DE JUNHO.
        Aria no via este cartaz em anos. Ela procurou em cada centmetro do cartaz, uma pista
do porqu haviam colocado aquele cartaz l, mas no havia nada.
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                                         10
                                  A VIDA MAIS SIMPLES
                                                                       Traduzido por Patryck Pontes
         Mais tarde nesse mesmo dia, Emily parou em frente a uma casa de madeira de tbuas
negras e brancas em Lancaster, Pensilvnia. No lugar de um carro no caminho de entrada, tinha
um carrinho de beb preto e um tringulo vermelho que dizia VECULOS LENTOS na parte
posterior. Ela manteve seus dedos no vestido de algodo cinza que A havia dado e ajustou o
leno branco na cabea. Junto dela tinha um pster de madeira pintado a mo que dizia
GRANJA ZOOK. Emily mordeu os lbios. Isto  uma loucura. Uma hora antes tinha dito a seus
pais que ia a uma viagem com um grupo de jovens a Boston. Ento ela pegou um nibus at
Lancaster, mudou o vestido, chapu e botas no pequeno banheiro com cheiro de produto
qumico na parte traseira do nibus. Ela mandou uma pequena mensagem a suas velhas amigas
para saberem que estaria em Boston at a sexta, se lhes dissessem a verdade, poderiam pensar
que ela estava louca. E para o caso de seus pais comearem a suspeitar, tinha desligado seu
celular para que no pudessem ativar a funo GPS e descobrir que estava em Lancaster e que
pretendia virar uma Amish.
         Emily tinha estado ocasionalmente curiosa pelos Amish toda a sua vida, mas ela no
sabia nada acerca do que realmente era um Amish. Pelo que se entende, os Amish s queria
que os deixassem s. Eles no gostavam que os turistas tirassem fotos. No viam com bons
olhos a violao no Amish em suas terras e alguns poucos Amish que Emily tinha visto de perto
pareciam sem graa e duros. Ento, porque A a enviou para uma comunidade Amish? Lucy
Zook sabia sobre Ali? Ali havia fugido de Rosewood e em segredo se tornado uma Amish? Isso
parecia impossvel, mas a esperana vibrava nos pensamentos de Emily. Era possvel que
Lucy... fosse Ali?
         Com cada momento que passava, Emily pensava no porque, e como Ali ainda poderia
estar por ai. Estava nesse momento em que Emily e suas amigas se reuniram com a Sr.
DiLaurentis no dia depois que Ali desaparecera e a Sr. DiLaurentis lhes perguntou se Ali havia
fugido. Emily havia rejeitado a idia, mas a verdade era que ela e Ali geralmente falavam sobre
fugir de Rosewood para sempre. Fizeram todos os tipos de planos melanclicos. Elas iriam ao
aeroporto e tomariam primeiro vo de ida. Tomariam um Amtrak a Califrnia e encontrariam
companheiros de quartos em Los Angeles. Emily no podia imaginar que Ali queria deixar
Rosewood; ela teve a esperana secreta de que foi porque Ali queria Emily somente para ela.
         Ento o vero entre o sexto e o stimo ano, Ali havia desaparecido da face da terra
durante duas semanas. Cada vez que Emily ligava para o celular de Ali ia direto para a caixa
postal. Cada vez que ligava para a casa de Ali, ia para a secretria eletrnica. E, contudo, os
DiLaurentis estavam definitivamente em casa, Emily passou de bicicleta por sua casa e viu o
senhor DiLaurentis lavar seu carro na calada e a me de Ali puxando ervas daninhas do jardim
da frente. Ela comeou a acreditar que Ali estava enjoada delas, mas ela no tinha idia do
porque. E ela no podia falar com suas outras melhores amigas. Spencer e Hanna estavam de
frias com suas famlias, e Aria estava em um acampamento de arte na Filadlfia.
         Ento duas semanas depois, Ali chamou do nada. Onde estavas? Emily havia
perguntado.
         Eu fugi! disse Ali. Quando Emily no respondeu, riu. Estou brincando. Fui a Poconos
com minha tia Giada. L no pega telefone. Emily olhou a legenda escrita a mo de novo.
Mesmo que no confiasse nas instrues ocultas de A sobre ir a Lancaster, depois de tudo, A
s havia enganado fazendo-as acreditar que Wilden e Jason eram os assassinos de Ali, quando
Ali estava, de fato, ainda com vida, uma pequena frase girando na sua cabea: O que voc faria
para encontr-la? Ela faria qualquer coisa, supostamente.
         Suspirando profundamente, Emily subiu as escadas da varanda dianteira da casa. Um
monto de roupa estava suspensa no varal, apesar de que estava fazendo tanto frio que parecia
um pouco congelado. A fumaa brotava da chamin e um grande moinho de vento se agitava na
parte posterior da propriedade. O odor de fermento de po recm cozido flutuava no ar glido.
         Emily olhou por cima do ombro, estreitando os olhos nas distantes filas de caules de
milhos mortos. Estava A observando-a neste momento? Ela levantou a mo e golpeou trs
vezes, tremendo de nervos. Por favor, faa com que Ali esteja ali, ela cantava para si mesma.
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         Houve um sussurro e em seguida uma exploso. Uma figura desapareceu pela porta
traseira, deslizando atravs do campo de milho. Parecia um menino da idade de Emily, com uma
jaqueta acolchoada, jeans, brilhantes chinelos de esporte de cor vermelho e azul. Correu a toda
velocidade sem olhar para trs.
         O corao de Emily bateu no seu peito. Instantes depois, a porta principal se abriu. Uma
adolescente estava no outro lado. Levava um vestido como o de Emily e seu cabelo castanho
estava recolhido em um coque. Tinha os lbios muitos vermelhos, como se tivessem sido
recentemente beijados. Ela procurou o rosto de Emily sem palavras, seus olhos se estreitaram
com desdm. O estmago de Emily balanou com decepo.
         -- Uh, meu nome  Emily Stoltzfus -- exclamou ela, recitando o nome da nota de A --
Sou de Ohio. Voc  Lucy?
         A menina se sobressaltou
         -- Sim -- disse lentamente -- Ests aqui para o casamento de Mary este fim de
semana?
         Emily piscou. A no havia falado de um casamento. Era possvel o novo nome Amish de
Ali ser Mary? Talvez ela foi forada a ser a esposa do menino e A a havia enviado aqui para
salv-la. Mas o bilhete do retorno de Emily era para a tarde de sexta-feira, o mesmo dia que o
grupo da igreja regressava de Boston. Ela no podia permanecer para o casamento, que
provavelmente seria no sbado, sem levantar suspeitas a seus pais.
         -- Um, venho ajudar nos preparativos -- disse esperando que ela no parecesse muito
absurda.
         Lucy olhou algo atrs de Emily
         -- L est a Maria agora. Queres ir saud-la?
         Emily seguiu seu olhar. Mas Maria era muito menor e rechonchuda que a menina que
Emily havia visto no bosque h alguns dias. Seu cabelo negro estava recolhido em um coque,
mostrando suas bochechas.
         -- Um, est bem -- disse Emily com tristeza, com o corao danando. Virou-se de novo
para Lucy, inspecionando o seu rosto. Os lbios de Lucy estavam apertados, como se estivesse
mordendo um segredo.
         Lucy abriu mais a porta, desejando que Emily entrasse na sala. Era uma grande sala
quadrada, iluminada s por uma lanterna de gasolina no canto. Cadeiras artesanais e mesas de
madeira enchiam as paredes. Uma prateleira localizada no canto com um jarro cheio de arrepio
e uma cpia grande tirada da bblia. Lucy entrou no centro da habitao e olhou Emily com
cuidado -- De que parte de Ohio voc ?
         -- Um, ao redor de Columbus -- disse Emily, impulsivamente dizendo a primeiro cidade
de Ohio que se lembrou.
         -- Oh -- Lucy coou a cabea. Isto deve ter sido uma resposta aceitvel -- O Pastor
Adam mandou vir me ver?
         Emily engoliu a saliva.
         -- Sim? -- adivinhou. Se sentia como se fosse uma atriz em uma obra de teatro, mas
que ningum havia se preocupado em lhe guiar.
         Lucy cacarejou e olhou por cima do ombro at uma porta atrs.
         -- Ele sempre pensa que coisas como essas me far sentir melhor. -- murmurou ela
com acrimnia.
         -- Desculpe? -- Emily estava surpreendida da preocupao que enchia Lucy. Ela tinha
pensado que os Amish eram eternamente moderados e tranqilos.
         Lucy agitou a fina e plida mo.
         -- No, eu que sinto -- Ela virou-se e comeou a andar por um largo corredor. -- Voc
vai dormir na cama da minha irm -- disse da maneira mais natural, levando Emily a um
pequeno dormitrio. Dentro havia duas camas individuais cobertas por mantas de cor viva. -- a
da esquerda.
         -- Como chama sua irm? -- perguntou Emily, olhando as paredes desnudas em
brancas.
         -- Lea -- Lucy golpeou uma almofada.
         -- Onde ela est agora?
         Lucy golpeou a almofada mais fortemente. Sua garganta balanava e em seguida deu
uma volta at o canto da habitao como se tivesse feito algo vergonhoso. -- Eu estava a ponto
de iniciar a ordenha. Vamos.
         Nisso, ela saiu da habitao. Depois de um momento, Emily seguiu Lucy, que
serpenteava atravs de uma incubadora de coelhos roedores e habitaes, com dor de ver Ali
em uma delas, sentada em uma cadeira de balano, com o dedo nos lbios, ou de ccoras
detrs de um escritrio, seu colo dobrado no peito. Finalmente, cruzou a cozinha grande,
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brilhante que cheirava esmagadoramente como l molhada e Lucy a levou pela porta traseira a
um enorme celeiro, com rascunhos. Uma longa fila de vacas estava em jaulas, suas caudas
assobiando. Ao ver as meninas algumas delas soltaram fortes mugidos.
         Lucy entregou a Emily um cubo de metal
         -- Voc comea a esquerda. Eu vou faz-lo pela direita.
         Emily passou seus ps pelo spero feno. Nunca havia ordenhado uma vaca, nem sequer
quando havia sido enviada para sua tia e tio na granja em Iowa no outono passado. Lucy havia
ido para sua parte, ordenhando sua prpria linha de vacas. No sabendo o que fazer, Emily se
aproximou da vaca mais perto da porta, deslizou o balde debaixo da bere e se agachou. Quo
difcil pode ser? Mas a vaca era enorme, com pernas fortes e um traseiro amplo, como um
caminho. As vacas do coices como os cavalos? As vacas mordem?
         Ela apertou os ns dos dedos, olhando para as outras posies. Se a vaca mugir nos
dez segundos seguintes, tudo estar bem, pensou, apoiando-se no jogo supersticioso que havia
criado para situaes de tenso como estas. Ela contou at dez em silencio na sua cabea. No
havia mugido, ainda que houvesse um rudo que soava suspeitosamente como um peido.
         -- Hem.
         Emily disparou. Lucy estava olhando para ela.
         -- Nunca ordenhasse uma vaca? -- perguntou ela.
         -- Uh.
         -- Emily lidando com uma resposta -- Bom, no. Temos postos de trabalho muito
especficos nos que estou. A ordeno que no s minha responsabilidade.
         Lucy a olhou como se ela nunca tivesse ouvido falar de tal coisa.
         -- Vs ter que faz-lo todo o tempo que ficares aqui. No  difcil. S tira e aperta.
         -- Um, bem -- Emily balbuciou. Emily deu a volta na vaca. As tetas penduradas. Tocou
uma; sentia como borracha. Quando apertou, o leite foi parar no cubo. Era de uma cor estranha,
nada como o leite em p que sua mo trazia para casa da loja de comestveis frescos.
         -- Isso  bom -- disse Lucy, de p sobre ela. Ela tinha esse olhar estranho no seu rosto
outra vez. -- Porque falas em ingls, por certo?
         O odor forte de feno fez ccegas nos olhos de Emily. Os Amish no falam ingls? Ela
havia lido vrios artigos da Wikipedia acerca dos Amish a noite na inteno de absorver a maior
quantidade de informao possvel, como no havia visto isso? E porque A no havia dito nada?
         -- Sua comunidade no fala em holands na Pensilvnia? -- Lucy a perguntou
incrdula.
         Emily ajustou seu gorro de l com nervosismo. Seus dedos cheiravam a leite azedo.
         -- Um... no. Somos bastantes progressivos.
         Lucy sacudiu a cabea com assombro
         -- Wow. Voc  to afortunada. Devemos trocar de lugar. Tu fica aqui e eu vou pra l.
         Emily riu nervosamente, relaxando um pouco. Talvez Lucy no era to m. E pode ser
inclusive que os Amish no eram to mal, ou ao menos calmos e sem drama. Mas a decepo
chegou a seu peito de todos os modos. Ali no parecia estar escondida nesta comunidade,
Assim porque A a enviado para ali? Para fazer-la parecer estpida? Para distra-la durante um
tempo? Para envi-la a uma busca intil?
         Como se fosse um momento justo, um dos Holstein deixou escapar um mugido forte e
deixou cair uma torta fresca de vaca no solo coberto de feno. Emily apertou os dentes. Talvez
uma perseguio a vacas selvagens era mais do que isso.
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                                NO  O TPICO ACORDO
                                  ENTRE ME E FILHA.
                                                                        Traduzido por Patryck Pontes
         Assim que Spencer pisou na entrada do Spa Fermata, um sorriso envolveu seus lbios.
O quarto cheirava a mel e o suave e borbulhante som da fonte da esquina que estava relaxado e
calmo.
         -- Eu registrei uma massagem profunda de tecido, uma mscara corporal de cenoura, e
uma facial de oxignio -- a me de Spencer disse, pegando sua carteira -- E ento depois
disso, fiz uma reserva para ns para um almoo em Feast.
         -- Wow -- Spencer soltou. Feast, o bistr  porta ao lado, a senhora Hastings e Melissa
s almoavam nesse lugar.
         A senhora Hastings apertou o ombro de Spencer, o odor de seu perfume liberalmente
aplicado Chanel N5 fez ccegas no nariz de Spencer. Uma cosmetloga mostrou a Spencer o
armrio onde ela podia esconder sua roupa e colocar uma bata e pantufas. Antes que ela se
desse conta, estava deitada na cama de massagem, derretida em uma poa pegajosa. Spencer
no sentia seus pais por um longo tempo. Na noite anterior, ela e seu pai estiveram vendo O
Padrinho no estdio, seu pai citou casa linha de memria e depois ela e sua me comearam a
planejar o dia do clube de jogo beneficente de Rosewood que seria em dois meses. Depois,
quando ela comprovou suas qualificaes na linha essa manha, viu que havia passado no ltimo
exame de economia AP. Eram boas notcias e enviou a Andrew um agradecimento, ele havia
sido seu tutor e ele contestou a mensagem dizendo que sabia que ela o podia fazer. Tambm
perguntou se Spencer queria ir ao baile de So Valentino com ele em algumas semanas.
Spencer disse que sim.
         A conversa com Melissa continuava incomodando Spencer, ainda que, no como a nota
de A sobre o encobrimento. Spencer no podia acreditar que sua me tivesse feito que Melissa
culpasse Ian pelo assassinato de Ali. Melissa devia ter entendido mal a preocupao de sua
me. E por A... bom, Spencer certamente no confiava em nada que A dizia.
         -- Querida? -- a voz da massagista soou de cima -- Tinha se transformado em pedra.
Vamos.
         Spencer forou seus msculos at relaxar-los. As ondas do oceano chocando e ls
gaivotas grasnando aumentaram desde a mquina de sons. Spencer fechou seus olhos, fazendo
trs das respiraes de fogo do ioga. Ela no podia reagir de forma exagerada. Isso era
provavelmente o que A queria.
         Depois da massagem, a mscara de cenoura e o facial de oxignio, Spencer se sentiu
solta, suave e brilhante. Sua me estava esperando-a no Feast, bebendo um vaso de limonada e
lendo uma cpia da revista MainLine.
         -- Isso foi maravilhoso. -- Spencer disse, deixando-se cair. -- Muitas graas.
         --  um prazer. -- a senhora Hastings respondeu, desdobrando o guardanapo e
colocando cuidadosamente em seu colo -- O que for pra ajudar a relaxar-te depois de tudo o
que passasse.
         Mantiveram-se em silncio. Spencer se pegou olhando o prato que estava frente a ela.
Sua me passou seu dedo indicador pela borda de seu prato. Depois de 16 anos de jogar o
papel secundrio, Spencer no tinha idia do que dizer a sua me. Ela nem sequer podia
recordar a ltima vez que elas ficaram juntas, sem ningum mais.
         A senhora Hastings suspirou e observou distraidamente o bar da esquina. Um casal de
clientes que estavam sentados nos bancos altos, tomavam Martinis e pratos de Chardonnay no
almoo.
         -- No fiz isso para ser assim, voc sabe -- disse ela, como se estivesse lendo a mente
de Spencer -- Eu no sei como aconteceu.
         Melissa aconteceu, pensou Spencer, mas ela s encolheu de ombros e tamborilou seus
dedos ao ritmo de Fur Elise, uma das ltimas peas de msica que ela aprendeu durante suas
aulas de piano.
         -- Te pressionei muito com a escola, e isso te distanciou. -- sua me se lamentando,
baixando sua voz quando quatro mulheres bem penteadas carregando colchonetes de ioga e
seus Tory Burch seguiram a anfitriona a uma cabine de novo. -- Com Melissa foi mais fcil.
                                              49
Houve menos alunos destacados em seu ano. -- Ela fez uma pausa para dar um gole em sua
limonada -- Mas com voc... bom, tua classe foi diferente. E vi como tu estava satisfeita com ser
a segunda. Eu queria que voc fosse a lder,no uma seguidora.
        O corao de Spencer acelerou. A conversa de ontem com Melissa estava fresta em sua
mente. Mame no era exatamente a maior f de Ali, Melissa tinha dito -- Queres dizer... Ali?
-- Spencer perguntou.
        A senhora Hastings tomou um gole de sua gua com gs.
        -- Sim, ela  um exemplo. Alison definitivamente amava ser o centro das atenes.
        Spencer escolheu as palavras cuidadosamente
        -- E... voc pensa que eu devia ter sido?
        A senhora Hastings apertou ou lbios
        -- Bom, eu penso que tu poderia ter feito mais. Como aquela vez que Alison obteve o
posto na equipe de hockey JV e tu no. Tu s... aceitaste. Tu somente ia lutar um pouco mais. E
merecia esse posto.
        O restaurante comeou a cheirar a batatas fritas. Trs garons saram da cozinha dom
um pedao de bolo para uma dama cinzenta umas mesas atrs. Eles cantaram Parabns Para
Voc. Spencer passou sua mo na parte de trs de seu pescoo que estava um pouco suado.
Por anos, ela esperou que algum dissesse que Ali no era tudo, mas agora, ela s sentia culpa
e um pouco na defensiva. Era verdade o que Melissa disse? A sua me no gostava de Ali? Se
sentia como uma crtica. Depois de tudo, Ali foi sua melhor amiga e a senhora Hastings sempre
gostou dos amigos de Melissa.
        -- De qualquer maneira... -- a senhora Hastings disse depois que os garons pararam
de cantar, juntando seus longos dedos. -- Eu estava preocupada que estivesses satisfeita em
ser a segunda da classe, assim que comecei a pressionar-te mais. Agora me dou conta de que
era mais acerca de mim de que foi por voc -- Meteu uma mecha de cabelo solto atrs da
orelha.
        -- O que queres dizer? -- Spencer perguntou, agarrando a borda da mesa.
        A senhora Hastings fixou o olhar em um grande Magritte Ceci N`est Pas Unipipe atravs
do quarto.
        -- No sei Spencer. Talvez no vala a pena meter-se nisso agora.  algo que no disse
a sua irm.
        Um garom passou com uma bandeja de saladas Waldorf e sanduiches Focaccia. Foi na
janela, duas mulheres com carrinhos de beb Maclaren estavam falando e rindo. Spencer se
inclinou at a mesa, a boca seca como papel. Ento havia um segredo, tal como disse A.
Spencer esperava que no tivesse nada a ver com Ali
        -- Est bem -- disse ela com valentia. -- Pode contar pra mim.
        A senhora Hastings tirou seu lbio Chanel, maquiou os lbios, ento sacudiu seus
ombros.
        -- Voc sabe que seu pai foi a Yale, curso de direito? -- comeou ela.
        Spencer assentiu com a cabea. Seu pai doava a escola de leis todo ano e tomava caf
fora com seu belo Dan, a taa Bullgog de Yale. Na festa familiar de Natal, ele sempre bebia
muito ponche de erva e cantava Boola Boola a cano de briga de Yale com seus velhos amigos
da escola.
        -- Bom, eu fui a Yale, o curso de direito, tambm -- a senhora Hastings disse -- Foi
onde conheci seu pai.
        Spencer pressionou a me na boca, perguntando-se se ele havia escutado mal.
        -- Pensei que vocs tinham se conhecido em uma festa em Martha`s Vineyard, -- ela
soltou rapidamente.
        Sua me lhe deu um sorriso melanclico
        -- Um de nossos primeiros encontros foi nessa festa. Mas nos conhecemos na primeira
semana da escola.
        Spencer pegou seu guardanapo e voltou a dobrar-lo em seu colo.
        -- Como  que no sabia?
        Uma garonete chegou, entrou a Spencer e sua me os menus, quando ela estava
longe, a senhora Hastings continuou:
        -- Porque eu no terminei o curso de direito. Depois de meu primeiro ano engravidei de
sua irm. Nana Hastings aprendeu e pediu que seu pai e eu nos casssemos. Ns decidimos
que deixaria Yale por alguns anos e criaria o beb. Eu planejava voltar... -- A expresso de
Spencer, que no podia piscar, cruzou o rosto de sua me. -- Ns evitamos a data da nossa
certido de casamento porque no queramos que parecesse como um matrimnio forado. --
Empurrou uma mecha de cabelo loiro de seus olhos. Um BlackBerry soou duas mesas depois.
Um homem no bar soltou uma gargalhada. -- Foi voc que quis. Mas tambm sempre quis ser
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uma advogada. Sei que no posso controlar como tua vida anda, Spencer, mas quero assegura-
me que tenhas todas as oportunidades do mundo.  por isso que tenho sido dura contigo acerca
do tudo... anos, a Orqudea de Ouro, esportes. Mas sinto muito. No havia sido justa.
         Spencer se pegou olhando a sua me por um longo tempo, sem palavras, algum deixou
cair uma bandeja de pratos na cozinha, mas ela no se moveu.
         A senhora Hastings se inclinou sobre a mesa e tocou a mo de Spencer.
         -- Espero de esta no seja uma carta para escutar. S queria que tu soubesse a
verdade.
         -- No -- Spencer respondeu -- Isso explica muito. Estou contente que me contasse
isso. Mas... porque no voltasse para a escola depois que Melissa tinha idade suficiente?
         -- Eu s... -- a senhora Hastings encolheu os ombros -- Ns queramos voc... e o
tempo havia passado -- Se inclinou at Spencer -- Por favor no diga nada a Melissa -- disse
ela. -- Voc sabe como ela  sensvel. Ela vai se preocupar e se sentir culpado.
         No seu interior, Spencer sentiu alegria. Ento ela foi uma filha planejada... e Melissa no.
         E talvez esse era o encobrimento que A estava falando, ainda que no tinha nada a ver
com Ali ou que a Sra. Hastings no gostava dela.
         Spencer pegou um pedao de po, uma pequena memria enterrada da noite em que Ali
desapareceu brilhou em sua mente.
         Depois que Ali abandonara o celeiro, Spencer e as outras decidiram ir pra casa. Emily,
Hanna e Aria chamaram seus pais para que as pegassem e Spencer foi pra casa. A televiso
estava no piso de baixo, Melissa e Ian estavam no estdio, mas seus pais no estavam em lado
algum. Isso era estranho, porque eles no deixavam Spencer nem Melissa ss com um garoto
em casa.
         Spencer havia deslizado para baixo do seu edredom, miservel por como tinha
terminado a noite. Algo a despertou mais tarde. Quando ela saiu no corredor e apareceu na
trilha, ela viu duas figuras no vestbulo. Uma era Melissa, seguia usando uma blusa de seda
cinza e um diadema que havia obtido mais cedo. Ela estava sussurrando acaloradamente com o
senhor Hastings. Spencer no podia escutar muito bem o que eles estavam dizendo, somente
que Melissa soava enojada e seu pai soava na defensiva. Em um momento, Melissa deixou soar
um gritinho frentico.
         -- No acredito -- disse ela. E em seguida seu pai disse algo que Spencer no
entendeu -- Onde est mame? -- Melissa perguntou, sua voz soava histrica -- Precisamos
encontr-la! -- Depois eles foram at a cozinha e Spencer fechou a porta rpido e voltou pro seu
quarto.
         -- Spencer?
         Spencer brincou. Sua me estava olhando-a com grandes olhos atravs da mesa.
Quando Spencer olhou para suas mos, ao redor de seu vaso de gua, ela se deu conta que
estava tremendo incontrolavelmente.
         -- Voc est bem? -- perguntou a senhora Hastings.
         Spencer abriu a boca, em seguida fechou-a. Isso havia sido uma memria real ou um
sonho? Havia desaparecido sua me essa noite tambm? Mas isso era inacreditvel, ela poderia
ter visto o verdadeiro assassino de Ali, se ela o tivesse feito teria de ir  policia imediatamente.
Ela no era to cruel... ou descontrolada. E qual seria o ponto de coleta de algo assim?
         -- Aonde queres ir agora? -- perguntou a senhora Hastings, com sua cabea inclinada.
         Spencer apertou suas suaves mos, desde que elas estavam sendo honestas, ela
poderia falar sobre isso.
         -- Eu... eu s estava pensando sobre a noite que Ali desapareceu -- disse ela.
         A Sra. Hastings girou o diamante de dois quilates de sua orelha direita. Franziu a testa,
as linhas ao redor de sua boca olhavam como um gravado com uma caneta. Seus olhos
baixaram at o prato.
         -- Voc est bem? -- Spencer perguntou rapidamente, seu corao parecia foguetes
em sua garganta.
         A boca da senhora Hastings virou-se em um sorriso apertado.
         -- Essa foi uma noite horrvel, amor -- baixou a voz -- No falaremos disso nunca mais.
         E ento ela deu a volta, chamando a garonete para pedir suas ordens, ela parecia
indiferente. Pediu a salada de frango asitico com vestir de ssamo, mas Spencer no pode
evitar notar que sua mo estava apertada com fora ao redor da faca e seu dedo estava
lentamente trazendo a borda afiada da folha.
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                                 INCLUSIVE UM HOSPICIO
                                  PRECISA DE PESSOAS.
                                                                          Traduzido por Patryck Pontes
         Hanna estava de p na cafeteria da Reserva de Addison Stevens, com uma bandeja de
frango cozido e vegetais ao vapor em seus braos. A cafeteria era uma grande habitao
quadrada, com pisos de madeira cor mel, pequenas mesas de campo, de um lado um piano de
cauda Steinway negro brilhante, e uma parede de janelas com vista para o prado trmulo. Nas
paredes havia pinturas abstratas e cortinas de veludo cinza nas janelas. Em uma mesa perto da
parte traseira havia duas brilhantes mquinas de cappuccino, que pareciam caras, um extenso
refrigerador inoxidvel cheio de todas as classes de refrigerantes, tortas de limo merengue e
brownies com caramelo doce de acar. No que Hanna estivesse interessada na sobremesa,
claro. Este lugar poderia ter um chefe de pastelaria ganhador de um James Beard Award, mas a
ltima coisa que precisava era ganhar 10 quilos.
         De bom grado, seu primeiro dia no manicmio no havia sido to mal. Havia passado a
primeira hora ou algo assim olhando os redemoinhos de gesso no teto de seu quarto,
resmungando por to ruim que estava sua vida. Em seguida uma enfermeira havia entrado em
seu quarto, dando-a um comprimido do tamanho de um Tic Tac. Resultou sendo Valium, o qual
teria permitido tomar cada vez que quisesse.
         Em seguida havia tido uma conversa com sua terapeuta, a Dra. Foster, quem a
prometeu que contataria Mike e o diria que Hanna no tinha permisso de usar o telefone nem
enviar e-mails exceto nas tardes de domingo, assim no pensaria que ela o estava ignorando. A
Dra. Foster tambm disse que Hanna no teria que falar de Ali, A, ou Mona na sesso se no
quisesse. E finalmente, a terapeuta repetiu uma e outra vez que ningum no andar de Hanna
sabia quem era ela, para comear, a maioria havia estava na Reserva tanto tempo que nunca
haviam escutado sobre A ou Ali.
         -- Assim no ters que pensar nisso enquanto estiveres aqui -- disse a Dra. Foster,
apalpando a mo de Hanna. E tudo isso tomou toda a hora da terapia. Anotao.
         Agora era hora de comer. Todas as demais meninas da ala estavam reunidas nas mesas
de trs e quatro. A maioria das pacientes vestia batas de hospital ou pijamas de flanela, cabelos
desarrumados, caras sem maquiagem, unhas sem brilho. Contudo, havia umas poucas mesas
com bonitas meninas com jeans e longas tnicas e suaves suteres de casimira, cabelos
brilhantes, corpos tonificados. Mas ningum havia notado Hanna ou a convidado para sentar-se
com elas. Todas pareciam olhar atravs dela, como se simplesmente fosse uma imagem em
duas dimenses desenhada em papel vegetal.
         Enquanto Hanna estava de p na entrada, alternando de um p a outro, se sentiu
transportada da cafeteria de Rosewood Day a seu primeiro dia do sexto ano. Sexto ano era
oficialmente parta da escola do ensino mdio, no qual, significava que comia o almoo com
meninos de stimo e oitavo ano. Hanna simplesmente estava ali de p no limiar do quarto,
desejando ser suficientemente bonita, fina e popular para sentar-se com Naomi Zeigler e Alison
DiLaurentis. Ento, Riley Wolfe colidiu com o cotovelo de Hanna, e o almoo de Hanna,
espaguete e almndegas, salpicou em seus sapatos e todo o piso. Inclusive hoje, todavia podia
ouvir a risada estridente de Naomi, a risada modesta de Ali, e o aptico e artificial Sinto muito!
de Riley. Hanna havia sado da cafeteria com lgrimas.
         -- Desculpa?
         Hanna virou-se e viu uma menina pequena, gordinha, com um cabelo apagado castanho
e caf. A teria confundido com uma menina de doze anos se no fosse pelos enormes seios que
tinha a menina. Seu suter cor melo se estirava apertadamente ao seu redor, fazendo-as ver
melhor como verdadeiros meles. Com uma amarga pontada, Hanna pensou em Mike. Ee
provavelmente faria o mesmo comentrio bobo.
         -- Voc  nova? -- perguntou a menina -- Se vs como perdida.
         -- Uh, sim -- Hanna enrugou seu nariz ante o repentino odor a av de Vick`s VapoRub.
Parecia fluir da pele desta menina.
         -- Sou Tara -- a menina esculpia um pouco enquanto falava.
         -- Hanna -- murmurou apaticamente Hanna, apartando-se para deixar passar uma
assistente com uma bata rosada.
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        -- Queres comer conosco?  uma merda comer sozinha. Todas temos estado assim.
        Hanna baixou a vista para o piso de madeira polido, considerando suas opes. Tara
no parecia louca, simplesmente gordinha. E os mendigos no podem escolher.
        -- Uh, claro -- disso, lutando para ser educada.
        -- Genial! -- Tara, e seus peitos, se agitaram pra cima e pra baixo. Se moveu atravs
das mesas, dirigindo-se ao fundo para uma mesa de quatro. Uma fina menina com um longo
rosto de despreocupada e pele plida gtica estava engolindo um prato de macarro, e uma
ruiva gordinha com uma notvel calva por cima de sua orelha direita castigando furiosamente um
sabuco. -- Esta  Alexis e Ruby -- anunciou Tara -- E est  Hanna.  nova!
        Alexis e Ruby timidamente disseram ol. Hanna disse ol em resposta, sentindo-se mais
e mais perturbada. Estava morrendo por perguntar a estas meninas porque estavam aqui, mas a
Dra. Foster havia enfatizado que os diagnsticos no eram discutidos exceto sem sesses
privadas ou terapias de grupo. Mudando, se supunha que os pacientes teriam que fingir que
estavam aqui por prpria vontade, como se fosse alguma classe de acampamento freak.
        Tara se deixou cair ao lado de Hanna e imediatamente comeou a comer o
impressionante monto de comida de seu prato; tinha um hambrguer, uma poro de lasanha,
feijes verdes banhados em manteiga e amndoas, e um gigante pedao de po, to grande
como a palma da mo de Hanna.
        -- Ento, foi teu primeiro dia, certo? -- perguntou animadamente Tara -- O que achou?
        Hanna encolheu os ombros, perguntando-se se Tara tinha problemas por comer em
excesso.
        -- Meio chato.
        Tara assentiu, mastigando com a boca aberta.
        -- Sei.  uma merda ficar sem Internet. No podes tuitar, blogar ou algo. Voc tem um
blog?
        -- No -- contestou Hanna, tentando no rir. Os blogs eram para pessoas que no
tinham vida.
        Tara colocou outra colherada de comida na boca. Tinha um minsculo herpes no canto
de seu lbio.
        -- Voc se acostumar. A maioria das pessoas aqui so realmente agradveis. S h
um par de meninas que se mantm meio distantes.
        -- So umas cachorras -- disse Alexis, sua voz era surpreendentemente grossa pata ser
algum to fina.
        As outras meninas riram com astcia diante da palavra cachorras.
        -- Passam todo o tempo no Spa -- disse Ruby, virando os olhos -- No podem passar
um dia sem ir  manicure.
        Hanna quase se engasgou com um talo de brcolis, certamente tinha ouvido mal.
        -- Acabaste de dizer que neste lugar tem um Spa?
        -- Sim, mas custa mais -- Tara franziu o nariz.
        Hanna passou a lngua pelos dentes. Porque no havia ouvido sobre o Spa? E quem se
importava se custava mais? Ela estava carregando todo o tratamento a conta de seu pai. Isso
era muito til.
        -- Ento, quem  sua companheira de quarto? -- perguntou Tara.
        Hanna colocou seu bolso de couro Marc Jacobs abaixo de seu assento.
        -- Ainda no a conheci. -- Sua companheira de quarto no havia regressado a
habitao compartilhada todo o dia. Provavelmente havia sido isolada em uma habitao
acolchoada ou algo assim.
        Tara sorriu.
        -- Bom, deverias estar conosco. Somos geniais. -- apontou com o garfo para Alexis e
Ruby -- Fazemos obras de teatro sobre o pessoal do hospital e as realizamos em nossos
quartos. Ruby usualmente tem o papel principal.
         -- Ruby est destinada a um teatro na Broadway -- adicionou Alexis -- Ela  realmente
boa.
        Ruby corou e abaixou a cabea. Umas poucas sementes de milho estavam grudadas em
sua bochecha esquerda. Hanna tinha o pressentimento de que o mais prximo que Ruby estaria
de um teatro da Broadway seria como a uma caixa na cafeteria do vestbulo
        -- Tambm jogamos Americas Next Top Model -- continuou Tara, bicando sua lasanha.
        Isso instantaneamente levou Alexis e Ruby a histeria. Bateram suas mos e cantaram
agudamente a cano do show, bem desafinado.
        -- I wanna be on Top! Na na na na NA na!
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        Hanna afundou em seu assento. Parecia que todas as luzes da cafeteria haviam
escurecido exceto pelo que estava justamente em sua mesa. Um par de meninas das mesas
prximas viraram e olharam.
        -- Meninas, vocs fingem que so modelos? -- perguntou debilmente.
        Ruby tomou um gole de Coca Cola.
        -- Realmente no. Geralmente simplesmente juntamos vestidos de nossos armrios e
desfilamos pelo quarto como se fosse uma passarela. Tara tem roupas impressionantes. E
conseguiu uma roupa Burberry!
        Tara limpou a boca com um guardanapo.
        --  falso -- confessou -- Minha me conseguiu no bairro chins em Nova York. Mas se
parece muito com o original.
        Hanna sentiu que sua vontade para viver lentamente era drenada pelas plantas de seus
ps. Vislumbrou a duas enfermeiras conversando sobre a bandeja de sobremesas e desejou
poder golpe-las para obter uma dose dupla de Valium nesse mesmo instante.
        -- Estou certa que sim -- mentiu.
        Repentinamente uma menina loira que as observava captou o olhar de hanna. Tinha o
cabelo sedoso loiro milho, pele plida e era belssima, uma presena atraente e indecifrvel. Um
tremor se arrastou pelo corpo de Hanna. Ali?
        Teve uma reao tardia e percebeu que o rosto da menina era mais redonda, com olhos
verdes, no azuis, e todas as suas caractersticas eram um pouco aguda. Hanna lentamente
soltou a respirao.
        Mas agora a menina se dirigia diretamente a Hanna, Tara, Alexis e Ruby, serpenteando
rapidamente ao redor das mesas. Tinha o mesmo sorriso na cara que Ali tinha quando estava a
ponto de fazer uma piada com algum. Hanna olhou desalentadamente para suas companheiras
de mesa. Em seguida passou suas mos pelas coxas, paralisadas. Sentia suas pernas mais
gordinhas que o habitual? E porque sentia seu cabelo mais quebradio e crespo? Seu corao
acelerou. Quer dizer que s por se sentar aqui com essas estpidas, instantaneamente havia
regressado a seu velho, pobre e perdedor ego pr-Ali? E se tivesse saltado um queixo duplo e
um toucinho, e se seus dentes haviam ficado instantaneamente torcidos? Nervosa, alcanou um
pedao de po da cesta que estava na metade da mesa. Justamente quando estava a ponto de
coloc-lo na boca, parou aterrorizada. O que estava fazendo? A fabulosa Hanna nunca comia
po.
        Tara viu a menina caminhando em direo a elas e deu uma cotovelada em Ruby. Alexis
se endireitou. Todas prenderam a respirao enquanto a menina cercava a mesa. Quando tocou
no brao de Hanna, Hanna se eriou, preparando-se para o pior. Provavelmente j havia se
transformado em um horrvel gnomo.
        -- Voc  Hanna? -- disse a menina com uma voz cristalina melindrosa.
        Hanna tentou falar, mas suas palavras ficaram presas em sua garganta. Fez um som
como uma mistura entre soluo e arroto.
        -- Sim -- finalmente ela conseguiu, com suas bochechar ardendo.
        A menina estendeu a mo. Suas longas unhas estavam pintadas de negro Chanel.
        -- Sou Iris -- disse -- Sua companheira de quarto.
        -- O...oi -- disse Hanna cautelosamente, olhando fixamente os plidos olhos verdes
com forma de amndoa de ris.
        Iris deu um passo para trs, vendo apreensivamente de cima, abaixo de Hanna. Em
seguida ofereceu sua mo.
        -- Vem comigo -- disse frivolamente -- No nos juntamos com perdedoras.
        Todas na mesa deixaram escapar um indignado arquejo. O rosto de Alexis estava to
longo como a de um cavalo. Ruby puxou nervosamente seu cabelo. Tara negou veemente com a
cabea, como se Hanna estivesse a ponto de comer algo venenoso. Articulou a palavra
cachorra.
        Mas Iris cheirava a violeta, no a Vick`s VapoRub. Tava vestindo a mesma jaqueta longa
Joie de casimira que Hanna havia comprado h duas semanas em Otter e no tinha partes
calvas em seu coro cabeludo. Hanna h muito tempo tinha prometido a si mesma nunca voltar a
ser uma estpida. Essas regras continuavam se aplicando dentro de um hospital psiquitrico.
        Encolhendo os ombros, se ps de p e pegou sua bolsa do cho.
        -- Sinto muito, senhoras. -- disse docemente, soltando um beijo. Em seguida envolveu
seu brao ao redor do cotovelo de Iris que a esperava e andou, nem sequer olhou para trs.
        Enquanto caminhavam na cafeteria, Iris inclinou-se at a orelha de Hanna.
        -- Tens sorte de dividir o quarto comigo em vez com algum dos outros fenmenos. Sou
a nica normal aqui.
        -- Graas a Deus -- disse Hanna baixinho, virando os olhos.
                                              54
        Iris se deteve e deu a Hanna um longo e duro olhar. Um sorriso se acentuou em seu
rosto, um que parecia dizer: Sim, voc  genial! E Hanna percebeu que Iris tambm podia ser
genial. Mais que genial. As duas trocaram um olhar presumido conhecedor que s as meninas
bonitas e populares entendiam.
        Iris retorceu uma longa costa de um plido cabelo loiro ao redor de seu dedo.
        -- Ento, terapia de lama depois disso? Sei que sabe sobre o Spa.
        -- Han-ham -- assentiu Hanna. A esperana pintou em seu peito. Talvez esse lugar no
era to ruim depois disso.
                                            55
                                           13
                                  UMA PESSOA NO  TO
                                 POPULAR QUANTO PENSA
                                                                          Traduzido por Patryck Pontes
        Quarta-feira a tarde, Aria se sentou na mesa da cozinha da nova casa de Byron e
Meredith, olhando com tristeza um saco de biscoitos de trigo com mel orgnico. A casa havia
sido construda na dcada de 1950, decorada com molduras de coroa, uma ponte de trs nveis
e belas portas francesas que conduziam de uma habitao a outra. Por desgraa, a cozinha era
pequena e estreita, e os equipamentos no haviam sido trocados desde a poca da Guerra Fria.
Para lidar com o desastre de moda antiga, Meredith havia desolado as imagens de fundo e
pintou as paredes de verde neon. Tambm porque seria relaxando para o beb.
        Mike se sentou perto de Aria, queixando-se que a nica bebida era leite de soja sem
graa Rice Dream. Byron havia convidado Mike para que depois da escola viesse conhecer
melhor Meredith, ainda que a nica coisa que Mike havia dito a Meredith at agora era que seus
peitos haviam crescido realmente desde que havia engravidado. Ela sorriu tensamente e em
seguida sapateou em cima para preparar a garrafa do beb.
        Mike virou-se para a pequena TV da cozinha pelas notcias. O pblico pede para que as
Pretty Little Liars vo para o polgrafo, dizia um titular do bloco de letras da tela. Aria abriu a
boca e se inclinou para frente.
        -- H pessoas que acham que as quatro meninas de Rosewood que afirmaram ter visto
Alison DiLaurentis podem estar ocultando informaes vitais a polcia, -- disse um reprter
vaidoso e loiro na cmera. No centro de Rosewood, com sai placa de aldeia pitoresca, servios
franceses e lojas de moblia dinamarquesa, estavam atrs dela. -- Elas tm estado no meio de
muitos escndalos relacionados com o caso de Alison DiLaurentis. Em seguida, no sbado
foram encontradas no local de um incndio que arrasou a floresta onde o Sr. Thomas foi visto
pela ltima vez, destruindo qualquer possvel pista sobre seu paradeiro. Segundo vrias
informaes, a policia esta disposta a tomar medidas contra as mentirosas se surgir alguma
prova de conspirao.
        -- Conspirao? -- repetiu Aria, sem fala. Acreditavam honestamente que Aria e as
demais haviam ajudado Ian a escapar? Parecia que a advertncia de Wilden havia dado a elas
tinha razo. Haviam perdido a pitada de credibilidade restante quando Emily disse que tinha visto
Ali. O povo inteiro havia se voltado contra elas.
        Olhou distraidamente pela janela baia at o quintal. Os trabalhadores e os policiais
dispersavam-se pela floresta atrs de sua casa, limpando as cinzas e buscando pistas sobre
quem havia acendido o fogo. Pareciam formigas ocupadas na colnia. Uma policial estava
levando os jalecos da unidade K-9 a seu lado. Aria queria correr fora de seus chinelos de
cnhamo e soltar o anel de Ian de volta onde o havia encontrado, mas os guardas e os
cachorros estavam patrulhando o permetro 24/7.
        Co um suspiro, pegou seu telefone e escreveu um novo texto para Spencer:
Visse a notcias do polgrafo? Aria
Spencer escreveu imediatamente.
Sim!
Aria deu uma pausa, tendo em conta de formar as palavras para sua pergunta seguinte.
Voc acha que  possvel que o esprito de Ali esta tentando
nos dizer algo? Talvez isso foi o que vimos na noite do fogo?
Segundos depois de que enviara a mensagem, Spencer escreveu de novo.
Como um fantasma?
Sim!
                                                56
De jeito nenhum.
Aria deixou a boca cair sobre o telefone na mesa. No era de se estranhar que Spencer no
acreditava. Antes, quando iam nadar na lagoa de Peck, Ali s fez cantar uma cano que
impedia que o esprito do morto que estivesse ali no as fizesse dano. Spencer foi a nica que
virou os olhos e se negou a cantar.
         -- Duvido -- disse Mike entusiasmado e Aria levantou a vista -- Tens que dizer-me
como  um polgrafo. Aposto que  impressionante. -- Ao ver a expresso doente de Aria, falou
-- Eu estou brincando. Os policiais no vo fazer um exame. No fez nada de errado. Hanna
disse que no sabia.
         -- Realmente estas tendo encontros com Hanna? -- perguntou Aria, desesperada por
mudar de assunto.
         Mike endireitou os ombros.
         --  realmente uma surpresa? Estou quente -- colocou um biscoito na boca. As
migalhas caram no solo de azulejos -- E falando de Hanna, se voc estiver procurando, ela foi
ao Mxico para estar com sua me. Ela no est, como, includa em alguma parte ou nada. Ela
no est, como, no sei, em formao em Vegas para ser uma stripper.
         Aria se pegou olhando como louca. Ela realmente no tinha idia de como Hanna ia com
ele. Ela no culpava Hanna por decolar a Sigapura... Aria faria qualquer coisa para sair de
Rosewood tambm. Inclusive Emily havia sado da cidade, para ir a alguma viagem de igreja a
Boston.
         -- Tenho ouvido coisas sobre voc -- falou Mike acusadoramente, movendo as
sobrancelhas escuras. -- Uma fonte confivel falou que viu voc e Noel Kahn pendurados
ontem.
         Aria gemeu.
         -- Poderia essa sua fonte confivel ser o prprio Noel?
         --Bom, sim. -- Mike encolheu os ombros. Se inclinou para frente e perguntou em voz de
fofoca -- Assim, o que ests fazendo?
         Aria lambeu o sal de pretzel dos dedos. Huh. Ento Noel no tinha dito a Mike que eles
tinham ido a uma sesso de espiritismo. Parecia que tambm no tinha dito a imprensa, ento.
         -- Somente nos encontramos em algum lugar.
         -- Ele gosta muito de voc -- Mike apoiou os sapatos sujos na mesa da cozinha.
          Aria abaixou a cabea, olhando o que parecia um pedao de Kashi no azulejo.
          -- No, no gosta.
          -- Ele ter uma banheira de hidromassagem na festa de quinta -- adicionou Mike --
Tens ouvido falar disse, verdade? Os Kahn vo e Noel e seus irmo faro de tudo.
         -- Porque  a festa de quinta?
         -- A quinta  o novo sbado -- brincou Mike, virando os olhos como se todo o mundo
devesse saber -- Vai ser uma doente. Tens que ir.
         -- No, obrigada -- disse Aria rapidamente. A ltima coisa que queria fazer era ir a outra
festa de Noel Kahn... que estavam cheias de todos os garotos populares de Rosewood
plantando barris, meninas populares de Rosewood vomitando seus Martinis de chocolate e tiros
de Jell-O, e os casais populares de Rosewood que se dormiam nos sofs de estilo Luis XV da
famlia Kahn.
         A campainha tocou e ambos se endireitaram.
         -- Responda voc -- insistiu Aria -- Se se trata da imprensa, no estou em casa -- os
reprteres haviam chegados a ser to descarados, caminhando at a entrada e tocando a
campainha varias vezes no dia, indiferentes como o homem de UPS; Aria meio que esperava
que um dia que iriam embarcar diretamente.
         -- No tem problema -- Mike olhou seu reflexo no espelho do vestbulo e se alisou por
trs.
         Justamente quando Mike estava a ponto de abrir a porta, Aria se deu conta de que era
claramente visvel desde a varanda dianteira. Se se tratasse da imprensa, eles empurrariam
Mike para passar e nunca a deixariam em paz. Com a sensao de pnico e atrapalhada, Aria
olhou ao redor, se precipitou na despensa, encaixando-se em uma estante que continha sacos
de arroz integral e fechou a porta.
         A despensa cheirava a pimenta. Um de brandings Meredith. -- palavras gravadas em
grandes placas de madeira -- estava apoiado sobre uma caixa de cuscuz. As mulheres se
unem disse.
         Aria ouviu crujir a porta de entrada aberta.
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          -- Waaaasssuuup? Gritou Mike. Golpeou as palmas juntas e chinelos de esporte
rolaram no corredor. Dois chinelos de esporte. Aria apareceu entre as rachaduras da porta da
despensa, perguntando-se o que estava acontecendo. Para seu terror, viu Mike levando Noel
Kahn para a cozinha. O que ele estava fazendo aqui?
          Mike virou-se ao redor da cozinha, meio confundido. Quando olhou para a despensa,
levantou uma sobrancelha e abriu a pequena porta.
          -- A encontrei! -- cantou -- Ela est pendurada com o Rice-A-Roni!
          -- Whoa -- Noel apareceu atrs de Mike -- Eu gostaria de ter Aria em minha despensa!
          -- Mike! -- Aria saiu da despensa com rapidez, como se ela no estivesse se
escondendo -- Te disse que dissesse que eu no estava em casa!
          Mike encolheu os ombros.
          -- Me disseste que era s se fosse algum da imprensa. No Noel.
          Aria deu um olhar penetrante para ambos. Todavia no confiava em Noel. E ela se sentiu
envergonhada depois de seu comportamento na sesso, tambm. Havia passado vrios minutos
no pequeno banheiro na loja de ocultismo olhando loucamente a porta, dizendo que o poder j
havia sado e todo mundo tinha que sair.
          Noel virou-se e soltou uma risada nos testes de gravidez que Meredith havia colocado no
frigorfico. Muitos tentam fortalecer os msculos vaginais.
          -- Queria falar com voc, Aria -- olhou para Mike -- A ss, se estiver tudo bem.
          -- Supostamente! -- retumbou Mike em voz alta. Disparou para Aria um olhar que dizia
No foda isso, em continuao, se dirigiu a sala.
          Aria olhou em todas as direes, mas no para o rosto de Noel.
          -- Um, queres uma taa? -- lhe perguntou, sentindo-se incomodada.
          -- Claro -- disse Noel -- gua est bom.
          Aria pegou a garrafa no frzer da geladeira, com as costas retas e tensas. Ainda podia
cheirar ao agitado pr-natal de algas e abboras que Meredith havia feito 15 minutos antes.
Depois de que ela regressara a mesa com a bebida de Noel, Noel buscou em sua mochila,
tirando uma bolsa de plstico cinza e empurrando at ela.
          -- Para voc.
          Aria alcanando o interior e tirou um pacote grande que parecia terra. INCENSO DE
SUCESSO dizia a etiqueta. Quando Aria pressionou seu nariz, seus olhos se cruzaram.
Cheirava como a caixa de areia de seu gato.
          -- Oh -- murmurou, incerta.
          -- Comprei na loja freaky -- explicou Noel -- Supem que traz boa sorte.
          Esse tipo de bruxo me disse que tens que queim-lo em um crculo mgico, qualquer
que seja o inferno.
          Aria bufou.
          -- Uh, obrigada. -- ela deixou de lado o incenso na mesa e meteu a mo na bolsa de
pretzels. Noel estava pegando a bolsa, ao mesmo tempo. Seus dedos se tocaram.
          -- Uh -- disse Noel
          -- Sinto muito -- disse Aria, tirando sua mo. Suas bochechas ardiam.
          Noel apoiou os cotovelos sobre a mesa.
          -- Faltaste a sesso de espiritismo ontem. Porque?
          Aria meteu o biscoito rapidamente em sua boca para no ter que responder.
          -- Aquele mdium era falso. -- adicionou Noel. -- Um perca total de vinte dlares.
          -- Uh-huh -- Aria murmurou, com os pensamentos esmagados. Ela estava muito triste,
o mdium Equinox havia dito. Talvez era mentira, mas e se essa parte estivesse certa? A Sr.
DiLaurentis havia insinuado tanto o dia depois que Ali desapareceu. Os poucos perturbantes
acerca de Ali haviam aparecido na mente de Aria nas ltimas vinte e quatro horas, tambm.
Como a vez que, no muito depois de que tivessem virado amigas, Ali havia convidado-a para ir
com ela e sua me para a casa de frias da famlia de novo em Poconos, seu pai e Jason se
alojavam em Rosewood. A casa era grande, com caminhadas a Cape Cod com um ptio, uma
sala de jogos, e uma escada oculta que levava a um dos dormitrios a cozinha. Uma manh,
quando Aria estava jogando na escada secreta consigo mesma, havia ouvido sussurrar atravs
dos bares.
          -- Me sinto to culpada -- estava dizendo Ali
          -- No deveria -- respondeu sua me com severidade-- Isto no  sua culpa. Sabe que
isso  o melhor para a nossa famlia.
          -- Mas... esse lugar. -- Ali soava replicante --  to... triste.
          Ao menos isso foi o que Aria havia pensado que Ali havia dito. A voz de Ali baixou muito
depois disso e Aria no pode mais ouvir nada.
                                               58
         Segundo Emily, o dirio estava em Radley, Jason comeou a visitar o hospital
justamente perto da poca que Aria, Ali e as outras se tornaram amigas. Talvez o lugar que Ali
se referia nessa conversa com a sua me era Radley. Talvez Ali se sentisse culpada de Jason
estar ali. Talvez havia sido a deciso final de Ali que se foi. Por mais que Aria quisesse acreditar
que Ali e Jason no tinham problemas, talvez podia ser verdade.
         Sentiu os olhos de Noel nela, esperando uma resposta. No valia a pena pensar nisso
agora, especialmente com Noel sentado aqui.
         -- No existe esse coisa de fantasmas que falam do alm -- murmurou, repetindo como
um louro o sentimento de Spencer.
         Noel olhou indignado, quando depois Aria disse que no havia tal coisa como lacrosse.
Quando Ele mudou seu peso, Aria poder sentir o cheiro de seu desodorante picante e educado.
Foi surpreendentemente agradvel.
         -- O que acontece se Ali tem realmente algo a dizer? Tem certeza que quer parar?
         A suspeita ferveu o estomago de Aria. Farta, cerrou sua palma sobre a mesa.
         -- Porque te importa? Algum te ps nisso? Isso  alguma piada estranha de lacrosse
para eu me envergonhar?
         -- No -- Noel inclinou a boca -- Supostamente que no!
         -- Ento porque ests em uma sesso de espiritismo? Os caras do seu tipo no se
metem nesse assunto.
         Noel baixou o queixo.
         -- Que quer dizer, garotos como eu?
         Meredith fechou uma porta de cima, fazendo agitar a casa inteira. Aria na realidade
nunca havia dito a ningum que tinha batizado os garotos como Noel como os garotos populares
de Rosewood... no seus pais, no seus amigos, e certamente no era uma garoto popular de
Rosewood por si mesmo.
         -- Parecem to bom, com muito bom gosto -- fraudou ela -- Bem ajustado.
         Noel apoiou o cotovelo sobre uma pilha de catlogos de beb, seu cabelo negro caindo
no rosto. Aspirou duas vezes, como se fosse o aumento gradual de dizer algo e finalmente
levantou a vista.
         -- Bem,  certo... no vou a sesses de espiritismo, porque gosto de Led Zeppelin -- Ele
dirigiu um olhar com o canto do olho, continuando, olhou sua taa, como se os cubos de gelo
como se fossem folhas de ch que continham seu futuro -- Faz dez anos, quando eu tinha seis
anos meu irmo se suicidou.
         Aria piscou, tomada pela surpresa. Ela pensou nos dois irmos de Noel, Erik e Preston.
Eram constantes os acessrios nas festas da casa de Kahn, apesar de ambos estarem na
universidade.
         -- No entendo.
         -- Meu irmo Jared -- Noel enrolou o catlogo acima firmemente em suas mos -- Era
muito maior. Meus pais no falaram nunca mais dele.
         Aria agarrou-se a borda da mesa desgastada. Noel tinha tido outro irmo?
         -- O que aconteceu?
         -- Bom, meus pais estavam fora. -- explicou Noel -- Jared era meu bab. Estvamos
jogando Myst, esse jogo de computador, mas em seguida ficou tarde e comecei a cochilar. Jared
parecia relutante em me pr para dormir, mas o fez finalmente. Quando acordei um pouco mais
tarde, me senti... estranho. A casa estava muito tranqila ou algo assim. Assim me levantei e
caminhei at o final da sala. A porta de Jared estava fechada e chamei, mas ela no respondeu.
Assim, entrei e... -- Noel encolheu os ombros e mexeu no catlogo. Deixou cair em uma pagina
que mostrava uma loira, sorridente com um beb em uma cadeira de balano vermelha -- No
era ele.
         Ela no tinha idia do que fazer, ento tocou a mo de Noel, Ele no se apartou.
         -- Havia... j sabes. Se enforcado. -- Noel fechou os olhos -- Eu realmente no
entendia o que estava vendo no primeiro momento. Pensei que estava jogando ou o que fosse,
talvez castigando-me porque no tinha vindo jogar Myst com ele mais tempo. Meus pais
chegaram em casa e no me lembro de nada depois disso.
         -- Deus -- sussurrou Aria.
         -- Ele ia a Cornell no ano seguinte -- a voz de Noel se rachou -- Era um jogador de
basquetebol estrelar. Sua vida parecia... impressionante. Meus pais no o viro jogando. Nem
meus irmos nem sua noiva. Ningum o fez.
         -- Sinto muito -- sussurrou Aria. Se sentia como uma bunda insensvel, hipcrita. Quem
saberia que Noel tinha um segredo to horrvel? E aqui pensando que iria fazer uma piada
estpida -- Alguma vez voc conseguiu falar com ele nas sesses?
         Noel brincou com o saleiro em forma de sapo no centro da mesa.
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        -- Na realidade, no. Mas continuo tentando. E falo muito com ele no cemitrio. Que
parece ajudar.
        Aria deu um sorriso largo.
        -- Tenho tentado fazer isso com Ali, mas sempre me sinto to estranha. Como que
estivesse falando comigo mesma.
        -- Eu no acredito -- disse Noel -- Acredito que ela est escutando.
        A aspiradora ganhou vida, vibrando o teto em cima deles. Aria e Noel ficaram inquietos
por um momento, escutando. Os penetrantes olhos verdes de Noel se encontraram com os seus.
        -- Voc consegue manter isso s pra voc? s a nica pessoa que sabe.
        -- Claro -- disse Aria rapidamente, estudando Noel. No parecia enojado porque ela o
estivesse forando.
        Quando olhou para baixo, se deu conta que sua mo ainda estava com a dele. Ela se
apartou rapidamente, de repente se sentia muito nervosa. Noel continuava encarando-a. o
corao de Aria comeou a palpitar. Ela brincava nervosamente com a antiga corrente de prata
ao redor de seu pescoo. Noel se aproximou mais e mais at que ela pode sentir sua respirao
em seu pescoo. Cheirava a alcauz negro, um dos doces favoritos de Aria. Ela conteve a
respirao, esperando.
        Mas ento, como se despertada de um sonho, Noel inclinou-se para trs, agarrou sua
taa da mesa e se levantou.
        -- Acho que vou pegar Mike agora. Nos vemos por ai.
        Dando uma pequena saudao, se agachou atravs do arco na sala. Aria apertou sua
taa de gua fresca diante dela. Por um momento, ela havia pensado que Noel ia beij-la. E em
um momento muito atpico de Aria, teve um desejo que o fizesse.
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                       AT AS BOAS MENINAS TEM SEGREDOS
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         Mais cedo, nessa mesma quarta-feira  tarde, Emily caminhava com dificuldade atravs
dos campos detrs da casa de Lucy, levando um balde de gua para os animais no celeiro. O
vento aoitava seu rosto, fazendo seus olhos lacrimejarem. Um par de casas  distncia j
estava com os postes acendidos e um cavalo com uma carroa estava galopando pela pista de
terra at a estrada, com o sinal reflexivo de forma triangular na parte de trs brilhando.
         -- Obrigada -- disse Lucy, alcanando Emily. Tambm levava um balde de gua --
Depois disso, tudo o que temos que fazer  limpar o piso da casa de Mary para sua cerimnia de
casamento no sbado.
         -- Est bem -- disse Emily. No se atreveu a perguntar porque Mary ia se casar em
casa em vez da igreja. Provavelmente simplesmente era alguma coisa amish que se supunha
que teria que saber.
         Seu dia havia estado muito atarefado com as tarefas matutinas na granja, horas em uma
habitao da escola em casa lendo passagens da Bblia e ajudando aos meninos mais pequenos
a aprender o alfabeto, em seguida ajudando a me de Lucy a preparar o local. O Sr. e a Sra.
Zook, os pais de Lucy, olhavam como os clssicos amish do National Geographic: o pai de Lucy
tinha uma grande barba cinza sem bigode e usava um chapu preto, e sua me tinha uma
severo rosto sem maquiagem e raramente sorria. Ainda sim, pareciam ser pessoas muito gentis
e agradveis... e no suspeitavam que Emily estava fingindo. Ou se achavam, no diziam nada.
Mas entre toda essa atividade, Emily, todavia, buscava pistas sobre Ali em todos os lugares que
eles iam. Mas ningum nem sequer havia mencionado um nome parecido que soasse como
Alison ou falara da garota desaparecida de Rosewood.
         O mais provvel, era que A s tivesse pegado um mapa dos EUA e sem olhar tivesse
elegido algum antigo lugar para enviar Emily, ansiosa por sair de Rosewood. E Emily havia
cado. Havia tentado ligar o telefone para ver se A havia mandado alguma mensagem, mas a
bateria havia descarregado. Seu bilhete de nibus de volta era para sexta a tarde, mas estava
considerando ir mais cedo. Quem era o motivo de ficar aqui se no iria encontrar nenhuma
resposta?
         Mas uma grande parte de Emily no queria acreditar que A era verdadeiramente
malvada. A havia dado todos os tipos de pistas, e talvez simplesmente elas haviam armado o
quebra-cabea incorretamente. O que mais A havia dito que ajudasse a saber onde podia estar
Ali agora... ou onde havia estado todo esse tempo? Quando Emily se deteve na varanda, o
spero vento passando por seu pescoo viu uma menina de cabelo escuro levando um balde de
gua ao celeiro atravs do prado.  distancia, a menina parecia muito com Jenna Cavanaugh.
         Jenna. Poderia ela ser a resposta? A havia enviado a Emily uma antiga foto de Jenna,
Ali, e a parte de trs de uma annima menina loira (provavelmente Naomi Zeigler) de p no
quintal de Ali. Uma dessas coisas no se encaixa. Dizia o acompanhamento da nota de A.
Descubra o que  rpido... ou enfrente as conseqncias.
         A tambm havia avisado a Emily que Jenna e Jason DiLaurentis estavam discutindo na
janela de Jenna. Emily havia visto a briga com seus prprios olhos, apesar de no ter idia do
que podia ter acontecido. Porque A mostraria isso? Porque A disse que Jenna no pertencia?
Jenna e Ali haviam combinado para desfazerem-se de Toby para bem; na melhor das hipteses,
Ali havia confiado em Jenna que planejava escapar. Talvez Jenna inclusive a havia ajudado.
         Emily e Lucy baixaram pelos principais passos e atravs do campo at a casa dos pais
de Mary. Um carro funerrio estava estacionado no campo de saibro e estava como uma
gangorra e um balano de pneu na varanda de frente, endurecido pela neve. Antes de subirem
na varanda, Lucy deu uma olhada de perfil para Emily.
         -- A propsito, obrigada por tudo. Tem sido uma enorme ajuda.
         -- Sem problema -- disse Emily.
         Lucy se apoiou contra a grade da varanda, procurando como se no tivesse terminado.
Sua garganta sacudiu enquanto tragava saliva e seus olhos olhavam inclusive mais verdes na
cortada da luz.
         -- Porque voc realmente est aqui?
         O corao de Emily disparou at a garganta. Havia um som de chocalho dentro da casa.
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         -- O que quer dizer? -- balbuciou. Lucy havia descoberto?
         -- Tenho tentado descobrir. O que voc fez?
         -- Fiz?
         -- Obviamente foste enviada aqui porque somos uma comunidade mais tradicional. --
Lucy alisou seu longo casaco de l embaixo de seu traseiro e se sentou sobre os degraus de
madeira da varanda -- Isso  para regressar ao caminho da virtude outra vez, no  assim?
Suponho que algo aconteceu. Se precisas desabafar, pode falar comigo. No direi nada.
         Apesar do ar ficar instantaneamente frio, as palmas de Emily comearam a suar. A
habitao de Isaac apareceu em sua mente. Deu um respingo ao pensamento de eles nus
abaixo dos lenis de Isaac, rindo tontamente. Parecia to, to distante, como se transformado
em uma pessoa diferente. Toda sua vida, havia pensado que sua primeira vez seria especial e
significativo, algo que seria bom pro resto da vida. Em vez disso, havia sido um tremendo erro.
         -- Tinha essa coisa com um menino -- admitiu.
         -- Pensei que seria algo assim -- Lucy coletou uma tbua lascada sobre os degraus --
Quer falar?
         Emily observou o rosto de Lucy. Parecia genuinamente sincera, nem curiosa nem
desapropriada. Deixou-se cair sobre a varanda ao seu lado.
         -- Pensei que estvamos namorando. Era to bom a princpio. Mas ento...
         -- O que aconteceu? -- perguntou Lucy
         -- Simplesmente no funcionou -- Lgrimas chegaram aos olhos de Emily -- Realmente
no me conhecia. E tampouco o conhecia tambm.
         -- Seus pais no aprovavam? -- perguntou Lucy, piscando com seus longos clios.
         Emily assobiou pelo nariz de forma irnica.
         -- No, os pais dele que no me aprovavam -- Nem sequer tinha que mentir sobre isso.
         Lucy mordeu uma de suas pequenas unhas com forma de meia lua. A porta da casa se
abriu e uma mulher maior de rosto severo apareceu com a cabea, as olhou com a sobrancelha
franzida e em seguida desapareceu de volta para a casa. Um odor de limo da soluo de
limpeza emanou no ar. No interior, a mulher estava conversando sobre a Pensilvnia Holandesa,
a que soava muito parecida com a Alemanha.
         -- Estou em uma situao parecida com essa tambm -- sussurrou Lucy
         Emily levantou a cabea, intrigada. Algo se cristalizou em sua mente.
         --  o menino que vi sair correndo da sua casa no outro dia?
         Lucy abaixou o olhar para a direita. Duas mulheres amish maiores subiram os degraus e
entraram na casa, sorrindo educadamente para elas. Depois que passaram, Emily tocou no
brao de Lucy.
         -- No direi nada. Prometo.
         -- Vive em Hershey -- disse Lucy quase como um sussurro. -- O conheci quando
estava comprando uma teia para minha me. Meus pais me matariam se soubessem que ainda
falo com ele.
         -- Porque?
         -- Porque  ingls. -- disse Lucy em uma voz de uh-duh. Ingls  o prazo amish para as
pessoas normais que viviam uma vida moderna. -- E de todos os modos, j tinham perdido uma
filha. No querem me perder tambm.
         Emily observava o rosto de Lucy, tentando descobrir o que diria. Os olhos de Lucy
estavam pregados sobre a lagoa coberta de gelo atravs da rua. Um par de patos estavam
nidificando na gua, grasnando mal-humorado. Quando deu a volta at Emily, seus lbios
estavam tremendo.
         -- Ontem me perguntasse onde estava minha irm Leah. Ela se foi durante o
rumspringa.
         Emily assentiu. De acordo com o Wikipdia, rumspringa era um tempo quando os
adolescentes amish podiam deixar suas casas e experimentar coisas que Emily tomava por
garantido, como usar roupas normais, trabalhar e dirigir. Depois de um momento, podiam ou
escolher regressar a crena amish ou deix-la para sempre. Estava bastante segura que se
escolhesse no ser mais amish, nunca poderia voltar para suas famlias.
         -- E... bom, nunca voltou -- admitiu Lucy -- Um dia, estava escrevendo as cartas para
meus pais, dizendo-lhes o que estava fazendo. Em seguida... nada. Sem correspondncia.
Nenhuma palavra dela. Simplesmente se... foi.
         Emily pressionou suas mos sobre as duras e gastas tbuas da varanda.
         -- O que aconteceu?
         Lucy apertou seus ombros com as mos.
         -- No sei. Tinha esse namorado, esse menina que era parte da nossa comunidade.
Haviam sado por anos, desde que ambos tinham treze, mas sempre pensei que havia algo
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estranho sobre ele. Simplesmente parecia... bom, certamente no era digno dela. Estava muito
feliz quando decidiu deixar a comunidade para sempre depois do rumspringa. Mas ele queria
que Leah fosse com ele, ele pediu-lhe, na verdade. Mas ela sempre havia dito que no. -- Lucy
tirou um pouco de barro seco de suas botas negras de uma torneira. -- Meus pais pensam que
Leah morreu em um acidente, ou talvez de causas naturais. Mas sempre tenho me perguntado...
-- Sua voz se apagou, negando com a cabea -- Usavam para combater. As vezes se punham
bastante intensamente.
        -- Envolvemos a polcia. A buscaram, mas no encontraram nada. Nos disseram que as
pessoas fugiam o tempo todo, e que no havia nada que pudessem fazer. Inclusive
conseguimos um detetive particular, pensamos que talvez fugiu e no queria nada conosco.
Inclusive havia estado bem, ao menos, queria dizer que estava com vida. Por um longo tempo,
estivemos seguros que Leah estava l fora, mas um dia meus pais simplesmente se deram por
vencidos. Disseram que precisavam parar. Era a nica que tinha esperanas.
        -- Entendo -- sussurrou Emily -- Tambm perdi algum. Mas as pessoas voltam.
Coisas incrveis acontecem.
        Lucy apartou a vista, olhando atravs do campo para um grande cilindro para guardar
milho.
        -- J se passaram quase quatro anos desde que se foi. Talvez meus pais tem razo.
Talvez Leah realmente se foi.
        -- Voc no pode se dar por vencida! -- gritou Emily -- No passou tanto tempo assim!
        Um cachorro da granja com irregular pele marrom e sem colar trotou pela varanda,
cheirando a mo de Lucy, e em seguida se ps de p.
        -- Supondo que tudo  possvel. -- reflexionou Lucy -- Mas talvez s estou sendo tonta.
H tempo para manter a esperana e tempo para deix-la ir. -- Fez gestos para a estrada ao
pequeno cemitrio atrs da igreja -- Temos uma lpide para ela ali. Tivemos um funeral e tudo.
Contudo, no tenho ido ali desde ento.
        Lgrimas comearam a derramar-se pelas suas bochechas. O queixo de Lucy
cambaleou e um pequeno gritinho emergiu na parte de trs de sua garganta. Inclinando-se sobre
suas coxas, tomou umas profundas e sacudidas inalaes. O cachorro da granja olhou Lucy
despreocupadamente. Emily ps sua mo sobre as costas de Lucy.
        -- Est bem.
        Lucy assentiu.
        --  to difcil -- levantou a cabea. A ponta de seu nariz estava de um brilhante
vermelho. Deu um sorriso triste e molhado para Emily -- Pastor Adam sempre me pede para que
eu fale dobre isso com algum.  a primeira vez que admito em voz alta que Leah poderia estar
morta. Eu no queria acreditar.
        Havia um enorme n na garganta de Emily. Tampouco queria fazer Lucy acreditar,
queria que Lucy tivesse o mesmo tipo de esperana que Emily tinha sobre Ali. Mas Emily no
conhecia Leah pessoalmente, porque ela no era Ali. Emily poderia ser mais realista sobre o que
poderia ter acontecido. As pessoas que desapareciam geralmente no voltavam para casa. Os
pais de Lucy provavelmente tinham razo em Leah estar morta.
        Um s estrela brilhante se assomava no horizonte. Desde que Emily era pequena, pedia
um desejo a primeira estrela da noite, recitando a rima Estrelinha, estrelinha e pedindo seu
desejo. Logo que Ali desapareceu, todos os desejos de Emily eram sobre trazer Ali de volta s e
salva. Mas se Emily olhava sua prpria vida, objetivamente como poderia olhar a famlia e Lucy.
Que teria descoberto o que aconteceu com Ali? Estava sendo igualmente tonta? Talvez os
mdicos tinham razo... talvez a menina no bosque havia sido s uma inveno de sua
imaginao. E talvez Wilden tampouco estava mentindo... talvez se teve um relatrio de DNA na
estao de polcia que se encaixou com o DNA de Ali. Talvez Emily s se tornou fantica com a
idia de que Ali estivesse viva e isso mudou todos os eventos para satisfazer suas
necessidades, para provar que Ali ainda estava por ai. E agora havia vindo todo o caminho a
cidade Amish para perseguir uma pista que provavelmente nem existia. Uns minutos depois, a
perturbava a idia que a doce e inocente Jenna Cavanaugh pode ter ajudado Ali a sair de
Rosewood. Talvez ela s tinha que desejar passar pelas coisas, justamente como Lucy e sua
famlia haviam feito com Leah. Talvez essa era a nica maneira que ela poderia continuar sua
vida.
        Desde dentro da casa havia um som alto de um pote golpeando o piso. Em seguida mais
caias e pratos quebrados. Emily olhou para Lucy, tentando no rir. Um canto do lbio de Lucy se
levantou. Emily cobriu a boca e bufou. De repente, as duas garotas estalaram em risinhos. A
mesma mulher severa se assomou pela porta e as olhou de novo. Que apenas fez rir mais
fortemente.
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        Emily alcanou e pegou a mo de Lucy, cheia de cordialidade e gratido. Em um mundo
paralelo e Amish, ela e Lucy provavelmente seriam amigas.
        -- Obrigada -- disse Emily.
        Lucy parecia surpreendida.
        -- Porque?
        Mas obviamente, Lucy no entendia. A poderia ter enviado a Emily a cidade Amish para
encontrar Ali, mas o que Emily havia encontrado em troca, era paz.
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                                           15
                                  AMIGOS DO FACEBOOK
                                                                          Traduzido por Patryck Pontes
         Spencer e Andrew estavam sentados no sof do poro dos Hastings, felizmente
encolhidos e fazendo zapping com os canais da TV. As coisas haviam voltado ao normal com
Andrew: melhor que normal, a briga da ltima semana havia sido esquecida. Eles mandavam
twitters sedutores na sala de estudo e quando Andrew chegou na casa de Spencer, ele lhe
trouxe uma caixa de presente J. Crew. Dentro da caixa havia um suter branco de pescoo de
inverso em V de casimira, a marca de suter favorita de Spencer, igual ao que foi destrudo no
incndio. Spencer fez o comentrio a Andrew que havia perdido o suter no incndio. Andrew
deve ter adivinhado o tamanho de Spencer.
         Spencer parou no canal CNN, na parte que estavam dizendo que um informante falou
sobre o mercado de valores a uma notcia de ltima hora, uma histria sobre algo que no era
notcia de ltima hora. Na espera de uma prova dizia o ttulo. Havia um tiro interior de fumaa,
o dia de bar expresso de Rosewood. Esse material parecia ter sido de umas horas antes, porque
a placa dizia. QUARTA FEIRA ESPECIAL: SHAKE DE AVEL. A MULTIDO de estudantes
em jaquetas azul-marinho estava formada para tomar caf e chocolate quente. Kirsten Cullen
estava falando com James Freed. Jenna Cavanaugh permanecia na porta, seu co-guia
arquejando. Na esquina, Spencer espiava a quase irm de Hanna, Kate Randall, rodeada por
Naomi Zeigler e Riley Wolfe. Hanna no estava com ela; Spencer havia escutado que Hanna
tinha ido para Singapura. Emily havia ido para uma viagem em Boston. Era estranho que Emily
ficasse fora de primeiro plano (ela havia sido muito tola acerca da polcia buscando Ali), mas isso
era algo bom.
         -- Os resultados de DNA do corpo que foi encontrado no quintal dos DiLaurentis
estariam prontos a qualquer momento -- disse um voz em off -- Veremos as reaes dos
companheiros de classe de Alison.
         Spencer rapidamente mudou de canal. A ltima coisa que queria escutar era alguma
menina estranha que sem sequer tivesse conhecido Ali, pontificando acerca da tragdia que
havia sido. Andrew apertou a mo de Spencer confortavelmente e sacudiu sua cabea.
         No canal seguinte, o rosto de Aria apareceu a vista. Os reprteres a seguiam enquanto
ela corria at o Civic de seu pai entrando em Rosewood Day.
         -- Senhorita Montgomery! Algum iniciou o incndio para encobrir alguma pista vital? --
gritou uma voz. Aria continuava andando, sem contestar-los. Uma legenda apareceu na tela.
Qual  a pequena mentira que escondem?
         -- Whoa -- o rosto de Andrew estava vermelho -- Eles precisam parar com isso.
         Spencer massageou seus templos. Ao menos Aria no havia contado que elas tinham
visto Ali. Mas ento ela pensou nas mensagens de texto que tinha recebido de Aria pela manh,
sugerindo que o esprito de Ali estava tentando dizer-lhes algo importante, mas suas palavras
recordaram a Spencer algo que Ian havia dito no dia que ele quebrou o acordo da priso
domiciliar. O que aconteceria se te dissesse algo que no sabes? Ele tinha sussurrado
enquanto se sentava em seu quintal. Tem um segredo que vai mudar sua vida. Ian tinha estado
equivocado ao pensar que Jason e Wilden estavam envolvidos no assassinato de Ali, mas ela
continuava acreditando que havia algo ali fora que nenhum deles tinha entendido.
         O despertador de mergulho de Andrew soou e mudou sua postura.
         -- O comit do baile de So Valentin me fala -- gemeu ele. Andrew se inclinou, beijou a
bochecha de Spencer e apertou sua mo. -- Voc est bem?
         Spencer no o olhou nos olhos.
         -- Acho que sim.
         Ele inclinou a cabea, esperando.
         -- Tem certeza?
         Spencer abriu e cerrou os punhos. No tinha sentido tentar esconder; Andrew tinha uma
estranha habilidade para saber quando algo perturbava Spencer.
         -- Descobri umas coisas loucas sobre meus pais. -- disse ela. -- Minha me mantinha
este grande segredo acerca de como ela e meu pai se conheceram. O que me fez perguntar se
escondia outras coisas tambm. -- Como porque no podamos falar nunca mais sobre a noite
que Ali morreu, quase adicionou ela.
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         Andrew enrugou o nariz.
         -- Porque simplesmente no fala com sobre isso?
         Spencer pegou um pedao imaginrio de buo de seu suter casimira cor lils.
         -- Porque est fora dos limites.
         Andrew voltou a sentar.
         -- Olha. A ltima vez tu suspeitasse de algo sobre a sua famlia, checasse pelas costas
para averiguar a verdade... e s te queimasse no final. De qualquer forma, acaba de saber disso.
Do contrrio voc vai mal-interpretar as coisas.
         Spencer assentiu com a cabea. Andrew a beijou, deslizando em suas velhas e
maltratadas wingtips, ps sua jaqueta de l e foi at a porta. Ela o observou caminhar rua abaixo
e em seguida suspirou. Talvez ele tinha razo. Farejar no faria nenhum bem.
         Ela estava subindo o segundo passo quando escutou sussurros na cozinha. Curiosa, faz
uma pausa, preparando seus ouvidos para escutar.
         -- Deves manter isso em silncio -- disse sua me entre dentes. --  muito importante.
Pode fazer isso desta vez?
         -- Sim -- respondeu Melissa na defensiva.
         E depois elas saram pela portas de trs. Spencer ficou quieta, enquanto suas orelhas se
adaptavam ao silncio. Se Melissa estava meio distante com sua me, porque estariam
compartilhando segredos? Ela voltou a pensar acerca do que sua me havia falado ontem: o
segredo que nem sequer Melissa sabia. Spencer continuava sem acreditar na idia que sua me
tinha sido estudante de direito em Yale.
          Spencer escutou a porta da garagem subir e o Mercedes saindo da garagem; ela
precisava de uma prova tangvel.
         Dando voltas, Spencer caminhou para a oficina com cheiro de cigarros e escura de seu
pai. A ltima vez que tinha estado ali, ela copiou o disco rgido do computador em um CD e
encontrou uma conta de banco que Spencer deu a Olvia, fazendo um desastre. Explorando as
prateleiras de seu pai, que continham volumes de leis, a primeira edio Hemingways e placas
facilitando-o por ter ganhado esta e outra batalha na corte, ela notou um livro vermelho
escondido em um canto superior. O ANURIO DE DIREITO DE YALE, lia-se na parte traseira do
livro.
         O silncio, Spencer arrastou a cadeira Aeron do escritrio de seu pai para as prateleiras,
subiu na cadeira e alcanou o livro com seus dedos. A medida que Spencer abria o livro, o odor
do papel mofado encheu grande parte da oficina. Uma foto velha saiu voando, deslizando pelo
piso de madeira recm encerada. Spencer pegou a foto e a ps no anurio. Era uma pequena,
quadrada foto polaride de uma mulher loira grvida na frente de um lindo edifcio de ladrilhos. O
rosto da mulher estava turva. No era a me de Spencer, mas havia algo familiar nela. Spencer
virou a foto. Escrito na parte de trs estava a data de 2 de junho, quase 17 anos. Poderia ser
essa Olvia, a me substituta de Spencer? Spencer nasceu em abril, mas talvez Olivia no havia
perdido o peso do beb de imediato...
         Spencer deslizou a foto de novo no anurio e folheou os retratos dos alunos do primeiro
ano de direito. Ela encontrou seu pai de imediato. Ele olhava quase do mesmo jeito que olhava
agora, exceto porque seu rosto era um pouco menos degradado e seu cabelo era mais longo,
quase plumoso. Suspirando profundamente, ela continuou folheando at a M por McAdam, o
nome de solteira de sua me. E ali estava ela, como o mesmo queixo alto, seu cabelo loiro longo
e liso, e seu sorriso amplo e deslumbrante. Havia um anel amarelo descolorido de taa de caf
em cima de sua foto, como se o pai de Spencer tivesse apoiado com o livro aberto nessa pgina,
observando com nostalgia a foto de sua me por horas.
         Era verdade: sua me tinha sido estudante de Yale.
         Sem idia, Spencer continuou folheando mais pginas. Os estudantes do primeiro ano
estavam sorrindo, muito entusiasmados, sem ter idia do difcil que era a escola de direito.
Ento, algo apanhou seu crebro. Ela deu um respingo em um dos nomes de um estudante, e
em seguida examinou sua fotografia. Um homem jovem com o cabelo claro e um nariz
columbino familiar devolveu-lhe o olhar. Ali sempre tinha dito que se ela tivesse herdade esse
nariz, ela certamente faria uma cirurgia plstica e corrigiria.
         Uma mancha apareceu em frente aos olhos de Spencer. Isso tinha que ser outra
alucinao. Ela revisou o nome do estudante de novo. E outra vez mais depois dessa. Kenneth
DiLaurentis. Ela o pai de Ali.
         Beep.
         O livro caiu das suas mos. Seu celular estava vibrando dentro do bolsinho de sua
cardig. Spencer olhou para fora da janela de seu pai... de repente sentia como se algum a
observasse. Tinha escutando alguma risada? Essa pessoa estava atrs dela? Seu corao
batia fortemente enquanto ela abria o celular.
                                                66
Voc acha que isso  uma loucura? Agora copie outra
vez o disco rgido de seu pai... comeando pela letra J.
Voc no vai acreditar o que vai encontrar. A.
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                                          16
                                     SO OS JOELHOS
                                    DA ABELHA RAINHA
                                                                        Traduzido por Patryck Pontes
          Hanna e Iris se sentaram ao redor da mesa no caf da Reserva em Eddison Stevens,
com cafs com leite bem quentes, iogurte orgnico caseiro, e frescas saladas de frutas na frente
delas. Definitivamente tinham a melhor mesa no lugar, no s era a mais distante da estao
das enfermeiras, mas tambm lhes dava uma vista principal do sexy jardineiro, que estava
vigorosamente removendo a neve com a p no caminho da entrada em uma apertada camisa
trmica de manga comprida.
          Iris lhe deu uma cotovelada suave.
          -- Oh, por Deus. Tara vai comer um prato de coc!
          Hanna girou sua cabea. Tara, quem estava sentada com Alexis e Ruby na mesma
mesa em que elas tinham sentado quando Hanna jantou duas noites atrs, tinha acabado de
colocar um mirtilo dentro da boca.
          -- Ewwww. -- Hanna e Iris exclamaram em unssono. Pela razo que fosse, os mirtilos
aqui eram chamados de prato de coc. Era uma enorme gafe com-la.
          -- Ol Hanna! O que  Eww?
          -- Tu. -- Iris sorriu zombando.
          O sorriso de Tara evaporou. Um brilho vermelho se deslizou atravs de suas bochechas
gordas. Seus olhos se moveram para Hanna, um cido, um olhar vingativo em seu rosto. Hanna
se afastou um pouco arrogante, pretendendo no ligar. Depois Iris se levantou e jogou o iorgute
no lixo.
          -- Vamos, Han. Tenho algo para te mostrar. -- Ela agarrou o brao de Hanna.
          -- Para onde voc vai? -- Tara gemeu, mas ambas a ignoraram.
          Iris bufou enquanto elas saam da cafeteria e andaram pelo longo corredor at os
quartos dos pacientes.
          -- Visse teus sapatos? Ela alega que so Tory Burch,mas parecem mais como Payless.
          Hanna riu dissimuladamente e em seguida sentiu uma pequena pontada de culpa. Tara
tinha sido a primeira menina que tinha falado com ela. Mas que seja. No era culpa de Hanna
que Tara fosse to sem noo. E mais, passar o tempo com Iris tinha feito que a hospedagem de
Hanna na Reserva em Addison Stevens, ou a Reserva, como todos aqui chamavam, fabulosa.
Ela tinha mostrado a Hanna o ginsio e o Spa, e na noite passada, elas tinham roubado produtos
de limpeza, loes, e mscaras de leite de uma sala de tratamentos do Spa e tinham dado
faciais uma na outra. Hanna tinha acordado est manh encima de 1000 fios de linho, bem
descansada pela primeira vez que pareciam anos, e suas pernas j estavam mais finas pelas
frutas e verduras orgnicas que ela tinha estado comendo.
          Hanna e Iris tinham ficado amigas instantaneamente, passando horas em sua habitao
compartilhada conversando. Iris tinha admitido sem rodeios que ela estava na reserva por uma
desordem alimentar.
          -- A nica razo aceitvel para estar aqui. -- ela adicionou. Hanna tinha dito
rapidamente que ela estava aqui por problemas alimentares, tambm, que era mais ou menos
verdade. A primeira vez que Iris foi mandada para a Reserva para tratamento foi quando ela
estava no stimo ano. Havia passado a semana completa sem comer. Ela tinha conseguido sair
justamente a tempo para as frias de vero, justamente perto de quando Ali desapareceu,
Hanna no pode evitar exceto notar para ela mesma, mas a mame de Iris a forou voltar no
comeo de Outubro quando seu peso baixou de novo. A Reserva no era o nico hospital que
Iris tinha ingressado, mas disse que ela gostava mais daqui.
          S saber que Iris tinham problemas alimentares fez Hanna se tornar menos consciente
de quem ela era. Em seu quarto, no lutava por esconder o dirio da comida que ela havia
mantido desde o vero do stimo ano, um registro de todas as calorias que comia em um dia.
Tampouco se alterou quando Iris pegou sua cala jeans na oitava srie, que havia trazido com o
propsito principal de estimar a ela mesma que estava ganhando ou perdendo peso. No final
resultou que, Iris tinha um velho par de jeans ajustados em seu armrio tambm.
          Qualquer que fosse o objetivo de A ter mandado Hanna aqui, estava tendo um efeito
contrrio. Tinha levado Hanna a uma nova teoria: Talvez A estava do lado de Hanna. Talvez A a
                                              68
havia mandado aqui para conseguir afast-la do caos de Rosewood, para mant-la a salvo de
quem quer que havia iniciado o fogo.
        Agora que Hanna havia seguido Iris abaixo no salo amarelo aafro at uma pequena
porta marcada como SADA DE EMERGNCIA. Iris meneou suas sobrancelhas, ps seu dedo
em seus lbios, depois digitou nmeros em um teclado colocado justamente a direita da
maaneta. O parafuso se liberou e a porta se abriu. No alto de um conjunto de escadas de metal
estava uma pequena e cmoda habitao, justamente o suficiente grande para duas cadeiras
cmodas. O Grafiti cobria as quatro paredes, impressionantes murais dos rostos da gente,
grandes, rvores finas, um par de desenho de coruja, e toneladas de mensagens e nomes
rabiscados. Tambm havia uma grande clula de contrabando de revistas People e Us Weekly
na salincia da janela.
        -- Uau -- Hanna respirou.
        -- Este  o meu lugar secreto para me esconder -- Iris disse, lanando seus braos
abertos como se fosse dizer tanraan! -- Sou a nica aqui agora que sabe a combinao para
entrar. A maioria do pessoal nem sequer sabe, e aqueles que sabem, s me deixam fazer o que
quer que seja. -- Ela mostrou um exemplar de People -- Angelina Jolie estava na frante, como
sempre. Tenho um monto na gaveta da minha mesa de noite, tambm. Podes ler, sempre e
quando te manter calada sobre algo.
        -- Com certeza -- Hanna disse, sorrindo -- Obrigada.
        Iris fez um gesto para os desenhos nas paredes.
        -- Todos so de antigos pacientes. No  aterrorizante?
        Hanna assentiu, apesar de sentir estranhos tremores enquanto via todos os nomes.
Eileen. Stef. Jenny. Porque eles tinham estado aqui? O que haviam sofrido, desde uma
desordem alimentar ou transtorno por dficit de ateno(ADD), as razes mais leves para vir a
Reserva, ou algo muito mais assustador? O irmo de Ali, Jason, aparentemente tinha passado
tempo em um hospital como este na escola. Seu nome tinha estado sobre todo o livro de registro
que Emily encontrou na oficina na festa de Radley.
        Era estranho que Ali nunca tivesse compartilhado esse segredo com nenhuma delas.
Havia s uma memria que Hanna podia se lembrar de quando Ali poderia ter insinuado sobre
os problemas mentais de Jason. No incio do stimo ano, Hanna e Ali estavam passando um
tempo a ss na tarde de um domingo, tentando escolher seus conjuntos para o prximo dia.
Enquanto Ali estava deslizando-se por fora umas calas de pano Citizen, o telefone soou. Ali o
pegou e ficou calada. Sua boca se ps muito pequena, e seu rosto ficou plido. Hanna escutou
um guincho, um riso arrepiante atravs do aparelho.
        -- Pela ltima vez, pare, perdedor! -- Ali gritou e desligou.
        -- Quem era? -- Hanna sussurrou.
        -- S meu estpido irmo. -- Ali murmurou em seu peito.
        E depois ela o deixou cair. Mas agora, Hanna estava bastante certa de que Jason havia
estado chamando desde Radley, os livros de registro que Emily encontrou diziam que ele se
registrava por umas poucas horas nos fins de semana. Talvez tinha chamado Ali desde ali para
espant-la. Cretino.
        Iris sentou-se em uma cadeira e Hanna se deixou cair na outra. Silenciosamente, ambas
se pegaram olhando at os rabiscos e os nomes. Helena. Becky. Lindsay.
        -- Me perguntou onde estaro todos eles agora -- Hanna disse suavemente.
        -- Quem sabe -- Iris respondeu, escovando com seus dedos seu cabelo loiro plido. --
Ainda escutei rumores acerca desde paciente que se supe que devia registrar-se por, como,
duas semanas, mas seus pais se esqueceram dela. Ainda vive aqui... no sto.
        Hanna bufou.
        -- Isso no  certo.
        -- Sei, provavelmente no. Mas nunca se sabe.
        Iris se inclinou por debaixo da almofada e sacou uma pequena cmera descartvel em
volta em papel verde.
        -- Passei isso de contrabando desde o exterior, tambm. Quem que tire uma foto
nossa?
        Hanna duvidou, a ltima coisa que queria era evidencia de que tinha estado em um
manicmio.
        -- No  como se pudesse ser capaz de conseguir revel-la -- disse cautelosamente.
        -- Quero mandar a cmera para meu pai -- Iris baixou os olhos. -- No  como se ele
abrisse minhas cartas. -- Seu lbio inferior comeou a tremer -- Costumvamos ser realmente
prximos, mas ento pegou esse trabalho altamente estressante como o reitor de medicina em
algum hospital estpido. J no tem tempo para mim. E agora que estou aqui... -- ela encolheu
os ombros -- No existo para ele.
                                             69
         -- Meu pai  igual -- Hanna disse abruptamente, assombrada de ela tivessem isso em
comum, tambm. -- Falava com ele sobre tudo, mas depois se mudou para longe e conseguiu
esta nova noiva, Isabel. Agora esto vivendo em minha casa, com a perfeita filha de Isabel, Kate.
-- ela se arrepiou -- Kate no pode fazer absolutamente nada mal. Meu pai est totalmente
obcecado com ela.
         -- No posso acreditar que seu pai preferia a algum melhor que voc -- Iris soou
horrorizada.
         -- Obrigada -- Hanna disse agradecida, olhando para fora da janela do pequeno sto
at as vazias quadras de tnis atrs da instalao. Por um longo momento, ela tinha
fundamentado que seu pai j no a amava tanto porque ela no era bonita e perfeita. Mas Iris
era perfeita... e seu pai ainda assim a tratava como merda. Talvez as filhas no eram o
problema, talvez os pais que eram.
         Cheia de fria, arrancou a cmera da mo de Iris e a separou dela.
         -- Vamos dar dedo a todos os pais fedidos em todo o mundo.
         -- Com certeza -- Iris disse, e a contagem de trs, ambas esmagaram seus rostos e
levantaram o dedo mdio. Hanna pressionou o boto.
         -- Incrvel -- Iris disse, virando o rolo para frente e deslizando a cmera de volta para a
sua mochila.
         Hanna se deslizou at abaixo de seu brao para que assim ela e Iris compartilhassem a
cadeira. Ambas eram o suficientemente finas para caber. O quarto cheirava um pouco como
canela e a madeira queimada pelo sol.
         -- Como voc sabia sobre esse lugar, de qualquer modo?
         -- Courtney me deu o cdigo -- Iris disse, sacando seus decorados chinelos de bal
Malole azul marinho.
         Hanna picou sua unha do dedo polegar. A nica coisa um pouco incmoda sobre Iris era
que ela falava sem parar sobre sua antiga companheira de quarto, Courtney, quem
aparentemente deveria ser a grande dama da Reserva. No dia anterior, Iris tinha dito doces
histrias separadas acerca desta cachorra, Courtney, no que Hanna contando ou algo assim.
         -- Ento, quando Courtney se foi? -- Hanna perguntou to indiferente como pode.
         Um dos cantos de Iris baixou.
         -- Novembro, certo? No me lembro. -- Ela meteu a mo na taa de metal e pegou um
marcador azul
         -- Ento, o que aconteceu? Ela ficou normal agora?
         Iris destampou o marcador e comeou a rabiscar a parede.
         -- Quem sabe? No falei com ela desde que foi embora.
         Hanna sentiu um dardo de triunfo.
         -- Porque no?
         Iris encolheu os ombros, rabiscando distraidamente.
         -- Ela mentiu acerca do porque estava aqui. Disse que era por uma leve depresso, mas
resultou ser que tinha problemas maiores. S que descobri isso depois. Ela estava to
perturbada como todos os outros pacientes aqui.
         O vento ralou contra os cristais. Hanna fingiu uma tosse, escondendo sua expresso de
culpa. No era como se ela estivesse particularmente comunicativa com Iris acerca do porque de
ela estar aqui, tampouco, ela no tinha dito nada a respeito de Ali, A, ou Mona.
         Iris empurrou o marcador para longe, revelando o que tinha escrito na parede. Era uma
fonte dos desejos passada de moda, completa com um marco de texto e uma manivela. Hanna
piscou duramente, aturdida. Um pequeno formigueiro subiu sobre seus braos. A fonte dos
desejos era inquietamente familiar... e definitivamente no uma coincidncia.
         -- Porque voc desenhou isso?
         Iris se deteve por um momento, vendo-se atrapalhada. Nervosamente colocou o topo de
volta no marcador. O corao de Hanna se acelerou mais e mais rpido. Finalmente, Iris apontou
para o bolso de Hanna.
         -- Sua mochila estava aberta no escritrio hoje. No quis jogar um olho la dentro, mas
essa coisa estava posta justamente no alto. O que  isso?
         Hanna se pegou olhando para seu bolso e deixou escapar um suspiro. Por susposto, ela
havia estado carregando a bandeira de Ali da cpsula do tempo como se fosse o diamante de
sonho, nunca deixando-o fora de vista.
         Tocou o pano com os gomos dos dedos. Bastante certe de que, o desenho da fonte dos
desejos estava no alto, claramente visvel. Junto dela estava um estranho smbolo que Hanna
no pode decifrar, parecia uma letra em um crculo com um corte atravs dele, como um sinal de
No Estacione. Em vez da letra P, havia um manchado I... ou um J. Talvez por Jason.
Nenhum Jason Permitido. Um friozinho ondeou atravs dela. Cada vez que via a bandeira de
                                                70
Ali, sentia como se ela estivesse perto, observando-a. Por um momento, quase pensou que
podia detectar o cheiro fraco de sabo de baunilha favorito de Ali.
         Hanna sentiu os olhos de Iris nela, esperando por uma resposta. No responda, disse
uma voz em sua cabea. Se voc disser a verdade, ela pensar que voc  doida.
         --  para um jogo que fazemos na escola. -- Escutou a si mesma indiferente. -- Estou
guardando para minha amiga, Alison. -- Ela fechou sua mochila e a colocou em baixo do
assento.
         Iris checou seu relgio Movado e gemeu.
         -- Merda. Tenho terapia agora.  to chato. -- Ela descurou as pernas e ficou de p.
         Hanna parou tambm. As duas desceram as escadas, atravs da porta secreta, e
dividiram seus caminhos. Os nervos de Hanna ainda se sentiam nas bordas pelo desenho da
fonte dos desejos. Se sentia como se precisasse de um Valium e deitar. Se somente pudesse
ligar para Mike: Ela adorava escutar sua voz, inclusive seus comentrios lascivos. A regra de
sem chamadas telefnicas que eles tinham neste lugar era muito chata.
         Ela estava removendo a segurana de seu quarto que algum atrs dela tossiu. Tara
estava balanando de cima para baixo, correndo a lngua sobre seu aparelho.
         -- Oh -- O corao de Hanna afundou -- Oi.
         Tara colocou as mos em seus grandes quadris.
         -- Ento, voc e Iris so companheiras de quarto? -- ela balbuciou.
         -- Sim -- Hanna disse em uma voz de duh. Tara tinha estado com Hanna quando Iris a
presenteou. E seus dois nomes estavam escritos na porta com uma brilhante tinta cor de ouro.
         -- Ento, voc sabe sobre ela, certo?
         Hanna girou a segurana e escutou a liberao da fechadura.
         -- O que h para saber?
         Tara empurrou suas mos nos bolsos de seu suter de pelcia com capuz.
         -- Iris com certeza est doida.  por isso que est aqui. Assim que no tenha nada que
a perturbe. Estou te dizendo isso como uma amiga.
         Hanna estudou Tara por um momento. Sua pele ficou quente, depois fria. Ela abriu a
porta de um chicote.
         -- Tara, no somos amigas -- fechou com um golpe a porta na cara de Tara. Uma vez
dentro, sacudiu a tenso para fora de suas mos.
         -- Seu funeral -- escutou Tara dizer atravs da porta. Olhou Tara pela rachadura
enquanto ela se afastava. De repente, Hanna se deu conta do porque tinha rejeitado Tara desde
o princpio. Tara tinha o mesmo corpo redondo e rechonchudo, horrvel aparelho e o cabelo
marrom apagado como Hanna tinha antes de sua mudana na oitava srie. Era como olhar o
seu antigo eu, atrs quando ela era miservel e impopular e perdida. Antes que fosse bela.
Antes que fosse algum.
         Hanna se sentou em sua cama e pressionou seus dedos em seus templos. Se Tara era
em alguma coisa parecida a velha Hanna no interior, era bvio porque ela tinha dito isso sobre
Iris, e porque Hanna no deveria acreditar em nenhuma palavra dessa. Tara estava loucamente,
vorazmente ciumenta, justamente como Hanna tinha estado de Ali. Olhando seu esgotado
reflexo no espelho do outro lado do quarto, ela conjurou a velha frase cativante que Ali usava o
tempo todo, a que Hanna tinha adotado para ela mesma quando Ali desapareceu. Sou Hanna e
sou fabulosa. Seus dias de ser como Tara ficaram para trs.
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                                          17
                       S OUTRA FESTA SELVAGEM DOS KAHN
                                                                        Traduzido por Patryck Pontes
         No momento que Aria e Mike se detiveram na monstruosidade da casa dos Kahn na
sexta  noite, j havia toneladas de carros estacionados na calada e cobre o gramado. A
msica golpeava desde dentro da casa, e Aria escutou salpicar gua da banheira de trs.
         -- Genial -- disse Mike, saltando sobre a porta de passageiros. Em uma piscada, ele
tinha corrida ao redor da casa at o quintal. Aria o fulminou com o olhar. timo para ser um
companheiro.
         Aria desceu do carro e se uniu a um grupo de meninas finas, bonitas da escola Quakker,
fazendo seu caminho at a porta de Noel. Cada menina era mais loira que a ltima. Elas vestiam
um jogo de chapus de pele, talvez custavam mais que toda a roupa de Aria. Se sentia
esfarrapada e estranha AL lado delas com seu vestido-suter verde profundo, botas cinzas e
leggings. As meninas se empurravam na varanda, cada uma tentava desesperadamente ser a
primeira a atravessar a porta, tropeando em Aria, como se ela no estivesse ali.
         Justamente quando Aria estava a ponto de girar e correr de voltar para seu carro, Noel
abriu a porta, vestido com uma simples camisa negra e traje de banho.
         -- Voc veio. -- gritou para Aria e unicamente Aria, ignorando as outras meninas --
Voc est pronta para a banheira de gua quente?
         -- No sei -- Aria respondeu timidamente. No ltimo minuto havia colocado um biquni
em sua bolsa, mas no tinha decidido se ia coloc-lo. Inclusive no sabia o que ela estava
fazendo ali. Isto no era exatamente seu grupo.
         Noel franziu o cenho.
         --  uma festa na piscina. Voc vai entrar.
         Aria riu, tentando relaxar. Mas ento Mason Byers agarrou o brao de Noel e perguntou
onde estava o abridor de garrafas. Naomi Zeigler mudou de tema e disse que uma asquerosa
menina borracha estava vomitando na banheira. Aria suspirou, sem nimo. Era uma festa Tpica
Kahn. O que  que ela esperava? Que s porque ela e Noel tinham compartilhado algo especial
ontem, ele cancelaria sua festa selvagem e no lugar organizaria um evento sofisticado com vinho
e queijo?
         Como se sentisse sua perturbao, Noel olhou por cima de seu ombro para Aria e
levantou um s dedo. Estarei de volta em um segundo, moveu os lbios. Aria vagou mais pra l
da dupla escadaria e os legendrios lees de mrmore que o senhor Kahn tinha adquirido
supostamente da tumba de um fara egpcio. A sua direita estava o salo, repleto de autnticos
O`Keeffes e Jasper Johnses. Ela caminhou dentro da gigantesca cozinha de ao inoxidvel. Os
meninos estavam em todas as partes. Devon Arliss estava misturando bebidas no liquidificador.
Kate Randall desfilava pelo redor da habitao em um escasso biquni de Missoni. Jenna
Cavanaugh estava apoiada na janela, sussurrando para a ex-namorada de Emily em seu ouvido.
         Aria se deteve, se movimentando para trs. Jenna Cavanaugh? Ninguem havia se
preocupado em dizer a Jenna que seu co-guia estava lambendo uma piscina de cerveja no
solo, ou que algum tinha colocado um suti de renda negro ao redor do pescoo de seu
cachorro, os copos acolchoados pairavam como uma gravata borboleta.
         Prontamente, Aria estava desesperada para saber sobre o que Jenna e Jason tinham
estado discutindo em sua casa na semana passada, quando Emily os havia visto pela janela.
Aria tinha sido a melhor amiga de Ali, mas Jenna parecia saber muito mais sobre a famlia de Ali
do que Aria, incluindo os supostos problemas entre irmos de Ali com Jason. Aria deu uma
cotovelada atravs da multido, mas ento mais meninos chegavam a cozinha, bloqueando seu
caminho. No momento que Aria pode ver a janela de novo, Jenna e Maya tinham desaparecido.
         Um grupo de meninos de Rosewood Day, da equipe de natao, se ajuntou atrs de Aria
e agarrou um pouco de cerveja do frigorfico debaixo da mesa. Aria sentiu um puxo no brao.
Quando se virou, ela viu uma menina loira manchada, com a pele sem defeitos e grandes peitos
olhando-a. Ela foi umas das meninas da escola Quakker que tinha estado ao lado de Aria na
varanda.
         -- Voc  Aria Montgomery, certo? -- disse a menina. Aria assentiu com a cabea e a
menina lhe deu um sorriso conhecedor -- Pequena Linda Mentirosa -- cantou ela.
         Uma morena magra em um vestido de seda fcsia a cercou tambm.
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         -- Voc viu Alison hoje? -- brincou -- A v agora? Est de p junto de voc? -- ela
moveu seus dedos em frente de seu rosto estranho
         Aria deu um passo para trs, tropeando na mesa redonda.
         Os deboches continuaram.
         -- Eu vejo gente morta -- disse Mason Byers falsamente, apoiando-se no contador
cerca das estantes do pote.
         -- Ela simplesmente quer ateno -- Naomi Zeigler brincou desde a porta corredia de
vidro. Mas pr l do ptio dos Kahn. O vapor se desprendia da banheira. Aria viu Mike passar
pelo gramado, como o tonto James Freed.
         -- Provavelmente s quer estar nas notcias -- adicionou Riley Wolfe, empoleirado em
um tamborete perto das verduras e do molho.
         -- Isso no  verdade! -- protestou Aria.
         Mais meninos entraram na habitao, olhando Aria da cabea aos ps. Seus olhos
aborrecidos e zombando. Aria olhou da direita para a esquerda, desejando fugir, mas ficou
atrapalhada pela mesa da cozinha, apenas capaz de se mover. Ento, algum a agarrou pelo
pulso esquerdo.
         -- Vamos -- disse Noel. Ele tirou-a atravs da multido.
         Os meninos se apartaram de imediato.
         -- Voc vai correr? -- um menino da equipe de beisebol cujo nome Aria nunca
recordava se gabou.
         -- Voc deveria tir-la daqui. -- Seth Cardiff recomendou.
         -- No, ele no o far, idiota -- a voz de Mason Byers pareceu um rudo. -- Esta festa 
livre de polcia.
         Noel arrastou Aria at o segundo andar.
         -- Sinto muito v ele disse, empurrando-a at um escuro dormitrio que tinha uma
enorme pintura de leo da Sra. Kahn na parede. A habitao cheirava esmagadoramente como
bolas de naftalina. -- Voc no precisa ficar no meio disso.
         Aria se sentou na cama, lgrimas corriam por suas bochechas. O que tinha estado
pensando ao vir aqui? Noel se sentou junto dela, oferecendo a Aria um leno de papel e seu
vaso de gim. Ela negou com a cabea. Na planta baixa, algum subiu a equipe de msica. Uma
menina gritou. Noel descansou seu vaso em seu joelho. Aria olhou seu nariz inclinada, suas
povoadas sobrancelhas, seus longos clios. Se sentia reconfortada, sentada aqui no escuro junto
dele.
         -- No estou fazendo isso para chamar ateno -- ela balbuciou.
         Noel se virou para ela.
         -- Eu sei. As pessoas so idiotas. Eles no tem nada melhor para fazer que fofocar.
         Ela se deixou cair sobre a almofada. Noel se recostou junto dela. Seus dedos
ligeiramente tocando-se. Aria sentiu que seu corao tinha comeado a bater com fora.
         -- Tenho algo que quero te dizer -- disse Noel.
         -- Ah? -- chiou Aria. Sua garganta na hora ficou seca.
         Passou um longo tempo antes de Noel comear a falar de novo. Tremendo de
antecipao, Aria tentou acalmar-se observando o ventilador do teto girar sobre suas cabeas.
         -- Encontrei outro mdium -- Noel finalmente admitiu.
         Todo o ar lentamente foi drenado do corpo de Aria.
         -- Ah.
         -- E esse parece ser muito bom. Ela, igualmente, se converte na pessoa que ests
tentando conectar. Tudo o que precisa  estar no lugar que a pessoa morreu e ento... -- Noel
agitou as mos no ar, indicando uma transformao mgica. -- Mas no temos que fazer se
voc no quiser. Como disse, ir ao cemitrio e s falar realmente tambm ajuda.  pacfico.
         Aria entrelaou suas mos sobre seu ventre.
         -- Mas ir ao cemitrio no vai me dar respostas. No  como se Ali vai falar comigo de
volta.
         -- Est bem -- Noel ps seu copo na mesa, tirou seu telefone celular e se moveu pelos
contatos -- Que tal se ligarmos para a mdium e iremos nos conhecer amanh  noite? Poderia
escolher e poderamos ir juntos ao velho ptio de Ali.
         -- Espera. -- Aria se sentou, a cama gorjeou -- O ptio... de Ali?
         Noel assentiu com a cabea.
         -- Temos que ir onde a pessoa morreu.  assim como trabalha.
         As mos de Aria tremeram e ela se sentia como se a temperatura da habitao tivesse
cado dez graus. A idia de estar sobre o buraco semi-escavado onde Ali tinha sido encontrada
gelava os ossos de Aria. Realmente falar com o fantasma de Ali era to mal?
                                               73
        Contudo, uma sensao perturbadora a remexeu. No fundo, se sentia como se Ali
realmente tivesse algo importante para dizer, e era responsabilidade de Aria escutar.
        -- Est bem -- Aria olhou pela janela para a lua formando uma unha por cima das
rvores. -- Farei. -- Esticou os joelhos, estava sentado com as pernas cruzadas -- Obrigada
por me ajudar com isso. E por me dar uma sada no da baguna l de baixa. E... -- ela suspirou
-- Obrigada por ser to amvel comigo em geral.
        Noel lhe deu um olhar louco.
        -- Porque no iria ser amvel com voc?
        -- Porque... -- Aria se acalmou. Porque te  o Tpico Menino de Rosewood, esteve a
ponto de dizer mas se deteve. Ela realmente no sabia mais o que dizer.
        Ficaram em silncio durante o que pareceram horas. No sendo capaz de suportar a
tenso por mais tempo, ela se inclinou e o beijou. Sua pele cheirava a cloro da banheira e sua
boca tinha gosto de gim. Aria fechou os olhos, esquecendo momentaneamente onde estava.
Quando os abriu, Noel estava ali, sorrindo para ela, como se tivesse estado esperando que o
fizesse h anos.
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                                          18
                           UM ASSUNTO PARA SE ESQUECER
                                                                          Traduzido por Patryck Pontes
         Era sexta feira pela manh, Spencer se sentou em frente a mesa da cozinha, cortando
uma maa sobre uma tigela de aveia. Os trabalhadores do ptio tinham comeado cedo nessa
manh, arrastando mais madeira queimada para fora da floresta e carregando em um recipiente
de lixo verde Dumpster. Um fotgrafo da polcia estava de p perto do barraco, tirando
fotografias com uma cmera digital de alta tecnologia.
         O telefone tocou. Quando Spencer tomou a extenso da cozinha, uma voz de mulher
gritou em seu ouvido.
         --  a Srta. Hastings?
         -- Uh-uh -- Spencer gaguejou, pega de surpresa.
         A mulher falou musicalmente rpido.
         -- Meu nome  Anna Nichols. Sou uma reprter do MSNBC. Voc poderia me falar o
que voc viu na floresta na semana passada?
         Os msculos de Spencer ficaram tensos.
         -- No. Por favor, me deixe em paz.
         -- Voc pode confirmar a informao que voc queria ser o lder do grupo? Talvez sua
frustrao com a Srta. DiLaurentis tirou o pior de voc e de forma acidental... fizeste algo. Isso
ocorre com todo mundo.
         Spencer apertou o telefone com tanta fora, que acabou pressionando acidentalmente
um monto de dgitos. Estes soaram em seu ouvido.
         -- O que voc est insinuando?
         -- Nada, nada! -- A jornalista faz uma pausa para murmurar algo a algum ao seu lado.
Spencer desligou rapidamente o telefone, tremendo. Ela estava to abalada, que a nica coisa
que pode fazer pelos minutos seguintes di olhar os nmeros vermelhos do microondas
piscando atravs da habitao.
         Porque continuava recebendo telefonemas? E porque os jornalistas escavavam ao redor
para ver se ela poderia ter algo a ver com a morte de Ali? Ali era sua melhor amiga. O que
aconteceu com Ian? Os policiais achavam que ele no era culpado? Ou a pessoa que tentou
queim-las no bosque? Como o pblico no se deu conta que ela eram vitimas disso, igualmente
Ali?
         Uma porta se fechou fortemente e Spencer desabou de sua posio contra a parede.
Escutou vozes no quarto da lavanderia e ficou muito quieta, escutando.
         --  melhor voc no dizer nada -- A Sra. Hastings estava dizendo.
         -- Mas, mame. -- Melissa sussurrou de volta. -- Acredito que ela est pronta para
saber.
         A porta abriu e Spencer voltou para a cozinha, fingindo no ter escutado. Sua me
voltava de sua caminhada matinal, segurando ambos cachorros da famlia com um cinto de
diviso. Ento Spencer escutou algo a bater no quarto da lavanderia e olhou Melissa rodar um
lado da casa at o caminho de entrada.
         A Sra. Hastings desenganchou os cachorros e ps a corda na cozinha.
         -- Oi, Spence! -- disse em uma voz muito animada, como se estivesse tentando muito
parecer indiferente e importunada -- Vem ver a bolsa que comprei no shopping ontem  noite. A
linha de primavera de Kate Spade  maravilhosa.
         Spencer no podira responder. Seus membros estremeceram e seu estmago parecia
que estava cortado em fatias.
         -- Mame? -- disse com voz trmula -- Sobre o que voc e Melissa sussurravam?
         A Sra. Hastings virou-se rapidamente at a cafeteira e se serviu de uma xcara.
         -- Oh, nada importante. S coisas da casa da cidade de Melissa.
         O telefone voltou a soar, mas Spencer no fez nenhum movimento para peg-lo. Sua
me olhou o telefone, em seguida para Spencer, mas no contestou. Depois que a secretrio
eletrnica atendeu, tocou o ombro de Spencer.
         -- Voc est bem?
         Toneladas de palavras ficaram presas na garganta de Spencer.
         -- Obridaga, mame. Estou bem.
                                               75
         -- Tem certeza que no quer falar sobre isso? -- Uma linha de preocupao se formou
entre as perfeitas sobrancelhas depiladas da Sra. Hastings.
         Spencer se apartou. Tinha tanta coisa que queria falar com sua me, mas tudo parecia
tabu. Porque seus pais nunca disseram que seu pai e o pai de Ali estudaram juntos no curso de
Direito? Tinha algo a ver com o porque da Sra. Hastings no gostar de Ali? Todo o tempo que a
famlia de Ali viveu aqui, as famlias mantiveram uma distncia fria, comportando-se como
estranhos. Na verdade, no terceiro ano, quando Spencer vertiginosamente anunciou que uma
menina tinha se mudado para a porta ao lado e perguntou se podia ir ali e conhec-la, o pai de
Spencer e tomou pelo brao e disse;
         -- Ns deveramos der um espao. Deix--los instalasse. -- Ento, quando Ali elegeu
Spencer como sua nova amiga, seus pais pareciam... bom, no perturbados, exatamente, mas a
Sra. Hastings no tinha encorajado Spencer a cham-la para jantar, como ela fazia com seus
novos amigos. Nesse momento, Spencer havia pensado que seus pais s estavam ciumentos...
Ela pensava que todo o mundo estava com cimes da ateno de Ali, inclusive os adultos. Mas
aparentemente, a me de Spencer tinha pensado que sua amizade com Ali no era muito
saudvel.
         Ali no devia saber que seus pais foram a Yale juntos, ou bem, se tivesse sabido, sem
dvida teria mudado de assunto. Ela, contudo, fez um monto de comentrios prejudiciais sobre
os pais de Spencer. Meus pais acham que seus pais so to ostentosos. Vocs precisam de
uma adio em sua casa? E at o final de sua amizade, fez a Spencer um monto de perguntas
sobre seu pai, sua voz pingando desdm. Porque teu pai usa essa roupa apertada de gay
quando anda de bicicleta? Porque teu pai chama sua me de "Nana!"? Eww!
         -- Eles nunca convidam meus pais para festas -- disse ali apenas uns dias antes de
desaparecer. Pelas coisas que estavam acontecendo entre elas, Ali no podia ter planejado e
Spencer tambm no.
         Spencer queria perguntar a sua me porque as famlias pretendiam no se conhecer.
Voc acha que isso  uma loucura? A mensagem de A dizia. Agora copie outra vez o disco
rgido de seu pai... comeando pela letra J.
         Suas mos comearam a tremer. Mas se fosse lixo de A? As coisas finalmente iam bem
com sua me. Andrew tinha razo. Porque tirar concluses precipitadas antes que ela tivesse
toda a informao?
         -- J volto -- murmurou para sua me.
         -- Est bem, mas volte logo para que eu possa te mostrar o que comprei -- A Sra.
Hastings gorjeou.
         O segundo andar cheirava a Fantastik e sabo de lavanda. Spencer empurrou aporta de
seu dormitrio e acendeu seu novo MacBook Pro, que seus pais acabaram de comprar; seu
velho computador estava morto a uma semana e o que Melissa emprestou tinha sido destrudo
pelo fogo. Em seguida inseriu o CD que estava com o disco rgido... Em segredo tinha copiado o
disco rgido para averiguar se era ou no adotada. O computador emitiu um som e zumbiu.
         Pela janela o cu da manha era de um cinza fosco. Spencer s podia ver a ponta do
moinho de vento carbonizado e coberto de runas. Virou seu olhar para frente da casa. Os
caminhes de encanamento se encontravam fora da casa dos Cavanaugh outra vez. Um cabelo
loiro fino que levava um traje sujo e destemido caminhou para a porta dos Cavanaugh e acendeu
umcigarro. Jenna Cavanaugh estava saindo da casa no mesmo momento. O encanador olhou
para Jenna enquanto ela e seu co-guia lentamente se dirigiam at o Lexua da Sra. Cavanaugh.
Enquanto ele friccionava seu lbio, Spencer percebeu que tinha um dente dianteiro de ouro.
         Seu computador apitou e Spencer voltou-se para a tela. O CD carregou. Fez um clic na
pasta marcada como Papai. Efetivamente, tinha uma pasta chamada J. Dentro havia dois
documentos de Word sem ttulo.
         A cadeira rachou enquanto se sentava de novo. Realmente precisava abrir isso?
Realmente precisava saber?
         No andar inferior, escutou o liquidificador KitchenAid comear a girar. Uma sirene uivou.
Spencer massageou suas tmporas. Mas, o que acontece se o segredo tiver algo a ver com Ali?
         A tentao era muito grande e Spencer fez clic no primeiro arquivo. Abriu rapidamente e
Spencer se inclinou para frente, demasiada ansiosa para tomar uma respirao completa.
Querida Jssica, lamento os assuntos que nos interromperam na sua casa essa noite.
Posso dar-te todo o tempo que precisares, mas no posso esperar para estar a ss
contigo outra vez.
Com amor, Peter.
                                               76
       Spencer se sentiu mal. Jssica? Porque seu pai escreveria a algum de nome Jssica,
dizendo-lhe que queria estar com ela?
       Ela fez clic no documento seguinte. Era outra carta.
Querida Jssica,
Pela nossa conversa, acho que posso te ajudar. Por favor toma isso.
Beijos, Peter.
         Na continuao havia uma imagem de tela de uma transferncia bancria. Uma fila de
zeros nadou diante dos olhos de Spencer. Era uma enorme soma, muito mais do que havia na
conta da poupana universitria de Spencer. Ento manchou os nomes de conta no canto
inferior do documento. A transao tinha chegado de uma linha de crdito pertencente a Peter
Hatings, e que havia entrado em uma conta chamada Recuperao do Fundo de Alison
DiLaurentis. O beneficirio do fundo era Jessica DiLaurentis.
         Jessica DiLaurentis. Supostamente. A me de Ali
         Spencer ficou olhando a tela durante muito tempo. Querida Jssica. Muito amor. Beijos.
Todo esse dinheiro. Recuperao do Fundo de Alison DiLaurentis. Folheou a primeira carta de
novo. Lamento os assuntos que nos interromperam na tua casa essa noite. No posso esperar
para estar a ss contigo outra vez. Fez um clic direito no documento para comprovar quando foi
modificado pela ltima vez. A data de leitura: 20 de junho, trs anos e meio atrs.
         -- Que diabos? -- sussurrou.
         Havia muita coisa sobre esse vero pegajoso e terrvel que Spencer tinha tentado
duramente esquecer, mas sempre, sempre recordaria o 20 de Junho pelo resto de sua vida. Foi
o dia que terminou o stimo ano. A noite da sua festa de pijamas do stimo ano.
         A noite que Ali morreu.
                                              77
                                          19
                           OS SEGREDOS NO PERMANECEM
                           ENTERRADOS POR MUITO TEMPO
                                                                          Traduzido por Patryck Pontes
         Lucy dobrou a ltima esquina da savana superior debaixo do colcho da cama e se
endereou.
         -- Pronta para ir? -- perguntou.
         -- Sim -- disse Emily tristemente. Era a manh de sexta feira e estava a ponto de ir para
seu nibus de volta para Rosewood. Lucy ia caminhar com Emily at a estrada, no a estao
de nibus. Apesar de que era aceitvel para a gente Amish viajar de nibus, Emily no queria
que Lucy soubesse que ia a Filadlfia e no Ohio, de onde ela era. Depois de tudo o que Lucy
tinha lhe contado, Emily no quis admitir que ela no era realmente Amish. Por outro lado, parte
dela se perguntou se Lucy j no tinha adivinhado e s no perguntava. Talvez era melhor
abordar o assunto em absoluto.
         Emily olhou a casa pela ltima vez. J havia dito adeus aos pais de Lucy, que
perguntaram se no podia ficar mais um dia para o casamento. Ela tinha acariciado as vacas e
os cavalos pela ltima vez, dando-se conta de que os iria estranhar. Sentiria falta de outras
coisas daqui tambm... as noites calmas, o odor de queijo recm feito, os mugidos das vacas ao
acaso. E todo o mundo nessa comunidade sorria e a saudava, apesar de ser uma estranha. Isso
no acontecia em Rosewood.
         Emily e Lucy empurraram a porta, tremendo de repente pelo frio. O odor de po recm
cozido estava no ar, tudo para a celebrao de casamento que aconteceria na manh seguinte.
Parecia que todas as famlias Amish na comunidade se preparava para o casamento. Os
homens estavam escovando os cavalos para a procisso. As mulheres colocavam flores na
porta da famlia de Mary, e os obedientes meninos Amish estavam limpando o lixo da granja.
         Lucy silvou entre os dentes, com os braos balanando livremente pelos lados. Desde
sua conversa sobre Leah, Lucy se sentia muito mais solta, como se uma mochila de camping
enorme tivesse sado de seus ombros. Emily, em troca, se sentia pesada e dbil, como se a
esperana que Ali estivesse viva tivesse retido sua energia durante todo esse tempo.
         Passaram perto da igreja, um edifcio baixo, indescritvel, sem nenhum smbolo religioso.
Uns poucos cavalos estavam atados a postes, seu sopro visvel no ar glido. O cemitrio se
encontrava na parte posterior da igreja, modo por uma porta de ferro forjado. Ento Lucy se
deteve, considerando:
         -- Voc se importa se pararmos aqui durante um segundo? -- brincou nervosamente
com suas luvas de l. -- Acho que quero ver Leah.
         Emily olhou seu relgio. Seu nibus no iria chegar dentro de uma hora.
         -- Claro.
         A porta chirriou quando Lucy a abriu. Seus sapatos rachavam contra o pasto seco.
Alinhadas haviam tumbas cinzas, tumbas para bebs, para ancios, e uma famlia inteira
chamada Stevenson. Emily fechou os olhos, tentando fazer com que a realidade a penetrasse.
Todas essas pessoas estavam mortas... e Ali tambm.
         Ali est morta. Emily tentou deixar que isso a penetrasse. No pensava na parte horrvel
da morte de Ali, como seu corao batendo pela ltima vez, enchendo seus pulmes com sua
ltima respirao, seus ossos  p. Pelo contrario, pensava na emocionante Ali aps a morte.
Esta provavelmente estava cheia de belas praias, dias perfeitos, sem nuvens, o coquetel de
camares e a torta Red Velvet, as comidas favoritas de Ali. Cada homem ali havia namorado ela,
e cada menina queria ser ela, inclusive a princesa Diana e Audrey Hepburn. Todavia era a
fabulosa Alison DiLaurentis, governando o cu justamente como governou a terra.
         -- Te estranho tanto, Ali. -- Emily permaneceu em silncio, o vento levando as palavras.
Tomou algumas respiraes profundas, esperando ver se se sentia diferente, tudo mais limpo.
Mas seu corao ainda vibrava e sua cabea continuou doendo. Se sentia como se uma parte
vital, uma parte especial dela tivesse sido arrancada.
         Abriu os olhou e viu Lucy olhando-a desde algumas filas mais pra l.
         -- Tudo bem?
         Emily lutou para assentir, dando um passo em torno das lpidas torcidas. As ervas secas
salientes ao acaso em torno a muitas destas.
                                               78
         -- Essa  a tumba de Leah?
         -- Sim -- disse Lucy, passando os dedos pela parte superior da pedra.
         Emily se aproximou e olhou algo abaixo. A lpide de Leah era de mrmore cinza, a
descrio dizia: Leah Zook. Emily piscou antes da data da pedra. Leah morreu no dia 19 de
Junho, h quase quatro anos. Ali tinha desaparecido no dia seguinte, 20 de Junho.
         Ento Emily notou uma estrela de oito pontas sobre o nome de Leah. Uma fasca se
acendeu em seu crebro, onde havia visto esse modelo recentemente.
         -- O que  isso? -- disse e apontou para a estrela.
         O rosto de Lucy ficou sombrio.
         -- Meus pais realmente a queriam nessa lpide.  o smbolo de nossa comunidade. Mas
eu no queria ai. Me lembra dele.
         Um corvo aterrissou em uma das lpides, batendo suas asas negras como a tinta. O
vento soprava, balanando as dobradias da porta do cemitrio.
         -- Quem  ele? -- perguntou Emily.
         Lucy olhou para longe, para uma rvore magra e solitria, no centro do campo.
         -- O noivo de Leah.
         -- Com o que... o que voc brigava? -- Emily balbuciou. O corvo alou vo da rvore e
foi para longe -- Que voc no gostava?
         Lucy assentiu com tristeza.
         -- Quando ele se foi para a rumspringa, fez uma tatuagem dessa no brao.
         Emily olhou fixamente para a lpide, um pensamento horrvel congelou sua mente.
Voltou a olhar a data na lpide de Leah. 19 de Junho. O dia antes de Ali desaparecer, o mesmo
ano.
         Prontamente, uma recordao implantou-se em sua frente, exato e claro, de um homem
sentado em uma habitao do hospital, com a camisa enrolada at os cotovelos, as luzes sobre
sua cabea brilhantes e quentes. Tinha essa tatuagem de estrela, negro e evidente no interior de
seu pulso. Havia uma conexo aqui. Havia uma razo para A ter mandado Emily para Lancaster.
Porque algum tinha estado ali antes dela. Algum que ela conhecia.
         Levantou os olhos para Lucy e a agarrou pelos ombros.
         -- Qual era o nome do noivo da sua irm? -- perguntou com urgncia.
         Lucy respirou fundo, para reunir a fora necessrio para dizer um nome que no havia se
atrevido dizer em muito, muito tempo.
         -- Seu nome era Darren Wilden.
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                                          20
                                 CAMPO MINADO, FEITO
                                                                        Traduzido por Patryck Pontes
         Hanna se olhou no espelho do banheiro, manchando outra capa de brilho labial Bliss e
afofando seu cabelo castanho avermelhado com uma escova redonda. Depois de um momento,
Iris apareceu a seu lado, e deu a Hanna um sorriso.
         -- Ouve, cachorra -- disse.
         -- Que, ho? -- respondeu Hanna. Isto havia se transformado em sua rotina pela manh.
         Apesar de terem ficado acordadas quase toda a noite, escrevendo cartas de amor para
Mike e Oliver, o noivo de Iris em casa, e selecionando a parte os corpos das estrelas nas
pginas da People, nenhuma delas parecia muito destruda. Como de costume, o plido cabelo
loiro de Iris estava suspenso em ondas perfeitas nas costas. Os clios de Hanna pareciam extra
longos graas a mscara de Dior que havia pegado na maquiagem de Iris. O fato de ser Sexta
de Terapia de Grupo no significava que teriam que parecer patticas grosseiras.
         A medida que saiam de sua habitao, Tara, Ruby e Alexis as seguiram, evidentemente
espiando.
         -- Hey, Hanna, posso falar com voc por um minuto? -- sorriu Tara tontamente.
         Iris se virou.
         -- Ela no quer falar com voc.
         -- Hanna no pode falar por si mesma? -- exigiu Tara -- Ou lavasse o crebro dela
tambm?
         Haviam chegado aos assentos junto da janela que davam para os jardins detrs da
instalao. Se sentou junto dos assentos da janela, a poucas caixas cor de rosa com desenhos
de Kleenes, ao perecer, se tratava de um excelente lugar para meninas para sentar-se e chorar.
Hanna zombou de Tara, que obviamente era um exame de cimes e repulso e estava tentando
colocar Hanna e Iris uma contra a outra. No que Hanna acreditava em uma palavra dessas.
Ohh, por favor!
         -- Estamos tentando manter uma conversa privada -- espetou Hanna -- No so
permitidas estranhas.
         -- Voc no pode se livrar da gente to facilmente -- Tara cuspiu -- Temos terapia
grupal tambm hoje.
         A sala da terapia grupal era justamente atravs de uma porta de carvalho de grande
tamanho. Hanna ps os revirou os olhos e deu a volta. Por desgraa, Tara estava certa, todas as
meninas no andar teriam terapia grupal hoje.
         Hanna no entendia terapia grupal totalmente. Particularmente, ela podia manejar uma
terapia por vez, ela se reuniu seu terapeuta, o Dr. Foster, mais uma vez ontem, mas tudo o que
havia falado era sobre o tratamento facial que a reserva oferece, como havia comeado a sair
com Mike Montgomery antes de vir para aqui, e os benefcios de sua amizade com Iris. Ela no
tinha mencionado Mona ou A nenhuma vez, e no havia maneira de falar seus segredos para
Tara e sua gangue de trols.
         Iris olhou, notando a expresso sombria de Hanna.
         -- A terapia no tem nada de mais -- assegurou --  s se sentar ali e encolher os
ombros. Ou dizes que tem seu perodos e no tens vontade de falar.
         Dr. Roderick ou Dra. Felicia, como todos chamavam, era brilhante, alegre e turbilho de
mulher a cargo da terapia grupal. Agora ela assomou a cabea ao corredor e sorriu amplamente.
         -- Entrem, entrem -- gorjeou ela.
         As meninas entraram. Cadeiras de couro Cushy e otomanas estavam dispostas em um
crculo no centro da habitao. Uma pequena fonte gaguejava afastado, no canto e havia uma
linha completa de guas engarrafadas e refrescos em um aparador de mogno. Havis mais caixas
de Kleenes nas mesas e uma bandeja grande, aproximou-se da porta, em uma malha estavam
uns talharins de espuma que Hanna, Ali e as outras usavam para jogar na piscina de Spencer.
Um grupo de bongs, flautas de madeira, e tamborins estavam empilhados nas prateleiras no
canto. Iam formar uma banda?
         Depois que todas as meninas se sentaram, a Dra. Felicia fechou a porta e se sentou
tambm.
                                              80
        -- Ento... -- disse, abrindo um enorme planejador dirio encadernado em couro --
Hoje, depois de falar sobre como nossas semanas tem sido, vamos jogar Campo Minado.
        Todo mundo fez grunhidos e gemidos diferentes. Hanna olhou para Iris.
        -- O que  isso?
        --  um exerccio de confiana -- explicou Iris, revirando os olhos -- Ela espalha as
coisas pela habitao, e se supe que representam as bombas e as minas terrestres. Uma
pessoa com os olhos vendados  levada por seu companheiro ao redor das minas para no se
machucar.
        Hanna deu um sorriso. Era por isso que seu pai estava pagando mil dlares por dia?
        A Dra. Felicia deu umas palmadas para chamar a ateno de todos.
        -- Bom, vamos falar como estamos fazendo. Quem quer comear?
        Ningum falava. Hanna riscou a perna, sua mente se perguntava se ia receber uma
manicure francesa hoje ou um tratamento de leo quente de cabelo. Na habitao, uma esbelta,
de cabelo moreno chamada Paige, mordeu as unhas.
        A Dra. Felicia colocou suas mos ao redor de seu colo, com um suspiro cansado. Ento
seu olhar cruzou com Hanna.
        -- Hanna -- gorjeou -- Bem vinda ao grupo. Todo o mundo: essa  a primeira vez de
Hanna aqui. Vamos todos fazer com que se sinta segura e aceita.
        Hanna curvou seus dedos no interior de suas negras botas de Proenza Schouler ao
tornozelo.
        -- Obrigada -- murmurou em seu peito. A fonte espumante rugia em seus ouvidos. Em
certo modo tinha que fazer xixi.
        -- Voc gosta daqui? -- A Dra. Felicia balanou a voz de cima para baixo. Ela era uma
dessas pessoas que nunca piscavam, mas sempre sorriam. A fazia parecer uma animadora
louca em Ritalin.
        --  fantstico -- disse Hanna -- Realmente, um, divertido at agora.
        A mdica franziu o cenho.
        -- Bom, a diverso  boa, mas, tem algo que voc gostaria de discutir com o grupo?
        -- No -- espetou Hanna.
        A Dra. Felicia franziu os lbios, olhando decepcionada.
        -- Hanna  minha companheira de quarto e ela parece estar bem. -- saltou Iris -- Ela e
eu falamos sobre muita coisa. Acredito que esse lugar est fazendo maravilhas com ela. Quero
dizer, pelo menos ela no arranca cabelos como Ruby.
        Nesse momento, todos se voltaram para Ruby, quem de feito estava agarrando o cabelo
mdio numa puxada. Hanna disparou a Iris um sorriso agradecido, apreciando que tenha
desviado a ateno de Felicia para outro lugar.
        Mas depois que a Dra. Felicia fez algumas perguntas para Ruby, virou-se para Hanna.
        -- Por tanto, Hanna, gostaria que voc dissesse porque est aqui. Te surpreenderia
muito que falar ajuda.
        Hanna sacudiu o p. Talvez se ficasse sentada aqui em silncio durante o tempo
suficiente, Felicia se moveria para outra pessoa. Ento ouviu algum na sala suspirar.
        -- Hanna  normal, com problemas comuns e correntes -- disse Tara em um tom alto de
voz cortante. Seu pai no a quer mais, mas ela esta tentando no pensar nisso. E, oh, ela tinha
uma ex-melhor amiga cachorra. Bla, bla, bla, nada que valha a pena falar.
        Satisfeita, Tara se inclinou para trs, cruzou os braos sobre o peito e lhe disparou um
olhar que dizia: Voc pediu.
        Iris cheirou.
        -- Wow, Tara, bom para voc. Voc ouviu. Voc tem orelhas. E que pequenas e feias
orelhas de ratas tem!
        -- Veja! -- advertiu a Dra. Felcia.
        Hanna no queria dar satisfao para Tara, mas a medida que revisou as palavras de
Tara, o sangue desapareceu de seu rosto. Algo que Tara acabara de dizer estava muito, muito
errada.
        -- Co-como sabia de minha melhor amiga? -- balbuciou ela. O rosto de Mona nadou em
sua mente, seus olhos ardentes de ira enquanto ela pisava no acelerador a fundo de sua SUV.
        Tara piscou, tomada pela surpresa.
        --  bvio -- saltou Iris acidamente -- Ela manteve a orelha pregada na porta a noite
toda.
        O corao de Hanna batia mais e mais rpido. Um caminho de sal rugiu do lado de
fora. O som da lmina da p raspando contra o pavimento a fez estremecer. Olha olhou para Iris.
        -- Mas eu nunca lhe disse nada a respeito de minha ex-melhor amiga. Voc se lembra
de eu falando algo sobre ela?
                                              81
         Iris coou o queixo.
         -- Bom, no. Mas eu estava cansada, ento posso ter dormido nesse momento.
         Hanna passou a mo pela frente. Que demnios estava acontecendo? Ela tinha tomado
uma dose extra de Valium ontem pela noite para ajudar a dormir; havia dito abruptamente as
coisas sobre Mona? Sua mente estava como um tnel escuro, sem fim.
         -- Talvez no quisesse falar sobre essa amiga, Hanna. -- interrompeu a Dra. Felicia. Ela
se ps de p e se aproximou das janelas. -- Mas as vezes nossas mentes e corpos tem uma
maneira de empurrar para fora nossos problemas apesar de tudo.
         Hanna a fulminou com o olhar.
         -- Eu no liberei meus problemas para fora. No tenho sndrome de Tourette. No sou
uma idiota.
         -- No  preciso se exaltar. -- disse a Dra. Felicia suavemente.
         -- Eu no estou exaltada -- Hanna rugiu, sua voz ressoava nas paredes. Felicia deu um
passo para trs, seus olhos redondos. Uma onda de tenso se estendeu pelas outras meninas.
Megan tossiu, Psicose, na mo. Pinos de dana bailaram na pele de Hanna.
         A Dra. Felicia voltou para sua cadeira e folheou as pginas de seu caderno.
         -- Bom. Vamos continuar. -- Ela se voltou a uma pgina em seu caderno. -- Uh... Gina.
Tens falar com sua me essa semana? Como ficou isso?
         Mas enquanto a Dra. Felicia perguntava as outras meninas acerca de como tinha sido
sua semana, a mente de Hanna no se acalmava. Foi como se tivesse uma pequena ficha em
seu crebro que necessitava desesperadamente ser despejada. Quando fechou os olhos, ela
estava no estacionamento de Rosewood Day de novo, o carro de Mona disparava at ela. No!
Ela gritou para si mesma. Ela no podia ir por esse caminho,no aqui, nunca mais. Se obrigou a
abrir os olhos. Os talharins de diverso no canto estavam nebulosos e estirados, como se
estivesse olhando atravs de um espelho do parque de diverses.
         Incapaz de agentar mais, Hanna apontou com um dedo trmulo para Tara.
         -- Tem que me dizer como soube de Mona.
         Todos ficaram em silncio. Tara enrugou a testa.
         -- Perdo?
         -- A te disse sobre ela? -- perguntou Hanna.
         Tara negou com a cabea lentamente.
         -- A? Quem?
         A Dra. Felicia se levantou, cruzou a habitao e tocou o brao de Hanna.
         -- Pareces confusa, querida. Talvez deveria voltar para o seu quarto e descansar.
         Mas Hanna no se moveu. Tara a olhou fixamente por um rato, continuando, revirou os
olhos e encolheu os ombros.
         -- No tenho idia de quem  Mona. Pensei que a tua melhor amiga cachorra fosse
Alison.
         A garganta de Hanna se fechou. Ela afundou em seu assento.
         Iris se animou.
         -- Alison? No  a menina dona da bandeira que est com voc? Porque ela  uma ex-
melhor amiga?
         Hanna apenas a ouviu. Ela olhou para Tara.
         -- Como voc sabe sobre Alison?
         Relutante, Tara buscou em sua bolsa de lona suja.
         -- Por causa disso. -- Ela jogou uma cpia da revista People que Hanna nunca havia
visto antes, atravs do quarto. Deslizou at parar junto da cadeira de Hanna. -- Eu ia te dizer
isso antes da terapia grupal. Mas eras muito legal falando comigo.
         Hanna pegou a revista e a abriu em uma pgina marcada. Salpicado por toda a extenso
o ttulo era: Uma semana de segredos e mentiras. Embaixo havia uma foto de Hanna, Spencer,
Aria e Emily correndo do incndio da floresta. A legenda dizia: As Pretty Little Liars, seguido por
cada um de seus nomes.
         -- Oh, Deus meu -- sussurrou Hanna.
         Ento se deu conta de um quadro e um grfico na parte inferir direita. AS PRETTY
LITTLE LIARS MATARAM ALYSON DILAURENTIS? Tinham perguntado a uma centena de
pessoas na Times Square. Quase todo o grfico do bolo, 92%, era de cor prpura para Sim.
         -- Gostei do apelido, certamente. -- sorriu Tara, cruzando as pernas. -- Pretty Little
Liars.  to lindo.
         Todo o mundo se ps ao redor da cadeira de Hanna para ler. Ela se sentia impotente
para det-los. Ruby ficou sem ar. Uma paciente chamada Julie agarrou a lngua. E Iris, com, Iris
olhou horrorizada e chateada. Todas as opinies sobre Hanna estavam sendo alteradas
                                                82
instantaneamente. A partir de agora, ela seria a sociopata que todos pensavam que matou a sua
melhor amiga h quatro anos.
        A Dra. Felicia pegou a revista do colo de Hanna.
        -- Onde voc conseguiu isso? -- repreendeu Tara -- Voc sabe que as revistas no so
permitidas?
        Tara se encolheu, tmida e envergonhada, agora que ela estava com problemas.
        -- Iris sempre ostentou que ela conseguia as primeira edies da revista sorrateiramente
-- murmurou, puxando a abertura de sua garrafa de gua. -- Eu s queria uma cpia para mim
mesma.
        Iris se ps de p, quase golpeando mais de uma lmpada de p cromado ao seu lado.
Ela se aproximou de Tara.
        -- Eu tinha esse nmero na minha sala, puta! Eu nem sequer a tinha lido! Voc revirou
as minhas coisas.
        -- Iris -- aplaudiu a Dra. Felicia com suas mos, tentando recuperar o controle. Uma
enfermeira assomou atravs do pequeno painel lateral na porta da terapia grupal, provavelmente
tentando decidir se deveria ou no ajudar a Dra. Felicia -- Iris, voc sabe que seu quarto est
fechado. Nenhum paciente pode entrar.
        -- No estava em seu dormitrio -- exclamou Tara. Ela apontou para o corredor --
Estava no assento da janela perto do lobby.
        -- Isso  impossvel -- Iris gritou, girando ao redor e enfrentando a Dra. Felicia de novo.
Seus olhos rodaram da revista at o punho da Dra. Felicia para enfrentar a afligida cara de
Hanna -- E voc. Voc tentou parecer muito legal, Hanna. Mas ests to mal como todo mundo
aqui.
        -- Pequena mentirosa -- uma menina da habitao brincou.
        Um grande n formou-se na garganta de Hanna. Agora todos os olhos estavam postos
nela. Queria levantar-se e sair correndo da habitao, mas se sentia como se tivesse sido
costurada no assento.
        -- No sou uma mentirosa -- disse em voz baixa.
        Iris bufou, olhando Hanna de cima para baixo com desprezo, como se em Hanna tivesse
brotado uma erupo de espinhas no rosto e nos braos.
        -- Que seja.
        -- Meninas, parem! -- a Dra. Felicia puxou a manga de Iris. -- E Iris e Tara, ambas
romperam as regras e esto com problemas. -- Ela meteu a revista em seu bolso traseiro da
cala, e levou Tara de maneira firma, agarrou o brao de Iris, e dirigiu as meninas para fora da
porta. Antes de ir, Tara deu a volta e disparou para Hanna um sorriso desdenhoso.
        -- Iris -- suplicou Hanna indo atrs dela -- no  o que voc pensa!
        Iris se voltou na porta, olhando Hanna inexpressivamente, como se fosse uma estranha.
        -- Sinto muito, mas no falo com malucas -- E ento ela deu a volta e seguiu Felicia
pelo corredor, deixando Hanna para trs.
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                                       A VERDADE DI
                                                                          Traduzido por Patryck Pontes
         Um Greyhound grande soou no estacionamento da estao de nibus de Lancaster, seu
destino final, Filadlfia, estava estampado sobre o pra-brisa. Emily provisoriamente subiu a
bordo, respirando o odor de estofamento novo e banheiro limpo. Apesar de ter passado uma dias
com Lucy e sua famlia, o nibus parecia chocantemente moderno, quase monstruoso.
         Emily apenas disse algumas palavras a Lucy depois que Lucy admitiu que Wilden havia
sido o antigo noivo de sua irm morta. Lucy tinha perguntado em vrias ocasies se ela se sentia
mal, mas Emily dizia que estava bem, s cansada. O que poderia dizer? Eu conheo o antigo
noivo da sua irm. Acredito que ele realmente poderia ter matado Leah. Tem um buraco na parte
posterior do ptio de algum onde poderia ter sido enterrada.
         Seu crebro havia estado a velocidade da luz desde ento, dando voltas em sua
memria atrs da recordao daquele tempo terrvel. O dia depois em que Ali desvaneceu,
depois de sua conversa com a Sra. DiLaurentis, Emily e suas amigas tinham se dirigido para
direes opostas. Emily havia passado ao lado do grande buraco onde tinham encontrado o
corpo.
         Ela se lembrou que os trabalhadores encheram o buraco com concreto nesse mesmo
dia. Todos os veculos estavam ao longo da calada junto ao gramado dos DiLaurentis. Havia
um no final que ela tinha escutado durando um ou dois segundos, perguntando-se onde havia
visto antes. Era um sedan negro velho, que parecia tirado de um filme dos anos sessenta ou
setenta. Era o mesmo carro que chegou retardando duro at o Primrio de Rosewood Day, o dia
em que Ali falou diante de todos que iria encontrar um pedao da bandeira da Cpsula do
Tempo. Depois de sua briga com Ian, Jason DiLaurentis abriu a porta do passageiro desse carro
e jogou no interior. Era o mesmo carro que esperava fora da casa dos DiLaurentis no dia que
Emily e as demais tentaram roubar a bandeira de Ali. E aqui estava em sua memria de novo,
passeando na casa dos DiLaurentis, o dia em que o concreto cobriu aquele corpo durante trs
longos anos. Esse carro pertencia a Darren Wilden.
         O nibus se afastou uns minutos mais tarde, os campos verdes de Lancaster
desaparecendo atrs deles.  haviam outros quatro passageiros, portanto Emily tinha uma fila
particular. Encontrou uma tomada perto dos ps, se inclinou para baixo, conectando seu telefone
celular, e o ligou. A tela brilhou com a vida.
         Emily tinha que fazer algo com o que tinha descoberto, mas o que? Se ligasse para
Spencer, Hanna ou Aria, elas diriam que estava louca por achar que Ali estava viva e por seguir
as instrues de A para ir com os Amish. No podia falar com seus pais, j que pensavam que
estava em Boston. E ela no podia falar com a polcia, Wilden era a polcia.
         Era incrvel que Wilden tivesse sido um Amish. Emily sabia muito pouco sobre sua vida,
s que havia sido um rebelde em Rosewood Day, mas em seguida havia se reinventado com a
polcia.  provvel que no tivesse que se esforar muito para saber quando Wilden tinha sado
da comunidade e comeado na escola de Rosewood Day, contudo, e quando ele falou com
Emily e as demais no hospital, havia mencionado que tinha vivido com seu tio na escola
secundria. De acordo com Lucy, Wilden havia convencido Leah, a irm de Lucy, de sair da
comunidade. Talvez quando ela negou, ele estava cansado... e fez planos para acabar com ela
para sempre.
         Wilden poderia ter falado com Ali sobre seus sonhos secretos de fugir desde que ele e
Jason eram amigos. Wilden poderia inclusive ter prometido ajud-la a escapar para sempre, as
escondidas para fora de Rosewood na noite que desapareceu. Deixou um corpo no buraco do
ptio dos DiLaurentis, fazendo parecer que Ali tinha sido assassinada. Mas o corpo do buraco
no pertencia a Ali. Pertencia a menina que rompeu o corao de Wilden.
         Horrivelmente, todo embutido. Explicava porque Leah nunca havia sido encontrada.
Explicava porque Ali se apresentou na floresta no sbado passado e porque Wilden estava
dissuadindo a polcia de investigar a possibilidade de que Ali estivesse viva, sem se dar conta de
que no era seu corpo naquele buraco, teriam que averiguar quem eram.  por isso que Wilden
no acreditava em A e no comprava que Ian sabia um segredo sobre o que tinha acontecido
essa noite. A estava certa, havia um segredo. Mas no se tratava da morte de Ali. Se tratava de
quem havia sido assassinada no lugar de Ali.
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        Emily ficou olhando o grafite que algum tinha desenhado na parede do nibus, abaixo
da janela. MIMI AMA CHRISTOPHER. TINA TEM UM C GRANDE. Havia includo um esboo
de duas bochechas de bunda a seu lado. Ali estava por ai, em alguma parte, tal como ela
sempre soube. Mas, onde havia estado todo esse tempo? Parecia pouco provvel que uma
estudante de stimo ano pudesse sobreviver por sua conta. Ou talvez havia conhecido algum
que a tinha acolhido. Porque no se ps em contato com Emily para dizer que estava bem? Ou
talvez ela no queria manter contato com ningum. Talvez ela havia decidido se esquecer de
toda sua vida em Rosewood, inclusive suas quatro melhores amigas.
        O telefone de Emily soou, apitando trs textos no livros. Se moveu atravs de sua
bandeja de entrada. Dois eram de sua irm Caroline, ambas linhas do assunto diziam:
        Levantamento de pessoas. Aria havia enviado um texto tambm, sua linha de assunto
dizia: Temos que conversar.
        Uma anci da parte dianteira do nibus tossiu. O nibus rodou mais para l de uma
granja, e a cabine temporalmente cheirava a estrume. Emily moveu o cursor de texto para texto,
tentando decidir qual ler primeiro. Nesse momento, seu telefone soou de novo, nessa vez com
um texto de um nmero desconhecido. Seu pulso se acelerou. Esse tinha que ser de A. E por
uma vez, Emily no podia esperar para saber o que A tinha a dizer. Apertou para ler
imediatamente.
        Era um texto de fotos. A imagem era de um monto de papis borrados jogados na
mesa. O documento estava titulado na parte superior como DESAPARECIMENTO DE ALISON
DILAURENTIS: Linha do tempo. O papel debaixo dele dizia: ENTREVISTA, JESSICA
DILAURENTIS, 21 de junho, 22:30. Outro documento tinha uma crista de algo chamado de a
Reserva de Addison Stevens, com o apelido DiLaurentis. Um selo vermelho estava em cada um
dos documentos de exclusiva propriedade de Rosewood DEPARTAMENTO DE POLCIA.
EVIDNCIA. NO REMOVER.
        Emily ficou sem ar.
        Ento, se deu conta de uma pea final de papal assomada desde abaixo das demais.
Emily olhou at que doessem os olhos. RELATRIO DE DNA, dizia. Mas Emily no podia ler os
resultados.
        -- No -- Emily gemeu, sentindo como se estivesse a ponto de explodir. Em seguida,
quando o nibus deu um salto chocante, se deu conta de que uma nota acompanhava a foto.
Quer ver por si mesma? As provas esto em toda parte traseira da
delegacia de Rosewood. Vou deixar a porta aberta. A.
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                             ALI RETORNA... OU ALGO ASSIM.
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         Sexta, aps a escola, Noel pegou Aria na casa de Byron. Quando entrou no carro, se
inclinou e lhe deu um pequeno beijo na bochecha. Apesar das borboletas que estavam o
revestimento interno do estmago de Aria, sentiu um estremecimento passar por sua coluna
vertebral.
         Serpentearam pelas ruas de vrios bairros, passando pelas velhas granjas e o campo de
jogos do municpio que todavia tinha um par de rvores de natal descartador na parte mais
afastada do estacionamento. Nem Aria nem Noel falavam, o silncio estava cmodo em vez de
embaraoso. Aria estava agradecido de no ter que lutar por uma pequena conversa.
         O telefone de Aria soou justamente quando estavam dobrando a antiga rua de Ali.
Nmero desconhecido, dizia a tela. Aria respondeu.
         -- Srta. Montgomery? -- disse alegremente uma voz -- Sou Bethany Richards de Us
Weekl!y!
         -- Sinto muito, no estou interessada -- disse rapidamente Aria, maldizendo-se por
contestar.
         Esteve a ponto de desligar o telefone quando a jornalista suspirou bruscamente.
         -- S queria saber se tinha uma resposta para o artigo da People.
         -- Que artigo da People? -- disse de golpe Aria. Noel a olhou preocupado.
         -- A da pesquisa que dizia que noventa e dois por cento das pessoas entrevistadas
acham que voc e suas amigas mataram Alison DiLaurentis! -- a jornalista soava frvola.
         -- O que? -- ofegou Aria. -- Isso no  verdade -- ento apertou fortemente finalizar e
deixou cair o telefone dentro da bolsa. Noel olhou para ela, um olhar ansioso estava estampado
no rosto -- H um artigo na People que diz que ns matamos Ali -- sussurrou.
         As sobrancelhas de Noel formaram um V.
         -- Jesus.
         Aria pressionou a cabea contra a janela, olhando ausente para um sinal de passagem
verde do Criador de rvores Hollis. Como, na terra, as pessoas podiam acreditar em uma coisa
to louca? S pelo seu estpido apelido? Porque no queriam responder nenhuma das
intrometidas e grosseiras perguntas da imprensa?
         Pararam perto do antigo beco sem sada de Ali. Aria podia cheirar os desperdcios
chamuscados pelo fogo inclusive manter as janelas fechadas. As rvores estavam torcidas e
negras, como membros descompostos e o moinho de vento dos Hastings agora era polposo e
incinerado cadver. Mas a pior parte era o celeiro dos Hastings. A metade tinha sido destrudo,
no havia mais que um punhado de tbuas negras arruinadas sobre o piso. A antiga varanda
deslizante, uma vez pintado de branco, agora estava de uma suja cor de xido, rangendo uma
dobradia. Oscilou suavemente como se um fantasma se balanasse preguiosamente daqui
para ali.
         Noel mordeu seu lbio inferior, observando o celeiro.
         --  como a Casa de Usher.
         Aria o olhou boquiaberta. Noel encolheu os ombros.
         -- J sabe. A histria de Poe onde o tipo louco enterrou sua irm nessa antiga, arruinada
e lgubre casa? E ratos que se sentem realmente perturbados e inclusive mais loucos, e isso
porque resulta que ela no est realmente morta?
         -- No posso acreditar que conhea essa histria -- disse Aria, satisfeita.
         Noel parecia ferido.
         -- Estou em ingls avanado, igual a voc. De verdade, leio de vez em quando.
         -- No quis dizer isso -- disse rapidamente Aria, apesar de se perguntar se o tinha feito.
         Estacionaram perto da casa dos DiLaurentis e saram. O novos proprietrios, os St.
Germain, havia se mudado novamente para ali depois que se o povo se acalmou em relao a
morte de Ali, mas parecia no estar em casa, o que era um alvio. Ainda melhor, no havia
nenhuma van estacionada na calada. Assim que Aria espiou Spencer em sua caixa de correio,
com uma monto de envelopes nas mos. Spencer viu Aria exatamente ao mesmo tempo. Seus
olhos se deslizaram de Aria para Noel, parecendo um pouco confusa.
         -- O que esto fazendo aqui? -- disse sem pensar.
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         -- Hey -- Aria se aproximou, rodando em um quase crculo. Seus nervos saltaram e
racharam -- Escutasse que as pessoas pensam que matamos Ali?
         Spencer fez uma cara amarga.
         -- Sim.
         -- Precisamos de algumas respostas reais. -- Aria apontou para o antigo ptio traseiro
de Ali, que estava casualmente rodeado por uma fita policial amarela. -- Sei que achas uma
loucura a coisa do fantasma de Ali, mas uma mdium vai realizar uma sesso onde ela morreu.
Queres observar?
         Spencer retrocedeu um passo.
         -- No!
         -- Mas o que acontece se ela conseguir se conectar com Ali? No queres saber o que
realmente aconteceu?
         Spencer ordenou os envelopes de suas mos at que todos olhassem para a mesma
direo.
         -- Essas coisas no so reais, Aria. No deve passar ao redor do buraco. A imprensa
dar um banquete se descobrir.
         Uma exploso de vento aoitou o rosto de Aria, apertando-se mais com a roupa.
         -- No estamos fazendo nada errado. S estaremos ali.
         Spencer fechou de golpe a porta da caixa de correio e se virou.
         -- Bom, no me inclua.
         -- Bem -- disse Aria indignada, virando. Enquanto regressava furiosa at Noel, olhou
rapidamente sobre o ombro. Spencer estava de p perto da caixa de correio, olhando em conflito
e tristeza. Aria desejava que Spencer baixasse a guarda e cresse no que no podia ser
explicado. Estavam falando de Ali. Mas depois de um momento. Spencer jogou o ombro para
trs e se dirigiu para a porta principal.
         Noel estava esperando o relicrio de Ali perto da calada. Como normalmente estava
cheia de flores, velas e impressionveis notas que diziam coisas como: Sentiremos sua falta e
Descanse em paz.
         -- Deveramos voltar? -- perguntou
         Aria assentiu aturdida, pressionando o cachecol de l em seu nariz, o odor de queimada
fazia coar os olhos. Em silncio, caminharam pelo ptio gelado traseiro da propriedade de Ali.
Apesar de que s eram um pouco mais das quatro, o cu j estava escurecendo. Uma estranha
e espessa nvoa estava ao redor da velha coberta traseira de Ali. Um corvo grasnou desde
muito dentro da floresta.
         Crack. Aria saltou com o susto. Quando deu a volta, de repente estava uma mulher atrs
dela, respirando em seu pescoo. Estava com o cabelo solto, olhos salientes e pele cetrina,
perecida com papel. Tinha os dentes amarelos e podres, e suas unhas tinham pelo menos dois
centmetros e meio. Parecia um cadver que tinha sado da tumba.
         -- Sou Esmeralda -- disse a mulher com voz fina, baixa.
         Aria estava demasiado aterrorizada para falar. Noel deu um passo adiante.
         -- Esta  Aria. -- a mulher tocou a me de Aria. Seus dedos estavam gelados e
pareciam s ossos.
         Esmeralda olhou o buraco com a faixa amarela.
         -- Vem. Lea est esperando para falar contigo.
         O n da garganta de Aria triplicou de tamanho. Caminharam mais para perto do buraco.
O ar estava mais frio ali. O vento tinha cessado estranhamente a um ponto morto, e a nvoa era
mais densa. Era como se o buraco estivesse no olho de uma tempestade, um portal para um
outra dimenso. Isso no pode estar acontecendo, pensou, tentando manter-se calma. Ali no
pode estar aqui. No  possvel. S estou atrapalhada nesse momento.
         -- Agora... -- Esmeralda tomou a mo de Aria e a conduziu a borda do buraco -- Olhe
l para baixo. Temos que chegar junto dela.
         Aria comeou a tremer. Nunca antes tinha olhado o buraco semi-escavado. Quando
olhou impotente para Noel, que estava a uns passos atrs deles, ele assentiu ligeiramente,
apontando com queixo. Suspirando profundamente, estirou o pescoo e olhou para baixo, Seu
corao retumbou. Sua pele estava fria. O interior do buraco estava escuro, muito sujo e com
pedaos de concreto rachado. Um par de peas da faixa policial havia cado no fundo, ao redor
de nove metros de profundidade. J fazia tempo que o corpo de Ali tinha sido retirado, Aria podia
ver um companheiro de entalhe abaixo, onde tinha estado algo pesado durante muito, muito
tempo.
         Fechou os olhos. Ali havia estado ali por muitos anos, coberta por cimento,
deteriorizando lentamente no solo. Sua pele havia cado de seus ossos. Seu belo rosto havia
apodrecido. Em vida, Ali era cativante, algum que no podia deixar de olhar fixamente, mas
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morta, tinha permanecido em silncio, invisvel. Durante anos, se escondeu em seu prprio
traseiro. Havia levado consigo em segredo o que tinha acontecido.
         Aria tomou a mo de Noel. Rapidamente ele entrelaou seus dedos com os dela e
apertou.
         Esmeralda se manteve na borda do buraco por um longo tempo, inalando profunda e
guturalmente, movendo seu pescoo, mexendo para frente e para trs sobre os calcanhares.
Logo comeou a retorcesse. Parecia que algo estava filtrando-se pelo seu corpo, deslizando-se
atravs de sua pele at ficar confortvel. A respirao de Aria ficou atrapalhada na garganta.
Noel no se moveu, assombrado. Quando Aria se afastou por um momento seu olhar de
Esmeralda, se deu conta que uma luz estava acesa pela janela do dormitrio de Spencer.
Spencer estava de p junto a janela, olhando-os fixamente.
         Finalmente, Esmeralda levantou a cabea. Surpreendentemente, de alguma maneira
parecia mais jovem e havia um sutil sorriso em seu rosto.
         -- Hey -- disse Esmeralda, em uma voz completamente diferente.
         Aria prendeu a respirao. Noel tambm estremeceu. Era a voz de Ali.
         -- Ento queria falar comigo? -- disse Esmeralda, como Ali, em tom aborrecido -- S
tens uma pergunta,  bom que seja boa.
         Um cachorro latiu  distncia. Uma porta se fechou na rua e quando Aria virou, pareceu
ver Jenna Cavanaugh deslizando-se mais para l da janela da baa de sua sala de estar. Aria
inclusive pensou cheirar um pouco a so de baunilha que flutuava desde o interior do buraco.
Poderia estar aqui Ali, observando-a atravs dos olhos dessa mulher? O que deveria perguntar?
Havia tantos segredos que Ali tinha guardado, seu encontro com Ian, os problemas com seu
irmo, a verdade sobre a cegues de Jenna, e a possibilidade de que Ali no foi to feliz como
todos pensavam. Mas realmente, uma pergunta se destacava das demais.
         -- Quem te matou? -- finalmente perguntou em sussurro, tremendo.
         Esmeralda enrugou o nariz, como se fosse a pergunta mais estpida do mundo.
         -- Tem certeza que quer saber?
         Aria se inclinou para frente.
         -- Sim.
         A mdium baixou a cabea.
         -- Temo dizer em voz alta -- exclamou, ainda com a voz de Ali -- Terei que escrever.
         -- Certo -- disse Aria rapidamente.
         -- Mas tens que ir -- disse Esmeralda como Ali. -- No te quero aqui.
         -- Claro -- gorjeou Aria -- Como quiser.
         Esmeralda meteu a mo em seu bolso e tirou um pequeno bloco de notas, encadernado
em couro e uma caneta esferogrfica. Rabiscou rapidamente, dobrou a nota e entregou para
Aria.
         -- Agora -- grunhiu.
         Aria abandonou o buraco, quase disparada enquanto ia. Nem sequer sentia as pernas
enquanto corria at o carro de Noel. Noel estava justamente atrs dela, tirando-a e abraando-a
fortemente. Por um momento, ambos estiveram muito oprimidos para falar. Aria olhou
novamente o santurio de Ali. A chama de uma vela iluminava as fotografias escolares do stimo
ano de Ali. A fotografia de Ali, com seu dentuo sorriso e olhos sem pestanear faziam-na parecer
possuda.
         Pensou na histria que Noel tinha mencionado, A Cada da Casa de Usher. Igual que a
irm de histria tinha sido enterrada na velha casa, o corpo de Ali havia estado preso abaixo do
concreto durante trs longos anos. As almas eram liberadas de seus navios terrestres assim que
a pessoa morria... ou muito depois? A alma de Ali tinha escapado desse buraco aps sua ltima
respirao... ou s depois que os trabalhadores tiraram seu cadver podre da terra?
         O pedao de papel que Esmeralda tinha dado estava na palma da mo de Aria.
Comeou a l-lo lentamente.
         -- Precisas de um minuto sozinha? -- perguntou Noel em voz baixa.
         Aria tragou saliva.
         -- Est bem -- precisava dele aqui. Tinha muito medo de olhar a nota sozinha.
         Desdobrou o papel enquanto o abria. As letras eram redondas, com a espumante
escritura a mo de Ali. Pouco a pouco, Aria leu as palavras. Havia s trs, que gelaram sua
essncia:
Ali matou Ali.
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                                     TUDO EM FAMLIA
                                                                        Traduzido por Patryck Pontes
         Uma hora mais tarde, Spencer se sentou no escritrio da sua casa, olhando pelo grande
janelo. As luzes da varanda traseira lanavam um estranho brilho sobre o celeiro arruinado e o
retorcido e horrvel bosque. Todo a neva tinha derretido, deixando uma capa de sujeira sobre o
solo. Um grupo havia feito em pedaos os matos com motosserras, deixando uma grande pilha
de madeira morta sobre o gramado. Hoje, uma equipe de limpeza tinha desalojado o celeiro,
depositando as moblias restantes perto do ptio. O tapete circular em que Spencer e as demais
se sentaram na noite que Ali as hipnotizou estava apoiado na escada do piso. Uma vez havia
sido branca, mas agora era cor marshmallow marrom queimado.
         Aria e Noel j no estavam mais perto do buraco. Spencer os tinha visto da janela, todo
o assunto com a mdium s havia tomado uns 10 minutos. Apesar de ter curiosidade para saber
o que Aria tinha descoberto com a Madame Mdium, era muito teimosa para perguntar. A
mdium suspeitosamente se parecia com a mulher que caminhava pela universidade Hollis
College, alegando que podia falar com as rvores. Spencer esperava que a imprensa no se
inteirasse do que Aria tinha feito, j fariam parecerem mais loucas.
         -- Hey Spencer.
         Se sobressaltou. Seu pai estava em sua porta, com um diplomtico traje escuro listrado
do trabalho.
         -- Quer ver os locais na Web dos moinhos de vento comigo? -- perguntou. Seus pais
haviam decidido substituir o moinho de vento danificado pelo incndio por um novo, um que
ajudasse a dar poder a casa.
         -- Um... -- Spencer sentiu uma pontada na perna. Quando foi a ltima vez que seu pai
lhe pediu para fazer parte de uma deciso familiar?
         Contudo, no podia nem olh-lo. A carta que tinha encontrado no seu disco rgido
atravessava sua mente como uma reportagem da CNN. Querida Jessica, sinto muito pelas
coisas que interromperam... No posso estar para estar a ss contigo outra vez. Beijos, Peter.
No foi difcil chegar a concluses terrveis. Continuou imaginando seu pai e a senhora
DiLaurentis sentados no sof bege circular na sala de Ali, o mesmo em que Spencer, Ali e as
outras se sentavam quando viam American Idol, acariciando seus narizes na mesma forma que
fazem os casais obcecados no PDA nos corredores de Rosewood Day.
         -- Tenho coisas para fazer -- mentiu, a salada de frango grelhado que tinha almoado
revirou em seu estmago.
         Seu pai parecia decepcionado.
         -- Bom, talvez mais tarde ento -- virou e caminhou pelas escadas.
         Spencer deixou escapar a respirao. Precisava falar com algum sobre isso. O segredo
era muito pesado e esmagador para manej-lo s. Pegou seu telefone e marcou nmero de
Melissa. O telefone soou e soou.
         -- Sou Spencer -- disse com voz trmula depois do sinal da caixa de mensagens. --
Preciso falar com voc sobre mame e papai. Me ligue.
         Apertou desesperadamente o boto finalizar. Onde est mame? Lhe disse Melissa com
voz lamentosa para seu pai na noite que Ali desapareceu. Temos que encontr-la. Segundo a
carta de seu pai para a me de Ali, os dois tinham se encontrado nessa mesma noite. O que
aconteceria se a me de Spencer tivesse visto eles juntos e por isso nunca tinha querido falar
sobre essa noite de novo ?
         Dar-se conta disso a golpeou de novo. Seu pai... e a me de Ali. Se estremeceu. Era
impensvel.
         O bosque estava estranhamente quieto. Um motim a sua direita chamou sua ateno de
se virou. Houve um flash amarelo na antiga janela da habitao de Ali. Em seguida uma luz
acendeu. Maya, a menina que agora vivia ali, cruzou a habitao e se deixou cair na cama.
         O telefone de Spencer zumbiu e deixou escapar um gemido de surpresa. Mas no lugar
de volta da chamada de Melissa, apareceu uma mensagem instantnea em sua tela.  Spencer?
         Ela ficou incrdula olhando o nome do remetente na tela. USCMidfielderRoxx. Era Ian.
         Antes de Spencer decidir o que fazer, outra mensagem brilhou na tela. Consegui tua IM
por Melissa. Tudo bem que te mande mensagens?
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         A cabea de Spencer deu uma volta. Ento Ian e Melissa estavam em contato.
         No tenho certeza se quero falar contigo, escreveu rapidamente. Voc estava errado
sobre Jason e Wilden. E depois tentou nos matar.
         Ele escreveu imediatamente. Me sinto muito mal pelo que aconteceu. Mas tudo o que eu
te falei  verdade. Jason e Wilden me odeiam. Essa noite eles vieram falar comigo. Talvez no
mataram Ali... mas ESTO ocultando algo.
         Spencer deixou escapar um gemido. Como vou saber que VOC no matou Ali e agora
est nos enganando? Agora a polcia nos odeia. Todo Rosewood odeia.
         Sinto muito por isso, Spencer, escreveu Ian. Mas eu no matei Ali, eu juro. Tens que
acreditar em mim.
         As cortinas na janela de Maya se agitaram de novo. Spencer apertou o telefone em suas
mos. J no podia imaginar Ian l quando Ali desapareceu e muito menos Melissa.
         Ento percebeu algo. Ian tinha estado com Melissa na noite que Ali desapareceu e a
noite em que Melissa e seu pai discutiram. Ele poderia saber algo que poderia ter acontecido.
         Tenho uma pergunta sobre outra coisa, escreveu rapidamente. Se lembra de Melissa
brigando com meu pai na noite que Ali morreu? Ela o encontrou na porta e foi gritar algo. Te
disse algo a respeito?
         O cursor brilhou. Spencer tamborilou impaciente seus dedos, no papel secante do
escritrio Tiffany. Vinte longos segundos se passaram at que Ian respondesse. Acho que  algo
que deve falar com seus pais.
         Spencer mordeu o lbio com fora. No posso, digitou no teclado. Se voc sabe de algo,
me diga.
         Houve outra pausa. Um par de corvos voavam pelo incinerado bosque, pousando-se em
um distante poste de telefone. O olhar de Spencer vagou do arruinado e destroado celeiro para
o buraco com faixa de encerramento no ptio traseiro dos DiLaurentis. Seus nervos estavam em
estado de alerta. Num amplo olhar, pode ver todas as partes dos deslocamentos de Ali em suas
ltimas poucas horas de vida.
         Finalmente, apareceu uma nova mensagem. Melissa e eu estvamos dormindo no
estdio, escreveu Ian. Lembro que essa noite se levantou e falou com seu pai. Quando voltou,
estava muito perturbada. Disse que estava bastante certa de que seu pai tinha uma aventura
com a me de Ali. Tambm disse que sua me tinha acabado de descobrir. "Temo que faa algo
estpido" ela disse.
         Algo estpido como o que? Disparou novamente Spencer, seu corao batia fortemente.
         No sei.
         -- Deus. -- disse Spencer em voz alta. Onde sua me tinha descoberto? Estavam a
senhora DiLaurentis e seu pai na cozinha dos DiLaurentis tentando o destino na vista de todos?
         Spencer passou seus dedos pelos templos. No dia seguinte do desaparecimento de Ali,
a me de Ali tinha sentado com as meninas e perguntado se Ali tinha dito algo sobre ouvir por
casualidade em casa, pareceu ver Ali na porta. O que aconteceria se Ali tivesse descoberto
sobre seus pais? Talvez Ali entrou silenciosamente em casa pela porta traseira, passando pelo
corredor at a cozinha e os viu... juntos.
         Se Spencer visse uma cena como essa, saberia exatamente o que faria, dar a volta e
voltar por onde tinha vindo.
         Talvez Ali tenha feito isso tambm. E em seguida aconteceu o que... aconteceu.
         O telefone de Spencer soou de novo. E, Spencer, odeio te dizer isso, mas eu j sabia
disso antes de ela me contar. Vi seu pai e a me de Ali juntos, duas semanas antes dessa noite.
Acidentalmente, eu disse a Ali a respeito. No era minha inteno, mas ela sabia que estava
escondendo algo. Me obrigou a dizer.
         Spencer segurou o telefone com o brao estendido. Ali sabia?
         -- Jesus -- sussurrou.
         Outro IM apareceu. Nunca pode te dizer porque Jason veio falar comigo na noite que Ali
desapareceu. Esperava no ter que fazer. Mas foi porque eu disse a Ali sobre o assunto. Ela o
pegou muito mal, e Jason pensou que tinha dito s por ser cruel. Ele e Wilden me odiavam por
muitas coisas, mas essa foi a gota que derramou o vaso.
         Antes que Spencer tivesse a oportunidade de processar o que ele dizia, apareceram
mais palavras. E tem algo mais que sempre achei estranho. Voc percebeu como so parecidas,
Melissa e Ali? Talvez por isso gostava das duas.
         Spencer franziu o cenho, sentindo-se tonta. A implicao de Ian recorria seu crebro e
comeava a irrit-la. Era estranho que Ali no se parecia absolutamente em nada com seu pai.
No tinha herdade seu cabelo crespo nem seu nariz adunco. Por outra parte, tambm no tinha
herdade o nariz largo e pontiagudo de sua me, como Jason, em troca, tinha sido beneficiada
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com um nariz pequeno e um pouco pontiagudo. Se parecia muito mais ao nariz do pai de
Spencer, agora que o pensava, era ainda mais assustador, como o seu.
         Pensou no que seus pais tinham dito no hospital: que apesar de que Olivia tinha tido
Spencer, ela era produto de seu pai e da sua me. Se o que Ian sugeria era verdade, significaria
que Spencer e Ali estavam...relacionadas. Irms.
         Ento Spencer se lembrou de algo mais.
         Se ps de p e deu a volta, olhando sem foco para sua habitao. Ento correu at o
escritrio de seu pai. Por sorte estava vazio. S o anurio de Yale na parede e segurou-o de
cabea para baixo. A borrada foto Polaroid caiu sobre o tapete oriental. Spencer a pegou e a
olhou.
         As caractersticas eram borradas, mas a cara em forma de corao e o sedoso cabelo
loiro era inconfundvel. Spencer deveria ter sabido de imediato. A imagem no era de Olivia. Era
Jessica DiLaurentis, uma muito embaraada Jessica DiLaurentis.
         Tremendo, Spencer deu a volta e olhou a data que estava escrita atrs. Dois de Junho,
h quase dezessete anos. Semanas antes de Ali nascer.
         Agarrou seu estmago, agentando as nuseas. Se sua me tinha sabido sobre o
assunto, isso explicava porque odiava Ali. Provavelmente a estava enlouquecendo saber que a
encarnao fsica de seu fracasso matrimonial estava vivendo ao lado deles, e mais ainda, que
era a menina que todos amavam. A menina que conseguia o que quisesse de quem fosse.
         De feito, se a me de Spencer suspeitava, a confirmou essa lgubre noite que terminou
o stimo ano, poderia ter sido empurrado diretamente da borda. Isso poderia t-la feito fazer algo
inconcebvel e imprevisto, algo que desesperadamente necessitava para encobrir.
         "Ns no vamos voltar a falar dessa noite de novo", tinha dito sua me. E no dia seguinte
a festa de pijamas do stimo ano, justamente depois que a senhora DiLaurentis perguntava as
meninas, Spencer encontrou sua me sentada na mesa da cozinha, to distrada que nem
sequer escutou que Spencer a chamava por seu nome. Talvez, porque estava muito aturdida
pela culpa. To horrorizada pelo que acabava de fazer a meio irm de suas filhas.
         -- Oh, Deus meu -- grunhiu Spencer -- No.
         -- No o que?
         Spencer se virou rapidamente. Sua me estava na porta do escritrio, vestida com um
traje de seda negro e calcanhares prateados Givenchy.
         Um pequeno gritinho escapou da parte posterior de sua garganta. Ento os olhos de sua
me passaram do anurio da universidade de Yale que estava aberto sobre o escritrio, at a
foto Polaroid na mo de Spencer. Spencer imediatamente colocou-a em seu bolso, mas um olhar
nublado passou pelo rosto de sua me. Rapidamente, cruzou a habitao e tocou o brao de
Spencer. Tinha as mos geladas. Quando Spencer olhou os entornados olhos da me, sentiu
um pouco de temor.
         -- Pegue seu casaco, Spencer -- disse a senhora Hastings, com uma voz
estranhamente tranqila -- Vamos dar um passeio.
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                               OUTRO PASSO NA RESERVA
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         Hanna abriu os olhos e se encontrou em uma pequena habitao do hospital. As
paredes eram cor verde ervilha. Junto dela tinha um grande ramo de flores e perto da porta tinha
um acordeo com bales de rostos sorridentes que dizia MELHORAS com braos e pernas.
Curiosamente, era o mesmo balo que seu pai tinha dado depois que Mona atropelou Hanna
com sua caminhonete. E agora que pensava, as paredes dessa habitao tinham sido essa
mesma cor verde, tambm. Quando inclinou o pescoo para a direita, viu uma plida mascara de
prata na almofada ao seu lado. Quando tinha usado isso pela ltima vez? E ento se lembrou: a
noite da festa dos Doces Dezessete de Mona. A noite de seu acidente.
         Ela abriu a boca e sacudiu para cima, notando pela primeira vez o elenco desajeitado em
seu brao. Tinha viajado no tempo? Ou nunca tinha sado da habitao em primeiro lugar?
Tinham sido os ltimos meses nada mais que horrveis pesadelos? Continuando, uma figura
familiar pairava sobre ela.
         -- Ol Hanna -- disse Ali. Parecia mais alta e maior, com o rosto mais anguloso, seu
cabelo era um loiro mais escuro. Tinha uma mancha de fuligem na bochecha, como se tivesse
sado do bosque ardente.
         Hanna piscou.
         -- Estou morta?
         Ali soltou um risinho.
         -- No, tonta. -- Ento ela inclinou a cabea, escutando algo na distncia -- Tenho que
ir logo. Mas escuta, certo? Ela sabe mais do que voc acha.
         -- Que? -- exclamou Hanna, lutando para incorporar.
         Um olhar em transe apareceu no rosto de Ali.
         -- Foram as melhores amigas uma vez -- disse -- Mas no pode confiar nela.
         -- Quem? Tara? -- soltou ela, perplexa.
         Ali suspirou.
         -- Ela quer te fazer mal.
         Hanna lutou para tirar os braos de debaixo dos lenis.
         -- O que quer dizer? Quem quer me fazer mal?
         -- Ela quer te fazer mal como ela me fez -- as lgrimas rodavam pelas bochechas de
Ali, primeiro salgado e claro, em seguida, espessa e ensangentadas. Uma se deixou cair no
centro da bochecha de Hanna. Sentia quente e brilhante, como o cido que se filtrava em sua
pele.
         Hanna despertou, respirando com dificuldade. Tocou sua bochecha, mas nada coava.
As paredes ao seu redor eram de cor azul plido. A luz da lua se infiltrava pela janela do quadro
grande. No havia flores em sua mesa de noite ou bales no canto. A cama junto dela estava
vazia, os lenis apertados. O pequeno calendrio de sapatos ao dia no lado de Iris estava na
sexta. Hanna tinha dormido.
         Iris no tinha podido voltar para sua habitao compartilhada depois do terrvel incidente
na terapia grupal. Hanna se perguntou se estava em outra parte da instalao, sofrendo o
castigo pelas revistas escondidas. Hanna tinha estado muito envergonhada para ir a cafeteria
para o almoo, sem querer dar a Tara a satisfao por ter colocado de lado a nica amiga de
Hanna. As nicas pessoas que tinha visto foi Betsy, a enfermeira que administra medicamentos,
o Dr. Foster, que pediu desculpas a Hanna pelo comportamento de seus companheiros, e
George, um dos trabalhadores de limpeza que tinha vindo pegar as revistas People de Iris,
jogando-as em um colhedor de lixo grande cor cinza.
         A sala estava to silenciosa que Hanna ouvia o metlico e agudo som da lmpada
fluorescente do seu abajur de cabeceira. Seu sonho tinha sido muito real, como se Ali acabasse
de estar ali. Ela sabe mais que voc pensa, tinha dito Ali. Ela quer te fazer mal como faz a mim.
Tinha que estar falando de Tara e o que fez na terapia grupal. Para uma perdedora feia e gorda,
Tara foi muito mais astuta que Hanna pensou.
         Uma chave girou na fechadura e a porta se abriu.
         -- Oh -- o rosto de Iris se voltou fermentada quando viu Hanna -- Ol.
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         -- Onde voc tem estado? -- exclamou Hanna, incorporando-se rapidamente -- Voc
est bem?
         -- tima -- disse Iris suavemente. Se aproximou do espelho e comeou a inspecionar
os poros.
         -- Eu no sabia que Iris te meter em problemas -- disse efusivamente Hanna -- Sinto
muito, Felicia levou suas revistas.
         Os olhos de Iris se uniram aos de Hanna no espelho. Seu rosto estava gravado com a
decepo.
          -- No se trata das revistas Hanna. Eu te falei sobre mim, mas tive que descobrir tudo
sobre voc em uma revista estpida. Tara soube antes de mim.
         Hanna passou as pernas sobre a cama.
         -- Sinto muito.
         Iris cruzou os braos sobre o peito.
         -- Sentir muito no  o suficiente. Pensei que era normal. E voc no .
         Hanna apertou seu dedo sobre os lacrimais de seu olho.
         -- Ento, alguma merda aconteceu comigo -- espetou ela -- J ouviu sobre ele no
grupo. -- Se ps em marcha em uma explicao sobre a noite que Ali desapareceu, sua troca de
imagem, A, e como Mona tinha tentado mat-la. -- Todo mundo a minha volta  uma loucura,
mas eu sou normal, eu juro. -- Hanna deixou cair suas mos nos colos e olhou os olhos de Iris
no espelho -- Eu queria dizer, mas eu no sei em quem mais confiar.
         Iris ficou muito quieta por um longo tempo, de costas, estando ativa. O odor de baunilha
Glade que sair do canto deixou escapar um sfft. Hanna lembrou misteriosamente de Ali. Por
ltimo, Iris deu a volta.
         -- Deus, Hanna. -- Ela exalou -- Isso soa horrvel.
         -- E foi -- admitiu Hanna.
         Em seguida vieram as lgrimas rpidas e quentes. Se sentia como se cada fragmente da
tenso e o medo estava levando a tempo surgiram dela. Durante muito tempo, ela tinha
pensado que se fingisse que tinha superado Mona, A e Ali, com o tempo se desvaneciam. Mas
no se desvaneciam. Estava to enojada com Mona que se machucou fisicamente. Ela estava
enojada com Ali por ser to desagradvel com Mona fazendo-a se transformar na feroz e
implacvel A. E em seguida se ps furiosa consigo mesma por ter cado na amizade de Mona...
e de Ali.
         -- Se no tivesse sido amiga de Ali, nada disso teria acontecido -- se lamentou Hanna,
gritando to forte agora que seu peito se lanou sem controle. -- Gostaria que nunca tivesse
estado na minha vida. Desejo que nunca tivesse conhecido.
         -- Shhhh -- Iris acariciou o cabelo de Hanna -- No queres dizer isso.
         Mas Hanna falava srio. Tudo o que Ali tinha dado a Hanna foi uns meses de felicidade e
em seguida muitos anos de dor.
         -- Teria sido melhor se tivesse continuado a ser uma perdedora feia e gorda? --
perguntou Hanna. Pelo menos, assim ela no faria mal as pessoas. Pelo menos as pessoas no
seriam feridas. -- Talvez eu merecia que Mona me fez. Talvez Ali merecia o que algum fez,
tambm.
         Iris se sentou, virando como se Hanna a tivesse beliscado. Hanna se deu conta muito tar
como suas palavras provavelmente soavam. Mas Iris se levantou e alisou a saia.
         -- O pessoal est fazendo-nos ver Uma Garota Encantada na sala de teatro. Ela rodou
os olhos e sorriu. -- Direi que est doente, se quiser. Talvez precise de um tempo s. Entendo
se no quiser ver Tara e os outros nesse momento.
          Hanna estava a ponto de assentir, mas ento seu estmago deixou escapar um
gorgolejo. Ela ergueu os ombros. Na verdade, ela no queria ir para a frente de Tara e dos
outros pacientes, j que sabia a verdade. Mas prontamente, ela no se importava. Aqui todos
estavam amaldioados. Eles no eram melhor que ela.
         -- Vou estar l -- decidiu.
         Iris sorriu.
         -- Tome seu tempo -- a porta se fechou com um clonk em sua sada.
         O corao de Hanna bateu lentamente. Ela secou os olhos com mais tecidos, deslizou
seus ps em seus chinelos Ugg, e caminhou at o espelho. Seus olhos inchados iam tomar um
monto de maquiagem. Ento, se deu conta do bolso Chanel negro de Iris na mesa, com o canto
de uma revista sobressaindo. Hanna tirou dela, quase no acreditando o que via.
         Era a edio mais recente da People. O da histria de Hanna no interior.
         O alarme aparafusou atravs dela. Por acaso as enfermeiras no tinham tomado todas?
Freneticamente, Hanna folheou a pgina com a sua histria. Uma semana de segredos e
mentiras. Seus olhos correram pelo texto. Havia detalhes sobre sua amizade com Alison. Suas
                                               93
relao com Mona-como-A. Ver o corpo de Ian Thomas, escapando do fogo. Al estava uma
votao que dizia que 92% do pais pensava que Hanna e as outras mataram Ali. E em seguida
Hanna notou outra barra lateral. E onde est Hanna Marin? Dizia em negrito. Nunca vai
acreditar! Junto dela havia uma foto da parte dianteira da Reserva.
        O sangue de Hanna se esfriou.
        Tinha uma lista dos medicamentos que Hanna estava tomando como os comprimidos
para dormir e Valium. Havia um itinerrio de como passava seus dias, at como comia no
desjejum, o tempo corria na fita, e com que freqncia escrevia em seu dirio de alimentos
encadernado em couro. Em continuao do artigo havia uma imagem borrada de Hanna em
perneiras e uma camiseta, enfiando a lngua na cmara, o grafiti nas paredes da habitao do
sto secreto atrs dela. Hanna levantando o dedo mdio, igual a outra menina na imagem.
        -- Oh, Deus meu -- sussurrou Hanna.
        Ela ficou olhando a revista, com nuseas borbulhantes no estmago. No grupo, Hanna
tinha culpado Tara. Mas algo no se encaixava. Ainda que de alguma maneira Tara tivesse
encontrado a cmera descartvel de Iris, alguns desses detalhes eram muito especficos. Eram
coisas que s algum que passava muito tempo com Hanna poderia saber.
        Justo antes de Hanna lanar a revista no quarto, viu algo mais na foto. Atrs da cabea,
justamente ao lado do esboo de Iris do poo dos desejos, havia outro desenho no mesmo estilo
preciso e a tinta da mesma cor. Era uma menina com uma rosto em forma de corao, os lbios
como o Arco de Cupido, e os olhos muito abertos, azuis grandes. Hanna trouxe a revista para
mais perto de seu rosto olhando fixamente at que seus olhos se cruzaram. Era a viva imagem
de uma menina que Hanna conhecia muito, muito bem. Uma menina que achava ter visto no
bosque na semana anterior.
        E de repente, a voz de Ali chegou aos seus ouvidos. Ela quer te fazer mal como ela me
fez.
        Ali no estava falando de Tara, ela estava falando de Iris.
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                                       ARIA DIZ ADEUS
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         Uma hora depois de sua reunio com Esmeralda, Aria estacionou nas portas do
cemitrio de So Basilio. Os mausolus majestosos e lpides estavam manchados com a
prateada luz da lua. Um par de lmpadas se encontrava no alto, iluminando o caminho
ladrilhado. Havia uma suave brisa sacudindo as desnudas rvores de salgueiro. Aria sabia em
cada passo a tumba de Ali, que no havia nada que tornasse a viagem mais fcil.
         Ali matou Ali. Era impactante... e incrvel... e chegou a Aria com uma profunda e incrvel
culpa. Algum matando Ali era uma coisa, verdadeiramente trgica. Mas, Ali matando a si
mesma? Poderia ter sido evitado. Ali podia ter buscado ajuda.
         E ainda assim, Aria se mostrava ctica de que Ali pudesse fazer tal coisa. Ela parecia
to feliz, to despreocupada. Mas o dia que a Sra. DiLaurentis lhes perguntou sobre o paradeiro
de Ali, depois que Aria e suas amigas se separaram, ela comeou a descer a entrada dos
DiLaurentis e se deu conta que a tampa de uma das latas de lixo tinha sido arrancada. Se
agachou para coloc-la de novo no lugar, e ela viu um frasco vazio de comprimidos em cima do
lixo. A prescrio era de Ali, mas o nome do medicamento tinha sido borrado. Nesse momento,
Aria no tinha pensado muito nisso, mas agora voltou a examinar a memria. O que aconteceria
se as plulas eram para tratar de depresso ou ansiedade? O que aconteceria se Ali tivesse
tomado um punhado delas na noite da festa de pijamas do stimo ano, para seguir adiante? Ela
poderia ter subido nesse buraco de propsito, cruzado as mos sobre os peitos e esperado as
drogas entrarem em vigor. Mas no havia forma de demonstrar-lo: o corpo de Ali tinha estado
to descomposto para o momento em que os trabalhadores o encontraram que no tinha forma
de provar uma overdose de comprimidos.
         "Voc est me evitando?" Ali tinha enviado uma mensagem para Aria nas ltimas
semanas que estava viva. Quero falar com voc. Mas Aria tinha ignorado quase cada uma delas:
s havia mais brincadeiras sobre o assunto de Byron do que poderia levar. E se Ali estivesse
querendo falar sobre outra coisa? Como Aria podia ter perdido algo to grande?
         Apesar de quase ter visto Noel a quase uma hora, ela pegou seu telefone e ligou para
ele. Ele respondeu de imediato.
         -- Estou no cemitrio -- disse. Em seguido fez uma pausa, pensando que Noel sabia
porque.
         -- Vai ficar tudo bem -- disse Noel -- Te far sentir melhor, prometo.
         Aria pegou a embalagem amassada do ramo de flores que tinha pego na loja uns
minutos atrs. Ela no estava certado que iria dizer para Ali, ou que resposta teria. Mas nesse
momento, estava disposta a tentar qualquer coisa para se sentir melhor. Ela engoliu seco,
pressionando o telefone na orelha.
         -- Ali queria falar comigo sobre algo, mas no fiz caso. Tudo isso  minha culpa.
         -- No  no -- tranqilizou Noel. O outro extremo crepitava com esttica. -- Acho isso
sobre meu irmo as vezes, muito... mas no pode ser. No  nada que voc pudesse ter
imaginado ou detido tampouco. E no  como se fosse a nica amiga de Ali. Ela poderia ter
chegado a Spencer ou Hanna ou a seus pais. Mas no o fez.
         -- Te ligo mais tarde, certo? -- disse Aria, sua voz cheia de lgrimas. Em seguida ela
agarrou as flores, abriu a porta do passageiro, e se ps em marcha. O gramado estava molhado
e suave abaixo de seus ps. Em questo de minutos, ela estava subindo a colina e se
aproximando da lpide de Ali. Algum tinha deixado flores frescas na base da lpide e estava
gravada uma imagem de Ali na pedra.
         -- Aria?
         Ela saltou. Um sensao fria correu em suas costas. Jason DiLaurentis estava parado a
uns metros debaixo de um grande sicmoro. Ela se preparou, pronta para ele ficar com raiva,
mas ela se manteve ali, com os olhos correndo para frente e para trs.Levava uma pesada
jaqueta negra com um capuz espesso, com enchimento, uma cala negra e luvas negras. Por
um segundo, naturalmente Aria se perguntou se iria roubar um banco.
         -- H-hey -- finalmente falou -- Eu s... queria falar com Ali. Est bem?
         Jason encolheu os ombros.
         -- Claro que sim -- ele comeou a caminharpela colina, dando-lhe um espao.
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        -- Espera -- disse Aria. Jason parou, apoiou a mo contra uma rvore e a olhou.
        Aria considerou suas palavras. Faz uma curta semana, quando eram namorados, Jason
a havia encorajado a falar com ele: Ali disse que todos os demais pareciam muito incmodos
inclusive pronunciando seu nome em sua presena. Ela acariciou as mos em seus jeans.
        -- Temos descoberto muito coisa sobre Ali que no sabamos -- disse finalmente --
Muito que  realmente doloroso. Estou certa que  difcil para voc, tambm.
        Jason comeou a mover o dedo do p no solo.
        -- Sim.
        -- E as vezes no sei o que esta passando do no interior da gente. -- adicionou Aria,
pensando com como Aria fazia piruetas alegremente pelo gramado na tarde do fim do stimo
ano, perecendo encantada ao ver suas melhores amigas. -- A gente sempre parece to perfeita
na superfcie -- adicionou -- Mas... no  sempre o caso. Todo mundo esconde coisas.
        O dedo do p de Jason levantava mais poeira.
        -- Mas no  sua culpa -- disse Aria. -- No  culpa de ningum.
        E de repente, ela realmente acreditou nisso. Se Ali realmente tinha se suicidado, e se
ela soubesse o que iria fazer antes do tempo, ainda assim, Aria no podia ter feito nada para
det-la. Rompia o corao saber que ela no tinha percebido que isso aconteceria, e que no
sabia o porque de Ali o ter feito... mas talvez ela s tinha que aceitar, ficar de luto e seguir em
frente.
        Jason abriu a boca como se fosse falar, mas um anel agudo atravessou o ar.
        Meteu a mo no bolso e pegou seu telefone.
        -- Eu deveria conseguir isso -- disse, olhando para a tela, seu tom de desculpa.
        Aria deu um adeus com a mo quando se virou e desceu a colina nas sombras.
        Em seguida enfrentou a lpide de Ali. Alison Lauren DiLaurentis. Nada mais. Ali sabia
que a noite da festa de pijama era sua ltima noite viva, ou talvez isso seria uma estmulo em um
momento no posso agentar mais coisas? A ltima vez que Aria viu Ali viva, Ali tinha estado a
ponto de hipnotiz-las, mas Spencer saltou e tentou abrir as persianas. Est muito escuro aqui,
disse Spencer. Tem que estar escuro, argumentou Ali, chicoteando as persianas fechadas. 
assim que funciona.
        Ento, quando Ali virou, Aria deu uma olhada em seu rosto. Ela no parecia
manipuladora e dominante, mas sim frgil e assustada. Segundos depois, Spencer disse a Ali
para abandonar isso... e Ali o fez. Ela recostou-se, algo que nunca tinha feito antes, igualmente a
sua coragem e determinao tinham evaporado.
        Aria ajoelhou-se na lpide, tocando o mrmore fio da lpide de Ali. Lgrimas quentes
encheram seus olhos.
        -- Ali, sinto muito -- sussurrou -- Tudo o que estava passando, sinto muito.
        Um avio rugiu em cima. O ramo de rosas perfumadas junto a tumba de Ali fez o nariz
de Aria coar.
        -- Sinto muito -- repetiu -- Estou muito, muito triste.
        -- Aria? -- uma voz com um tom alto a chamou.
        Aria saltou. Havia uma luz ofuscante em seu rosto. Suas mos tremiam, e por um
momento, ela estava certa que era Ali. Mas ento a luz diminuiu. Uma policial com culos de sol
emoldurado e um logo de DP Rosewood desceu do carro.
        -- Aria Montgomery?
        -- S-sim? -- balbuciou Aria.
        A policial tocou o brao de Aria.
        -- Tens que vir comigo.
        -- Porque? -- Aria riu nervosamente, levando seu brao para longe.
        O walkie-talkie no cinturo tocou.
        -- Seria melhor se falasse com os meninos.
        -- O que est acontecendo? Eu no fiz nada.
        A policial curvou seus lbios em um sorriso que no chegou a seus olhos.
        -- Porque se desculpava Aria? -- ela olhou para a tumba de Ali, obviamente depois de
ter ouvido o que Aria tinha acabado de dizer. --  porque voc est ocultando evidncias?
        Aria negou com a cabea, sem compreender.
        -- Evidencia?
        A policial lhe deu uma sbia, mirada condescendente.
        -- Um determinado anel.
        A garganta de Aria secou instantaneamente. Ela agarrou seu bolso de pelo de yak contra
seu peito. O anel de Ian se encontrava no bolso interior. Tinha estado to ocupada tentando
contatar Ali, ela tinha pensado nele em dias.
        -- Eu no fiz nada mal.
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        -- Mm-hmm -- murmurou a policial, nem interessada nem impressionada. Ela removeu
um par de algemas de seu cinturo e olhou para Jason, que estava parado a poucos metros de
distncia -- Obrigada pela sua chamada, dizendo-nos que ela estava aqui.
        A boca de Aria se abriu. Ela deu a volta e olhou para Jason tambm.
        -- Voc disse que eu estava aqui? -- exclamou -- Porque?
        Jason negou com a cabea, os olhos muito abertos.
        -- O que? Eu no...
        -- O Sr. DiLaurentis disse ao oficial da estao tudo o que sabia. -- a policia
interrompeu -- No estava mais cumprindo com seu dever cvico, senhorita Montgomery -- Ela
tirou a bolsa das mos, em seguida colocou as algemas sobre os pulsos de Aria -- No fique
com raiva dele pelo o que voc fez. Pelo que todas fizeram.
        A realidade do que a policia estava dizendo pouco a pouco afundou nela. Poderia dizer o
que realmente Aria achava que diria? Ela deu a volta para Jason.
        -- Voc est fazendo que isso cresa!
        -- Aria, voc no entende -- protestou Jason -- Eu no...
        -- Vamos -- berrou a policial. Os braos de Aria agora estavam quase dobrados em
suas costas. Podia ver os lbios de Jason em movimento, mas no pode distinguir as palavras.
        -- E desde quando a polcia toma o conselho de psicopatas? -- explodiu para a policial
-- No sabe que Jason tem estado dentro e fora dos hospitais psiquitricos h anos?
        A policial levantou a cabea, aparentemente perplexa. Jason fez um gorgolejo.
        -- Aria... -- sua voz estava rachada -- No. Voc entendeu tudo errado.
        Aria se deteve. Jason parecia horrorizado.
        -- O que quer dizer? -- perguntou bruscamente.
        A policial agarrou seu brao.
        -- Vamos, senhorita Montgomery. Vamos.
        Mas o olhar de Aria estava em Jason.
        -- O que tenho de errado? -- Jason a olhou, com os lbios entreabertos -- Me diga --
declarou -- O que tenho de errado? -- Mas Jason ficou ali, vendo como a policia levava Aria
pela colina at o cruzeiro sem piscar.
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                                A EVIDNCIA NO MENTE
                                                                        Traduzido por Patryck Pontes
         A viagem de Lancaster a Rosewood devia levar duas horas no mximo, mas Emily tinha
cometido o erro de subir em um nibus que parou em um par de autnticas granjas holandesas
no caminho de volta para Pensilvnia. A tinham deixado em Filadlfia, o que significou que ela
tinha que subir em outro nibus rumo a Rosewood, que seu sentou na estao por outros
quarenta e cinco minutos antes de ficar presa no trfego da autopista de Schuylkill. No momento
em que o Greyhound chegou a Rosewood, Emily tinha poucos dedos das mos vivos j que
tinham arrancado um buraco inteiro do assento do nibus. Eram quase 18H e a feia e fria neve
tinha comeado a cair. O nibus abriu suas portas e Emily correu escada abaixo.
         A cidade estava calma e morta. O semforo ficou verde, mas no passavam carros.
Ferra Cheesesteaks tinha uma amostra aberta na janela, mas no tinha um s cliente no interior.
O odor de caf tostado em Gao saia da cafeteria do unicrnio, mas o lugar estava fechado a
chave.
         Emily comeou a correr, patinando pela brilhante calada, com cuidado para no deslizar
em suas pateticamente finas botas de trao Amish. A estao de polcia estava a poucas
quadras de distncia. Tinha luzes acendidas no edifcio principal, onde Emily e as demais tinham
ido quando descobriram que Mona era a antiga A. A parte traseira do complexo, onde a nova A
tinha dito que foi, no tinha janelas, o que tornava impossvel saber se estava ocupado. Emily
tinha espiado por uma grande porta de metal entreaberta por uma taa de caf e ofegou. A tinha
deixado a porta aberta, como tinha prometido.
         Um longo corredor se estendia diante dela. Os pisos cheiravam a energia limpa
industrial, e um sinal de sada brilhava no extremo corredor. O nico som era um zumbido leve,
perturbado pela luz fluorescente de cima, e Emily podia ouvir sua respirao.
         Ela passou seus dedos pelas bordas das paredes enquanto caminhava, parando em
cada porta da oficina para ler os nomes nas placas. APRESENTAO. MANUTENO.
SOMENTE FUNCIONRIOS. Quatro oficinas abaixo, seu corao deu um salto. EVIDENCIA.
         Emily olhou atravs da janela da porta de metal. A habitao era longa e escura, com
uma baguna de estantes, pastas, caixas de arquivos e armrios de metal. Pensou nos papeis
da foto que A tinha enviado em uma mensagem de texto. A entrevista com a me de Ali. A linha
do tempo de quando Ali desapareceu. Um estranho documento sobre a preservao de algo,
que soava como uma urbanizao elegante. E, por ltima mas no menos importante, o relatrio
de DNA, certamente dizendo que o corpo no buraco no era de Ali, mas sim de Leah.
         De repente, uma mo lhe deu uma palmada no ombro.
         -- O que pensa que est fazendo?
         Emily saltou fora da porta e deu a volta. Um policial de Rosewood a agarrou pela parte
superior do brao, seus olhos em chamas. O sinal de sada por cima dela emitindo misteriosas
sombras vermelhas ao longo de suas bochechas.
         -- Eu... -- ela balbuciou.
         Seu cenho franzido.
         -- No deveria estar aqui em baixo -- Nesse momento ele a olhou com mais fora, o
reconhecimento cruzou seu rosto -- Te conheo -- disse.
         Emily tentou se afastar dele, mas a abraou com fora. Sua boca aberta.
         -- s uma das meninas que acham que viram Alison DiLaurentis -- Os cantos de seus
lbios se curvaram em um sorriso e apertou seu rosto ao seu. Sua respirao cheirava como
anis de cebola -- Temos te procurado.
         Um raio de medo retorceu o estmago de Emily.
         --  Darren Wilden quem voc deveria estar procurando! O corpo no buraco no  de
Alison DiLaurentis,  de uma menina chamada Leah Zook! Wilden a matou e jogou seu corpo ali!
 ele o culpado.
         Mas o policial s riu e para o horror de Emily comeou a algemar suas mos s costas.
         -- Amor -- disse enquanto a levou pelo corredor -- a nica culpada aqui  voc.
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                                       ISSO  AMOR!
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        A Sra. Hastings se negou a dizer a Spencer para onde iam, s que era uma surpresa.
Passaram das casas grandes, com grandes torres em suas ruas varridas, seguidas pela Granja
de caminhadas Springton e o exclusivo Grey Horse Inn. Spencer pegou dinheiro em sua carteira
e reorganizou suas faturas pelo nmero de srie. Sua me sempre tinha sido uma motorista
silenciosa, ferozmente concentrada nas estradas e o trfego, mas algo estava diferente hoje e
tinha Spencer na orla.
        Conduziram por quase meia hora. O cu estava negro-pssego, tudo um abrir e fechar
de estrelas brilhantes, as luzes de todas as varandas ardiam. Quando Spencer fechou os olhos,
viu aquela noite terrvel em que Ali desapareceu. Na semana passada, sua memria tinha
conjurado uma imagem de Ali de p no bosque com Jason. Mas essa viso mudou de novo, e a
pessoa que pensou que era Jason se transformou em algum menor, mais rpida, mais
feminina.
        Quando sua me tinha chegado finalmente em casa? Tinha enfrentado o Sr. Hastings
sobre o que ele tinha feito e revelado o que ela tinha feito? Talvez por isso ele tinha passada
uma grande soma em dinheiro para o Fundo de Alison DiLaurentis. Sem duvida, uma famlia que
dava tanto dinheiro para o fundo para ajudar a encontrar Ali no podia ser responsvel por seu
assassinato.
        O telefone dela soou, e ela pulou. Tragando saliva, pegou seu celular no bolso. Uma
nova mensagem de texto, a tela dizia:
Sua irm est contando contigo para que faa isso bem, Spence.
Ou o sangue dela estar em suas mos tambm. A.
         -- Quem  esse? -- a me de Spencer pisou nos freios em um semforo vermelho. Ela
despregou os olhos da caminhonete que parou na frente dela e olhou para Spencer.
         Spencer cobriu a tela do celular.
         -- Ningum -- a luz ficou verde, e Spencer fechou os olhos outra vez.
         Sua irm. Spencer tinha passado muito tempo ressentida com Ali, mas tudo estava
borrado agora. Ela e Ali tinha compartilhado o mesmo pai, o mesmo sangue. Tinha perdido mais
que uma amiga nesse vero, tinha perdido um membro da famlia.
         Sua me saiu da estrada principal e estacionou o Mercedes em Otto, o restaurante
Italiano mais antigo mais bonito de Rosewood. Luz dourada brilhava do interior da sala de jantar
de habitao, e Spencer quase podia cheirar alho, o azeite de oliva e vinho tinto.
         -- Vamos sair para jantar? -- disse com voz tremula.
         -- No s jantar -- disse sua me, franzindo os lbios -- Vamos.
         O estacionamento estava lotado de carros. No outro extremo, Spencer viu dois carros de
polcia de Rosewood. Pouco mais para l, dois gmeos loiros saam de um SUV negro.
Pareciam ter uns treze anos e ambos estavam vestidos com jaquetas felpudas, com chapus de
l brancos, e calas combinando que diziam PREPARATORIO KENSINGTON: HOCKEY EM
CAMPO em letras de estilo colegial ao longo da perna. Spencer e Ali usavam, as vezes, para
trazer suas camisolas do hockey no mesmo dia, tambm. Se perguntou se algum as olhos e
pensou que eram gmeas. A respirao de Spencer deu um n na garganta.
         -- Mame -- ela disse, sua voz quebrada.
         Sua me se virou.
         -- Sim?
         Diz algo, uma voz na cabea de Spencer gritou. Mas sua boca estava soldada.
         -- Aqui esto -- duas figuras estavam iluminadas por focos no estacionamento, agitando
as mos violentamente contra elas. O Sr. Hastings tinha trocado a roupa do trabalho para um
plo azul e calas caqui. Junto dele, Melissa sorria primorosamente, com um vestido azul, com
saia tulipa e agarrando uma bolsa cetim debaixo do seu colo -- Desculpa no ter retornado --
disse sua irm quando Spencer se aproximou -- Temia que se falssemos, estragaria a
surpresa.
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         -- Surpresa? -- murmurou Spencer dbil, distrada. Ela olhou para os carros de polcia
no estacionamento de novo. Diz algo, uma voz em sua cabea gritou. Sua irm est contando
contigo.
         A Sra. Hastings se dirigiu para a porta.
         -- E bem? Vamos entrar?
         -- Com certeza -- coincidiu o Sr. Hastings.
         -- Esperem! -- Spencer chorou.
         Todo mundo parou e se virou. O cabelo de sua me parecia brilhante com a luz artificial
fluorescente do estacionamento. As bochechas de seu pai estavam arroxeadas pelo frio. Os
dois estavam sorrindo para Ela, E pronto, Spencer se deu conta de que sua me no tinha idia
do que Spencer estava a ponto de dizer. Ela no tinha visto a foto da senhora DiLaurentis que
Spencer segurava. Ela no sabia do que Spencer e Ian tinham estado conversando atravs de
mensagens h apenas alguns minutos. Pela primeira vez, Spencer se compadeceu de seus pais.
Desejou poder tirar uma manta de cima deles e proteg-los disso. Ela desejava que ela nunca
tivesse descoberto isso em primeiro lugar. Mas j o tinha feito.
         -- Porque vocs fazem? -- disse em voz baixa.
         A Sra. Hastings deu um passo para frente, um de seus calcanhares fez um rudo
metlico slido contra a calada de pedra.
         -- Porque fazemos o que?
         Spencer notou ento que os policiais estavam sentado dentro dos carros. Ela baixou a
voz, dirigindo suas palavras para sua me.
         -- Eu sei o que aconteceu na noite que Ali morreu. Voc descobriu que papai e a
senhora DiLaurentis estavam tendo um caso, os viste entrar na casa de Ali. E descobrisse que
Ali era minha... No foi, papai?
         A Sra. Hastings foi para trs como se tivesse levado uma bofetada.
         -- O que?
         -- Spencer! -- exclamou o Sr. Hastings, horrorizado -- Que demnios?
         As palavras se derramavam agora. Apenas percebeu que o vento tinha se levantado e
estava mordendo sua pele.
         -- Comeou quando estavam na escola de direito juntos, papai?  por isso que nunca
dissestes que a Sr. DiLaurentis era uma estudante em Yale no mesmo momento que voc foi,
porque algo entre voc e ela tinha ocorrido, tambm?  por isso que nunca falasse com a famlia
de Ali?
         Outro carro parou no estacionamento. Seu pai no respondeu. Ficou parado no meio do
estacionamento, movendo-se muito ligeiramente para trs e para frente como uma bia. Melissa
deixou cair a bolsa e se inclinou rapidamente para peg-la. Tinha a boca aberta e seus olhos
pareciam vidros.
         Spencer se voltou para a sua me.
         -- Como pode fazer mal a ela? Ela era minha irm. E, papai, como pode oculta-la
quando ela era sua filha?
         Os ossos do rosto da Sra. Hastings pareciam se transformando em cinzas. Ela piscou
lentamente, como se tivesse acabado de despertar. Se voltou para seu marido.
         -- Voc e... Jessica?
         O pai de Spencer abriu a boca para falar, mas s umas poucas slabas ininteligveis
saram.
         -- Eu sabia -- sussurrou a senhora Hastings. Sua voz era estranhamente serena e
firma. Um msculo em seu pescoo tremeu. -- Eu te perguntei um milho de vezes, mas sempre
disseste que no era verdade -- E ento se lanou para o Sr. Hastings e comeou a bater nele
com a carteira Gucci. -- E costumava ir a sua casa? Quantas vezes fizesse isso? O que diabos te
passou?
        Se sentia como seu todo o ar tivesse sido sugado pelo estacionamento. Os ouvidos de
Spencer zumbiam, e processava a cena em cmera lenta. Tudo se desenrolou mal. Sua me
estava fingindo que no sabia. Ela pensou nas mensagens instantneas de Ian. Era possvel que
sua me no soubesse nada disso, que esta foi a primeira vez que tinha ouvido falar deles... em
todo esse tempo?
        Sua me por fim deixou bater em seu pai. Se virou para trs, arquejando. Gotas de suor
desciam por seu rosto.
       -- S tens que admitir. Por uma vez, acaba de dizer a verdade. -- exclamou ela.
       Os prximos segundos se estenderam para sempre.
       -- Sim -- admitiu finalmente seu pai, com a cabea baixa.
                                              100
          Melissa gritou. A Sra. Hastings deixou escapar um gemido agudo. Seu pai passeava
nervosamente. Spencer fechou os olhos durante um longo minuto. Quando voltou a abri-los,
Melissa tinha desaparecido. A Sra. Hastings se voltou para seu marido.
          -- Quanto tempo isso durou? -- perguntou ela. Veias viscosas se destacavam em seus
templos. -- E ela  sua?
          Os ombros do Sr. Hastings tremeram. Um som agudo e gutural escapou de seus lbios.
Cobriu o rosto com as mos.
          -- Eu no sabia de nada de meninos at mais tarde.
          A Sra. Hastings retrocedeu, com os dentes descobertos e apertou os punhos.
          -- Quando chegar em casa hoje a noite, quero que v embora -- gritou ela.
          -- Vernica.
          -- V!
          Depois de uma pausa embaraosa, seu pai fez o que ela pediu. Um momento depois,
seu Jaguar acelerou com vida e empreendeu sua sada do estacionamento, deixando sua famlia
para trs.
          -- Mame -- Spencer alcanou o ombro de sua me.
          -- Deixe-me em paz. -- espetou sua me, entrando em colapso na parede de pedra
para fora do restaurante. Msica alegre do acordeo italiano soava atravs dos auto-falantes ao
ar livre. No interior do restaurante, algum soltou uma gargalhada aguda.
          -- Pensei que voc sabia -- disse Spencer desesperadamente -- Pensei que
descobrisse isso na noite que Ali desapareceu. Parecia to distrada no dia seguinte, como se
tivesse feito algo terrvel. Pensei que isso era porque nunca podamos falar dessa noite.
          Sua me deu a volta, seus olhos selvagens, seu batom borrado.
          -- Honestamente, voc acha que eu podia ter matado essa menina? -- disse entre
dentes -- Sou realmente to monstruosa para ti?
          -- No -- chiou Spencer -- Eu s...
          -- Voc s nada! -- grunhiu sua me, agitando um dedo de forma violente, Spencer deu
dois passos para trs slido de flores assustada de novo -- Sabe porque eu disse para nunca
mais falar dessa noite? Spencer. Porque sua melhor amiga tinha desaparecido. Devido ao
desaparecimento de Ali que tinha se apoderado da sua vida e precisava seguir em frente. No
porque a tinha matado!
          -- Sinto muito! -- gemeu Spencer --  s que... quero dizer, Melissa no conseguia te
encontrar essa noite e ela parecia to...
          -- Eu estava com umas amigas -- disparou sua me. --  tarde. E a nica razo que
ainda me lembro  porque a polcia me perguntou umas 50 vezes nos ltimos dias.
          Ouviu uma tosse atrs dela. Melissa estava encolhida junto a um pequeno jardim
ornamental. Spencer, a agarrou pelo brao.
          -- Porque dizia a papai uma e outra vez que tinha encontrar mame?
          Melissa negou com a cabea, desconcertada.
          -- O que?
          -- Vocs estavam na porta nessa noite e tu dizia: Temos que encontrar mame. Temos
que encontrar mame.
          Melissa ficou assombrada com Spencer sem poder fazer nada. Ento, seus olhos se
duplicaram de tamanho, sua memria chegando a ela.
          -- Quer dizer quando disse a papai que precisava de um transporte para ir ao aeroporto
e pegar meu vo para Praga? -- disse debilmente -- Eu sabia que tinha muita ressaca, mas
papai me disse que, basicamente, tinha m sorte. Que deveria ter pensado nisso antes de
emborrachar-me -- Ela piscou para Spencer em desconcerto.
          Uma famlia com uma jovem saiu de uma caminhonete. O marido e a mulher estavam de
mos dadas, sorrindo um para o outro. A menina olhou com curiosidade para Spencer, com o
polegar na boca, antes de seguir seus pais para o interior do restaurante.
          -- Mas... -- Spencer se sentia tonta. O odor de azeite de oliva que flutuava no
restaurante de repente ficou podre. Procurou o resto afetado de sua irm. -- Voc no estava
brigando com papai, porque mame tinha descoberto a aventura? No fosse correndo para Ian
para dizer: Meu pai tem uma aventura com a senhora DiLaurentis, e acho que minha me foi l e
fez algo horrvel?
          -- Ian? -- Melissa interrompeu, com as sobrancelhas juntas -- Eu nunca disse isso.
Quando ela te disse isso?
          Spencer chegou a um ponto morto.
          -- Hoje. Disse que tava te mandando mensagens, tambm.
          -- O que? -- explodiu Melissa.
                                              101
         Spencer apertou os lados da cabea, sentindo-se desorientada. Ian, Melissa e as
palavras de sua me estavam mescladas em um redemoinho nebuloso, torcendo-se e
mesclando-se at que ela no teve idia do que era verdade. Inclusive duvidava que as
mensagens instantneas fossem de Ian. Ela tinha estado enviando mensagens a algum que
dizia que Ian, mas ela realmente que no era ele?
         -- Mas o que estava acontecendo entre voc e mame que estavam sussurrando toda a
semana? -- Spencer suplicou, desesperada para dar sentido a situao, para justificar o que
acabara de fazer.
         -- Estvamos planejando um jantar para voc. -- sua me olhou para cima, a luta de
repente saindo de sua voz. Melissa lanou um suspiro de desgosto e marchou -- Andrew w
Kristen Cullen esto aqui. amos juntos a nova produo The Importance of Being Earnest no
Teatro Walnut Street.
         Os pelos de Spencer se arrepiaram. Seu estmago estava irritado. Sua famlia estava
tentando mostrar que a amava e olhe o que tinha feito. As lgrimas comearam a cair em
cascata pelas bochechas de Spencer. Supostamente, sua me no tinha matado Alison. Sua
me no sabia sobre o assunto. Quem tinha enviado as mensagens tinha mentido.
         Uma sombra caiu sobre ela. Quando se virou, viu um tipo de cabelo cinza, um policial de
Rosewood de aspecto severo. Sua arma brilhava no cinturo.
         -- Senhorita Hastings -- disse o policial, movendo a cabea solenemente -- Tem que vir
comigo.
         -- O q...que? -- gritou Spencer -- Porque?
         -- Seria melhor se voc viesse em silncio -- murmurou o policial. Sem falar, deu um
passo diante dela, empurrando sua me para fora do caminho. Ele levou as mos de Spencer
para as costas, e sentiu o metal frio, duro em seus pulsos.
         -- No! -- gritou Spencer. Estava passando to rapidamente. Ela olhou por cima do
ombro. Sua me parou ali, rmel corria por suas bochechas, sua boca era um pequeno O --
Porque est fazendo isso? -- Suplicou para o oficial.
         -- A comunicao com um delinqente em fuga  um crime grave -- disse --
Conspirao depois disse. E temos provas para demonstr-lo.
         -- Mensagens instantneas? -- repetiu Spencer, seu corao afundou no intestino. As
mensagens instantneas de Ian. Algum policial tinha escutado o que ela tinha dito? Melissa tinha
corrido para os policiais e tinha dito?
         -- No estou entendendo! -- declarou ela -- Eu no estava conspirando com nada! Nem
sequer acho que as mensagens instantneas sejam de Ian!
         Mas o policial no estava prestando ateno. Abriu a porta do assento traseiro, ps uma
mo sobre a cabea de Spencer, e a empurrou para dentro. Fechou a porta, em seguida se
retirou, com as sirenes altas, luzes piscando, dirigindo-se diretamente  delegacia de Rosewood.
                                              102
                                            28
                                 QUEM  A LOUCA AGORA?
                                                                            Traduzido por Patryck Pontes
         Hanna caminhou pelo vestbulo da Reserva mais para l da cafeteria, chegando a
entrada da guarita secreta de Iris
         -- Me deixa entrar Iris -- rosnou. Pressionou seu orelha contra a porta, mas no havia
nenhum som do piso superior.
         Hanna tinha estado buscando Iris durante a ltima hora, mas Iris parecia ter
desaparecido. No estava na sala de cinema vendo Uma Garota Encantada com as outras
pacientes. No estava no refeitrio, nem no ginsio, nem no Spa. Irritada, Hanna se apoiou
contra a porta fechada. Havia uns poucos rabiscos no batente. No canto superior esquerdo
estava o nome de Courtney, a antiga companheira de quarto de Iris. Ao lado do nome de
Courtney havia um rostinho piscando. Hanna estava morrendo por ter voltar ali e ver o desenho
de Ali, no tinha idia de como no tinha visto quando tinha ido l em cima.
         Hanna estava certa que Iris conheceu Ali, s que simplesmente no sabia como. Por
Jason, talvez? Iris tinha dito que tinha ficado em diferentes instalaes alm dessa; Talvez
tivesse estado em Radley, onde Jason tinha sido tratado. Pode conhecer Ali quando foi visitar
seu irmo, e instantaneamente se tornaram amigas. O dia depois que Ali desaparecera, a me
de Ali as interrogou com perguntas que elas no podiam contestar. Alguma vez Ali discutiu com
algum que a ridicularizava? Certamente ningum em Rosewood ridicularizava Ali... mas algum
de um hospital psiquitrico podia. Quando Hanna e Ali tinham estado provando roupa do armrio
e Ali tinha recebido esse telefonema de perturbao, talvez tinha sido Iris gemendo do outro
lado, no Jason. Talvez Iris estava furiosa por Ali poder ir e vir do hospital, enquanto ela estava
condenado ao interior. Ou talvez Iris estava simplesmente ciumenta de Ali ser Ali.
         Ela  psictica. Tara tinha advertido Hanna no vestbulo uns dias atrs. No perturbe.
Hanna deveria ter escutado.
         E talvez... s talvez... Iris tinha matado Ali. Iris tinha dito a Hanna que ela tinha estado
fora do hospital exatamente no mesmo dia que Ali tinha desaparecido. Hanna pensou nessa letra
com o recorte atravessada na bandeira da Cpsula do Tempo de Ali, poderia ter sido um J, mas
tambm podia ter sido um I. De Iris. A tinha mandado Hanna para a Reserva para que ela
descobrisse a verdade sobre Iris?... ou Iris era A, levando Hanna para uma armadilha?
         Ela quer te machucar, tinha dito Ali.
         Hanna correu pelo vestbulo, seus chinelos Tory Burch agarrado contra as plantas de
seus ps. Enquanto rodava o canto, uma enfermeira a deteve.
         -- Sem correr, amor.
         Hanna parou, sem respirar.
         -- Voc viu Iris?
         A enfermeira negou com a cabea.
         -- No, mas provavelmente deve estar vendo o filme com as outras meninas. Porque
voc no vai tambm? Tem pipoca de milho!
         Hanna queria esbofetear o sorriso alegre em seu rosto.
         -- Precisamos encontrar Iris. Isso  srio.
         O sorriso da enfermeira se obscureceu um pouco. Houve uma piscada de medo atrs de
seus olhos, como se Hanna fosse uma manaca assassina. Em seguida Hanna viu um telefone
vermelho na parede.
         -- Posso usar isso? -- implorou Hanna. Poderia ligar para o Departamento de Polcia de
Rosewood e contar tudo.
         -- Sinto muito, querida, mas esse telefone est desconectado at as quatro da tarde de
domingo. Conhece as regras -- A enfermeira amavelmente pegou o cotovelo de Hanna e
comeou a gui-la de volta at os quartos dos pacientes -- Porque no descansa um pouco?
Betsy pode trazer uma mscara de aromaterapia.
         Hanna se retorceu.
         -- No. Precisa. Encontrar. A. Iris. Ela  uma assassina. Tambm quer me machucar!
         -- Amor... -- O olhar fixo da enfermeira hesitou at o boto vermelho de emergncia na
parede. O pessoal podia pression-lo para exigir ajuda com um paciente agitado.
         -- Hanna?
                                                103
         Hanna se voltou. Iris estava parada a dez passos dali, recostada casualmente contra o
distribuidor de gua. Seu cabelo loiro brilhava, seus dentes eram to brancos que quase
pareciam azuis.
         -- Quem  voc? -- Hanna sussurrou, caminhando at ela.
         Iris franziu seus lbios ultra-vermelhos.
         -- O que quer dizer? Eu sou Iris. E sou fabulosa.
         Uma sacudida de eletricidade atravessou o peito de Hanna enquanto Iris tagarelava do
velho jeito de Ali.
         -- Quem  voc? -- repetiu, mais forte.
         A enfermeira deu um passo adiante e se interps entre elas.
         -- Hanna, amor, parece realmente agitada. Simplesmente vamos nos acalmar.
         Mas Hanna no escutou. Ficou olhando os amplos e acendidos olhos de Iris.
         -- Como conhecesse Alison? -- chorou -- Estava no hospital com seu irmo? A
mataste? Voc  A?
         -- Alison? -- Iris gorjeou -- Essa tua amiga que foi assassinada? A que tu me disse que
queria morta? A que pensas que obteve tudo o que merecia?
         Hanna retrocedeu, muito consciente de que a enfermeira ainda estava parada
justamente atrs dela. Uns segundos de assombro passaram.
         -- Eu s estava... falando. Isso no  certo. E te confiei isso. Quando pensei que ramos
amigas.
         Iris foi para atrs dela com uma risadinha cruel.
         -- Amigas! -- gritou, como se fosse uma piada engraada.
         Seu riso fez com que as mos de Hanna estremecessem. Tudo isso era dolorosamente
familiar. Ali ria assim quando perturbava Hanna por comer muito. Mona riu assim quando o bem-
pequeno vestido de gala dos Doces Dezessetes de Hanna rasgou e dividiu suas costuras na
pista do baile. Hanna era a piada de todos. Todas as meninas adoravam arruin-la.
         -- Me diga como conheceu a Alison -- chorou Hanna.
         -- Quem? -- Iris brincou.
         -- Me diga como a conheceu?
         Iris soltou uma risada.
         -- No tenho nem idia de quem est falando.
         Algo dentro de Hanna se agitou, lutou e em seguida se liberou. Justamente quando
Hanna se balanou at Iris, um forte boom soou atrs delas. Um monto de enfermeiras e
guardas atravessaram uma porta lateral, e dois fortes braos agarraram Hanna por trs.
         -- Tire-a daqui -- gritou uma voz. Algum arrastou Hanna pelo vestbulo e a pressionou
contra a parede distante. A dor ardente passou rapidamente pelo seu ombro.
         Hanna moveu suas pernas nuas, lutando para se libertar.
         -- Me solta! O que est acontecendo?
         Um guarda da segurana cruzou em sua viso.
         -- J basta -- ele rosnou. Houve um clic e em seguida Hanna sentiu algemas duras em
volta de seus pulsos.
         -- Eu no sou quem vocs querem! -- gritou Hanna freneticamente. --  Iris! Ela  uma
assassina!
         -- Hanna -- a enfermeira a repreendeu abruptamente.
         -- Porque ningum me escuta?
         Os guardas comearam a empurr-la pelo vestbulo. Todas as pacientes do pavilho
estavam paradas fora da sala de cinema, olhando boquiabertas em choque. Tara parecia
entusiasmada. Alexis tinha seus dedos na boca. Ruby via Hanna de cima a baixo, soltando um
risinho.
         Hanna se virou e olhou para Iris.
         -- Como conhecesse Alison?
         Mas Iris simplesmente deu um sorriso misterioso.
         Os guardas levaram Hanna atravs de uma porta e por um corredor pouco familiar. Os
pisos de vinil estavam sujos, e as luzes fluorescentes areas estavam quebradas e zumbindo.
Havia um odor estranho no ar, tambm, como se algo na parede fosse decadente.
         Uma figura alta em um uniforme de polcia surgiu a vista no final do corredor. Observava
serenamente como os guardas arrastavam Hanna at ele. Enquanto mais se aproximavam,
Hanna se perguntava quem era o chefe de polcia de Rosewood. Seu corao deu um pulo.
Finalmente, algum a escutaria!
         -- Ol, senhorita Marin -- disse o chefe.
         Hanna deu um suspiro de alvio.
                                               104
        -- Estava a ponto de cham-lo -- desabafou -- Graas a Deus que voc veio. O
assassino de Ali est aqui. Posso te levar at ela.
        O chefe riu com censura, parecia quase divertido.
        -- Conduzir-me diretamente para ela? Isso  bom, Srta. Marin -- se inclinou at que seu
rosto ficasse paralelo com o dela. Sua pele brilhava com o sinal vermelho de SADA --
Considerando que voc est presa.
                                             105
                                          29
                              O MESTRE DOS FANTOCHES
                                                                        Traduzido por Patryck Pontes
          Quando chegaram a Delegacia de Polcia de Rosewood, o policial soltou as algemas de
Aria e a introduziu em uma sala escura de interrogatrios.
          -- Voltaremos aqui depois...
          Aria tropeou no interior, sua cadeira golpeou contra a borda de uma mesa de madeira.
Pouco a pouco, seus olhos se acostumaram. A habitao era pequena, sem janelas e fedia a
suor. Quatro cadeiras rodavam a mesa. Aria deixou-se cair em uma delas e comeou a chorar
em silncio.
          A porta rangeu e algum cambaleou na habitao. Era uma menina com o cabelo
castanho e as pernas finas. Usava um par de calas de ioga negro, camiseta de manga longa
listrada, e chinelos dourados. Aria viu seus ps.
          -- Hanna? -- soluou.
          Hanna lentamente levantou sua cabea.
          -- Oh -- disse ela em uma voz tnue e dura. -- Ol -- seus olhos estavam vtreos.
Havia um pequena corte perto de sua boca. Seus olhos iam de um lado ao outro.
          -- O que est fazendo aqui? -- sussurrou Aria.
          Os lbios de Hanna se separaram lentamente. Um sorriso sarcstico cruzou seu rosto.
          -- Pela mesma razo que voc. Perece, que ramos parte de uma conspirao para
matar Ali. Ajudamos Ian a escapar e obstrumos a justia.
          Aria apertou os lados da cabea. Poderia estar passando realmente por isso? Como a
policia podia acreditar em tal coisa?
          Antes que pudesse responder, a porta se abriu novamente. Duas pessoas mais foram
colocadas no interior. Spencer usava um casaco de cor verde e altos sapatos negros, enquanto
Emily tinha posto um vestido tipo pradaria, sapatos de coro fino e um gorro branco pequeno. Aria
as olhou boquiaberta assustada. Elas lhe devolveram o olhar. Por um momento todo mundo
ficou sem fala.
          -- Eles acham que nos fizemos -- sussurrou Emily, caminhando at a mesa -- Eles
acham que matamos Ali.
          -- Os policiais encontraram as mensagens de Ian -- admitiu Spencer -- Falei com ele
online hoje mais cedo. E pensaram... bom, pensaram que estvamos conspirando juntos. Mas
meninas... no estou certa que era Ian com quem falava. Acho que era A.
          -- Mas jurasse que era Ian! -- cuspiu Aria.
          -- Pensei que era -- disse Spencer na defensiva -- Mas agora no estou certa --
apontou para Aria -- Os policiais dizem que sabem sobre o anel de Ian. Voc disse a eles?
          -- No -- exclamou Aria. -- Mas talvez deveria ter dito. Pensara que estava mantendo
esse grande segredo.
          -- Como puderam saber sobre o anel de Ian? -- se perguntou Hanna em voz alta, seus
olhos fixos em uma mancha negra no solo de linleo.
          -- Jason DiLaurentis estava no cemitrio -- disse Aria -- A polcia disse que ela os
avisou, mas ela nega. No sei o que pensar. No tenho idia de como Jason pode saber acerca
do anel -- Pensou na outra coisa que Jason disso depois que Aria revelou que ele tinha sido um
doente mental. Entendesse tudo errado. O que ela entendeu errado?
          -- Talvez Wilden disse -- sussurrou Hanna -- Pode ter nos escutado no hospital. Ele
estava fora do quarto.
          Aria desmoronou na cadeira e observou como uma aranha subia diligentemente pela
parede de blocos de cimento cinza.
          -- Isso nem sequer tem sentido -- Spencer seguiu o olhar at em cima -- Wilden  um
policial. Ele no daria a Jason... Ele s conseguiu por conta prpria.
          -- E porque Wilden esperaria dias para nos entregar? -- adicionou Aria -- Alm do
mais, pensei que Wilden estava do nosso lado.
          Emily bufou.
          -- Claro.
          Aria olhou para Emily, realmente fixando-se em seu extravagante vesturio.
          -- O que ests usando, pelos cus?
                                              106
        Emily mordeu o lbio inferior.
        -- A me enviou a uma comunidade Amish e em seguida me disse que tinha um relatrio
de DNA na sala de provas -- Seus olhos se abriram amplamente. -- Um policial me encontrou
antes de eu entrar.
        Aria fechou os olhos. No  de estranhar que os policiais pensaram que eram culpadas.
Eles provavelmente pensaram que Emily estava manipulando as provas.
        -- Mas meninas, Wilden est mantendo o relatrio de DNA enterrado -- soltou Emily --
No  Ali...  uma menina Amish chamada Leah Zook.
        Spencer ficou boquiaberta.
        -- Ainda acha que Ali est viva?
        -- Eu a vi -- disse Emily, encolhendo-se sobre a parede -- Sei que soa louco, mas a vi,
Spencer. No posso deixar isso passar. Tentei de dizer aos policiais, mas eles no escutaram.
        Spencer bufou.
        -- Supostamente eles no escutaram.
        Aria enrugou o nariz.
        -- Emily, definitivamente era Ali nesse buraco. Ali se suicidou.  por isso que A me
ajudou a descobrir.
        Spencer se virou e olhou para Aria.
        -- Foi isso que a psicopata te disse?
        -- Pode ser verdade -- protestou Aria --  uma boa teoria assim como qualquer outra.
        -- No, uma menina louca chamada Iris matou Ali. -- Hanna adicionou em voz alta. -- A
me enviou diretamente a ela.
        Logo todas olharam para Spencer, esperando para ver qual era sua teoria. Spencer
estava arrepiada nos braos.
        -- A me disse que minha me matou Ali porque... bom, porque meu pai teve um caso
com a me de Ali. Ali  minha irm.
        -- O que? Aria prendeu a respirao. Emily ficou mirando. Hanna parecia chateada,
como se pudesse vomitar no pote de lixo de metal dentado no canto.
        -- Mas minha me no o fez -- explicou Spencer -- Ela nem sequer sabia sobre o caso.
Provavelmente arruinei o casamento dos meus pais. A s... estava jogando comigo. Acho que A
estava jogando com todas ns.
        Todo mundo ficou rgido. A compresso golpeou Aria como uma luva pesada de boxe
em seu templo. A tinha jogados com elas. A estava por trs de tudo isso. Jason no tinha dito
nada aos policiais sobre o anel de Ian, A tinha dito. Talvez A inclusive o havia posto no bosque
para que Aria o encontrasse. A enviou Emily para buscar provas de DNA na sala de provas, s
para acus-la ao policial de servio. A disse a policia acerca das mensagens de Ian tambm,
fazendo com que parecesse que tinham conspirado com ele tambm.
        A tinha estado jogando com elas todo o tempo, tirando das cordas. E agora estavam no
crcere por um assassinato que no cometeram.
        Aria olhou para as demais. Pelo aspecto aturdido no rosto, parecia que haviam chegado
a mesma concluso.
        -- A  nossa pior inimiga. -- sussurrou. Procurou em seu bolso, alcanando seu celular.
Certamente A tinha enviado uma mensagem de tento em grupo para mostrar o quo crdulas e
estpidas eram. Presas! Provavelmente dizia. Ou bem, Quem est rindo agora!
        Mas, Aria recordou, a polcia tinha confiscado todos os telefones. Se A tinha mandado
uma mensagem, elas no veriam.
                                              107
                                          30
                                    FINALMENTE LIVRE
                                                                        Traduzido por Patryck Pontes
         Uns trinta minutos mais tarde, algum tocou a porta da cela. Todas as meninas saltaram.
O corao de Emily deu pulo at a garganta. Isso era tudo. Iam ser interrogadas... e logo seriam
encarceradas.
         Uma oficial de polcia entrou na habitao. Tinha crculos roxos em baixo de seus olhos
e uma mancha de caf no peito da camisa de seu uniforme.
         -- Peguem suas coisas, meninas. Esto livres.
         Todas ficaram em silncio, aturdidas. Ento Emily desabou aliviada.
         --  srio?
         -- Encontraram A? -- perguntou Aria.
         -- O que aconteceu? -- disse Hanna ao mesmo tempo.
         A expresso da policial era de pedra.
         -- Todas as acusaes contra vocs foram retiradas -- Mas tinha um incmodo olhar
em seu rosto, como se no quisesse dizer mais nada -- Digamos que as circunstncias
mudaram.
         Emily seguiu as outras para fora da habitao, repetindo as palavras em sua mente. As
circunstncias mudaram? Isso s podia significar uma coisa. Seu corao deu afundou.
         -- Esse corpo no buraco no era de Ali, certo? -- exclamou -- A encontraram! -- Ento
tinham que ter escutado quando disse que Wilden era um assassino!
         Spencer deu uma cotovelada nas costas de Emily.
         -- Quer parar de falar nisso?
         -- No -- replicou Emily. Poderiam t-las enviado para o crcere, mas a teoria de Emily
ainda era correta. Sabiam no fundo do corao. Se voltou para a policial, que caminhava
rapidamente pelo corredor -- Ali est bem? Est segura?
         -- Meninas vo para casa -- respondeu a policial. Suas chaves tilintavam em seu
cinturo -- Isso  tudo o que posso dizer.
         Na recepo receberam seus objetos pessoais de outro oficial. Imediatamente Emily
olhou seu celular, pensando que Ali tinha enviado uma mensagem de texto, mas no havia
nenhuma mensagem nova. Nem sequer uma mensagem de A, rindo por Emily ter ido direto para
a armadilha.
         A policial golpeou um sino e abriu as portas duplas que davam no estacionamento.
Estava cheio de carros de polcia e vans de reportagem. Emily no tinha visto tanta comoo
desde o incndio do bosque.
         -- Emily -- disse uma voz.
         Darren Wilden correu at elas desde o lado escuro do estacionamento, sua jaqueta de
policia estava aberta.
         -- Bom. Te soltaram. Lamento por isso.
         Emily retrocedeu, seu corao soltou at a garganta. Porque Wilden estava aqui? No
deveria estar preso?
         -- O que est acontecendo? -- demandou Aria, detendo-se perto de uma patrulha vazia
-- Porque de repente estamos livres?
         Wilden as guiou pela multido, mas no respondeu.
         -- Estou contente que esto fora dessa baguna. Estamos conseguindo meninos que as
escoltem at suas casas.
         Emily se plantou de p.
         -- Sei o que voc fez -- disse em voz baixa -- E vou fazer com que todo mundo
descubra.
         Wilden se virou, mirando-a fixamente. Seu walkie-talkie fez um rudo, mas o ignorou.
Finalmente suspirou.
         -- O que pensa que sabe no  verdade, Emily. Sei que foi a Lancaster. E sei o que
voc acredita. Mas no machuquei Leah. Nunca faria isso.
         O sangue desceu da cabea de Emily.
         -- O que? Como sabe onde eu estava?
         Wilden ficou olhando o brilhante espao de linhas do estacionamento.
                                              108
        -- As meninas estavam certas sobre esse novo A. Deveria t-las escutado.
        Aria pisou forte com o p.
        -- Oh, agora acredita? Porque no podia ter nos escutado na semana passada, ou
talvez antes que quase fomos queimadas vivas no incndio florestal?
        -- E antes de A me enviar a Reserva Addison Stevens -- protestou Hanna -- Estava
presa com pessoas loucas.
        Emily lembrou-se. A Reserva Addison Stevens. Esse nome estava no arquivo de
evidncia de Ali. Era um hospital psiquitrico?
        -- Desculpe por no ter acreditado -- estava dizendo Wilden, avanando mais pra l de
uma cerca metlica. Atrs dele estavam os veculos que no eram utilizados pela polcia e um
nibus escolar branco e longo. -- Estava equivocado. Mas agora sabemos tudo. Temos todas as
mensagens que ele enviou.
        As meninas engoliram seco.
        -- Ele? -- chorou Spencer.
        -- Quem  ele? -- sussurrou Hanna -- Ian?
        Nesse momento, outra patrulha entrou no estacionamento. Os policiais corriam e
comearam e tirar algum do assento traseiro. Houve gritos e ento uma perna chutou, depois
um flash de dentes. Os policiais finalmente alcanaram quem saia do carro e comearam a
marcha at a delegacia. Quando estavam em plena ao, Emily viu um homem alto, fino, com
gorduroso cabelo loiro e bigode. Seu estmago se espessou.
        Havia rugas de preocupao nos olhos de Spencer.
        -- Porque me parece familiar? -- murmurou.
        -- No sei -- murmurou Emily, sua mente buscava freneticamente.
        Os membros da imprensa se apressaram at os policiais e comearam a tirar fotos.
        -- Quanto tempo tem planejado isso, Sr. Ford? -- gritaram -- O que levou a faz-lo? --
Finalmente, sobressaiu por cima do resto -- Porque matou Alison?
        Aria tomou fortemente a mo de Emily. Os joelhos de Emily estavam dbeis.
        -- O que eles disseram?
        -- Ele matou Alison -- murmurou Spencer -- Esse cara matou Alison.
        -- Mas, quem  ele? -- espetou Hanna.
        -- Vamos -- disse Wilden com aspereza, empurrando-lhes -- No deveriam ver isso.
        Nenhuma das meninas podia se mover. O homem tinha os cabos dos sapatos desatados
enquanto os policiais o empurravam at a delegacia. Tinha a cabea inclinada, deixando
descoberto uma parte calva. Emily manteve suas unhas encostadas em seu braos. Ali estava...
morta? O que aconteceu com Leah? O que aconteceu com a menina que Emily tinha visto no
bosque?
        Os reprteres continuaram gritando, suas vozes desfocadas e incoerentes. Ento um
reprter gritou mais forte que os demais.
        -- O que acontece com o outro corpo que foi encontrado? Tambm  o responsvel por
esse assassinato?
        Hanna se virou para Wilden.
        -- Outro assassinato?
        -- Oh, meu Deus -- as entranhas de Emily se retorceram.
        -- Meninas -- disse Wilden severamente -- Vamos.
        Agora, o assassino de Ali estava a uns passos a frente, aproximadamente a seis metros
de distncia de Emily. Notou Emily e sorriu lascivamente, revelando um dente frontal de ouro.
        A eletricidade rachou as veias de Emily. Conhecia esse sorriso. Fazia quase quatro
anos, os trabalhadores haviam comeado a colocar concreto dentro do ptio dos DiLaurentis, no
dia seguinte que Ali desaparecera. Wilden tinha estado ali... mas tambm muitos outros
meninos. Depois a Sra. DiLaurentis as interrogou, Emily cortava atravs do ptio traseiro de Ali
at o bosque. Um dos trabalhadores se voltou e a olhou de lateralmente. Tinha sido alto e
deselegante, e quando sorria, tinha o mesmo horrvel dente frontal de ouro.
        Emily se voltou horrorizada para Spencer.
        -- Esse cara foi um dos trabalhadores que encheu o buraco no dia seguinte que Ali
desapareceu. Me lembro dele.
        Spencer estava muito plida.
        -- O vi uns dias atrs. Em minha rua.
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                              O MUITO BOM E O MUITO MAU
                                                                          Traduzido por Patryck Pontes
         Quatro jovens policiais de Rosewood chegaram para acompanhar Spencer e as outras
para casa. Spencer subiu na parte de trs do Cruiser que as levaria de volta, afogando-se com o
odor de couro falso do carro, vmito e suor. Um policial de cabelo escuro deslizou no assento
dianteiro, ligou o motor e saiu.
         Pela janela, a imprensa clamava na porta da delegacia de polcia, vidos de outra viso
do assassino. Spencer ficou olhando fixamente pelas janelas de frente da estao de polcia.
Todas as persianas estavam bem fechadas. Poderia esse cara realmente t-lo feito? Era um
estranho, um forasteiro. Parecia sado do nada.
         Ela envolveu seus dedos ao redor da jaula de metal que separava o assento dianteiro da
parte posterior.
         -- Quem mais o homem matou? -- gritou. O policial no respondeu -- Como
descobriram quem matou Ali? -- tentou ela. Ele simplesmente mudou seu programa de rdio
CB. Frustrada, Spencer chutou duramente a parte de trs de seu assento. -- Voc  surdo?
         O policial lhe deu um olhar assustador do espelho retrovisor.
         -- Minhas ordens so te levar para casa. Isso  tudo.
         Spencer deixou escapar um pequeno gemido. Ela no estava muito certa de que
quisesse ir para casa. Em que estado estaria sua casa agora? Seu pai continuava ali? Tinha
fugido para estar com a senhora DiLaurentis?
         Era tudo muito surrealista e impensvel. Spencer estava convencida de que eram
questes de minutos, ela se despertaria em sua cama, descobrindo que era s um sonho. Mas
passou um minuto. E outro, e ela ainda estava aqui. Vivendo seu pior pesadelo.
         De repente se conta de algo. Quando sua me disse para seu pai que admitisse a
verdade, ele tinha soltado, Eu no sabia de nada sobre meninos at mais tarde. Ele tinha dito
meninos, no menino. Foi um erro... ou um deslize? Jason tambm era filho de seu pai... e meio
irmo de Spencer?
         Passaram pelo centro de Rosewood, um pitoresco distrito de compras de tijolo...
pavimentos cheios de lojas de mobilirios elegantes, lojas de antiguidades e sales de sorvete
caseiro. Spencer meteu a mo em sua bolsa de ouro de Kate Spade e encontrou seu telefone na
parte inferior. Surpreendentemente, no tinha mensagens de A. Ligou para sua casa. O telefone
soou e soou, mas no houve resposta. Em seguida, escreveu a direo web da CNN no teclado.
O oficial apertou os lbios... no podia dizer nada, mas isso era uma notcia.
         Efetivamente, a noticia mais importante era cobre como tinha havido outra priso no
caso do assassinato de Alison DiLaurentis. As Pretty Little Liars Exoneradas, dizia o subttulo.
Spencer clicou rapidamente em um vdeo ao vivo. Um reprter de cabelo negro estava de p em
frente do santurio de Ali, uma coleo de fotos, velas, flores e animais de pelcia na calada da
casa dos velhos DiLaurenteses. As luzes de polcia piscavam atrs dela. Tinha os olhos
vermelhos, como se estivesse estado chorando.
         -- A saga do assassinato de Alison DiLaurentis terminou -- anunciou o reprter
gravemente -- Um homem foi preso pelo assassinato com base em uma grande evidncia.
         Uma foto borrada e em preto e branco do homem loiro gorduroso brilhou na tela. Estava
escondido em um estacionamento de uma loja de convenincia, bebendo uma lata de cerveja.
Seu nome era Billy Ford. Como Emily suspeitava, tinha sido um dos trabalhadores que cavou o
buraco para o mirante dos DiLaurentis h quase quatro anos. Os investigadores agora
pensavam que a atormentavam.
         Spencer fechou os olhos, agarrando a culpa. Graas a Deus que os trabalhadores no
esto aqui, tinha dito Ali ao passar no buraco semi-escavado na noite de sua festa de pijamas do
stimo ano. Ficam me assediando. Nesse momento, Spencer tinha pensado que Ali se
vangloriava: J,j, at os meninos maiores dessa idade pensam que estou quente. Nesse
momento...
         -- Depois que outro corpo foi encontrado essa tarde -- dizia o jornalista-- a polcia
recebeu uma pista de que as mortes podiam estar conectadas. Sua investigao os levou ao Sr.
Ford, e encontraram fotos da Sra. DiLaurentis em um computador porttil em seu caminho.
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Tambm encontraram no computador, imagens do quarteto agora conhecido como as Pretty
Little Liars: Spencer Hastings, Aria Montgomery, Hanna Marin e Emily Fields.
          Spencer mordeu com fora seu punho.
          -- Tambm se encontram no carro os que foram registros de correspondncia em forma
de mensagens de texto, fotos e mensagens instantneas com o apelido de USCMidfielderRoxx
-- continuou o jornalista.
          Spencer apertou a frente contra o frio cristal da janela, olhando as rvores borradas do
passado. USCMidfielderRoxx era o MI de Ian.
          A memria da sombra da noite em que Ali foi assassinada inundou sua mente. Depois
que Spencer e Ali haviam brigado fora do celeiro, Ali saiu correndo at a escova. Tinha ouvido
um risinho firme, sons estaladios e ento, Spencer tinha visto duas formas distintas. Ali... e mais
algum.
          Vi duas loiras no bosque, Ian tinha dito a Spencer quando ele a havia abordado na
varanda de sua casa, alegando que era inocente. Spencer ficou olhando a foto do homem
diminuda na tela de seu celular. Billy tinha o cabelo loiro. E ele era novo, com o envio de cada
um dos textos culpando Jason, Wilden e inclusive a me de Spencer. Mas, como sabia tanto
sobre elas? Quem era ele? Porque se importava?
          A tela de seu celular brilhou. Nova mensagem de texto. Spencer mexeu com o teclado e
pressionou ler. Era de Andrew Campbell, o namorado de Spencer. Me interei da priso... e que
fosse posta em liberdade. Voc est bem? Est em casa? Sabe o que est acontecendo na tua
rua?
          Spencer se recostou no assento, as iluminaes publicam zumbiam enquanto ela
passavam fora da janela. O que queria dizer, em sua rua?
          Outro texto apareceu na sua caixa de entrada. Esse era de Aria. O que est
acontecendo? Teu caminho est bloqueado. H carros de polcia por todas as partes.
          Uma idia horrvel comeou a se formar. O rdio tinha dito que tinha havido outro
assassinato.
          O carro da polcia fez uma ampla curva a esquerda da rua. Ao menos dez veculos
dobraram atravs da estrada, as luzes azuis intermitentes. Os vizinhos estavam em seus ptios,
seus rostos de repertrio. Os agentes de polcia entravam e saiam das sombras. Estavam em
frente da casa de Spencer.
          Melissa.
          -- Oh, meu Deus. -- exclamou Spencer. Ela abriu a porta e saltou do carro.
          -- Hey -- grunhiu seu condutor -- No ests autorizada at que estiveres em seu
caminho!
          Contudo, Spencer no escutou. Ela correu at as luzes, com seus membros doloridos.
Sua casa estava adiante. Passou pela porta principal e at a longa viagem. Todo o som
desapareceu. As formas eram borradas em frente dela. Ela pode saborear a blis na parte
posterior da garganta. Ento viu uma figura na varanda dianteira, a silhueta de um corpo. Ps
sua mo sombreada pela frente, entrecerrando os olhos pela brilhante luz da varanda. Seus
joelhos se dobraram. Um alvio lamentavelmente gorjeou em sua garganta. Se deixou cair sobre
grama.
          Melissa correu at ela e a envolveu em um abrao.
          -- Oh, Spence,  to horrvel.
          Spencer tremia. As sirenes soavam em seus ouvidos. Um par de cachorros do vizinho
latiam ao longo, desorientados e assustados.
          --  to horrvel -- soluou Melissa no ombro de Spencer -- Essa pobre menina.
          Spencer deu um passo para trs. O ar era frio e forte. O odor de fogo ainda era picante e
sufocante.
          -- Que menina?
          A mandbula de Melissa se contraiu. Ela agarrou a mo de Spencer.
          -- Oh, Spencer. Voc no sabe?
          Ento ela faz um gesto para a calada. A polcia no rodeava sua casa, sim a dos
Cavanaugh atravs da rua. A faixa policial amarela cobria todo o ptio da finca dos Cavanaugh.
A Sra. Cavanaugh estava no caminho da entrada gritando de dor. Um pastor alemo em um
jaleco azul, estava ao seu lado, cheirando o solo. Um santurio pequeno j tinha comeado na
calada, cheio de fotos e velas e flores. Quando Spencer viu o nome escrito com tinta cor verde
plido no pavimento, cambaleou para trs.
          -- No -- Spencer olhou Melissa suplicante, esperando que isso fosse um sonho --
No!
          E ento compreendeu. H alguns dias, ela olhou pela janela de seu quarto e viu um
homem de cabelo gorduroso vestido com macaco de encanamento de Lope na entrada dos
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Cavanaugh. Ele tinha dado um olhar depredador a bela menina, revelando um dente de ouro
reluzente diante. Mas a menina no tinha visto seu olhar. Ela no sabia que tinha que ter medo.
E agora no podia ver nada... nunca.
        Spencer se dirigiu a Melissa horrorizada.
        -- Jenna?
        Melissa assentiu com a cabea, derramando lgrimas pelas bochechas.
        -- A encontraram em uma vala no ptio de sua casa, onde os encanadores substituram
um dos tubos que se rompeu -- disse -- Ele a matou assim como matou Ali.
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                             O QUE ACONTECE DEPOIS...
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      Pobre, pobre Jenna Cavanaugh. Me sinto mal, mas o que est feito, est feito. Fim.
Terminado. Enfie um garfo nela, est morta. Isso me faz soar sem corao? Oh, bom!
       Supostamente, as Pretty Little Liars vo tornar isso difcil. Aria desejar ter
perguntado a Jenna sobre os problemas perturbadores do irmo de Ali. Emily vai chorar
porque, bom, Emily sempre chora. Hanna vai usar um vestido negro para parecer magra
no funeral. E Spencer... bom, ela se alegrar porque sua irm est viva.
       Ento, onde vamos a partir daqui? Um corpo foi encontrado. DNA foi recolhido.
Um priso foi feita, uma ficha tem sido realizada. Mas  minha ficha policial? Sou o grande
mal Billy Ford... ou algum mais? Bom, voc vai ter que permanecer atento porque vou
levar meu ltimo pequeno segredo.
Pelo momento, de todos os modos.
Bejos, --A.
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http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=34725232
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